A Guerra da informação na era digital


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs


















A mentira e o engano na “Teoria e Ciência da Guerra” preferida de Putin

O general Alexander Vladimirov apresenta seu livro 'Teoria Geral da Guerra'.  Russian International Affaires Council. Moscou 15-04-2014.
Alexander Vladimirov apresenta seu livro 'Teoria Geral da Guerra'.
Russian International Affaires Council. Moscou 15-04-2014.
O general Alexander Vladimirov ensina “Teoria e Ciência da Guerra” numa escola de cadetes em um subúrbio de Moscou.

Ele é vice-presidente do Colégio de Especialistas Militares da Rússia e uma autoridade da maskirovka, sinal distintivo da estratégia de guerra russa.

Maskirovka se traduz como “algo mascarado” ou “pequeno baile de máscaras”.

“Toda a história humana pode ser apresentada como a história da enganação”, explica Vladimirov.

Sun Tzu descreveu a guerra como um sendeiro infinito de astúcia. Mas a Rússia se orgulha de ter aprimorado essas técnicas até a perfeição, diz a jornalista Lucy Ash em longa reportagem para a BBC, reproduzida por “La Nación” de Buenos Aires.

Vladimirov exemplifica com a operação Jassy-Kishinev, de agosto 1944, que engajou dezenas de tanques de mentira. Na II Guerra – diz ele – da parte russa “houve exemplos colossais de maskirovka que envolveram milhares de tanques e tropas”.

A surpresa é o ingrediente chave de maskirovka, e as forças clandestinas que ocuparam a Crimeia deram prova disso.

Os 'pequenos homens verdes' do Kremlin que invadiram a Criméia:  a mídia ocidental insistiu em que não se sabia de onde vinham,  quando as evidências primárias apontavam serem soldados russos.  Os fatos confirmaram a evidência. Mas a mídia não se imutou.
Os 'pequenos homens verdes' do Kremlin que invadiram a Criméia:
a mídia ocidental insistiu em que não se sabia de onde vinham,
quando as evidências primárias apontavam serem soldados russos.
Os fatos confirmaram a evidência. Mas a mídia não se imutou.
Caminhões militares sem identificação, cheios de homens armados e sem insígnias, apelidados “pequenos homens verdes”, chegaram na madrugada como por um ato de magia.

Agora é público e notório que eram membros das forças especiais russas. Mas quando apareceram quem os denunciava era tido como exagerado pela mídia ocidental.

A negação da verdade, ou a mentira deslavada, é outro componente vital da maskirovka.

Em uma conferência de imprensa poucos dias após a entrada na Crimeia, Vladimir Putin eludiu com maestria e impassibilidade as perguntas mais incômodas sobre a origem das tropas invasoras.

Ele falou de homens pertencentes a unidades de autodefesa locais. E cinco semanas depois, após a anexação, glorificou o operativo das tropas russas na Crimeia, não se incomodando com a contradição ovante. A mentira já tinha produzido seu retorno e ponto final.

O general Gordon “Skip” Davis, responsável pelas operações de inteligência no Comando da OTAN na Bélgica, admite que ele e seus colegas levaram tempo para se darem conta “do tamanho e da escala” da chegada de tropas, “continuamente negada pelos russos”.

Mas a historiadora e jornalista de família hebraica polonesa Anne Applebaum não caiu no conto. “Eu entendi imediatamente o que estava acontecendo, pois me lembrei de 1945. Para mim foi um fato muito familiar”, disse ela à BBC.

Na Crimeia “eles fizeram o que fez o Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD, antecessor da KGB) na Polônia depois da guerra. Também criaram entidades políticas falsas das quais ninguém tinha ouvido falar, com ideologias falsas... era cortina de fumaça”.

Soldado russo na Criméia.  Até hoje Putin insiste que não há um só deles na Ucrânia.  Mas a verdade é que eles iniciaram tudo  por ordem expressa do chefe do Kremlin.
Soldado russo na Criméia.
Até hoje Putin insiste que não há um só deles na Ucrânia.
Mas a verdade é que eles iniciaram tudo
por ordem expressa do chefe do Kremlin.
No leste da Ucrânia oficialmente não havia tropas russas ou “pequenos homens verdes”, mas apenas “voluntários patriotas” que estavam de férias. Hoje a presença de tropas de Moscou no conflito é evidente.

Em agosto, a mídia mundial transmitiu a “operação humanitária” de imensas colunas de caminhões brancos que violavam a fronteira ucraniana levando “água e alimentos para bebês”.

O general Davis disse que é “um maravilhoso exemplo de maskirovka”. Pois enquanto as atenções estavam nos caminhões brancos, em “todos os outros pontos de fronteira controlados pelos russos estavam passando equipamentos e tropas”.

O comboio “humanitário” foi “distração” engenhosa para a qual a mídia contribuiu possantemente.

Um dos golpes mais assustadores foi dado por uma TV de Moscou. É a história de um menino de três anos de Sloviansk, no leste separatista, que teria sido crucificado porque falava russo.

A reportagem ainda está online. Uma mulher loura, cuja voz treme de emoção, conta como a criancinha foi pregada num madeiro e agonizou até morrer.

Putin se apresenta como benfeitor da Criméia quando é o chefe invasor e o flagelo da região
Putin se apresenta como benfeitor da Criméia
quando é o chefe invasor e o flagelo da região
A “mãe” alega que a criança foi amarrada a um tanque e arrastada pelas ruas até morrer. E acrescenta que agora sua vida corre perigo por causa dos soldados ucranianos brutos e fascistas, mas que ela arrisca sua vida para poupar a dor a outras mães.

Outra mulher diz que testemunhou o crime e cita o nome da praça onde ele aconteceu. Só que a praça não existe.

Soube-se depois que a mulher testemunha tinha um longo histórico de denúncias falsas na polícia e os pais dela acham que ela é paga para fazer isso.

A TV e o mundo digital estão repletos desse tipo de reportagens, com sites contando as histórias mais mirabolantes e as façanhas mais extraordinárias de Vladimir Putin.

“A estratégia russa, fora e dentro do país, é dizer que a verdade não existe”, explicou à BBC Peter Pomerantsev, que passou vários anos trabalhando em documentários e reality shows para a TV russa.

Tanta mentira promove um niilismo sedutor. Como quem diz: “Todo mundo é ruim, por que então não ser também um pouco corrupto?”

“É um tipo de cinismo que tem muito eco no Ocidente, em nossa época pela falta de confiança generalizada... e os russos confiam nesse cinismo e o usam num contexto militar”.

Putin nega querer restaurar a URSS ao pé da letra, mas reedita na prática as estratégias de Lênin e Stálin.
Putin nega querer restaurar a URSS ao pé da letra,
mas reedita na prática as estratégias de Lênin e Stálin.
Há uma década, Andrei Kurkov escreveu em um de seus livros os eventos na Ucrânia: “Putin é um dos personagens principais. Promete ao presidente ucraniano que anexará a Crimeia e cortará o fornecimento de gás e outras coisas que se tornaram realidade”. Por isso o livro foi proibido.

Mas ele acha que não é tão difícil montar essa ficção. “Quando a gente vive num mundo que não é muito lógico, quando reina a lógica do absurdo, é até assaz simples”.

E fica bem mais fácil ainda com o macrocapitalismo publicitário ocidental fingindo acreditar e ecoando os absurdos espalhados pela propaganda russa.


Exemplos da guerra russa falsificando a informação:







Exército de comentaristas fantasmas russos age na Internet

Na rua  Savushkina nº 55, em São Petersburgo, sem identificação externa funciona a sede da 'fábrica de trolls'.
Na rua  Savushkina nº 55, em São Petersburgo,
sem identificação externa funciona a sede da 'fábrica de trolls'.
Era um segredo de Polichinelo, mas não tinha sido demonstrado. Pelo menos até hoje.

Um exército mercenário de comentaristas russos baseado em São Petersburgo age dissimuladamente na Internet para espalhar os pontos de vista de Vladimir Putin por trás de milhares de pseudônimos.

A sede central da já famosa Internet Research Agency, pelo seu nome inglês, fica num apagado bairro no norte de São Petersburgo.

O semanário Moi Region e o jornal investigativo Novaya Gazeta conseguiram obter dados diretamente de um ex-membro do grupo.

A unidade se dedica à produção diária de milhares de comentários em redes sociais, sites, blogs, além de artigos e posts de acordo com vozes de ordem ditadas pelo Kremlin para cada caso.

A matéria foi desvendada por Global Voices online, entre outros.

Na gíria da Internet essa atividade é denominada “troll”. O termo “designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão e a provocar e enfurecer as pessoas nela envolvidas. O termo (...) deriva da expressão trolling for suckers (lançando a isca aos trouxas)”. Cfr. verbete Troll (internet).

Os trolls usam artimanhas diversas. Entre elas:

Entrada da rua Savushkina 55, quartel central do exército dos 'trolls'
Jogar a isca e sair correndo: consiste em postar uma mensagem incendiária, polêmica, esperando uma grande reação em cadeia, sem se envolver na discussão.

Induzir a baixar o nível: induzem a perder o bom senso na discussão e apelam para baixarias e xingamentos. Com isso, o troll “queima o filme”, consegue que o site, blog ou lista de discussão se desqualifique diante da comunidade por ter descido a um nível tão baixo.

Repetência de falácias: induz à fadiga intelectual, repetindo falácias até que o interlocutor, exausto e derrotado, abandone a discussão.

Desfile intelectual: exibir complicado nível intelectual, vocabulário sofisticado, esmagar com citações os argumentos dos rivais para expô-los ao ridículo como ignorantes. O troll aqui não visa à vitória de uma ideia ou posição, mas desmoralizar alguém que prejudica a linha do Kremlin.

Ludibriar o leitor: com postagens ou comentários usando material de procedência duvidosa ou totalmente falso.

Migrar o tema: desviar-se do foco do cerne da questão para desestabilizar o oponente. Cfr. verbete Troll (internet).

Margarita Simonyan editora da TV Russia Today
foi premiada por Putin pela cobertura
favorável à invasão russa da Crimeia.
As palavras chaves são as mesmas para trolls e mídia oficial.
Andrei Soshnikov, do semanário Moi Region, exibiu uma coleção de documentos e uma entrevista com um ex-empregado do esquema de Vladimir Putin que funciona na rua Savushkina nº 55, em São Petersburgo.

A partir desse local, cerca de 400 funcionários acionam milhares de contas em redes sociais como Twitter, Facebook, Google+, Vkontakt (o Facebook russo), LiveJournal e outras plataformas.

Eles intervêm postando posições estritamente definidas pelo serviço secreto russo, mas diluídas em assuntos apolíticos: moda, fotos, esportes e temas triviais.

A Internet Research Agency impõe regras estritas. Eis as básicas:

Uso OBRIGATÓRIO, nos títulos de posts, comentários, mensagens e outros, das palavras-chaves fornecidas;

uso OBRIGATÓRIO das mesmas palavras-chaves no texto do post, etc.;

uso OBRIGATÓRIO das imagens dos vídeos postados no YouTube, com preferência pelos gerados pelo Departamento Criativo do mesmo órgão russo.

Se estas e ainda outras condições não forem devidamente preenchidas, o agente não receberá o pagamento pelo serviço.

Lyudmila Savchuk trabalhou, colheu documentação e filmou o quartel geral dos 'trolls'
Lyudmila Savchuk trabalhou, colheu documentação
e filmou o quartel geral dos 'trolls'
Um caso típico de identidade falsa é a de “Natalya Drozdova”, que tem um blog no LiveJournal, contas, páginas e perfis em Twitter, Facebook, Google+ e VKontakt.

O verdadeiro nome do operador é Tatyana Kazakbayeva, segundo os documentos revelados. Ela se apresenta como interessada em “arte, psicologia, e tudo o que acontece no mundo”.

A maioria de seus posts são irrelevantes e ocos.

Mas quando estão em jogo os interesses de seus patrões do Kremlin, “ela” manifesta opiniões habilidosamente estudadas. Por exemplo, após o assassinato de Boris Nemtsov, opositor de Putin, “Natalya Drozdova” seguiu à risca as instruções da Internet Research Agency.

A instrução técnica do dia 28 de fevereiro (2015) ordenava:

“Ideia central: criar a opinião de que oficiais ucranianos estavam envolvidos na morte do oposicionista russo”.

“Natalya” escreveu no mesmo dia um post no LiveJournal, no qual dizia:

“Estou sentada desde hoje cedo lendo sobre as circunstâncias da morte de Nemtsov. Quanto mais leio, mais fico convencida de que ele foi morto para que o povo saia às ruas e faça uma revolução em nosso país”.

Os comentários não devem ser facilmente identificáveis do ponto de vista ideológico para não serem minimizados.

A revista Slate observou que a Internet Research Agency faz circular informações falsas com a aparência de bem documentadas com a finalidade de semear o caos e a confusão.

Em 2014, este vídeo forjado alimentou as histórias dos trolls sobre a 'explosão' de uma petroquímica na Luisiana (EUA)
Em 2014, este vídeo forjado alimentou as histórias dos trolls
sobre a 'explosão' de uma petroquímica na Luisiana (EUA)
Um exemplo típico se deu no dia 11 de setembro de 2014, nos EUA. O Departamento de Segurança Interior americano recebeu um alerta inquietante: fumaças tóxicas estavam saindo de uma petroquímica que pegava fogo na Luisiana.

No Twitter, muitas contas falavam da explosão e difundiam um vídeo em que membros do Estado Islâmico reivindicavam o atentado.

Snapshots mostravam a CNN falando do desastre, mencionavam uma página da enciclopédia Wikipedia sobre a catástrofe e centenas de jornalistas naufragavam em mensagens de texto sobre o evento.

Tudo era falso.

A Internet Research Agency é a “fábrica dos trolls”, escreve Slate. A partir de São Petersburgo ela inunda a Internet com artigos, comentários e tweets anti-ocidentais e pró-Putin.

Três meses depois da falsa explosão na Luisiana, os mesmos trolls espalhavam rumores (com auxílio de vídeos também forjados) sobre um imaginário surto de Ebola em Atlanta e o assassinato pela polícia de uma mulher negra.

O jornalista Adrian Chen, de The New York Times Magazine na Rússia, imergiu no universo de internautas que não cessam de deixar comentários enviesados nos sites das mídias americanas.

Ele observou que os trolls profissionais promoviam uma exposição fotográfica itinerante que fazia uma apologia pró-russa. Ela é intitulada Material Evidence e põe a culpa da guerra na Síria e na Ucrânia nas costas dos EUA. O jornalista encontrou por trás as mesmas contas falsas que soltaram o boato da explosão na petroquímica.

Adrian Chen tentou um encontro com uma das autoras de trolls. Ela só aceitou o encontro se seu irmão estivesse presente. O “irmão” (que de fato não era) apareceu vestido de neonazista, com camiseta e tatuagens de cruzes gamadas.

Alguns dias depois, um site ligado ao Kremlin difundiu as fotos do encontro sob o título “O que tem em comum um jornalista do New York Times com um nazista em São Petersburgo?”

O repórter americano descobriu suas fotos com o “neonazista”, que por sinal é famoso, pois foi preso por assassinato. Mas a empregada da Internet Research Agency não aparecia em nenhuma foto. Foi uma arapuca.

A embaixada britânica em Kiev fez uma guia
para identificar os tanques russos T-72BM lutando na Ucrânia
e dissipar a confusão criada pelos trolls.
A blogosfera russa ficou inundada com essas fotos. Objetivo: desacreditar um americano e tudo o que ele possa vir a escrever em desacordo com a propaganda putinista.

Afinal foi revelada a identidade da jornalista que se fez contratar pela Internet Research Agency, colheu a documentação e até filmou clandestinamente um vídeo do quartel geral dos trolls.

Seu nome é Lyudmila Savchuk. Ela conseguiu que a Justiça trabalhista russa condenasse a Internet Research Agency a pagar-lhe uma multa simbólica pelo fato de tê-la feito trabalhar sem contrato e não ter-lhe honrado os ordenados devidos pelos seus comentários pró-Putin na Internet durante dois meses, noticiou Slate.

A sentença do tribunal saiu em 17 de agosto (2015).

Lyudmila Savchuk não procurava dinheiro, mas queira evidenciar que a existência da nefasta agência fantasma era reconhecida pela própria Justiça russa.

Após o resultado judicial, ela revelou sua identidade. Luydila não obteve o fechamento da Internet Research Agency, como havia pedido ao juiz, mas se regozijou porque, segundo suas palavras, “nós conseguimos provar que na Rússia os ‘trolls’ existem, e esse era o nosso objetivo principal”.

Cenas clandestinas da atividade na "fábrica de trolls" em São Petersburgo:







Jornalista tenta investigar os trolls rusos e recebe ameaças de morte

Jessikka achou que iria investigar uma realidade como qualquer outra. E ficou apavorada com o que lhe aconteceu
Jessikka achou que iria investigar uma realidade como qualquer outra.
E ficou apavorada com o que lhe aconteceu
A jornalista finlandesa Jessikka Aro não imaginou o que sofreria em carne própria ao pretender se informar sobre o exército de trolls russos.

Ela própria acabou contando ao jornal “Clarin” de Buenos Aires os inesperados desagradáveis que lhe aconteceram após ter tentado penetrar o mundo “dos propagandistas pro Kremlin nas redes sociais”.

Ela no imaginou que ingressaria numa guerra invisível onde as táticas consistem em assediar, desalentar, intimidar e caluniar.

O centro do campo de batalha é as redes sociais, onde os trolls – usuários contratados para assediar, criticar ou provocar – criam contas ou perfis falsos, inventam seguidores, multiplicam ataques reproduzindo-os em outras contas ou perfis fake (falsos), mentindo sem remorso.

Não se trata de uma pura novidade. Isso já existia no jornalismo. E segue existindo mas de um modo potencializado pelos recursos tecnológicos.

Da versão antiga desse abuso falou o grande pensador católico Carlos de Laet, Presidente da Academia Brasileira de Letras, em 1902:

“Tirania da imprensa! Sim, tirania da imprensa...

“Contai o número imenso de homens que não figuram, que não podem figurar na imprensa.

Jessikka tirou imprudente selfie diante da  Internet Research Agency, famosa central de trolls em São Petersburgo.
Jessikka tirou imprudente selfie diante da  Internet Research Agency,
famosa central de trolls em São Petersburgo.
“Contai, por outra parte, o minguado número de jornalistas, – e dizei-me se não se trata do temeroso predomínio de um grupinho de homens sobre a quase totalidade do seus concidadãos.

“E que poder exerce esse grupo minúsculo? Enorme”. Veja mais em “Professora da Sorbonne denuncia ditadura sutil e implacável da mídia”

Os combates nesse campo foram sendo adaptados à era digital e às redes sociais enquanto os jornais e revistas impressos vão fechando um após outro.

O jornalismo velho estilo estrebucha e polemiza contra o exército dos trolls fautores de um mundo de falsas informações. Mas, está perdendo a hegemonia.

A jornalista Jessikka Aro trabalha para a YLE (ou Yleisradio Ou, a rádio estatal finlandesa) e ganhou o Prêmio Bonnier de Jornalismo, uma espécie de Pulitzer sueco.

Aro conta no artigo A guerra no ciberespaço: propaganda e trolling como ferramentas de guerra que a Rússia tenta manipular as redes sociais “e seu novo instrumento bélico são os trolls”.

Jessikka quis saber até onde esse exército sem rostro articulado pelo Kremlin modificava a opinião pública finlandesa.

Ela estava acostumada ao sistema democrático onde não deixa de haver opiniões falsas e perfis anônimos que tentam influenciar o debate público até com marketing, mas que agem no respeito de certos limites.

Mas Jessikka descobriu outro mundo, o do trolling teledirigido por Moscou, que não tem regra nem moral.

Ludmila Savchuk, ativista que foi contratada como 'troll'. Contou como funciona o 'exército do fake' por dentro
Lyudmila Savchuk, ativista que foi contratada como 'troll'.
Contou como funciona o 'exército do fake' por dentro.
Veja Exército de comentaristas fantasmas russos age na Internet
Na investigação, descobriu que ”algumas vitórias consistem em ameaçar as pessoas até o ponto de silencia-las e manipula-las com uma mistura de verdades e mentiras.

“O pior achado foi que muita dessa gente virava propagandista após ter sido submetida à desinformação do Kremlin (...) Inclusive pessoas bem educadas passaram a difundir mensagens de ódio criminal como verdades”.

Segundo Aro, “os trolls visam sobre tudo converter os jornalistas em seus mensageiros”.

Infiltrar a mídia foi uma cobiçada meta das redes soviéticas no tempo da Guerra Fria. A URSS se destacou pela sua habilidade em penetrar os órgãos jornalísticos ocidentais, até os mais respeitados, e pô-los a trabalhar pela causa comunista.

Por isso, para Arno “o jornalismo deve voltar a ser fiel aos fatos, conferi-los e preservar a confiança da opinião pública. Desse modo os trolls não poderão destruir a verdade”.

Mas isso é precisamente o que não está acontecendo. E a grande mídia, com um viés cada vez mais esquerdista, vai se extinguindo no desprestígio e no desinteresse perdendo cada vez mais a confiança do público.

Sem querer mudar esse viés, ela tenta abafar as redes sociais. Mas o problema da oposição mídia tradicional enviesada X redes sociais intoxicadas de fake news não se resolve um abafando o outro. Tratar-se-ia de ganhar a confiança dos leitores com informação séria.

Nessa disputa turba, prospera o exército de desinformação russo, com uma máquina que produz falsos, até delirantes, mas seletivamente direcionados.

Curiosamente os superpoderes midiáticos que deblateram contra as redes quanto essas ecoam o conservadorismo ambiente, silenciam meticulosamente a existência da guerra da informação de Putin e camaradas.

Lyudmila Savchuk registrou furtivamente os interiores da Internet Research Agency
Lyudmila Savchuk registrou furtivamente
os interiores da Internet Research Agency
A repórter finesa acha que os trolls estão minando a “confiança dos usuários [das redes sociais]. Na medida em que os trolls podem por em circulação suas mensagens de ódio, Facebook, Twitter e Youtube verão como as pessoas civilizada abandonam suas plataformas”.

“A fábrica de trolls russos” montou uma máquina para explorar Facebook em favor de sua propaganda. O fundador da rede, Mark Zuckerberg, encomendou uma investigação oficial.

Aro viajou a São Petersburgo e Moscou onde localizou as “granjas” de trolls, grupos de pessoas recrutadas com anúncios como: “procura-se especialista em redes sociais”, ou “operadores de Internet”, ou “gestores de conteúdos”, ou “redatores para turnos diurnos e noturnos”. Os anúncios prometem um emprego bem pago a tempo completo.

Conheceu os bots bubbles ou bolhas robóticas que promovem perfis multiplicando as “curtidas” ou “comprando” seguidores nas redes sociais.

Mas Aro não estava numa democracia. Sua atividade foi detectada e sua vida passou a ser alvo de ataques e ameaças selvagens.

A jornalista russa Alexandra Garmazhapova, de Novaya Gazeta de São Petersburgo, conseguiu ingressar numa “fazenda de trolls” e descobriu como funcionava.

Cada troll escrevia 100 comentários por turno, desde diversas contas falsas e com o mesmo tom de assédio, ameaça e mentira. Alexandra recebeu ordem de escrever, mensagens difamatórias contra políticos russos, opositores de Putin.

A jornalista russa Alexandra Garmazhapova, também conseguiu ingressar numa “granja de trolls”
A jornalista russa Alexandra Garmazhapova,
também conseguiu ingressar numa “granja de trolls”
Não se sabe o que foi de Alexandra. Mas Aro paga a conta até hoje. Os serviços secretos russos tiraram a luz episódios de seu passado e os expuseram nas redes sociais.

O seus conhecidos acabaram acreditando em falsidades publicadas contra ela: que ela seria uma “espiã” e “narcotraficante” por exemplo. As ameaças pessoais se multiplicaram.

Uma sigla em inglês passou a sintetizar o objetivo dos trolls desencadeados contra ela: FUD (Medo, Incerteza, Dúvida).

A velha estratégia desmoralizadora que adaptada à era virtual hoje é usada por um exército sem rostro as 24 horas com total impunidade.






A guerra não-militar que invade e conquista

Homenzinhos de verde: de início apareceram desarmados.
Quando apareceram armados foi tarde: a Rússia tinha invadido.
A partir da invasão da península da Crimeia e do leste ucraniano, os estrategistas ocidentais estão lidando com um novo tipo de guerra posta em prática por Vladimir Putin, comentou o blog “The Great Debate”, da agência Reuters.

Um exemplo típico se deu na Crimeia com a invasão dos “pequenos homens de verde”.

Desarmados e silenciosos, uniformizados se instalavam nos cruzamentos e pontos nevrálgicos das cidades, sem nenhuma identificação. Eles se revezavam, transportados por caminhões, e, do nosso ponto de vista sul-americano, exploravam de modo incrível a ingenuidade europeia.

Ninguém queria imaginar o que viria. E veio. Certo dia, um dos turnos de revezamento dos “pequenos homens de verde” desceu com armas de guerra diante de autoridades e da população postas na pasmaceira: a Crimeia havia sido invadida pela Rússia sem disparar um só tiro.

No leste ucraniano, os invasores eram “separatistas” do Donbass que queriam a preservação de sua língua e de sua cultura russófila.

Mas esses amantes do passado russo resultaram ser chechenos e de outras nacionalidades, membros de gangues usadas pelo Kremlin para esmagar no sangue as minorias étnicas dissidentes; eram também soldados e oficiais de unidades de elite do Exército russo.

Por fim, o exército de Moscou entrou escancaradamente e se instalou em território ucraniano. Também nesse caso Washington e Londres demoraram demais para perceber a passada de perna.

Desde então, a interrogação passou a ser: qual será o próximo estratagema de invasão?

Um termo russo foi cunhado em Moscou: Maskirovka (literalmente = dissimulação, engano). Ele define uma forma de ataque que não pode ser qualificada diretamente de militar.

Contra esse ataque os aliados da NATO podem discutir indefinidamente se eles estão sendo agredidos militarmente e se as cláusulas do Tratado Atlântico se aplicam ou não.

Sobretudo o famoso artigo 5 da Carta fundadora da Aliança Atlântica, assinada em 1949, a qual define que o ataque a um país membro equivale a um ataque contra todos.

De início foram 'patrióticos separatistas ucranianos'. Depois resultaram ser milicianos profissionais vindos de toda a Rússia
De início foram 'patrióticos separatistas ucranianos'.
Depois resultaram ser milicianos profissionais vindos de toda a Rússia e alhures
Em verdade, a Maskirovka não é algo tão novo assim. O Cavalo de Troia é seu antepassado mais conhecido.

Foi um ato militar? Na aparência, não. Foi um “presente” deixado pelos gregos aos troianos. Com a vontade de comemorar o fim da guerra, esses o receberam sem desconfiança e introduziram dentro dos muros inexpugnáveis da cidade.

E enquanto os troianos dormiam, os soldados gregos saíram de dentro do cavalo, abriram as portas da cidade, exterminaram seus defensores e deixaram-na em ruínas. Troia, que resistira tão heroicamente ao assalto armado, caiu vítima de sua falta de desconfiança e da astúcia dos gregos.

Em setembro de 2014, o presidente Barack Obama visitou a Estônia e garantiu que a defesa de Tallinn, Riga e Vilnius era tão importante para os EUA quanto a defesa de Berlim, Paris e Londres.

Mas Obama pensava numa guerra convencional. E talvez tenha deixado para a História o discurso da perda tola de Ocidente por obra de um Cavalo de Troia upgraded.

A superioridade numérica e qualitativa dos aliados face ao exército russo diminuído e sucateado é de várias vezes. Em 2007, a NATO contava com 61.000 blindados, jatos e helicópteros, contra 28.000 russos; e com mais de três milhões de soldados contra menos de um milhão do lado do Kremlin.

Não é muito provável que Putin queira desafiar a NATO numa ofensiva de avião contra avião, ou de tanque contra tanque.

A esperança de Putin é a Maskirovka .
“O uso escancarado das forças militares é só para a fase final do conflito”, escreveu o general Valery Gerasimov, chefe do Estado Maior russo, num artigo para o semanário Military-Industrial Courier.

A Maskirovka é talhada caso por caso, usando pesadamente a propaganda, a guerra psicológica e, sobretudo, a enganação.

General Valery Gerasimov: “O uso escancarado das forças militares é só para a fase final do conflito”
General Valery Gerasimov:
“O uso escancarado das forças militares
é só para a fase final do conflito”
“É uma nova forma de guerra que não pode ser caracterizada como campanha militar no sentido clássico do termo”, diz relatório do Centro de Pesquisas para a Segurança e a Estratégia da Letônia, que fala de uma “ocupação militar invisível”.

Por isso, causaram arrepio nos analistas as desordens promovidas por torcidas organizadas russas em Marselha durante a Eurocopa 2016.

Em princípio, os violentos torcedores russos foram disputar com os hooligans ingleses a nada invejável coroa dos mais violentos. Até lá, mais um episódio deplorável que degrada o esporte, como já houve outros, comentou “La Nación”.

O problema foi que os russos que protagonizaram os selvagens incidentes, segundo Ronan Evain, expert francês em violência esportiva russa, “são especialistas da ultraviolência que operam como comandos perfeitamente organizados e treinados, não se drogam, nem bebem sequer uma gota de álcool, golpeiam e fogem, e por isso nenhum deles foi preso”, ao menos de início.

Os 150 russos que inauguraram as operações de violência foram “jovens entre 25 e 35 anos, na sua maior parte integrantes dos grupos mais agressivos da Rússia”, segundo fonte policial.

Antes de chegarem a Marselha eles se fizeram anunciar em postos de gasolina e áreas de repouso. “Foram operações tipo comando, perfeitamente organizadas. Os torcedores ingleses não estão estruturados para enfrentar essas agressões”, reconheceu o chefe da polícia de Marselha, Laurent Nunez.

A maioria dos “torcedores” russos mascarados faz parte dos grupos de choque do Kremlin que são utilizados com finalidades políticas. Ronan Evain explicou que “agredir jornalistas importunos, militantes de direitos humanos ou dissidentes faz parte de suas atividades remuneradas”.

Muitos deles viajam periodicamente para o leste de Ucrânia a fim de participar de batalhas juntamente com os “separatistas” pró-russos.

Mykhailo Samus: após Marselha, a Europa pode entender melhor os métodos híbridos usados pela Rússia.
Mykhailo Samus: após Marselha, a Europa pode entender melhor
os métodos híbridos usados pela Rússia.
Eles chegaram a Marselha “conhecendo perfeitamente a geografia do local. Selecionavam o alvo, agiam em grupos de 10 a 15, atacavam durante poucos segundos e fugiam pelas ruelas próximas, sendo substituídos por outro comando”, explicou o historiador Sébastien Louis, especialista em torcidas organizadas europeias.

Para não ser detectados pela policia, eles não usam as camisetas de seu país nem de seus clubes, mas roupas anódinas para sumirem na massa. O único russo pego inicialmente na rua pela polícia foi liberado logo depois por falta de provas.

Segundo a polícia, a maioria dos comandos que combateram em Marselha voltou de imediato para Moscou e está sendo substituída por outros grupos.

O caso de Marselha pareceu muito um ensaio de Maskirovka .

Os entendidos ficaram com o coração na boca. O continente comemorou em espírito de festa os jogos da Eurocopa, enquanto o novo Cavalo de Troia passeava por Marselha.

A UEFA ameaçou expulsar a Rússia da competição e falou-se até em retirar de Moscou a sede da Copa do Mundo de 2018, reavivando suspeitas de corrupção na escolha. Talvez isso acalme o treino da Maskirovka na Eurocopa.

Mas não estará a Rússia testando outras formas inimagináveis de Maskirovka ? Quiçá explorando as invasões de migrantes muçulmanos? 

Não poderá haver – e, isso sim, seria surpreendente para os desavisados – um lance ousado de Maskirovka preparado para as eleições presidenciais americanas?

Num hotel fora de Marselha funcionava uma espécie de QG dos comandos russos. A polícia deteve 43 deles em Mandelieu-la-Napoule (Alpes-Marítimos), quando iam repetir suas operações em Lille.

Moscou reagiu como se tivessem tocado em soldados uniformizados. É “um incidente absolutamente inadmissível, trovejou o ministro de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em discurso diante da Duma (Parlamento), segundo informou a agência France Press.

Moscou convocou o embaixador da França para protestar contra esse “acirramento dos sentimentos anti-russos, susceptíveis de agravar consideravelmente as relações franco-russas”. Obviamente, Lavrov não estava vendo no episódio um mero fato de nível policial.

O próprio Putin fez a apologia dos heróis que, segundo sua versão, reproduzida por “El Mundo”, em número de “200 surraram vários milhares de ingleses”, enquanto era ovacionado em São Petersburgo.

Entre os presos posteriormente expulsos estava Alexandre Chpryguine, que já fora flagrado junto com Vladimir Putin.






Desequilibrar o Ocidente:
objetivo da guerra russa de desinformação

Putin apelou à guerra da desinformação cibernética para desestabilizar os países vítimas
Putin apelou à guerra da desinformação cibernética
para desestabilizar os países vítimas
Svetlana F., 39, aparecia desolada na cozinha de seu apartamento de Berlim. Ela chorava a desgraça que teria sofrido sua filha de 13 anos, supostamente sequestrada e estuprada por um imigrante árabe e internada num hospital psiquiátrico em estado de choque, contou em extensa reportagem a grande revista alemã “Der Spiegel”.

O maior estrépito foi na mídia russa, pois Svetlana tem essa nacionalidade. O Kremlin se erigiu em advogado de sua filha. E Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores, atacou diretamente as autoridades alemãs.

A embaixada russa em Berlim transmitiu agressiva queixa escrita ao Ministério de Relações Exteriores da Alemanha. A diplomacia de Moscou exigia uma investigação completa que não escondesse nada.

Lavrov acusou o governo alemão de acobertamento. Este estaria escondendo os fatos para salvar a imagem da chanceler Angela Merkel, que promove a entrada maciça de muçulmanos.

O ministro alemão para as Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, reagiu fortemente, qualificando a atitude de Moscou de “propaganda política”.

Fotomontagem criada na Rússia para 'ilustrar' chuva de 'trolls' segundo os quais os EUA e a União Europeia sustentam o nazismo que imperaria na Ucrânia. Esta mentira pegou muito na Rússia, onde foi incluída em dezenas de blogs e posts por agentes dissimulados do Kremlin.
Fotomontagem criada na Rússia
para 'ilustrar' chuva de 'trolls'
segundo os quais os EUA e a União Europeia
sustentam o nazismo que imperaria na Ucrânia.
Essa mentira foi muito espalhada na Rússia,
onde foi incluída em dezenas de blogs e posts
por agentes dissimulados do Kremlin.
No Ocidente não pegou tanto, mas outras pegam.
Mente, mente, que algo ficará, dizia Voltaire.
A versão russa do estupro da menina foi rapidamente acolhida pelos opositores da desastrosa política de Angela Merkel, que suspeitavam com fundadas razões de seus procedimentos.

As redes sociais regurgitaram de comentários em favor da menina e da Rússia, e contra o governo de Berlim.

A Divisão de Investigações Criminais de Berlim assumiu o caso e penou para identificar o que havia ocorrido, até as contradições se acumularem a ponto de definir outro cenário.

A história era completamente diferente. A “menina” não era a tal e estava vivendo com um rapaz alemão. E voltou para casa por iniciativa própria.

A verificação médica não achou nenhum sinal de violência, enquanto sites enganados pelo golpe russo anunciavam que “pelo menos cinco estrangeiros” ficaram estuprando-a durante 30 horas.

A moça desmentiu as versões de algum crime contra ela. Mas em seu nome já havia passeatas pedindo a pena de morte para os abusadores de crianças. O “Canal Um”, da Rússia, dedicava ao escabroso e fictício caso um espaço especial no horário nobre.

Todas as maiores TVs da Rússia nas mãos do Estado batiam na nota do estupro e apresentavam filmagens sem nenhuma relação com o caso, algumas delas tiradas de YouTube em 2009.

Os sites russos Sputnik e RT (Russia Today) continuavam martelando no caso, até 700 pessoas se manifestarem diante da Chancelaria de Angela Merkel.

Na realidade, o “caso” da moça expôs a novo estilo da guerra propagandística que Moscou está tocando para desequilibrar o Ocidente.

O caso da menina “sequestrada” e “estuprada” sob o acobertamento do governo alemão tinha todos os ingredientes emocionais necessários para dividir a Alemanha.

Manipulado pelo Kremlin, o caso foi uma bomba da “guerra da informação” de natureza psicológica usado na guerra híbrida para desestabilizar países inimigos.

A tal metamorfose do comunismo solta movimentos separatistas, no fundo com a intenção de promover a agitação e desestabilizar tudo.

Desestabilizar é a palavra de ordem do comunismo metamorfoseado.

E a partir do momento em que o país vítima perde a estabilidade, estão criadas as condições para uma revolução.

A metamorfose se dá por uma transformação profunda dos métodos e também dos nomes e dos estilos dos aparelhamentos.

Mas no fundo a coisa é a mesma e com o mesmo fim: espalhar o comunismo pelo mundo.

(Plinio Corrêa de Oliveira, excerto de análise do caos mundial em 13/6/92. Sem revisão do autor).

Vladimir Putin e sua equipe formada na KGB sabem usar muito bem esses golpes.

Eles estão aplicando mais uma vez os “velhos métodos” da KGB – desinformação e desestabilização –, disse Hans-Georg Maassen, presidente do Escritório Federal para a Proteção da Constituição (BfV), o serviço de inteligência alemão.

Trolls – mentiras montadas e espalhadas através das redes sociais e da Internet; ciberataques como o praticado contra o Bundestag; “pequenos homens verdes” como os soldados que invadiram a Crimeia, são ingredientes constitutivos da “guerra híbrida”, quer dizer, da guerra iniciada sem declaração formal, sem regras nem fronteiras.

Nessa guerra o beligerante age anonimamente, não se identifica, fica invisível, em lugar de disparar com armas ataca com palavras, e a Internet tem-se revelado o mais importante campo de combate.

Fotomontagem russa faz acreditar que o respeitado site Life News
informa do crime que na verdade nunca existiu.
O site Putin@war reconstituiu o percurso do "troll".
Erros no inglês e superposição de faixas e dizeres levantaram suspeita.
O site identificou que o "troll" saiu de um obscuro endereço da Índia
e chegou a grandes sites russos que avidamente
espalharam como informação fidedigna.
O esquema é usado para despistar e passar adiante os "trolls"
("lançando a isca para os trouxas", na gíria da guerra da informação).
O Kremlin usa sites ou TVs como RT para disseminar com grande eficácia notícias e vídeos online em inglês, espanhol, francês e árabe. Também usa o Facebook em alemão, mas, sobretudo, em inglês.

E mantém muitos sites ou perfis que não devem se identificar com o Kremlin, mas obedecer-lhe cegamente, escreveu “Der Spiegel”.

RT e Sputnik – novo nome da antiga Rádio Moscou do tempo da URSS – são dirigidos por Dmitry Kiselyov, propagandista-chefe do Kremlin. Ele se diz engajado numa “guerra de informação” que considera como “a forma primordial de guerra” hoje.

As principais unidades que bombardeiam informações enviesadas estão sediadas nas periferias de São Petersburgo.

É o caso da Agência para Estudos na Internet, que paga mais de 400 empregados para espalhar trolls, criar blogs, postar comentários em outros blogs aplicando uma instrução estrita renovada diariamente.

“A estrutura está baseada ideologicamente no neoeurasianismo expansionista de Alexander Dugin”, explica relatório do serviço de inteligência checo BIS.

Conselheiro de Putin, Dugin diz pregar uma “revolução conservadora”.

E não é mera ideologia ou conversa; agentes do Kremlin percorrem os movimentos conservadores da Europa e do mundo oferecendo atraentes somas de dinheiro.

General Valery Gerasimov “ As guerras não são mais declaradas,
mas simplesmente começam e prosseguem por vias que não são familiares.
(...) O uso escancarado da força militar é só para a fase final do conflito”
Isso já cristalizou num milionário empréstimo ao Front National da França. “Oligarcas” da Nomenklatura putiniana fazem doces propostas aos líderes das direitas europeias, tratados geralmente de modo injusto em seus países.

Os nomes e os encontros citados por “Der Spiegel” são numerosos. Aliás, nem sempre Putin cumpre as promessas. Ele age por puro interesse estratégico, sem moral, como aprendeu na KGB.

Ex-comunistas europeus também fazem parte das fileiras dos zelotas beneficiados por Putin na Alemanha, e nisso não há nada novo.

Valery Gerasimov, chefe do Estado Maior russo, explicou na Academia Militar de Moscou o método adotado pelo Kremlin para promover “conflitos assimétricos”.

“As fronteiras entre a guerra e a paz se apagaram no século XXI. As guerras não são mais declaradas, mas simplesmente começam e prosseguem por vias que não são familiares”, explicou Gerasimov.

Em poucos meses, acrescentou, um país que era estável pode virar areia de um acirrado conflito armado, vítima de uma agressão externa.

“O Estado é submerso no caos, na catástrofe humanitária e na guerra civil”, explicou, dando como exemplo a Primavera Árabe.
Nós poderíamos acrescentar o caso da Síria ou a invasão islâmica da Europa.

Desestabilizar é a palavra de ordem do comunismo metamorfoseado.

E a partir do momento em que o país vítima perde a estabilidade, estão criadas as condições para uma revolução.

A metamorfose se dá por uma transformação profunda dos métodos e também dos nomes e dos estilos dos aparelhamentos.

Mas no fundo a coisa é a mesma e com o mesmo fim: espalhar o comunismo pelo mundo.

(Plinio Corrêa de Oliveira, excerto de análise do caos mundial em 13/6/92. Sem revisão do autor).


O aspecto pérfido da estratégia de Moscou – escreve “Der Spiegel” – consiste em espalhar mentiras previamente calculadas que apagam deliberadamente os limites entre o real objetivo e a ficção pré-fabricada.

Em lugar de enfrentar o adversário numa batalha com as armas da verdade, a Rússia sabota as próprias bases da polêmica racional: ela polui as mentes dos adversários para que afinal não saibam mais no que acreditar.

Se eles caírem nessa manobra, na mesma hora estarão vencidos.

O jornal “El Mundo” de Madri observou que muitos militantes ou simpatizantes dos partidos direitistas em ascensão estão acreditando mais no presidente russo do que nos líderes nacionais.

No caso da Alemanha, acreditam mais em Putin do que na Merkel, segundo sondagem publicada pelo semanário “Die Zeit”.

Muitos deles caíram, vítimas da insincera e insidiosa “guerra da informação” minuciosamente calculada nos laboratórios de Moscou.





Armas infláveis, políticas “religiosas” e “conservadoras”: a “maskirovka” forja mentiras sem cessar

MIG 31 sendo inflado perto de Moscou.
"MIG 31" sendo inflado perto de Moscou.
O assustador MIG-31 cinza escuro aparecia subitamente como que do nada com a estrela vermelha em suas assas. Parecia muito real sobre tudo se visto a 300 metros.

Algumas das mais modernas armas russas puderam ser vistas e fotografadas num campo perto de Moscou.

Ali, trabalhadores manipulando tecidos sintéticos verdes e bombas de ar criavam armas impressionantes em questão de minutos, segundo informou “The New York Times”.

O truque é velho de guerra. Faz lembrar o cavalo de Troia, aliás esse mais poético, ou a ordem corânica de Maomé de os soldados velhos pintarem os cabelos brancos para parecerem mais jovens e fortes.

A Rússia montou um arsenal de disfarces e trapaças para suas forças armadas, dentro do contexto mais vasto da guerra rotulada “maskirovka” (literalmente = dissimulação, engano).

Veja mais em “Maskirovka: a guerra não-militar que invade e conquista”

A Maskirovka tem um papel cada vez mais importante para as ambições geopolíticas imperialistas da “nova-URSS”.

Inflando um lança mísseis perto de um MIG 31 já pronto
Inflando um "caminhão com mísseis" perto de um "MIG 31" já pronto
“Se você estudar as grandes batalhas da história, perceberá que o uso de trapaças sempre vence”, disse o engenheiro militar Alexey Komarov. “Ninguém vence jogando limpo.”

Komarov supervisiona a venda de armas na Rusbal, ou Balões Russos.

A empresa fornece ao Ministério da Defesa da Rússia uma das ameaças militares menos conhecidas nos países que podem ser suas futuras vítimas: um crescente arsenal de tanques, jatos e lançadores de mísseis infláveis.

A Rússia de Putin está retornando ao cenário geopolítico, se imiscuindo na vida política dos países ocidentais, empregando táticas escusas.

Ela silencia inimigos no exterior, manipula a igreja Ortodoxa e promove uma fingida contrarrevolução conservadora conquistando pecuniariamente políticos e partidos nos países que quer submeter.

Uma farta rede de trolls, antigas redes de influência da URSS agora reativadas e novas agências de notícias, TV ou Internet difundem falsas informações calculadas para enganar as audiências ou os internautas no Ocidente.

A “maskirovka” tem que manter o inimigo na incerteza, jamais admitir as verdadeiras intenções e usar todos os meios, tanto propagandísticos quanto militares.

Putin quer seduzir políticos ocidentais de recente conversão a posições 'cristãs'. Na foto com François Fillon, então ministro de Relações Exteriores da França.
Putin quer seduzir políticos ocidentais de recente conversão a posições 'cristãs'.
Na foto com François Fillon, então ministro de Relações Exteriores da França.
Ela visa conferir aos soldados do país a vantagem da surpresa, e seduzir políticos do Ocidente para jogar com uma máscara de conservadorismo.

A doutrina não hesita em apelar à desinformação política em alto nível e o uso de formas astuciosamente evasivas de comunicação.

É claro que as armas infláveis se encaixam bem nos estratagemas da “maskirovka”.

É um recurso velho para quem está em inferioridade de condições de combate, mas se é útil contra adversários decadentes, então vale tudo.

Vídeos no Youtube se encarregam de mostrar as fabulosas armas novas que vão prostrar a NATO e os EUA enquanto os operários enchem de ar sacolas que virarão modernos tanques, aviões, lança mísseis e tudo o que servir para enganar sobre o verdadeiro potencial bélico russo.

A maior utilidade vem se revelando na camuflagem de ideias através da desinformação. A “nova-Rússia” se apresenta como religiosa e conservadora se isso serve para desviar a atenção do adversário, dividi-lo e leva-lo à confusão e a uma capitulação.

Praticamente todos os grandes movimentos de tropas russos e soviéticos dos últimos 50 anos, da Primavera de Praga ao Afeganistão, Chechênia e Ucrânia, começaram por um truque simples e efetivo: soldados chegando ao local de combate à paisana, explica o jornal americano.

Em 1968, por exemplo, um voo da Aeroflot, a companhia estatal de aviação soviética, transportando número desproporcional de homens jovens e saudáveis, que subsequentemente capturaram o aeroporto de Praga.

Em 1983, soldados soviéticos disfarçados de turistas viajaram à Síria, em uma manobra que ficou conhecida como “camarada turista”.

A aparência de misteriosos soldados usando uniformes camuflados em Cabul, no Afeganistão, e Grozny, na Chechênia, serviu como presságio ao envio de muito mais tropas, em 1979 e 1994.

O tanque T80 anda não está pronto para enganar satélites americanos
O tanque T80 anda não está pronto para enganar satélites americanos
Foi o caso dos “homenzinhos verdes” na Crimeia a partir de fevereiro de 2014, ou do cerne das milícias separatistas “ucranianas” recrutadas no coração do Rússia ou transportadas direto de guarnições do exército russo.

Esses antecedentes preocupam aos estrategistas e pensadores clarividentes, em mais de um país vizinho. Mas não tiram o sono dos decadentes. Ou dos cúmplices...

A Rusbal não revela quantos tanques infláveis já produziu, porque os números são sigilosos.

Mas a diretora da firma Maria A. Oparina reconheceu que a produção cresceu muito nos últimos 12 meses. Ela emprega integralmente a maioria de seus operários na costura das armas infláveis, em sua divisão militar.

“Na guerra, não existem acordos de cavalheiros”, repete Oparina. “quem tiver os melhores truques sobrevive.”

Vladimir Putin sabe bem disso, e paga o desenvolvimento das “novas armas” para enganar mais os “decadentes” ocidentais.


A “maskirovka” é mais necessária do que nunca.
Míssil russo falha em parada naval na península da Crimeia
Publicado em 26 de julho de 2015












Guerra da informação: inoculando o caos mental nas vítimasr

A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin. Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin.
Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
Quando a bandeira vermelha com a foice e o martelo foi arriada no Kremlin em sinal da extinção do império marxista-leninista da URSS, o mundo suspirou aliviado.

Mas, nos antros não visíveis a olho nu que deram origem a essa imensa central do mal, preparava-se outra coisa que poucos ousavam imaginar.

“O comunismo morreu!” clamaram com júbilo os potentados de mídia e da economia ocidental que até havia pouco se resignavam a capitular diante do monstro vermelho cujo trono estava no Kremlin.

Houve poucos, muito poucos, que não caíram na cilada. Entre eles destacou-se como figura de exceção, um grande brasileiro: o prof. Plínio Corrêa de Oliveira.

Acompanhando acuradamente o noticiário nacional e internacional, ele foi formando uma ponderada, mas previsora conclusão: o comunismo não estava conseguindo conquistar as massas e por isso entrava em crise.

Para tentar superar essa crise, ele poderia tentar uma manobra – entre outras – que consistiria em fingir uma extinção que desarmasse os oponentes. Quando estes se adormecessem, ele desferiria um golpe de grandes proporções.

O plano não era novo. O esboço dele apareceu em conferência de Dimitri Z. Manuilski, primeiro secretário do Partido Comunista da Ucrânia.

O Dr. Plinio reproduziu os parágrafos nevrálgicos no artigo “A burguesia deverá ser adormecida”, que ele publicou em sua coluna da “Folha de S. Paulo” em 17 de outubro de 1971:

Dmitri Manuilski, chefe da delegação ucraniana na conferência de San Francisco, 1945, que preparou a Carta das Nações Unidas e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
Dmitri Manuilski, chefe da delegação ucraniana
na conferência de San Francisco, 1945,
que preparou a Carta das Nações Unidas
e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
“A guerra de morte entre o comunismo e o capitalismo é inevitável.

“Hoje, evidentemente, não somos bastante fortes para atacar. Nossa hora chegará dentro de 20 ou 30 anos.

“Para vencer, necessitaremos de um elemento de surpresa. A burguesia deverá ser adormecida.

“Começaremos lançando o mais espetacular movimento de paz que jamais tenha existido.

“Haverá proposições eletrizantes e concessões extraordinárias.

“Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição.

“Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade.

“No mesmo instante em que baixem sua guarda, os achataremos com nosso punho cerrado”.

(Dimitri Z. Manuilski, conferência em 1931 na Escola Lenine de Guerra Política, apud Jean Ousset. “El marxismo leninismo”. Editorial Iction, Buenos Aires, 2a. ed., 1963 p. 113).

O tempo passou, a manobra se definiu, e um brado percorreu a terra: “o comunismo morreu!”

Nada foi feito para desmontar as redes que a URSS tinha deixado nos países livres. Enquanto esses se distendiam, as redes se metamorfoseavam e infiltravam os pontos chaves dos países que o comunismo visava conquistar o dia em que voltasse travestido.

Aconteceu nos EUA também. Eles foram sendo absorvidos por problemas gravíssimos como Islã, e foram sendo adormecidos para abaixar as prevenções contra o comunismo. Desviaram o olhar ou até o fecharam diante do pior inimigo.

Putin mandou bajular Trump e favorecer sua candidatura. Por trás da mão estendida, está preparado o punho cerrado.
Putin mandou bajular Trump e favorecer sua candidatura.
Por trás da mão estendida, está preparado o punho cerrado.
Um dia um agente da KGB apareceu dirigindo a campanha eleitoral do candidato que conquistaria a presidência do país, Donald Trump.

O escândalo foi grande, o agente da Rússia e sua equipe tiveram que renunciar.

O próprio Donald Trump, tal vez desprevenidamente, fez grandes negócios na Rússia que pagava esses agentes da KGB. O candidato mostrava afinidade com o ex-coronel da KGB que assumiu o comando do Kremlin.

E Vladimir Putin lhe enviava elogios e sorrisinhos.

Vieram ainda à luz outros passos rumorosos da infiltração russa na administração que Trump está montando.

O então conselheiro de Segurança Nacional Mike Flynn se demitiu após a revelação de contatos mal esclarecido com altos representantes de Moscou.

Mais recentemente, James Comey chefe da poderosa FBI foi demitido. Ele teria cometido o “erro” de aprofundar a investigação sobre a ingerência russa nas eleições presidências americanas.

Dan Coats, senador do partido de Trump, declarou ante o Comitê de Inteligência do Senado que só as mais altas instâncias da Rússia poderiam ter autorizado o roubo e a filtração de dados verificado durante o pleito eleitoral.

O senador democrata Mark Warner perguntou aos diretores da CIA, da NSA – a agência de espionagem eletrônica – e do FBI se o governo russo teria interferido nas eleições de 2016, a resposta foi unânime: Sim, escreveu “El Mundo” de Madri.

A TV NBC explorou uma contradição do presidente Trump, quando ele disse em entrevista que demitira Comey por iniciativa própria, “por essa coisa da Rússia”.

Mas na carta de destituição, Trump dizia que agiu por recomendação do Procurador-geral de Justiça e do vice-Procurador-geral de Justiça da União.

Contribuíndo à confusão, Andrew McCabe, chefe em funções interinas no FBI, contradisse a Casa Branca em tudo que se refere à exoneração de Comey.

Sarah Huckabee Sanders, filha de um aliado de Trump e porta-voz deste, declarou que Comey havia cometido atrocidades no FBI. Mas McCabe replicou que a imensa maioria do pessoal do FBI tinha uma visão positiva de Comey.

Retomando sua saraivada de acusações, “The Washington Post” – o maior jornal de Washington, declaradamente inscrito na oposição democrata –, acusou o presidente Trump de ter revelado informações das mais secretas ao ministro russo de Relações Exteriores numa reunião na Casa Branca.

Até os serviços secretos israelenses teriam manifestado temor pelo vazamento de informações confidenciais para a Rússia, segundo o jornal “Haaretz”, citado pelo site “Slate”. 

A troca de acusações e desmentidos pegou fogo sem nada esclarecer definitivamente. O chanceler russo Sergei Lavrov e o embaixador Sergey Kislyak — já envolvido em controvérsias anteriores — ficaram no centro das atenções.

Foi ilegal? Há argumentos num sentido e noutro.

Como presidente pode, mas o modo de fazê-lo pode ser danoso e violar a lei. A CIA e a NSA tiraram o corpo do problema. Os funcionários amigos de Trump dizem que tudo é um falso.

O presidente disse ter falado com o chanceler russo sobre a ameaça islâmica. Mas o comunicado da Casa Branca sobre a reunião nada menciona sobre isso. E sublinha que o presidente “levantou a questão da Ucrânia” e “enfatizou seu desejo de construir um melhor relacionamento entre os EUA e a Rússia”.

Para maior confusão, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, H.R. McMaster, negou a veracidade da informação de “The Washington Post”, escreveu “El Mundo”.

Para “The Guardian”, jornal britânico contrário a Trump, a menor sombra de dúvida nestas matérias “pode ser devastadora para as relações entre os países”.

Senador republicano Bob Corker:
“O caos que está sendo criado mete medo”
“Slate” também fala da erosão da confiança no presidente e em seu partido no Congresso e no Senado. A palavra “impeachment” por incompetência já surgiu, mas parece improvável considerando que metade dos americanos está com o presidente.

Esses foram alguns passos mas não todos. E se anunciam ainda outros que poderão abalar a coesão da administração americana e do povo que governa.

Durante a campanha eleitoral na França, o presidente eleito Emmanuel Macron qualificou a agência de notícias Sputnik, financiada pelo governo russo, e o canal Russia Today, ou RT, como veículos de fake news (notícias falsas).

Os dois órgãos foram proibidos de cobrir o noticiário sobre Macron, noticiou a “Folha de S.Paulo”.

A Sputnik espalhava informações sobre a vida privada do candidato e citava um legislador francês que definia Macron como “fantoche das elites financeiras dos EUA”.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, atacou a atitude de Macron como “ultrajante, uma discriminação deliberada contra veículos russos”.

O temor principal do Macron era de que a Rússia se imiscuísse através de hackers na eleição francesa, como fez na votação americana.

Interdição análoga foi proposta pela primeira-ministra da Grã-Bretanha, pensando nas já realizadas eleições regionais e nas próximas parlamentares inglesas.

O que sairá desse “saco de gatos”?

Da confusão só sai confusão. Mas quando dois polos de influência disputam a hegemonia do mundo e um cai na confusão e outro não, este último está tirando a maior vantagem.

E com tanta mais razão quanto seus tentáculos estão alimentando essa confusão no outro lado. Divide ut imperes (divide para imperar) foi a consigna do império romano que Putin mais parece aplicar.

Nesse sentido, o senador republicano Bob Corker apontou o mal que a confusão está causando aos EUA e o benefício que o Kremlin está obtendo: “O caos que está sendo criado pela falta de disciplina está estimulando um ambiente que mete medo”.

Monumento soviético a Manuilski na Ucrânia:  “No mesmo instante que baixarem a guarda, nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.
Monumento soviético a Manuilski na Ucrânia:
“No mesmo instante que baixarem a guarda,
nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.
Nesse caos, uma coisa parece certa: é como se se estivesse cumprindo à risca o profético – e quão ignorado! – alerta do professor Plinio Corrêa de Oliveira sobre a manobra em gestação no seio do comunismo russo.

Ele denunciou reiteradas vezes o engano contido no slogan “o comunismo morreu”, repetido com frequência pelo macrocapitalismo publicitário e por muitos que até poucos anos atrás colaboravam economicamente com o regime dos sovietes.

Com voz de anjo das trevas, Manuilski poderia estar repetindo com sinistra autossatisfação em seu túmulo:

“A burguesia deverá ser adormecida. 

Começaremos lançando o mais espetacular movimento de paz que jamais tenha existido. Haverá proposições eletrizantes e concessões extraordinárias.

“Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição. Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade.

“No mesmo instante em que baixarem a guarda, nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.


Vídeo: Garry Kasparov, ex-campeão mundial de xadres, fala sobre a guerra de informação russa no momento atual (dublado português)







Recrutamento russo nas redes sociais

A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
Ladislav Kasuka redigia sua costumeira diatribe contra o ocidente para um site stalinista checo quando começou a receber mensagens oferecendo-lhe dinheiro para organizar protestos de rua.

Esse foi o ponto de partida de toda uma história objeto de reportagem de “The New York Times”.

A primeira mensagem, recheada de bajulações pelo seu trabalho, chegou em russo, enviada por alguém que ele desconhecia. De início, a oferta foi de 300 euros.

Era para Kasuka, um stalinista checo sem um tostão, comprar bandeiras e cartazes destinados a uma manifestação pública em Praga contra a OTAN e o governo pró-ocidental da Ucrânia.

Logo depois, ofereceram-lhe mais 500 euros para comprar um videocâmara e publicar seus vídeos na internet. Ainda viriam promessas de outras quantias menores. Kasuka ficou surpreso, mas como o dinheiro “era para a boa causa” anticapitalista foi aceitando.

Pouco depois estava enleado numa estranha trama que funcionava nas redes sociais.

Seu caso foi apenas um entre muitos na Europa Oriental e Central, resultantes de uma campanha de influência frenética, por vezes grosseira, financiada por Moscou e dirigida por Alexander Usovsky, agitador nacionalista russo, sicário ideológico numa batalha para ganhar almas e mentes nos fios da Internet.

Se comparada à intromissão da Rússia nas eleições presidenciais nos EUA e na França, as atividades de Kasuka e outros como ele têm pouca relevância. Mas para Moscou servem e não pouco.

Um dia hackers ucranianos vasculharam o computador de Usovsky e fizeram vir à luz sua estratégia para ampliar a área de influência russa.

Recrutar ativistas independentes estrangeiros e irrigá-los com dinheiro fornecido por “oligarcas” e agentes do Estado putiniano.

Usovsky teve sorte instável, por vezes imprudente ou desastrada, mas procurou renovar as iniciativas à sombra do dinheiro do magnata da nomenklatura Konstantin Malofeev. Ele lhe pediu “um plano claro, concreto e realista para a chegada ao poder de forças pró-russas”.

Usovsky “é um bom caso de estudo sobre os métodos russos”, disse Daniel Milo, ex-funcionário do Ministério do Interior eslovaco, especialista em extremismo da Globsec, grupo de investigação de Bratislava. “Ele é uma pequena engrenagem de uma grande indústria. E poderia haver dúzias como ele”, opinou Milo.

Ladislao Kasuka foi recebendo dinheiro fácil da Rússia e acabou enleado numa rede dirigida pelo Kremlin
Ladislao Kasuka foi recebendo dinheiro fácil da Rússia
e acabou enleado numa rede dirigida pelo Kremlin
Usovsky começou a agir em 2014 cavalgando a onda de fervor nacionalista russo pela invasão da Crimeia. Montou uma rede de sites em várias línguas para promover a unidade eslava, alugou um escritório em Bratislava e criou uma fundação falsa, cuja fachada era promover a cultura.

Usovsky apresentou orçamento de milhares de euros a Malofeev entre outras coisas para promover candidatos pró-russos nas eleições polonesas, mas não conseguiu fazer vencer um só.

Identificou contudo sócios na Europa Oriental e Central dispostos a receber sua ajuda. Ampliou na internet as vozes radicais, fez com que pequenas passeatas parecessem muito maiores do que eram.

Trabalhou com a mídia informativa russa para garantir que “seus” colaboradores checos, eslovacos e poloneses recebessem ampla cobertura nos órgãos moscovitas com penetração no exterior.

Por isso Kasuka, o stalinista que mora num apartamento popular de Melnik, aparece habitualmente na mídia russa como um conceituado comentarista de geopolítica e de assuntos checos.

Chegou a dizer por meio de Russia Today que os EUA poderiam jogar uma bomba atômica na Ucrânia e culpar a Rússia para assim provocar uma guerra. Era absurdo, “fake news” no duro, mas servia para a propaganda moscovita.

Suas atividades são ecoadas como grandes eventos pela TV moscovita.

“É uma loucura total”, comentou Roman Maca, analista sediado em Praga. “O Canal Um russo apresentou como notícia séria um protesto de 10 pessoas que na sua maioria candidatas à internação num hospital psiquiátrico”.

Malofeev não ficou satisfeito com Usovsky. Então, esse foi atrás de outros doadores potenciais com planos detalhados para montar una “quinta coluna pró-russa”, canalizando dinheiro para políticos anti-OTAN e a anti-UE.

Por sua vez, Kasuka desanimou das arruaças e agora se concentra no estudo da filosofia marxista, dos logros de Stalin e da miséria causada pela exploração capitalista.

Talvez esteja lendo a ‘Laudato Si’.





“Disposto a espalhar uma farsa?”: nos laboratórios de Sputnik e Russia Today

Andrew Feinberg quis fazer carreira na RIA Global, da Sputnik e percebeu que teria que repetir falsidades vindas do Kremlin
Andrew Feinberg quis fazer carreira na RIA Global, da Sputnik
e percebeu que teria que repetir falsidades vindas do Kremlin
O jornalista americano Andrew Feinberg recolheu uma alucinante experiência nos poucos meses que trabalhou para os órgãos de imprensa mais mimados pela guerra psicológica russa: a agência Sputnik e Russia Today, segundo relatou a “Slate”.

Andrew sabia da baixa reputação jornalística desses instrumentos putinistas, mas ansiava conseguir um posto como correspondente na Casa Branca.

Fez então uma tentativa na “RIA Global”, propriedade da Sputnik. Porém, como não quis dobrar-se à mentira planificada, foi posto na rua cinco meses depois.

Na entrevista prévia ao emprego a pergunta de Peter Martinichev, chefe do escritório da agência moscovita em Washington, soou como uma rajada de Kalashnikov: “O que o senhor estaria disposto a fazer se nós lhe ordenarmos escrever uma coisa que não é verdade?”

Andrew ficou gelado, pois podia perder o ansiado posto. Mas sua consciência não permitiu: “Eu renunciaria”, disse.

O abacaxi ficou do lado do recrutador russo, que poderia ser denunciado caso se recusasse a admiti-lo.

Então o contratou. Andrew começou a trabalhar em janeiro de 2017.

Desde o primeiro dia ele percebeu que a pergunta não foi um mero teste. Seus chefes russos Peter Martinichev e Anastasia Sheveleva passaram a lhe pedir serviços contrários à ética jornalista americana, que já não é muito respeitosa da verdade.

Durante uma conferência de imprensa, Andrew perguntou ao porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, por que Trump não enviava armas à Ucrânia para sustentar esse país diante da agressão russa.

Putin nega e afirma o contrário do que negou e sua mídia ecoa. 'Na guerra mentira é como terra' diz provérbio. A Rússia vive em guerra da informação permanente
Putin nega e afirma o contrário do que negou e sua mídia ecoa.
'Na guerra mentira é como terra' diz provérbio.
A Rússia vive em guerra da informação permanente
Em Sputnik não tinham dito nada a respeito. Mas quando ele apareceu na redação, percebeu que sua pergunta já tinha sido controlada, censurada e o serviço recusado.

O lema da Sputnik é: “Dizer o que não é dito”. Mas Andrew logo entendeu o seu significado: que o jornalista deve se alinhar com a posição oficial proveniente do Kremlin.

“Aquilo que Sputnik publica deve acertar o passo com o lado da Rússia, esteja ou não de acordo com a verdade”, sublinhou.

Num e-mail, o chefe Martinichev ordenou-lhe nunca mais fazer pergunta na Casa Branca que não fosse aprovada pelos superiores russos.

Desde então, cada pergunta que ele submetia aos chefes de Sputnik voltava com sentido contrário.

Após os ataques americanos às bases dos bombardeiros sírios, responsáveis por despejar gás sarin sobre hospitais civis, matando inúmeras crianças, Andrew voltou a submeter suas perguntas.

Martinichev lhe respondeu que elas já estavam respondidas em um artigo de Russia Today que difundia a posição oficial do Kremlin, e que, portanto, não vinham ao caso.

Uma vez ou outra suas perguntas eram jogadas na lixeira e substituídas por outras aberrantemente enviesadas para servir à máquina de propaganda russa.

O jornalista passou a formular suas indagações na Casa Branca com pavor de ser filmado e ser pego pelos chefes.

Por fim, ele se rendeu à evidência. Enquanto trabalhasse para Sputnik não poderia visar à verdade. Só poderia contribuir para difundir a desinformação gerada em Moscou.

Putin: não havia soldados russos no leste da Ucrânia. Mas estava cheio deles. Russia Today não teme mentir, teme o chefe.
Putin: não havia soldados russos no leste da Ucrânia.
Mas estava cheio deles. Russia Today não teme mentir, teme o chefe.
Martinichev propôs-lhe finalmente fazer uma pergunta que acabaria inocentando os hackers russos no caso da espionagem dos e-mails de Hillary Clinton.

Andrew respondeu que “se sentiria muito mal” em fazer tal pergunta, pois “não havia base alguma nos fatos que pudesse justificá-la”.

O chefe de Sputnik o demitiu na hora. Mas Andrew saiu aliviado e mandou um tweet aos seus seguidores: “Não trabalho mais para a Sputnik. Eu adoraria explicar por quê. Não hesitem em me contatar”.

Na reportagem “Minha vida na rede de propaganda russa” ele contou para a revista “Politico” tudo o que sofreu.

Um de seus chefes, um macedônio de nascença chamado Kovach, tinha experiência em propaganda de guerra. Ele e os russos tinham uma agenda própria “que nem sem sempre incluía toda a verdade”.

Andrew percebeu que o lema de Sputnik “Dizer o que não é dito” significa na realidade “não dizer a verdade”, alegando tratar-se de uma “visualização alternativa”.

Sputnik o havia engajado para usá-lo como um agente não russo e, assim, fazer passar as palavras de ordem provenientes de São Petersburgo.





A ‘cruzada’ de Stalin para salvar o cristianismo em 1941: truque revivido por Putin

'Santinho' soviético: Santa Olga se aparece a Stalin e o aconselha na II Guerra Mundial
'Santinho' soviético: Santa Olga se aparece a Stalin
e o aconselha na II Guerra Mundial
A “nova-Rússia” está extremando seus artifícios para tentar cativar cristãos e conservadores no Ocidente.

O curioso é que essa artimanha não é nova. Já foi tentada pelos serviços secretos soviéticos em outras circunstâncias.

Notadamente nos tempos de Stalin a quem Vladimir Putin se refere como seu modelo de governante.

O procedimento foi tão desprovido de moralidade que na época não pareceu acreditável. O Pe. Robert A. Graham S.I. há mais de 30 anos lhe consagrou um alentado estudo no qual pode restaurar os inacreditáveis procedimentos da guerra da informação russa.

O trabalho apareceu na revista “La Civiltà Cattolica” nº 3186, de 19 de março de 1983 (págs. 533 a 547). Fundamentamos este post nessa conscienciosa matéria publicada sob o título:  “A cruzada de Stalin contra «o anticristo» Hitler – A «Rádio cristã» do Komintern em 1941” (“La crociata di Stalin contro «l'anticristo» Hitler – La «Radio cristiana» del Comintern nel 1941”.

Em 1941, Hitler invadiu Rússia sem atender a aliança conhecida como pacto Ribbentrop-Molotov (23 agosto 1939) em virtude do qual Moscou e Berlim aliadas desencadearam a II Guerra Mundial.

Pouco depois, os radioamadores ficaram surpresos ouvindo uma linguagem inesperada vinda da Rússia dos sovietes.

Nas ondas da Rádio Moscou os cristãos eram exortados a se unirem pela defesa da cristandade.

Os locutores de Moscou louvavam os católicos alemães que resistiam às perseguições nazistas, citavam os sofrimentos dos católicos poloneses e de outros países ocupados pelo nazismo.

A emissora se definia como “Rádio Cristã” e reproduzia a mensagem evangélica numa media dúzia de línguas com tal fidelidade que muitos poderiam ter achado que ouviam a Rádio Vaticana.

O semanário católico londrino “The Tablet”, em 19.7.1941, comentou “a denúncia diária que fazem os russos da perseguição religiosa na Alemanha”.

Trocando Putin por Stalin o estratagema se repete no século XXI.
Trocando Putin por Stalin o estratagema se repete no século XXI.
Naquele conflito mundial fez furor o uso de rádios clandestinas na guerra da informação por parte das potências em guerra. Mas ninguém imaginou que o cinismo de Moscou podia ir tão longe.

Stalin e a URSS precisavam desesperadamente do apoio do povo que até pouco tinham perseguido religiosamente.

As campanhas antirreligiosas foram suspensas, os eclesiásticos ligados ao Patriarcado de Moscou foram catapultados ao primeiro plano.

A “Rádio Cristã” despertou dúvidas pelos seus arroubos em defesa da Cristandade, muitos mais intensos do que as transmissões da Santa Sé.

Em 1963 foram recuperados arquivos na Alemanha Oriental que documentavam a monstruosa operação de guerra psicológica montada no Kremlin e os nomes da equipe internacional do Komintern [Internacional Comunista] que a efetivou.

Até o início da II Guerra Mundial, a mídia socialista russa incitava à guerra contra as “superstições” religiosas, um axioma do marxismo-leninismo.

E, quando a aliança soviético-nazista invadiu a Polônia a fúria da propaganda russa visou os chefes da Igreja Católica. Eles eram acusados de cumplicidade com o capitalismo e com os “imperialistas” fabricantes de armas, responsáveis pelo conflito na ótica de Moscou.

Quando o Papa Pio XII publicou a encíclica Summi Pontificatus (20.10.1939) o  jornal soviético porta-voz do regime “Izvestia” (22.1.1940) acusou o Vaticano de “beber sangue dos caídos”.

O Communist International (1940, nº 6), escrevia que “o proletariado internacional reconhecia entre os odiosos culpados da guerra a batina padresca do Senhor do Vaticano”.

O Sputnik Agitato (fevereiro de 1941) acusava o Papa de estar a serviço dos financistas da guerra e repelia as “calúnias selvagens” contra a URSS.

Um dos maiores assassinos de massa da História foi transformado pela desinformação em defensor da vida, das crianças e das famílias.
Um dos maiores assassinos de massa da História
foi transformado pela desinformação russa
em defensor da vida, das crianças e das famílias.
O alemão Richard Gyptner e o checo Victor Stern, fiéis agentes do Komintern, foram os chefes da “Rádio Cristã”.

Eles acabariam morrendo após a guerra cobertos de honrarias pelos serviços prestados.

Gyptner escreveu que a transmissão visava os católicos e crentes para incitá-los a se aliarem contra o “anticristo Hitler” e exaltava os eclesiásticos que agiam nesse sentido.

Na doutrina do Komintern isso afinava com a “política da mão estendida” lançada no 7° Congresso mundial do PC em 1935.

Emissões dos dias 7 e 27 de julho 1941 defenderam os católicos e espalharam que “é necessário abandonar a velha fábula do catolicismo aliado com os opressores das nações”.

As emissões em italiano concluíam com a pia exortação “cristãos, católicos! perseverai na batalha contra o anticristo”!

Em polonês ressaltavam as perseguições que sofriam os sacerdotes católicos, a ocupação de dioceses, o confisco de arquivos, a expulsão de cônegos, etc.

Em húngaro sublinhavam que na Alemanha as escolas católicas foram fechadas, que em Innsbruck os bens dos capuchinhos foram roubados e que mais de 800 sacerdotes poloneses foram extraditados para o país invasor.

Na festa da Assunção em 15.8.1943, o londrino Catholic Herald reproduziu emissão da “Rádio  Cristã” em polonês com programa exaltando a festa de Nossa Senhora.

Entre outras coisas dizia: “rezemos ardorosamente à protetora de nosso católico país [...] a Ela que é mais forte que Satanás se deve a queda das cidades de Orel e de Biegorod nas mãos do Exército Vermelho [...]. Ô Rainha da Polônia, país que é a joia da coroa da beatíssima Virgem, conduzi nossos irmãos na batalha”.

Gyptner deixou por escrito sua alegria com o sucesso de suas mentiras. Ele citou o testemunho de oficiais e soldados inimigos presos em Stalingrado.

Mas a melhor prova para ele foi que Goebbels, ministro da propaganda nazista, classificou a “Rádio  Cristã” entre as 15 emissoras inimigas mais perigosas.

O metropolita Sergio de Moscou se destacou pela pregação religiosa encomendada por Stalin e pelo PC. O dia 26.6.1941 celebrou uma missa para obter a vitória.

Foi na igreja da Epifania de Moscou com grande presença de membros do governo e do PC, fartamente fotografados para difundir pela imprensa estrangeira.

Na prática nenhuma lei antirreligiosa foi tocada, abolida ou modificada. Mas não faltaram em Ocidente aqueles que viam as emissões do modo mais favorável para os sovietes e acenavam com o início de uma época nova no império do ateísmo.

Até exilados russos sonharam com uma mudança operada em Stalin que estaria fazendo dele o salvador da Santa Rússia.

Uma mesma cartilha redigida pelos serviços de contrainformação
Uma mesma cartilha pelos mesmos objetivos de contrainformação
Os eclesiásticos ortodoxos que não acertaram o passo foram excomungados pelo metropolita Sergio de Moscou.

Fez parte da manobra um nunca achado “documento Weigang” atribuído a um ignoto lugar-tenente alemão que teria feito um plano visando “o fechamento de todas as igrejas e a substituição do cristianismo pela religião de Wotan” na Rússia.

O plano nunca foi publicado nem recuperado em arquivo algum. Jamais foi possível identificar o referido Weigang. O golpe, porém, foi comemorado pela contrainformação soviética.

Ilya Ehrenburg chefe da propaganda de Stalin denunciou o satânico “plano Weigang” em emissão do dia 19.7.1942 sublinhando a “finalidade de erradicar o cristianismo na Rússia, porque era uma religião não adaptada ao povo”.

* * *

O curso da guerra mudou em 1943. As exigências propagandísticas foram outras e a anti-cruzada de Moscou pelo cristianismo perdeu sua utilidade. A “Rádio Cristã” parou de emitir.

Mas a manobra do generalíssimo do ateísmo José Stalin ficou registrada como uma estratégia ousada de falsa cruzada para ludibriar os cristãos e pô-los na órbita da Internacional Comunista.

Hoje, Vladimir Putin e seus acólitos parecem ter recuperado a velha cartilha para aplica-la num contexto novo, mas com possantes analogias.

(Autor: Robert A. Graham S.I. in La Civiltà Cattolica, 19.3.1983 nº3186, págs 533 a 547)





Manipulação da mensagem de Fátima pela Rússia

Jeanne Smits ex-diretora do jornal do Front National: a Rússia tenta voltar a mensagem de Fátima contra o Ocidente
Jeanne Smits ex-diretora do jornal do Front National:
a Rússia tenta voltar a mensagem de Fátima contra o Ocidente
A aparição de Nossa Senhora em Fatima deixou uma espada encravada no cerne da Revolução anticristã.

Os católicos receberam a advertência de que como castigo para a impenitência “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”. Cfr. “Fátima: Mensagem de tragédia ou de esperança?”

A Rússia comunista apareceu assim como o inimigo por excelência. E essa advertência se tornou mais necessária e atual neste ano centenário da aparição de Fátima.

Jeanne Smits, ex-diretora e ex-gerente do jornal “Présent” ligado ao Front National de Marine Le Pen, partido amigo do Kremlin, escreveu palpitante matéria sobre como a desinformação da “nova-Rússia” trabalha para se livrar do estigma e inverter astuciosamente os termos da denúncia profética.

Smits publicou longo artigo a respeito em seu site Reinformation.tv.

Segundo Smits, a manobra de guerra da informação encontrou o terreno bem preparado pela falsa ideia de que “o comunismo morreu”.

Na fase atual, a propaganda russa tenta erigir a Moscou em bastião derradeiro do cristianismo sitiado pelos inimigos. A inversão não podia ser mais completa e contrária à razão.

Segundo a montagem que está sendo espalhada entre muitos grupos de direita ocidentais, o comunismo inimigo de morte da Igreja Católica não existiria mais na Rússia de Putin.

Mais ainda, essa “nova Rússia” teria passado a ser o baluarte da moral tradicional cristã diante de ideologias do tipo LGBT, de gênero, anti-vida, anti-família, etc., subprodutos do liberalismo que domina no Ocidente.

Dessa maneira a imagem da “Rússia promotora de guerras e perseguições à Igreja” ficaria invertida. E seus erros deveriam ser apontados com exclusividade aos países da civilização ex-cristã, de berço ocidental e católico.

Os velhos erros comunistas não foram banidos da Rússia e estão crescendo
Os velhos erros comunistas não foram banidos da Rússia e estão crescendo
Smits ficou pasma vendo que alguns conhecidos dos movimentos conservadores que ela frequenta, parecem não perceber que esses erros não só não foram banidos da Rússia, mas estão se reforçando dissimulados sob vernizes enganadores.

O ateísmo de Estado, o igualitarismo filosófico, o niilismo moral, a ditadura absoluta do relativismo são erros com que a URSS montou uma revolta suprema contra Deus, contra a verdade.

E o comunismo bolchevique consagrou décadas para tentar instila-los nas almas dos russos com uma perversidade que supera a dos crimes de sangue massivos que também praticou.

Esses erros produziram efeitos nefastos: por exemplo, o assassinato das crianças no ventre materno foi logo aprovado sem restrições na URSS, e a “nova-Rússia” segue praticando-o em proporções recorde.

O aborto foi trazido aos países ocidentais e elevado à condição de “direito” pelos agentes que ciclicamente faziam romaria a Moscou para receber doutrinamento, conselho e consignas.

Esses erros acabaram instalados em quase todos os campos da atividade da ex-Civilização Cristã ocidental em decorrência de uma avalanche de leis, portarias e costumes promovidos por esses agentes.

Para pior penetraram na própria Igreja Católica. Essa infiltração foi tão grave que 213 padres conciliares de 54 países elevaram uma petição ao papa Paulo VI para que o Concilio Vaticano II condenasse os erros socialistas e comunistas.

Mas, o enigmático silêncio do Concílio a esse respeito abriu as portas da Igreja para a infiltração e para a devastação. Agora a Igreja está abalada em decorrência deles.

Número de abortos na Rússia cada 100 nascimentos em 2014, por Estado da Federação Russa
A confusão criada pela Exortação Sinodal “Amoris laetitia” é uma recente expressão dessa infiltração dos “erros da Rússia”.

A cultura da morte – aborto, destruição do casamento e da família, etc. – foi erigida em cultura de Estado na Rússia escravizada pela revolução bolchevista de 1917.

No século XIX, Marx e Engels foram os teóricos alemães da utopia comunista, surgida fugazmente durante os estertores finais das Revoluções Protestante e Francesa.

Porém quem tirou o comunismo dos livros filosóficos mais ou menos inaplicáveis e fracassados no Ocidente foi bem um russo: Vladimir Ilyich Ulyanov Lenine.

Lenine elaborou a práxis da Revolução bolchevique, fez e comandou essa revolução, e conferiu ao comunismo um tom e um espírito incontestavelmente russo.

Mas a expansão dos erros do comunismo russo não correu tão fácil. Ela até pareceu ameaçada e os partidos comunistas foram perdendo a capacidade de atear o ódio de classe e seduzir com sua agenda igualitária emanada de Moscou.

Foi então a hora do pensador Antônio Gramsci. Ele formulou a via da Revolução Cultural hoje preferida pelo marxismo e seus seguidores no Ocidente, muitas vezes comodamente instalados e gordamente pagos na direção de organismos como a ONU ou a União Europeia.

A Revolução Cultural de inspiração marxista gramsciana poderá nos levar mais longe na linha do sonho tóxico de Lenine
A Revolução Cultural de inspiração marxista gramsciana
poderá nos levar mais longe na linha do sonho tóxico de Lenine
Mas, o objetivo de Gramsci era um só: conseguir o que a Revolução russa fundada por Lenine tentava obter mas não estava conseguindo. E provavelmente mais longe do que o líder comunista russo sequer imaginou.

Gramsci foi o grande pregador ocidental do método para difundir os “erros da Rússia”.

Se a estratégia por ele concebida der certo nos conduzirá a uma situação análoga à que Lenine e os seus sonharam aplicar no ex-império dos tzares.

Esses erros atacam as nações católicas ou apenas cristãs, e até ex-cristãs, com mais eficácia que as fórmulas escancaradamente leninistas. Mas estão encontrando crescentes recusas que comprometem a vitória comunista final.

Um pouco por toda parte manifestam-se grandes, e até imensas correntes na opinião pública, que não querem saber dessa Revolução Cultural e suas propostas anti-vida, anti-família, anti-religiosas e destruidoras das nações e das culturas tradicionais.

Tentando explorar essas crescentes reações boas, a propaganda do Kremlin passou a apresentar cinicamente a Rússia de Putin como um sedutor porto da salvação de onde pode vir o reerguimento moral e intelectual dos cristãos perseguidos.

E há quem acredita nisso, adverte Jeanne Smits.










Paroxismo da desinformação: a mensagem de Fátima e a ‘missão providencial’ de Putin

A desinformação russa veicula no Ocidente  que Putin teria a “missão providencial” de salvar o cristianismo
A desinformação russa veicula no Ocidente
que Putin teria a “missão providencial” de salvar o cristianismo
No Ocidente está havendo crescentes reações boas contra a ofensiva da Revolução Cultural de substância marxista-gramsciana.

Tentando explorá-las, a propaganda do Kremlin passou a apresentar cinicamente a Rússia de Putin como um sedutor porto da salvação de onde pode vir o reerguimento moral e intelectual dos cristãos perseguidos.

E essa manipulação atingiu o exagero procurando inverter os termos da advertência de Nossa Senhora em Fátima contra os “erros da Rússia” para transformá-los nos “erros de Ocidente”, segundo constatou Jeanne Smits, ex-diretora e ex-gerente do jornal “Présent” ligado ao Front National, partido amigo do Kremlin, em seu site Reinformation.tv.

Líderes políticos de “direita” e até de “extrema direita”, escreveu Smits, passaram a ser recebidos em Moscou como romeiros que procuram as bênçãos de um novo Carlos Magno.

Embora ele declare que conserva piedosamente sua carteirinha do Partido Comunista da URSS...

Pouco importa se esses políticos de “direita” defenderam no passado e sem retratação o “direito” ao aborto, o “casamento” homossexual ou leis de espírito socialista e confiscatório.

Pouco importa se a Rússia tem o maior número de abortos por mulher em idade fértil do mundo, observa espantada Jeanne Smits.

Procissão na Rússia para cultuar o mais recente enviado de Deus: Vladimir Putin!
Procissão na Rússia para cultuar o mais recente enviado de Deus: Vladimir Putin!
Vladimir Putin explora a angústia dos movimentos conservadores no Ocidente, pois ele sonha com a expansão da Rússia no mundo como outrora sonhou a URSS.

A formação dada nas escolas da KGB apagava qualquer senso moral ou remorso na hora de procurar objetivos concretos.

Smits exemplifica com o problema do embrião de República Universal anticristã que germina na União Europeia (UE). Os europeus de bem percebem que esse monstrengo é maléfico e querem abandoná-lo. O Brexit foi um caso típico.

Então enviados de Putin passaram a deblaterar contra a UE e até facilitar dinheiro para os anti-UE.

Mas esses mesmos acólitos nas suas reuniões preconizam como alternativa uma “confederação de Brest à Vladivostok”. Essa seria uma “União Euroasiática” que faria a inveja dos mais delirantes fundadores e teorizadores da decadente União Europeia. E os conservadores seduzidos estariam ludibriados e silenciados.

Essa nova confederação, de maneira muito concreta acabaria realizando os objetivos planetários da organização opressiva e utópica dirigida desde Bruxelas. Só que o comando supremo ficaria em Moscou.

Para ver com clareza a inversão radical em ato não é preciso ir muito longe, escreve Smits.

Um outro exemplo da experiente jornalista. A Igreja Católica, ainda quando é mal representada, guarda em si potencialidades de restauração do bem que inviabilizariam a conquista do mundo por qualquer adversário que encarne o mal. Antônio Gramsci partiu desta constatação para elaborar sua estratégia marxista.

Moscou seria a "nova Roma" e os cristãos não poderiam voltar em grupo ao catolicismo!
Moscou seria a "nova Roma"
e os cristãos não poderiam voltar em grupo ao catolicismo!
Como fazer desaparecer a Igreja Católica do mapa dizendo ao mesmo tempo que está sendo salva por quem a extingue?

Fácil, tal vez pense Moscou. Fazer acreditar que a cabeça dEla migrou para o Kremlin conservando a continuidade como igreja de Jesus Cristo. Moscou seria a nova Roma e o Patriarca de Moscou o verdadeiro Papa escolhido pelo Espírito Santo!

Smits fornece alguns exemplos. Um “próximo entre os próximos” de Vladimir Putin, o multibilionário Konstantin Malofeev financiador da restauração do Patriarcado de Moscou, sustenta o think-tank Katehon dirigido pelo pensador gnóstico Aleksandr Dugin, teorizador dessa super-UE euroasiática ou “eurasianismo”.

Numa série de artigos publicados os dias 27 e 28 de março de 2017 em Katehon, Charles Upton e sua mulher Jennifer Doane Upton interpretaram ao modo gnóstico de Dugin a descrição do Purgatório da Divina Comédia de Dante Alighieri.

Charles Upton apostatou do catolicismo para se converter ao islamismo místico, ou sufi. E o título do trabalho do casal é suficientemente explícito: “A profecia de Dante sobre a queda da Igreja Católica Romana”.

Eles explicam que não se inspiraram em pensadores como Santo Agostinho ou Santo Tomás, mas se basearam sobre tudo nos “filósofos tradicionalistas René Guénon e Fritjof Schuon”, sendo esse um esotérico sincretista.

O francês René Guénon morreu no Cairo como sufi, aduzindo que tinha achado a fina ponta da ‘Tradição’ no misticismo islâmico.

A análise do casal Upton conclui que a “nova-Rússia” e o Patriarcado de Moscou vão salvar a Igreja de Ocidente, extinguindo a sucessão dos Papas de Roma.

Para tornar mais sedutora a enganação, a funambulesca análise diz que por essa via se encerraria a crise aberta pelo Vaticano II, o modernismo e o liberalismo.

Montagem da desinformação: a Rússia não professa os "erros da Rússia"
que passaram a ser exclusivamente os "erros do Ocidente"!,
Ela distorce e manipula com desfaçatez as profecias de Nossa Senhora em La Salette e Fátima.

E forja o inacreditável: que tendo Roma perdido a fé, a religião cismática da Rússia virou a única religião cristã verdadeira.

O delírio da tese bate bem com as alucinações do sufismo islâmico. Mas, sobre tudo, com as metas expansionistas do comunismo metamorfoseado de Vladimir Putin.

Katehon e o esoterismo de Aleksandr Dugin exploram a confusão nos católicos favorecida por desconcertantes atos, gestos, omissões e afirmações do pontífice.

E a montagem russa está toda feita para seduzi-los e faze-los aceitar uma convergência entre Putin e um representante do Vaticano disposto a entrar no jogo.

Em 2015, uma editorial de Katehon se impostava numa visão ecumênica e pancristã. E exigia que a Igreja Católica renunciasse a converter os outros cristãos desviados pelos erros dos cismas orientais e do protestantismo.

Essa reclamação iníqua vem sendo repetida pelo Patriarcado de Moscou a respeito da conversão em massa dos ucranianos para o rito greco-católico. Também está na Declaração de Havana assinada pelo Papa Francisco e pelo Patriarca de Moscou Kirill.

A reclamação se atendida reforçaria o império da KGB sobre o mundo cristão.

Dugin e os pensadores gnósticos acolhidos em Katehon
elaboraram as teorias da 'missão providencial' de Putin
e da nova UE, não Europeia, mas Euroasiática governada pelo Kremlin
A conclusão desses malabarismos todos seria que os apóstatas e inimigos do cristianismo são os fiéis à Igreja Católica como Ela é, modelada durante dois mil anos pelo Espírito Santo e pelo ensinamento de seu Magistério tradicional.

A falsidade da manobra, monstra Smits, atinge seu auge tentando virar a mensagem de Nossa Senhora em Fátima contra os católicos.

Mas os católicos, sublinha a jornalista, sabem que a Igreja está construída sobre a rocha que é Pedro e que as portas do inferno não prevalecerão contra Ela. Mesmo quando se abatem sobre Ela as piores tempestades, da mesma maneira que aconteceu no passado e ainda haverá de se verifica no futuro.

Os escritores e jornalistas associados a Katehon excogitam sofismas para tentar matar essa Fé invertendo o sentido das palavras de Nossa Senhora em Fátima e La Salette.

Vamos mais longe, escreve Jeanne Smits:

se eu fosse a KGB e tivesse os meios para forjar uma imensa montagem, eu teria favorecido com todas as minhas forças a desmontagem da liturgia católica, a ascensão do relativismo e por fim eu teria espalhado que a Igreja de Roma fracassou.

Jeanne Smits: “se eu fosse a KGB teria feito tudo como está acontecendo”
Jeanne Smits: “se eu fosse a KGB
teria feito tudo como está acontecendo”
“Eu também teria tido a precaução de favorecer um renascimento ortodoxo”.

E é isso o que parece ter sido concebido e estar sendo posto em prática.

É uma manobra suprema contra a Igreja, invertendo luciferinamente o sentido das palavras de Nossa Senhora em Fátima.

Quiçá seja essa a suprema tentativa dos “erros da Rússia” contra o catolicismo autêntico.

Mas terá sido a última antes de serem esmagados pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria anunciado por Nossa Senhora aos três pastorzinhos em Portugal.





O comunismo é o cristianismo “sublimado” diz Putin, no ‘espírito do Vaticano II’!

`Paris bem vale uma Missa' disse Enrique IV antes de se converter para ficar rei. Para Putin a presidência da Rússia vale algumas velas. No mosteiro de Valaam.
`Paris vale uma Missa' disse Enrique IV antes de se converter para ficar rei.
Para Putin a presidência da Rússia vale algumas velas. No mosteiro de Valaam.
O presidente russo Vladimir Putin equiparou o comunismo com o cristianismo, e o culto do corpo de Lênin na Praça Vermelha com as honras prestadas às relíquias dos santos, informou sua fiel agência Sputnik.

Em entrevista reproduzida pela TV oficial Rossiya 1, Putin voltou a fórmulas já usadas por Fidel Castro e líderes marxistas ortodoxos para ludibriar os ocidentais temerosos de suas revoluções.

“Talvez eu agora fale uma coisa que não agrade a algumas pessoas, mas vou falar o que penso, declarou Putin.Vídeo embaixo.

“Houve os anos duros de combate à religião, quando eliminavam os sacerdotes, desmantelavam as igrejas.

“Mas, ao mesmo tempo, se criava uma nova religião.

A ideologia comunista é muito parecida com o cristianismo, de fato — a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a justiça — tudo isso está enraizado no Livro Sagrado.

O código do construtor do comunismo é apenas uma interpretação simplificada da Bíblia, [os comunistas] não inventaram nada de novo”, afirmou.

Putin pôs num patamar quase igual o culto dos comunistas a Lênin e a devoção dos cristãos pelas relíquias dos santos, acrescentou Sputnik.

Fidel Castro foi “um fervoroso crente em Deus”, escreveu o jornal “The Washington Post” sobre as cartas do ditador na prisão. “Letters From Prison: Castro Revealed” 25-02-2007.
Fidel Castro foi “um fervoroso crente em Deus”, escreveu o jornal “The Washington Post”
sobre as cartas do ditador na prisão.“Letters From Prison: Castro Revealed” 25-2-2007.
O estratagema comunista é velho. Na foto sacerdote e religiosas dão acolhida
a Fidel Castro em Camaguey, rumo a Havana.
“Olhem, Lênin foi colocado no mausoléu. No que isto difere das relíquias dos santos para os cristãos ortodoxos e cristãos em geral?

“Na essência, as autoridades da época [soviética] não inventaram nada de novo, mas apenas adaptaram sua ideologia àquilo que a humanidade já havia muito tinha criado”, completou Putin.

A difusão do filme entrevista está ligada à campanha eleitoral na qual o omniarca russo vai ser reeleito por enésima vez.

Mas ele deve apresentar sua vitória revestida de alguma credibilidade para consumo dos ocidentais.

Se pavoneando de o “mais ortodoxo” dos presidentes russos, Putin equiparou a veneração do corpo do “santo” da revolução satânica do proletariado com o das relíquias religiosas que o mesmo santo mando profanar e destruir.

A entrevista em verdade é velha e foi gravada no mosteiro de Valaam junto o patriarca Kirill, escreveu Vladimir Rozanskij correspondente em Moscou de “AsiaNews”.

O curta “Valaam” elogia o mais antigo convento do cisma russo que quase foi destruído pelos guardas da revolução dos sovietes. Mas esses avisaram em tempo os monges para que fugissem levando suas relíquias e obras de arte.

Putin se apoiou nessa camaradagem para afirmar que “o ateísmo militante espalhou também as sementes da união fraterna e que são mérito da igreja ortodoxa russa”.

Monges de Valaam rodeiam seu financiador. E ele precisa deles para a propaganda.
Monges de Valaam rodeiam seu financiador. E ele usa deles para a propaganda.
Putin apelou a essa cumplicidade que ele julga discernir entre os sovietes e a falsa religião cismática e a apresentou como modelo para o mundo inteiro.

“Há muito de comum entre as religiões do mundo”, disse parafraseando a teologia do Concilio Vaticano II.

Na base dessa estranha união ele identifica, ecoando o Papa Francisco I, “valores como a misericórdia, a justiça, a honestidade, o amor”.

Omitindo velhacamente o estado de violência que pesa sobre a Igreja Católica na Rússia prosseguiu dizendo: “Nós somos um Estado multiconfessional, mas esses valores morais são comuns a todas as etnias de nosso povo”.

A chave de interpretação dos construtores do comunismo, inscrita nos textos de Lênin, seria segundo Putin uma “sublimação” da ética bíblica. 

Como se a moral do arauto da amoralidade materialista anticristã fosse mais requintada que a da Bíblia ou dos Mandamentos que Deus ditou a Moisés.

“Lenine foi posto num mausoléu. No que é que isto se diferencia da exposição das relíquias dos santos pelos ortodoxos ou pelos cristãos em geral?”.

Na Rússia, há uma longa disputa: a maioria dos russos acha que não se deve mais considerar “lugar santo” o túmulo de Lênin e o corpo deve ser enterrado num cemitério.

Os nostálgicos marxistas defendem a múmia de Lenine do jeito que está.

A reinterpretação do cristianismo e do marxismo – tão parecida à interpretação da “teologia da libertação” – espalhada por Putin oferece uma fórmula de convergência que satisfaça todos.

E lhe serve para que seus agentes de influencia propaguem no Ocidente a imagem de Putin novo Carlos Magno.

Outra discussão muito acessa na Rússia versa sobre o reconhecimento dos restos do último tzar Nicolau II e de sua família sadicamente assassinados pelos mesmos sovietes em que Putin discerne sementes divinas.

Putin quer o apoio do patriarca Kirill e do Sínodo dos bispos russos para uma solução que atenda os desejos da Rússia atual, justifique sua reeleição e facilite uma convergência ecumênica comuno-progressista a nível universal no espírito do Vaticano II.


Vídeo: O comunismo é o cristianismo “sublimado” diz Putin, no ‘espírito do Vaticano II’! Legendado em português por Basto







‘Putin defensor dos valores cristãos’?:
mais uma mentira da nova KGB,
diz arcebispo

Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo de Kiev sobre Putin:
a KGB jamais difundiu os valores cristãos,
mas se serviu deles com finalidades políticas.
Eu não acredito que quem sacrifica um milhão de vidas
para atingir objetivos geopolíticos
possa estar animado por valores cristãos.
Não sejamos ingênuos”.
Em entrevista de imprensa na sede da Rádio Vaticana, segundo informou o site “La Nuova Busssola Quotidiana”, Mons. Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor do Rito greco-católico, disse ter advertido o Papa a respeito de afirmações da Santa Sé que podem ser associadas à propaganda russa.

Mons. Shevchuk esteve em visita ad limina a Roma, juntamente com mais de vinte bispos católicos ucranianos dos ritos latino e bizantino. Os prelados transmitiram a Francisco a dramática situação que vive seu país.

“Para descrever o que acontece na Ucrânia, disse ele no início da entrevista, só se pode usar uma palavra: invasão estrangeira e não conflito civil”.

A expressão “guerra fratricida” havia sido usada pelo Pontífice na audiência do dia 4 de fevereiro com particular infelicidade. Ela suscitou fortes reações nos ambientes católicos ucranianos e verdadeiro entusiasmo entre os seguidores de Vladimir Putin, entre os quais se destacou o Patriarcado cismático de Moscou.

A expressão “guerra fratricida”, explicou o arcebispo de Kiev, feriu a sensibilidade do povo ucraniano, pois ecoa a visualização do conflito ucraniano espalhada pela “propaganda russa”.

“Expliquei pessoalmente ao Santo Padre quais são as vítimas e quais são os agressores”, acrescentou o alto dignitário.
Na visita ad limina os bispos católicos ucranianos advertiram o Papa Francisco para não se deixar influenciar pela propaganda russa infiltrada no Vaticano
Na visita ad limina os bispos católicos ucranianos advertiram o Papa Francisco
para não se deixar influenciar pela propaganda russa infiltrada no Vaticano

Durante a visita ad limina, o Papa ouviu os pungentes relatórios dos bispos, e fez falar primeiro os bispos da Criméia e das regiões ocupadas por agentes obedientes a Moscou e soldados russos.

As cinco paróquias greco-católicas da Criméia receberam ordem de se recadrastrarem, mas o novo registro lhes foi negado nas três vezes que tentaram.

“Tememos que se trate de um expediente para privar de estatuto legal a nossa Igreja, como já aconteceu em 1946 sob o regime soviético”.

Os postos da Caritas Ucrânia acolhem diariamente por volta de 140.000 pessoas. Dom Sviatoslav explicou: “Apelei a Francisco a fim de que convoque uma iniciativa humanitária internacional”. Até o momento não há notícia a respeito.


Em relação ao Patriarcado cismático de Moscou, que tem adeptos na Ucrânia, o arcebispo explicou que “é difícil colaborar com pastores incapazes de respeitar seus fiéis. Uma hierarquia eclesiástica que se alinha com o poder contra o próprio povo perde credibilidade”.

O chefe do rito greco-católico ucraniano mencionou a angústia e o desconcerto dos ortodoxos ucranianos ligados ao patriarcado cismático. Esses seguidores não entendem que o “próprio patriarca possa se ter tornado porta-voz do agressor”.

Bispos ucranianos: declarações do Papa favoreceram a Rússia e feriram aos católicos
Bispos ucranianos: declarações do Papa
favoreceram a Rússia e feriram aos católicos
Para D. Sviatoslav, a Igreja Ortodoxa russa virou uma poderosa arma de desinformação que está danificando até os próprios cidadãos da Federação Russa.

“Muitos russos de fato não sabem que seus soldados estão sendo mortos. Inclusive pelo bem deles é preciso desmontar esta corrente de mentiras”.

Também faz parte dessa “corrente de mentiras” a imagem falaz, forjada pela propaganda russa, de um Putin defensor dos direitos cristãos.

“Eu sou um filho da Igreja perseguida pela União Soviética – disse o arcebispo – e sei bem que a KGB [N.R.: polícia política comunista na qual se formou Putin] jamais difundiu os valores cristãos, mas se serviu deles com finalidades políticas.

“Eu não acredito que quem sacrifica um milhão de vidas para atingir objetivos geopolíticos possa estar animado por valores cristãos. Não sejamos ingênuos”, concluiu.

Momentos da entrevista de imprensa na Rádio Vaticana:








Papa Francisco, Kirill e as armadilhas da (ex-)KGB

Para a desinformação russa a única verdade é a que serve ao chefe supremo.
Para a desinformação russa a única verdade é a que serve ao chefe supremo.
O site sputinik.com, eco habitual das instruções do Kremlin, tinha comemorado antecipadamente o encontro do Papa Francisco I e do patriarca de Moscou, chefe da denominada “igreja ortodoxa russa”.

Sputinik.com foi criado por decreto do presidente da Rússia em 9 de dezembro de 2013 para substituir na propaganda exterior a agência RIA/Novosti internacional e a rádio Voz da Rússia, por demais associadas à imagem da velha URSS. Cfr. verbete Sputnik (news agency) em Wikipedia.

O site só visa servir os interesses da nova-URSS. Assim nos ajuda a compreender o objetivo do chefe supremo russo empurrando Kirill para ir beijar o Papa Francisco.

O site apresentou o encontro no aeroporto de Havana como uma grande vitória, não de alguma religião, mas do líder absoluto Vladimir Putin.

Com maquiavélica insinceridade, Sputnik informou o fato sob o seguinte título: “O Papa Francisco olha para Putin como o 'único homem’ [aspas do original] para defender os cristãos no mundo inteiro”.

O troll é velho e vem sendo repetido inescrupulosamente pela contrainformação russa.

A unidade Internet Research Agency, pelo seu nome inglês, com sede num apagado bairro no norte de São Petersburgo se dedica à produção de milhares de comentários em redes sociais, sites, blogs,artigos e posts, obedecendo a vozes de ordem ditadas todo dia pelo Kremlin.

Na gíria da Internet essa atividade é denominada “troll”. “O termo (...) deriva da expressão trolling for suckers (lançando a isca aos trouxas)”. Cfr. verbete Troll (internet).

Veja como funcionam os trolls:

Exército de comentaristas fantasmas russos age na Internet – 1

Exército de comentaristas fantasmas russos age na Internet – 2

A guerra de Moscou para desequilibrar as mentes

A mentira deslavada: tática de guerra preferida de Putin

‘Putin defensor dos valores cristãos’?: mais uma mentira da nova KGB, diz arcebispo

Patriarca de Moscou pede a recuperação dos “valores” de Lenine e Stalin

“O encontro entre o Papa Francisco e o patriarca russo Kirill não será apenas um evento histórico religioso, mas pode trazer grandes benefícios para os cristãos do mundo inteiro”, escreveu Sputnik, citando como fonte o órgão francês Le Journal du Dimanche.

Por trás de véus ecumênicos, Moscou quer Putin como 'líder' dos cristãos enganados. Os 'agentes de influência' estão trabalhando...
Por trás dos biombos diplomáticos, Moscou quer
Putin como 'líder' dos cristãos enganados.
'Agentes de influência' e 'companheiros de estrada' já estão trabalhando...
Segundo a contrainformação, Francisco I impetra o auxílio de Vladimir Putin contra as perseguições que sofrem os cristãos no Oriente Meio e em outras partes da Terra.

Sorrateiramente, o instrumento do Kremlin silencia a perseguição infligida aos católicos na Rússia, com participação ativa da dita “igreja ortodoxa russa”.

Finge também desconhecer os padecimentos, as torturas e os encarceramentos que o governo de Putin, coligado ao Patriarcado de Moscou, está causando aos cristãos não submissos a dito Patriarcado na Crimeia e na parte da Ucrânia invadida.

O Sputnik atribui ao Papa Francisco a frase segundo a qual Putin é “o único com quem a Igreja Católica pode se unir para defender os cristãos no Leste”.

“É importante nos unirmos aos esforços da Rússia para salvar o Cristianismo em todas as regiões do mundo onde está sendo oprimido”, teriam sido palavras do Papa reproduzidas pelo Le Journal du Dimanche.

O artigo aludido pelo órgão do governo russo, intitulado “Pourquoi le pape veut se rendre au Kremlin”, de 7.2.2016, não contém as frases atribuídas como textuais e entre aspas a Francisco I. Tampouco são frases da lavra do articulista.

Embora o artigo de Le Journal de Dimanche ecoe vozes insistentes que correm no Vaticano sobre a simpatia pessoal do Papa Francisco por Putin, as frases foram inventadas e atribuídas fraudulentamente ao jornal francês por Sputnik, ou pela contrainformação russa.

Elas nos revelam o que a nova Rússia de Putin quer do encontro em Cuba entre o chefe da Igreja Católica e o agente “Mikhailov” da KGB (hoje FSB), mais conhecido como patriarca Kirill: a promoção de Putin como chefe supremo dos cristãos conservadores no mundo.

O troll continua revelando outros aspectos da jogada do Kremlin.

Entre eles, a intenção de formar uma mirabolante aliança que incluiria também o regime sírio, os líderes do Irã, mais do que suspeitos de terrorismo internacional, e até o governo chinês.

Sim do regime maoísta que nestes dias se assanha empenhadamente contra os católicos e o símbolo sagrado da Cruz.

Cfr. Cruzes derrubadas na China voltam em desafio à cristofobia socialista;

PC chinês perde a psíquica e multiplica repressão aos católicos “clandestinos”

Neste sentido, o órgão de Moscou comemora as adiantadas aproximações diplomáticas do Vaticano em relação a Pequim. Essas manobras foram verberadas em tons patéticos e estarrecedores pelo Cardeal de Hong Kong, D. Joseph Zen ze-kiun.

Um agente da (ex-)KGB à testa de um patriarcado cismático ilegitimamente instituído.
Um agente da (ex-)KGB à testa de um patriarcado cismático ilegitimamente instituído.
O patriarca Kirill e sua igreja pretendem ser os legítimos sucessores do não menos ilegítimo patriarcado cismático de Constantinopla que se separou da Igreja Católica em 1054.

Após esse cisma e a invasão turca de Constantinopla, os tzares forjaram artificiosamente o Patriarcado de Moscou para usá-lo como justificativa religiosa de sua expansão imperial rumo ao sul.

Essa dependência ao poder temporal intensificou-se sob o regime dos sovietes. Este usou o clero cismático russo para denunciar e punir aqueles que procurassem um conforto moral na religião, em meio às espantosas perseguições religiosas soviéticas.

Dito clero foi um poderoso instrumento para sufocar as tendências religiosas do povo russo sob o regime ateu.

Agora ele está trabalhando sob o báculo de Kirill, o atual chefe e colega de Putin na KGB, que serpeia para estreitar a mão estendida pela Ostpolitik vaticana, ou política de aproximação ao comunismo, relançada pelo Papa Francisco.

Após o encontro em Havana, a grande imprensa ocidental glosou a interpretação de Sputnik, limpando-a de seus falsos grosseiros, mas conservando a ideia central: Putin foi o grande vencedor diplomático do evento.

O comunicado assinado pelos dois líderes no aeroporto de Havana, após um encontro privado de duas horas de duração, está organizado em 30 pontos de grande densidade.






O “histórico encontro” entre Francisco e Kirill

O beijo de Francisco e Kirill no aeroporto de Havana: como o Kremlin desejava
O beijo de Francisco e Kirill no aeroporto de Havana:
como o Kremlin desejava
Roberto de Mattei
(1948 - )
professor de História italiano,
especializado nas ideias
religiosas e políticas no
pós-Concilio Vaticano II.
Corrispondenza Romana
Tradução: Hélio Dias Viana




Entre os muitos sucessos atribuídos pela mídia ao Papa Francisco, está o “histórico encontro” realizado no dia 12 de fevereiro em Havana com o patriarca de Moscou, Kirill.

Um acontecimento, escreveu-se, que viu cair o muro que há mil anos dividia a Igreja de Roma daquela do Oriente.

A importância do encontro, nas palavras do próprio Francisco, não está no documento, de caráter meramente “pastoral”, senão no fato de uma convergência rumo a uma meta comum, não política ou moral, mas religiosa.

O Papa Francisco parece querer substituir o Magistério tradicional da Igreja, expresso através de documentos, por um neomagistério transmitido por eventos simbólicos.

A mensagem que o Papa pretende dar é de um giro na história da Igreja. Mas é precisamente através da história da Igreja que devemos começar a compreender o significado do evento.

As imprecisões históricas entretanto são muitas e devem ser corrigidas, porque é justamente sobre falsificações históricas que muitas vezes se constroem os desvios doutrinários.

Em primeiro lugar, não é verdade que mil anos de história dividiam a Igreja de Roma do Patriarcado de Moscou, uma vez que este nasceu apenas em 1589. Nos cinco séculos precedentes, e ainda antes, o interlocutor oriental de Roma era o Patriarcado de Constantinopla.

Durante o Concílio Vaticano II, em 6 de janeiro de 1964, Paulo VI reuniu-se em Jerusalém com o patriarca Atenágoras, para iniciar um “diálogo ecumênico” entre o mundo católico e o mundo ortodoxo.

Esse diálogo não pôde ir adiante por causa da milenar oposição dos ortodoxos ao Primado de Roma.

O próprio Paulo VI admitiu-o em um discurso ao Secretariado para a Unidade dos Cristãos de 28 de abril de 1967, afirmando: “O Papa, sabemo-lo bem, é sem dúvida o maior obstáculo no caminho do ecumenismo” (Paulo VI , Insegnamenti, VI, pp. 192-193).

O Patriarcado de Constantinopla constituía uma das cinco sedes principais da Cristandade estabelecidas pelo Concílio de Calcedônia de 451.

Os patriarcas bizantinos sustentavam, no entanto, que após a queda do Império Romano, Constantinopla, sede do renascido Império Romano do Oriente, deveria tornar-se a “capital” religiosa do mundo.

O cânon 28 do Concílio de Calcedônia, revogado por São Leão Magno, contém em germe todo o cisma bizantino, porque atribui à supremacia do Romano Pontífice um fundamento político, e não divino. Por isso, em 515, o Papa Santo Hormisdas (514-523) fez os bispos orientais subscrever uma Fórmula de União, com a qual reconheciam a sua submissão à Cátedra de Pedro (Denz-H, n. 363).

Entre os séculos V e X, enquanto no Ocidente se afirmava a distinção entre a autoridade espiritual e o poder temporal, nascia entrementes no Oriente o chamado “cesaropapismo”, no qual a Igreja era de fato subordinada ao Imperador, que se considerava o chefe, como delegado de Deus, tanto no campo eclesiástico quanto no secular.

Os patriarcas de Constantinopla foram na verdade reduzidos a funcionários do Império Bizantino e continuaram a alimentar uma aversão radical à Igreja de Roma.

Depois de uma primeira ruptura, causada pelo patriarca Fócio no século IX, o cisma oficial ocorreu em 16 de julho de 1054, quando o patriarca Miguel Cerulário declarou que Roma caiu em heresia, devido ao Filioque no Credo e outros pretextos.

O túmulo de São Josafá no altar de São Basílio, na basílica de São Pedro em Roma.
São Josafá mártir é um herói e líder do "uniatismo" greco-católico na Ucrânia.
Os legados romanos depuseram então contra ele, no altar da igreja de Santa Sofia em Constantinopla, a sentença de excomunhão.

Os príncipes de Kiev convertidos ao Cristianismo em 988 sob São Vladimir, seguiram os patriarcas de Constantinopla no cisma, reconhecendo sua jurisdição religiosa.

As discórdias pareciam insuperáveis, mas um fato extraordinário ocorreu em 6 de julho de 1439 na catedral florentina de Santa Maria del Fiore, quando o Papa Eugênio IV anunciou solenemente, com a bula Laetentur Coeli (“que os céus se rejubilem”), a bem-sucedida recomposição do cisma entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente.

Durante o Concílio de Florença (1439), do qual haviam participado o Imperador do Oriente João VIII Paleólogo e o Patriarca de Constantinopla José II, chegou-se a um acordo sobre todos os problemas, do Filioque ao Primado de Roma.

A Bula pontifícia concluía com esta solene definição dogmática, assinada pelos Padres gregos:

“Definimos que a Santa Sé Apostólica e o Romano Pontífice possuem o primado sobre todo o universo; que o mesmo Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado Pedro, Príncipe dos Apóstolos, e autêntico Vigário de Cristo, chefe de toda a Igreja, pai e doutor de todos os cristãos; que Nosso Senhor Jesus Cristo transmitiu a ele, na pessoa do bem-aventurado Pedro, o pleno poder de apascentar, reger e governar a Igreja universal, como é atestado nos atos dos concílios ecumênicos e nos cânones sagrados” (Conciliorum Oecumenicorum Decreta, Centro Editorial Dehoniano, Bolonha, 2013, pp. 523-528). Este foi o único abraço histórico verdadeiro entre as duas igrejas durante o último milênio.

Entre os participantes mais ativos do Concílio de Florença estava Isidoro, metropolita de Kiev e de toda a Rússia. Assim que ele retornou a Moscou, anunciou de público a reconciliação ocorrida sob a autoridade do Romano Pontífice.

Mas o príncipe de Moscou, Basílio o Cego, declarou-o herege e o substituiu por um bispo submisso a ele. Esse gesto marcou o início da autocefalia da igreja moscovita, independente não só de Roma, mas também de Constantinopla.

Pouco depois, em 1453, o Império Bizantino foi conquistado pelos turcos, e arrastou em seu colapso o Patriarcado de Constantinopla.

Nasceu então a ideia de que Moscou deveria assumir o legado de Bizâncio e tornar-se o novo centro da Igreja cristã ortodoxa. Após o casamento com Zoe Paleólogo, sobrinha do último Imperador do Oriente, o Príncipe de Moscou Ivan III deu-se a si mesmo o título de Czar e introduziu o símbolo da águia bicéfala.

Em 1589 foi estabelecido o Patriarcado de Moscou e de toda a Rússia. Os russos se tornaram os novos defensores da “ortodoxia”, anunciando o advento de uma “Terceira Roma”, após a católica e a bizantina.

Face a esses acontecimentos, os bispos daquela área, que então se chamava Rutênia e que hoje corresponde à Ucrânia e a uma parte da Bielorrússia, reuniram-se, em outubro de 1596, no Sínodo de Brest e proclamaram a união com a Sé Romana.

Eles são conhecidos como uniatas, por causa de sua união com Roma, ou greco-católicos, porque, embora submetidos ao Primado romano, conservaram a liturgia bizantina.

Recepção ao Cardeal Slipyj na sede da TFP em São Paulo
O cardeal Josyp Slipyj (1892-1984) conversando com Plinio Corrêa de Oliveira
na sede da TFP em 1968
Os czares russos empreenderam uma perseguição sistemática à Igreja uniata que, entre os muitos mártires, contou com João (Josafá) Kuncevitz (1580-1623), arcebispo de Polotzk, e o jesuíta Andrea Bobola (1592-1657), apóstolo da Lituânia.

Ambos foram torturados e mortos por ódio à fé católica e hoje são venerados como santos.

A perseguição tornou-se ainda mais cruenta sob o império soviético. O cardeal Josyp Slipyj (1892-1984) , deportado por 18 anos nos campos de concentração comunistas, foi o último intrépido defensor da Igreja Católica ucraniana.

Hoje os uniatas constituem o maior grupo de católicos de rito oriental e são um testemunho vivo da universalidade da Igreja Católica.

É mesquinho afirmar, como o faz o documento de Francisco e Kirill, que o “método do uniatismo”, se entendido “como a união de uma comunidade à outra separando-a da sua Igreja [originária]”, “não é uma forma que permita restabelecer a unidade”, e que “por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar de uma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições”.

O preço que o Papa Francisco teve que pagar por essas palavras exigidas por Kirill é muito alto: a acusação de “traição” lançada pelos católicos uniatas, sempre fidelíssimos a Roma. Mas o encontro de Francisco com o patriarca de Moscou vai muito além daquele de Paulo VI com Atenágoras.

O abraço de Kirill tende sobretudo a acolher o princípio ortodoxo da sinodalidade, necessário para “democratizar” a Igreja Romana. 

No que diz respeito não à estrutura da Igreja, mas à substância da sua fé, o evento simbólico mais importante do ano será contudo a comemoração por Francisco do 500º aniversário da Revolução protestante, prevista para outubro próximo em Lund, Suécia.

Fonte: “Corrispondenza Romana” (17 de fevereiro de 2015). Este texto foi traduzido do original italiano por Hélio Dias Viana.











Ocultismo inspira boatos e teorias conspiratórias espalhadas pelo Kremlin

De velha data a vida política e social russa foi intoxicada pelo esoterismo. Na foto: o monge Rasputin muito ativo no fim do czarismo
De velha data a vida russa foi intoxicada pelo esoterismo.
Na foto: o monge Rasputin muito ativo no fim do czarismo
Os líderes da Rússia soviética viviam fascinados pelos avanços científicos de qualquer natureza, ainda que estranhos ou prenhes de ocultismo.

Nisso eles davam continuidade às superstições místicas que há séculos irradia a Igreja cismática russa, dita ‘ortodoxa’, e cujo representante histórico mais famoso no Ocidente foi o monge Rasputin.

Essa propensão não só continua na “nova-Rússia” de Putin, mas se desenvolve com apoios do regime que banca de “cristão”.

O site Slate.fr noticiou cerimônia de premiação de um “membro emérito da Academia das Pseudociências” (leia-se paranormais), Irina Yermakova, bióloga e âncora da televisão oficial.

Yermakova espalha doutrinas ocultistas de sua lavra das mais contrárias à razão. Segundo ela, os indivíduos de sexo masculino descendem de amazonas hermafroditas. Matéria suficientemente maluca para alimentar “trolls” e sites destinados a semear a desinformação no Ocidente.

Mas nem tudo é doidice de origem ignota. Yermakova prega a seus adeptos teorias afins à nova forma de comunismo de cor verde ambientalista.

Ela milita entre os mais ferozes inimigos dos OGM e espalha, sempre sem prova alguma, que os alimentos geneticamente modificados são uma arma biológica concebida pelos americanos para provocar o genocídio do povo russo.

Na hora de lhe conceder o prêmio, o jornalista científico e escritor Alexander Sokolov exaltou a figura de Irina Yermakova para que “o máximo de pessoas veja quanto a ciência está viva na Rússia e como ela dispõe de meios para se defender!”

Parece feito para provocar o riso. Porém, observa Slate.fr, esses elogios revelam uma realidade cavernosa que grassa na Rússia sob véu nacionalista e anti-globalista.

Yermakova, por exemplo, foi convocada como especialista anti-OGM para exibir suas mirabolâncias diante do Parlamento.

Yevgeny Fedorov, membro da maioria parlamentar putinista, se fez paladino de suas teorias defendendo como algo sério que os OGM foram criados para “aumentar os riscos de esterilidade e assim diminuir a população russa”.

Filósofos cotados no Kremlin, como Duguin, falam da Igreja cismática russa como uma das centrais de irradiação de forças escuras que governam a Rússia hodierna
Filósofos cotados no Kremlin, como Duguin, falam da Igreja cismática russa
como uma das centrais de irradiação de forças escuras que governam a Rússia hodierna
Até que em julho de 2016 o Parlamento desconsiderou parecer da Academia de Ciências da Rússia e aprovou lei interditando a produção dos OGM condenados pelo ocultismo.

Os pseudocientistas têm mais popularidade que os ganhadores russos do Prêmio Nobel, e a “nova Rússia” lhes concede cargos e funções prestigiosas.

Um outro exemplo mencionado por “Slate”. Mikhail Kovalchuk, físico amigo de Putin, preside o Instituto Kourtchatov, principal centro de pesquisa e desenvolvimento da indústria nuclear russa.

Kovalchuk fez uma palestra para senadores russos denunciando a conspiração de uma elite internacional patrocinada pelos EUA que está concebendo uma “nova subespécie humana”.

Tratar-se-ia de uma casta geneticamente modificada de humanos produzidos para serem “servos” que comeriam muito pouco, teriam pensamento muito limitado e só se reproduziriam em virtude de planificação.

A descrição na verdade caberia muito mais ao “homo sovieticus” da antiga URSS, para a qual Putin se volta com saudades.

Mas a teoria do complô impulsionado pelas elites ocidentais contra a Rússia é a que serve a Putin. Ai de quem pensar diferente.

Mikhail Kovalchuk, irmão de Yuri Kovalchuk, é tido como o “banqueiro pessoal” da nomenklatura putiniana.

Segundo o jornalista científico Alexander Sergeyev, os cientistas objetivos estão submetidos ao arbítrio e à autoridade de “cientistas não-científicos”, por paradoxal que pareça.

Os adoradores das “pseudociências”, do ocultismo e da parapsicologia mandam por todo lado na administração russa.

Anton Vaino, por exemplo, era um desconhecido até que ficou diretor de gabinete de Putin.

Em 2012, ele publicou um artigo universitário sobre o “nooscópio”, instrumento místico que poderia scanear o universo e assim predizer as evoluções da sociedade e da economia.

Anatoly Klyosov inventou que o homem se originou no norte da Rússia. Blefe para alimentar o nacionalismo dominante
Anatoly Klyosov inventou que o homem se originou no norte da Rússia.
Blefe para alimentar o nacionalismo dominante
Anna Kuznetsova, responsável pelos direitos das crianças no Kremlin, ensina a “telegonia”, uma teoria arcaica e desmentida segundo a qual os filhos herdam os traços fisionômicos de todos os parceiros sexuais da mãe.

O problema, diz Sergeyev, não é a maluquice deste ou daquele funcionário. O fato preocupante é que “as autoridades querem aceitar essas teorias e se deixar influenciar por elas”.

Mais ainda, eles acham que essas superstições servem maravilhosamente aos objetivos ideológicos da “nova Rússia” e de seus aliados.

A Academia de Ciências divulgou relatório segundo o qual as “pseudociências” ajudam a manter a histeria isolacionista e nacionalista que promove o Kremlin e que tomou conta do país.

Nacionalismo e pseudociências mantêm estreitos laços. O bioquímico Anatoly Klyosov, descobridor de uma “ciência patriótica”, excogitou em 10 livros ter achado que a espécie humana surgiu no norte da Rússia. As outras hipóteses, diz ele, foram forjadas pela elite globalista ocidental.

Um conjunto de cientistas denunciou em carta aberta as fraudes de Klyosov, que respondeu passando ao ataque pessoal e denunciando os cientistas de pertencerem a uma “quinta coluna”. O que pode custar a Sibéria...

O biólogo Trofim Lyssenko justificou com doutrinas esotéricas a miserabilização da Rússia pela reforma agrária. Foi um preferido de Stalin.
O biólogo Trofim Lyssenko justificou com doutrinas esotéricas
a miserabilização da Rússia pela reforma agrária.
Foi um preferido de Stalin.
No tempo da URSS, o Exército Vermelho e a KGB estudaram secretamente fenômenos paranormais como a levitação e a telecinesia, entre outros, em flagrante oposição à física oficial materialista e positivista.

O mais sinistro líder das pseudociências soviéticas foi Trofim Lyssenko, biólogo e favorito de Stalin.

Lyssenko arrebentou a agricultura soviética com suas absurdas teorias de sabor mágico esotérico.

O desastre produtivo atingiu proporções catastróficas, mas Lyssenko nunca perdeu o favoritismo de Stalin enquanto agrônomo chefe.

Com as costas quentes, desencadeou campanhas difamatórias contra os seus adversários, acusados de conspirar em favor do imperialismo estrangeiro.

Hoje, a velha propensão pelas ciências do oculto cresce sem freio. Em 2015, inquérito anual da moscovita Escola de Altos Estudos em Ciências Econômicas constatou que para 23% dos russos, a ciência e a tecnologia racionais são mais nocivas que benéficas.

“Ouve-se hoje, até entre as pessoas mais educadas, falar dos ‘reptilianos’ (?) e de sua influência na elite mundial”, conta Borinskaya, espantada com a fantasia doentia da teoria.

O site de informações Gazeta.ru criou a rubrica “obscurantismo” visando denunciar as falsas “ciências”, segundo explicou o redator-chefe científico Pavel Kotlyar. Ele reconhece que até as mulheres idosas ficam contando crenças as mais doentias.

O bioquímico Yevgeny Fedorov imagina complôs para bajular o amo do Kremlin e apoiar suas iniciativas.
O bioquímico Yevgeny Fedorov imagina complôs
para bajular o amo do Kremlin e apoiar suas iniciativas.
A contrafação dos diplomas é endêmica até entre parlamentares que exibem desinibidamente doutorados falsificados.

As enganosas teses são montadas por “especialistas” politicamente dependentes do Kremlin.

Após derrubar o voo da Malaysia Airlines na Ucrânia, Moscou levou à TV de Estado o suposto especialista Ivan Andriyevsky.

Este defendeu que o avião comercial malaio fora abatido por um caça ucraniano. E para “justificar” sua teoria, Andriyevsky mostrou uma foto satelital grosseiramente adulterada.

O caso foi simbólico para a comunidade científica.

A pseudociência, conclui Slate.fr, é venerada como uma criatura esquisita com jeito de serpente montada no topo de uma pirâmide egípcia, leia-se o Kremlin.

Mas ela tem um efeito verdadeiro: deformar as mentes humanas na Rússia e no Ocidente.

É ela que preside a guerra psicológica revolucionária e as visualizações vindas de Moscou, ecoadas pelos seus “trolls” e “agentes de influência”.





Putin: “a Rússia não tem fronteira alguma”

Putin corrige a criança prodígio Miroslav Oskirko: 'a Rússia não tem fronteiras'
Putin corrige a criança prodígio Miroslav Oskirko: 'a Rússia não tem fronteiras'
O pequeno Miroslav, de nove anos, galardoado pela Sociedade de Geografia Russa pelo fato de decorar todos os limites dos países do mundo, foi levado ante o todo-poderoso presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Este se pôs de cócoras ante o menino e diante de um auditório lhe perguntou onde acabavam as fronteiras da Rússia.

A criança se encheu de coragem e respondeu:

– A Rússia termina no Estreito de Bering, na fronteira com os Estados Unidos.

O míssil Iskander é capaz de levar bombas atômicas
O míssil Iskander é capaz de levar bombas atômicas
Putin apertou-a contra o peito e olhando para o publico corrigiu a criança modelo dizendo:

– As fronteiras da Rússia não terminam em parte alguma.

Na primeira fileira aplaudia o ministro de Defesa russo, Serguei Shoigu.

O fato deu-se recentemente e foi relatado pelo correspondente Xavier Colás do jornal “El Mundo” de Madri.

Enquanto o patriótico evento se desenvolvia em Moscou, a 1.092 quilômetros de distância, em Kaliningrado, enclave russo entre dois membros da OTAN (Lituânia e Polônia), os soldados de Putin montavam os sistemas de mísseis S-400 e Iskander, esses capazes de levar bombas atômicas.

O porta-voz do Kremlin Dimitri Peskov justificou a manobra dizendo que “a OTAN é um bloco agressivo”.

Na Polônia se diz que quando a Rússia fala em se defender, ela entende atacar. Quando se diz ameaçada é porque está montando a ofensiva. É a novilíngua soviética reciclada pelos atuais amos do Kremlin.

Estrategistas como o general Valeri Gerasimov, Comandante das Forças Armadas da Federação Russa, concluíram que a guerra contemporânea deve ser misturada com luta social, econômica e sobre tudo da informação.

A tecnologia de ponta da espionagem deve visar EUA.

E a Rússia mostrou sua habilidade para penetrar as estruturas cibernéticas de seu maior inimigo.

Valery Gerasimov Comandante das Forças Armadas da Federação Russa
Valery Gerasimov Comandante das Forças Armadas da Federação Russa
A infiltração das infraestruturas do adversário, a propaganda, os trolls, a ação psicológica sorrateira, a confusão e a cumplicidade de partes da sociedade civil do país vítima são armas da “guerra híbrida” que está em pleno andamento.

Do lado da Rússia é claro.

No lado ocidental parece dominar a estratégia do avestruz: esconder a cabeça num buraco para não enxergar nada e achar que está tudo bom.

A Rússia “se prepara para uma guerra totalmente diferente da que imagina o Ocidente", diz o analista Gustav Gressel, do European Council of Foreign Relations. Ele detecta nos EUA “uma percepção do risco muito antiquada”.

“El Mundo” escolheu a sugestiva manchete: “Assim se prepara a Rússia para uma guerra com a Europa”.

Enquanto isso a União Europeia corrói os países que na teoria são seus membros mas na realidade são suas vítimas. A UE está deixando o continente inerme face ao enorme perigo que se prepara dentro das fronteiras da Rússia, que para o Kremlin são transitórias.






Putin confessa: “sou comunista”

Putin confessa: 'sou comunista'.
Putin confessa: 'sou comunista'.
“Eu gostava muito e continuo gostando das ideias socialistas e comunistas”, reafirmou no dia 25 de janeiro o presidente Vladimir Putin durante o 1º Foro inter-regional da Frente do Povo de Todas as Rússias, em Stavropol, no sudoeste da Federação Russa, segundo a agência de Moscou Interfax.

E para afastar qualquer dúvida, acrescentou:

“Vocês sabem que, como mais de 20 milhões de cidadãos soviéticos, eu fui membro do Partido Comunista da URSS. E não somente fui um membro do partido, mas trabalhei por quase 20 anos para uma organização conhecida como Comitê para a Segurança do Estado”, o nome por extenso da KGB.

“Como vocês sabem, não fui um membro por necessidade”, acrescentou. “Eu gostava muito das ideias comunistas e socialistas como ainda continuo gostando”, sublinhou.

E completou afirmando que ele nunca jogou fora sua carteira de membro do Partido Comunista da URSS. “O Partido Comunista da União Soviética colapsou, mas minha carteirinha está bem guardada em certo local”.

Nada disso é novo para os leitores, seguidores e assinantes de “Flagelo Russo”. Temos descrito em dezenas de posts essa posição ideológica de Putin, dissimulada por vezes sob um palavreado enganador ou em manobras calculadas para despistar.

Porém, a notícia chega oportunamente para abrir os olhos de muitos espíritos pouco perspicazes ou iludidos pela guerra da informação do Kremlin.

É claro que não temos ilusão quanto aos camuflados, mas genuínos simpatizantes do comunismo putinista, “companheiros de viagem” das manobras do líder russo. Estes não perderão ocasião para voltar a insistir nas virtudes e utilidades do líder comunista confesso.

Pensamos especialmente nos eclesiásticos que fingem ver nele a promessa de uma restauração dos valores cristãos.

Para eles, Vladimir Putin enviou uma mensagem bem dosada:

“Se nós olharmos para o Código do Construtor do Comunismo, [conjunto de regras morais destinado a todos os membros do Partido Comunista] que foi largamente distribuído na União Soviética, ele parece muito com a Bíblia. Não é uma brincadeira, de fato há passagens semelhantes na Bíblia”.

Em julho de 2015, o presidente 'bolivariano' da Bolívia Evo Morales
presenteou ao Papa Francisco
um símbolo afim com as ideias do líder russo.
A fórmula glosa aquela utilizada há meio século por Fidel Castro, títere da URSS, para confessar sua adesão ao comunismo: “Se eu sou comunista, Jesus Cristo foi o primeiro comunista”.

Mas Putin não pronunciou em Stavropol um mero slogan da cartilha da KGB.

No fundamento doutrinário dessa adesão ao comunismo ele apontou uma analogia com certa “teologia do povo” que fermenta no catolicismo:

“O Código proclama ideias muito boas: igualdade, fraternidade, felicidade”, explicou, passando mel nos seguidores da Teologia da Libertação, agora tão à vontade no Vaticano.

Fidel Castro também procurou se apoiar nesses teólogos “libertadores dos pobres” quando explicou em abril de 1961 que “esta é a revolução socialista e democrática dos humildes, com os humildes e para os humildes”.

Fidel falou com meio século de antecedência ao pontificado de Francisco I. Putin fala no transcurso desse pontificado. Compreende-se que trabalhem tão intensamente juntos.

Porém, o ditador do Kremlin esclareceu: seu comunismo não teria sido posto em prática pelos “socialistas utópicos”, entre os quais incluiu Lenine, segundo a revista Newsweek.

O modelo de seu comunismo é o de Stalin, responsável pelo massacre de milhões de proprietários de terra, aristocratas, “burgueses” ou simples camponeses.

Putin contrapôs-se a Lênin, concentrador de poderes, porque para ele Stalin teria sido o campeão do conceito de “larga autonomia” para as repúblicas soviéticas, conceito esse que Putin deu a entender que favorecia.

Basta ver como ele esmagou a Chechênia e o que está fazendo com a Ucrânia, sem receber crítica citável de seus amigos teólogos dos oprimidos e dos pobres, mas apenas beijinhos e elogios em encontros públicos!!!






Russo diz que Putin infiltra, seduz e desvirtua
reações conservadoras no Ocidente

Andrey Malgin, foto  kasparov.ru
Andrey Malgin, foto  kasparov.ru
Segundo o comentarista de Moscou Andrey Malgin, o líder do Kremlin entendeu que não pode enfrentar o Ocidente no plano econômico ou militar.

Mas sim poderia fazê-lo e até vencê-lo usando técnicas praticadas no judô, que Putin gosta e pratica. Estas consistem em redirecionar a força e o equilíbrio do oponente contra ele, noticiou a agência Euromaidanpress.

Os líderes de Ocidente poderiam então cair, não pelo poder da Rússia, mas por movimentos que desencadearam dentro de seus próprios países, e que passaram a ser infiltrados ou desviados por “inocentes úteis” seduzidos por Putin.

Tratar-se-ia de manipular esses movimentos como faz o judoca com o adversário, controlá-lo, desequilibrá-lo e vencê-lo com o mínimo de esforço.

A ideia é bem clara para quem conhece o judô. Mas o que significa isso em termos de confrontação política, econômica e militar entre o Oriente e o Ocidente?

Andrey Malgin explica: os líderes de Ocidente adotaram agendas que ofendem valores de grandes setores da opinião pública de seus países. Agindo assim desencadearam reações contra si próprios.

O caso do Brexit vem logo à mente: a União Europeia contrariava há décadas os sentimentos de inúmeros ingleses, em aras de uma utópica República Universal que viria após uma não menos utópica Federação Europeia do Atlântico até os Urais. Num belo dia 23 de junho os ingleses disseram: “basta!”. E toda a UE entrou em convulsão.

A agenda LGBT, incluindo a “ideologia de gênero”, também está sendo imposta a contragosto dos sentimentos de enormes correntes de pensamento e de estilos de vida cristãos e naturais.

Não espanta, pois, que provoquem contrarreações, como as da Manif pour tous na França, ou de seus equivalentes nos EUA, na Itália, na Espanha e no Brasil, para citarmos apenas alguns casos.

O que espanta é que os promotores de todas essas agendas – metafisicamente igualitárias e visceralmente anticristãs – não só não arredam diante das resistências, mas as atropelam sem a menor consideração.

Putin recebeu ao respeitável empresário tradicionalista francês Philippe de Villiers e lhe acenou imensos negócios até agora não concretizados.
Putin recebeu o respeitável empresário tradicionalista francês Philippe de Villiers
e lhe acenou imensos negócios até agora não concretizados.
Prosseguindo nessa estrada, ditas agendas e seus promotores, hoje instalados na maioria dos governos ocidentais, estão cavando a própria fossa.

Seria o momento de, por exemplo, o clero católico – incluídos bispos, cardeais e evidentemente o próprio Papa – tomassem a iniciativa da restauração dos valores da Civilização Cristã, da moral católica em toda a sua plenitude e autenticidade. E que nisso fossem secundados pelas elites sociais nascidas sob o bafejo da própria Igreja.

Mas infelizmente não é o que está acontecendo, sobretudo no chamado “período pós-conciliar”.

O resultado é a abertura de uma crescente brecha, que adquire por vezes dimensões abissais, entre as lideranças demolidoras e imensas correntes de opinião que não querem essa marcha aloucada rumo ao precipício.

O PT e seus “hermanos” bolivarianos, por exemplo, estão pagando as consequências desse modo de proceder.

As rachaduras entrementes dividem as nações, deixando-as à mercê de algum poder exterior que queira aumentá-las com intenções escusas, talvez imperiais.

“Divide et impera” (“Divide e reina”) era o ditado dos grandes conquistadores como Júlio César, Alexandre Magno ou Napoleão.

Vladimir Putin sabe dessas fendas e tentaria exacerbar sentimentos ofendidos pelas agendas anticristãs estimulando os descontentamentos contra elas.

Isso não quer dizer que ele acredite ou pratique os valores ou partilhe os sentimentos ofendidos. Por exemplo, a democracia, a liberdade de expressão e reunião. Poderíamos acrescentar os valores da vida, da família ou do catolicismo.

Porém, como astuto político, Putin achou um meio de rachar os países que anelaria submeter.

Ministros de Putin concedem recepção inédita a delegação do FN francês, Moscou.
Ministros de Putin concedem recepção inédita a delegação do FN francês, Moscou.
Por isso, Malgin adverte que os agentes de Putin estão agindo no sentido do Divide et impera, “qualquer que seja o tema, de esquerda, de centro ou de direita, com a finalidade de obter o resultado mais destrutivo possível. E com esse fim ele montará sua propaganda voltada para os países ocidentais”.

Malgin exemplifica com a TV Russia Today (RT), uma das mídias orientadas pelo Kremlin para essa tarefa.

Ela é útil para Putin espalhar suas palavras de ordem entre os setores conservadores, ainda que sejam “falsificações tipo Lubianka”.

Kirill Martynov, editor de política do jornal “Novaya Gazeta”, de Moscou, explica por que Putin está sendo tão bem-sucedido com essa tática.

A “Novaya Gazeta” é um jornal oposicionista que teve seis de seus melhores jornalistas assassinados enquanto estudavam aspectos obscuros do governo Putin.

Putin, diz Martynov, entendeu o que as mídias convencionais e os propulsores dessas agendas revolucionárias parecem não ter percebido: a generalização da internet permitiu que simples populares – outrora sem recursos para se manifestar – hoje podem fazê-lo quase gratuitamente.

E o estão fazendo e descobrindo que muitos outros pensam como eles. Essa conscientização da força do conservadorismo foi permitindo a articulação dos descontentes.

As redes sociais, como Twitter, WhatsApp, Facebook e outras, facilitam muito a aglutinação dessas tendências novas que desconfiam do macrocapitalismo publicitário.

“É possível, acrescenta Martynov, que a principal coisa que a Internet ensina às pessoas é a desconfiança em suas próprias elites”.

Mas essas massas desconfiadas e sem líderes autênticos podem ser manipuladas por oportunistas.

E, na política, hoje “oportunista” se traduz muitas vezes por “populista”. Aliás, esse fenômeno existiu inclusive nas eras sem Internet, provocando grandes mudanças históricas.

Putin sabe disso e o está explorando, tentando seduzir e ludibriar ingênuos muitas vezes bem intencionados.






O Kremlin manipula “inocentes úteis”,
alguns não tão inocentes, outros muito úteis

 professora Cécile Vaissié, da Universidade de Rennes 2, especializada em Estudos Soviéticos e Pós-Soviéticos
Professora Cécile Vaissié, da Universidade de Rennes 2,
especializada em Estudos Soviéticos e Pós-Soviéticos
Todos os grandes Estados têm um ‘softpower’, explicou a professora Cécile Vaissié, da Universidade de Rennes 2, especializada em Estudos Soviéticos e Pós-Soviéticos e autora do livro Les réseaux du Kremlin en France (As redes do Kremlin na França), em entrevista para a Rádio França Internacional – RFI. (Vídeos embaixo)

O que é um ‘softpower’? É a capacidade de um país de projetar uma imagem cultural e vender assim seus produtos aos outros.

A Rússia tenta ter um ‘softpower’, mas anda como um deficiente físico, pois não tem títulos reconhecidos. Seu cinema, por exemplo, não é mais o que foi. O fracassado regime comunista encarregou-se de esmagar toda forma cultural que não fosse soviética, totalitária e sinistra.

Assim diminuída, a “nova Rússia” tenta produzir um impacto sobre o conjunto dos outros povos a fim de impor sua visão das coisas sobre certos problemas. E tem de usar recursos sub-reptícios.

Ela é nisso um pouco diferente dos outros Estados, porque reatou dissimuladamente com a tradição soviética de propaganda. Para esse efeito, criou especialmente certo número de meios de comunicação que difundem a versão do Kremlin para consumo ocidental.

Entre tais meios recentemente instalados, a professora cita o site Sputnik e certas páginas do Facebook, onde se pode ver toda espécie de coisas demenciais. E, sobretudo, a versão que o Kremlin tenta impor a respeito dos acontecimentos no mundo.

É preciso fugir da tentação de achar que o Kremlin difunde sua interpretação, numa simples oposição de pontos de vista.

Afirma a professora: “Não. Aqui se fala de coisas muito concretas. Efetivamente há este exemplo: o primeiro canal da TV russa difundiu uma informação há alguns meses dizendo que uma criança de três anos foi crucificada pelos nazis ucranianos no Donbass (leste da Ucrânia) diante de toda a população de uma cidadezinha.

“Tudo isso foi espalhado por outro sinal de TV que emite muito em inglês, em espanhol e em árabe, ainda não em francês, que é Russia Today, o qual é da mesma classe. Você fica tomado pelo horror.

Putin determina quem será demonizaddo e quem canonizado  pela 'guerra da informação'. Amanhã poderá ser tudo o contrário, como em '1984'...
Putin determina quem será demonizado e quem canonizado  pela 'guerra da informação'.
Amanhã poderá ser tudo o contrário, como em '1984'...
“Mas jornalistas russos da oposição foram investigar no local, achando que se a criança foi crucificada diante de toda uma aldeia deveria ter gente que viu.

“Porém ninguém tinha visto, essa criança não existia, a mãe não existia. O que queria dizer que o caso era falso, e não que havia sido deformado.

“Eu vou dar exatamente outro exemplo marcante, que foi a história do avião da Malaysian Airlines derrubado sobre o leste da Ucrânia.

“A mídia do Kremlin divulgou uma versão dizendo: ‘Você sabe, nesse avião só havia cadáveres tratados com substâncias na Alemanha (e isso com toda espécie de detalhes) e todos estavam mortos havia vários meses’”.

“Então, você se pergunta qual é o objetivo dessa propaganda? Qual é o objetivo desse gênero de coisas completamente insensatas?

“E a esse respeito, antigos jornalistas russos exilados explicam que isso são práticas da KGB inteiramente habituais. Essas práticas, dizem eles, nos foram ensinadas há várias décadas, quando fazíamos o que se chamava ‘cátedra militar’ na escola de jornalismo.

“Esses métodos consistem em provocar choques emocionais, para que logo depois as pessoas percam o senso, não possam mais analisar o que está acontecendo.

“E é isso que fazem sem cessar sites como Sputnik, espalhando coisas aberrantes.

“Os estudantes vêm me perguntar se podem acompanhar Sputnik e eu lhes respondo: ‘Não, não, Sputnik é tudo sem valor’. Acresce ainda o Russia Today.

Sobre os tentáculos do Kremlin na mídia e na Internet veja:

A guerra de Moscou para desequilibrar as mentes 

Máquina de desinformação de Putin trabalha a toda

Em Roma: 'eu estou com Putin'. O trabalho sorrateiro russo quer manipular movimentos nacionais
Em Roma: 'eu estou com Putin'.
O trabalho sorrateiro russo quer manipular movimentos nacionais
“Também é necessário não esquecer nesta guerra da informação – e isso também foi demonstrado por jornalistas russos –as fábricas de ‘trolls’.

“Quer dizer, pessoas – especialmente em São Petersburgo – pagas para difundir informações nas redes sociais.

“Elas são muito eficazes na Rússia, mas funcionam na França, na Grã-Bretanha. São pagas para ter perfis no Facebook, no Twitter, e se dedicam a espalhar a ‘boa palavra’. Há estudos científicos que demonstraram sua organização baseando-se nos endereços IP.

“E eles tentam convencer pessoas de boa vontade”.
Você conhece alguém que pode estar caindo na armadilha da desinformado montada por um ‘troll’ russo? Ou não? Veja como funcionam:

Exército de comentaristas fantasmas russos age na Internet – 1

Exército de comentaristas fantasmas russos age na Internet – 2

Quais são as novas táticas da ‘guerra da informação’ promovida por unidades especiais do exército russo? Veja:

A mentira e o engano na “Teoria e Ciência da Guerra” preferida de Putin

‘Putin defensor dos valores cristãos’?: mais uma mentira da nova KGB, diz arcebispo 

O Kremlin tenta também infiltrar as associações de emigrados russos no exterior.

“A partir de 2003, temos grandes operações de sedução tentando lhes dizer: ‘Bom, precisamos nos reconciliar’.”

A reconciliação é muito boa, diz a professora, mas é preciso estar de acordo com a História. E é ali onde a reconciliação engasga.

“Foi montada uma fantasia imaginosa sobre a Rússia que não tem nada a ver com a Rússia real. Esse falso imaginário faz crer que a Rússia seria a ‘Santa Rússia’ de outrora, que defende as tradições familiares e cristãs.

Sputnik, Russia Today: peças de uma máquina impressionante para difundir informações enviesadas montada no mundo por Moscou.
Sputnik, Russia Today: peças de uma máquina impressionante
para difundir informações enviesadas montada no mundo por Moscou.
“Mas as tradições familiares foram enormemente destruídas na Rússia, elas estão muito mais vivas na França.

“O Cristianismo foi enormemente destruído na Rússia.

“Você vê multiplicarem-se, por exemplo, no Donbass, as bandeiras vermelhas, todo um sistema de símbolos soviéticos – não apenas comunistas, mas soviéticos.

“Tudo isso está sendo reativado. Está se voltando ao discurso soviético dos anos 1946-1953: o de ‘nós contra eles’, e esses ‘eles’ são acusados de fascistas.”

A professora mencionou homens políticos ligados ao Partido Comunista Francês ou a grupos do Partido Socialista que apoiam ativamente tudo o que vem do Kremlin.

Mas também há destacados políticos de “direita” que na prática apoiam as manobras de Putin, embora se digam arautos do capitalismo, da democracia e da globalização.

Entre eles destacaram-se François Fillon, do partido UMP, e muito especialmente o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que se fez eleger criticando os políticos que estreitavam a mão de Putin, quando ele próprio é hoje muito favorável ao mesmo Putin que esmagou a Chechênia e invadiu a Ucrânia.

Também fazem o jogo de Putin professores universitários objetivos, que abandonaram a vida acadêmica para se reunirem com políticos que vão da extrema-esquerda, passando pelo centro e a direita, até incluir Marine Le Pen. Um deles até chegou a ser um colaborador habitual de Sputnik.


Entrevistas à professora Cécile Vaissié sobre as estratagemas da propaganda russa para enganar Ocidente










Guerra híbrida russa mira também a República Checa

"Os agentes de Putin"
"Os agentes de Putin"
O Serviço de Informação de Segurança da República Checa (BIS) publicou seu Relatório Anual 2015, resumido pela agência EUobserver. 

Além do terrorismo, os serviços de contra inteligência identificaram que os “serviços de inteligência chineses e russos eram os mais ativos na República Checa”.

A espionagem chinesa entrou de mãos dadas com a presença econômica de Pequim no pequeno, mas estratégico país da Europa Central.

As mexidas dos serviços secretos chineses visaram primariamente influenciar a política e a economia checas em favor dos interesses econômicos de Pequim.

O verdadeiro elefante – ou urso – no salão foi a Rússia.

A espionagem russa foi “a mais ativa na República Checa” em 2015. O BIS disse que “não identificou nenhuma outra atividade relevante das espionagens de outros países da ex-União Soviética”.

Na capital checa, outrora nas mãos do exército vermelho, a Rússia mantém 140 diplomatas acreditados, o dobro dos EUA.

Segundo o BIS, os espiões ativos da Rússia agem sob a cobertura da embaixada russa. O serviço checo reconhece que essa cobertura é também real nas embaixadas de outros países, “mas o número dos oficiais de inteligência russos é muito maior”.

Em geral, os países amigos declaram quem são seus agentes, mas a Rússia, não.

“Essa conduta clandestina sobre os filiados ao serviço de inteligência sinaliza claramente atividades que ameaçam a segurança e os interesses da República Checa”.

Grupos usados na guerra híbrida no estilo dos 'Lobos da noite' estão sendo observados
Grupos usados na guerra híbrida no estilo dos 'Lobos da noite' estão sendo observados
O problema se repete em toda a União Europeia. Os serviços de inteligência da Suécia, Sapo, estimam que um terço dos 35 funcionários russos acreditados na embaixada de Estocolmo são espiões.

Mas, para o BIS, o Kremlin tem seis objetivos bem definidos.

O primeiro é “debilitar a independência da mídia checa” tradicional ou virtual, infiltrando-a e introduzindo a produção maciça de propaganda e desinformação russa, controlada pelo Kremlin.

Isso, em segundo lugar, visa minar “a resistência na guerra da informação” com desinformação pré-fabricada atribuível a fontes checas, servindo inclusive para reforçar os pontos de vista do Kremlin ante a opinião pública russa.

Também, terceiro, visa distorcer “as percepções e os pensamentos do público checo, debilitando sua vontade de resistência, saturando as informações que relativizam a verdade e a objetividade, e promovendo a ideia de que todo o mundo mente”, para a opinião pública perder a vontade de resistir.

O quarto objetivo consiste em “criar ou promover tensões dentro da sociedade e entre os grupos políticos da República Checa, formando organizações títeres que promovem dissimulada ou abertamente temáticas populistas ou extremistas”.

O quinto é “perturbar a união e prontidão da NATO” como, por exemplo, “perturbar as relações checo-polonesas, espalhando desinformação e rumores alarmantes que difamem os EUA e a NATO, e enganem sobre o perigo potencial de uma guerra com a Rússia”.

Mídia checa está preocupada pela recuperação russa de antigos trens militares. Embora dessuetos, foram úteis para grandes distâncias na invasão da Geórgia.
Mídia checa está preocupada pela recuperação russa de antigos trens militares.
Embora dessuetos, foram úteis para grandes distâncias na invasão da Geórgia.
O sexto consiste em “danificar a reputação da Ucrânia e isolá-la internacionalmente, engajando cidadãos e organizações checas anti-ucranianas lideradas secretamente pela Rússia”.

O BIS também alerta contras as operações da Rússia no conflito da Síria e as infraestruturas que está criando secretamente na vida checa.

A conclusão é carregada: o conjunto de atividades russas visa “desestabilizar ou manipular a sociedade e o ambiente político checo a qualquer momento, segundo as intenções da Rússia”.

Isso seria apenas o início de futuras operações russas com vistas a instalar em 2018, no palácio presidencial de Praga, um político populista que seria nada mais nada menos que um “Cavalo de Troia” russo, geopoliticamente útil a Moscou na Europa Central.











“Guerra da informação” russa em ação na Catalunha

“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã”, diz “El País”
“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã”, diz “El País”
“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã” – escreveu o jornal madrilense de grande tiragem “El País” que, aliás, não esconde suas simpatias por todas as formas de esquerda.

O jornal fez uma extensa descrição da guerra da informação que gera noticias falsas sobre o movimento separatista espanhol.

Ele descreve táticas russas análogas às utilizadas para interferir nas eleições nos EUA e na Europa.

“El País” acompanhou sites pró-russos e perfis de redes sociais usando ferramentas de analítica digital. A descrição evoca poderosamente as táticas de desinformação e de “guerra híbrida” aplicadas na ocupação da Crimeia e do Leste ucraniano.

O Kremlin considera o independentismo catalão como mais uma oportunidade para aprofundar as fraturas europeias e consolidar sua influência internacional.

Uma galáxia de páginas web montadas em São Petersburgo com as mais fantasiosas fachadas publica boatos que são logo ecoados por ativistas antiocidentais.

Entre estes se destaca Julian Assange e uma legião de bots, ou seja, milhões de perfis nas redes sociais criados e geridos por robôs que multiplicam as palavras-de-ordem dos serviços secretos russos.

Esse esquema fabrica “viralizações” inautênticas e transforma mentiras estrategicamente excogitadas em tendência partilhada “milhões de vezes” nas redes sociais, explica “El País”.

Por sua vez – e isto o jornal de pensamento socialista não o diz –, a grande imprensa ocidental finge acreditar na autenticidade do fenômeno e o acolhe em seus poderosos meios como a opinião das redes sociais.

'Russia Today' se sentiu pega e tentou logo desclassificar as denúncias, mas sem sucesso
'Russia Today' se sentiu pega e partiu para o ataque pessoal dos denunciantes, sem sucesso
O famigerado “Russia Today”, ou RT, meio criado e abundantemente regado pelo dinheiro do Kremlin, foi um elo de destaque no esquema.

Desde o início da crise catalã, o setor de língua castelhana de “Russia Today” assumiu a bandeira contrária à legalidade constitucional espanhola.

Em setembro ele publicou 42 noticias sobre a Catalunha, várias com manchetes falsas.

Em 12 de setembro, RT reproduziu um tuit atribuído a Assange prognosticando “o nascimento da Catalunha como país ou a guerra civil”.

Segundo as ferramentas analíticas de “El País”, o tuit foi logo passado adiante por 1.700 perfis no Facebook ou no Twitter.

Assange figurava como o principal agitador internacional da crise catalã, disseminando opiniões e meias verdades como se fossem notícias verdadeiras. Se é que ele era o autor...

Segundo dados de Audiense, plataforma de análise social, só em setembro Assange teve quase 940.000 menções no Twitter.

O tuit mais reproduzido no mundo, segundo a ferramenta de medição NewsWhip, foi um do perfil de Julian Assange, datado de 15 de setembro às 18.46:

“Peço a todo o mundo que apoie o direito da Catalunha à autodeterminação. Não se pode permitir que a Espanha recorra normalmente a atos repressivos para impedir a votação”.

A mensagem em inglês obteve mais de 12.000 retuits e 16.000 curtidas.

Esse tuit não seguiu o andamento normal das viralizações. Sua instantaneidade caracterizou a atividade dos bots e perfis falsos robotizados que retuitam maquinalmente mensagens predeterminadas.

Segundo TwitterAudit, 59% dos seguidores de Assange são perfis falsos.

O que tem a ver com a Espanha o ciberativista australiano da WikiLeaks procurado pela Interpol? Não se sabe, mas o certo é que funciona como uma luva na mão do Kremlin.

No quebra-cabeça da Catalunha as peças russas e catalãs separatistas se encaixam na perfeição.
No quebra-cabeça da Catalunha
as peças russas e catalãs separatistas se encaixam na perfeição.
Edward Snowden, ex-analista norte-americano prófugo, instalado comodamente na Rússia, fez dueto com Assange no Twitter.

Seu tuit “a repressão da Espanha é uma violação dos direitos humanos” ganhou num tempo humanamente impossível quase 8.000 retuits e 8.000 curtidas.

Justin Raimondo, diretor do site anarquista AntiWar, comparou os protestos em Barcelona com a repressão chinesa na Praça Tiananmen em 1989. Nessa, o regime comunista chinês passou os tanques por cima dos manifestantes que pediam liberalização.

Raimondo comparou “as autoridades de Madrid com os déspotas de Pequim”.

A ideia não foi dele, mas de Assange, que tuiteou e retuiteou o artigo de Raimondo em quatro ocasiões. Na verdade, talvez não tenha sido de nenhum dos dois, mas de um planificador do Kremlin.

“El País” se estende, citando o esquema de palavras-de-ordem pró-russas multiplicadas por sites “fiéis” e pelo exército de bots russos.

A ferramenta Hamilton 68, da Aliança para Garantir a Democracia, criada pelo German Marshall Fund após a proliferação de notícias falsas nas eleições americanas de 2016, analisa permanentemente 600 contas, automatizadas ou não, que estão na órbita do Kremlin.

Essa ferramenta identificou o site AntiWar como um dos mais difundidos pelas redes pró-Rússia.






Catalunha: táticas testadas no separatismo do leste ucraniano

Espalhando falsas notícias nas redes sociais. O cadeirante foi agredido, mas em 2011 e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados' Fonte Le Monde.
Espalhando falsas notícias nas redes sociais.
O cadeirante foi agredido, mas em 2011
e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados'
Fonte Le Monde.
Os exércitos digitais do Kremlin operam com um mesmo padrão: viralizam mensagens e notícias exageradas ou falsas para exacerbar uma crise e fomentar a divisão nos EUA e na Europa, beneficiando a posição de Moscou.

Trata-se de uma guerrilha que monta sites webs com aparência de seriedade.

O DisobedientMedia.com, por exemplo, pretende ser um site de jornalismo de investigação e a esse título nutre todo tipo de falsas teorias conspirativas, metodicamente voltadas para desmoralizar o Ocidente.

O site chegou a publicar notícia denunciando “a perdurável influência do ditador fascista na política espanhola” apresentando antiga estátua do ex-ditador espanhol Francisco Franco montando um cavalo.

Russia News Now, site com aparência de jornal, montou manchete dizendo: “UE: Catalunha pode, Crimeia não”. E “informava” que a União Europeia tinha dado sinal verde à separação da Catalunha, mas que hipocritamente se opunha à invasão russa da Crimeia.

A UE não concordava com o independentismo catalão. A notícia era um falso, mas estimulava o separatismo e ajudava à Rússia.

Espalhando falsas notícias nas redes sociais.
Não eram votantes, mas estudantes. A polícia é a catalã
e a ocorrência é de 14 novembro 2012, em Tarragona. Fonte: Le Monde.
Como única fonte citava uma nota de imprensa do grupo euro-parlamentar Esquerda Unida Europeia (52 cadeiras de 761) que por ideologia de esquerda critica o governo de Madri e é sócio dos separatistas.

Mas o blefe, com texto e manchete idênticos, foi recopiado em sites que servem de correias de transmissão das mensagens oficialistas do Kremlin, como Fort Russ ou News Front.

Oficialmente, Moscou diz que a crise é de competência exclusiva da Espanha, segundo o porta-voz do governo russo Dmitri Peskov. Ele acrescentou que “não julgamos possível envolver-nos de alguma forma”.

Como na Ucrânia.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, ecoando declarações de Vladimir Putin, defendeu que “existe legislação nacional e compromissos internacionais” e que “nós assumimos que os processos internos devem se basear nesses princípios”. Palavreado “para inglês ouvir”.

Mas não é só guerra da informação; diversas fontes identificaram métodos de subversão de rua associados à máquina de agitação informativa russa.

Os métodos relembraram ainda episódios do início dos levantamentos separatistas no Leste ucraniano.

O governo autônomo da Catalunha, mais conhecido localmente como Generalitat, defendeu a todo preço que 893 pessoas ficaram feridas pela polícia de Madri no dia do falido referendo.

Porém, a Secretaria de Saúde da mesma Generalitat, responsável pela atenção em toda a região, informou que naquela data só houve quatro ingressos nos hospitais catalães por ocorrências ligadas aos distúrbios.

Só dois deles foram qualificados de “graves”, incluída uma crise cardíaca havida durante uma manifestação. Mas a grande mídia internacional só falou do número de 893 feridos, como se fosse um mantra “sagrado”.

A foto é de um protesto trabalhista dos bombeiros catalães
A polícia que reprime é a catalã. Fonte: Le Monde.
O presidente da Assembleia Nacional Catalã, Jordi Sánchez, dramatizou dizendo que um número tão grande de “feridos” não se verificava na Europa desde a II Guerra Mundial.

Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras, especializada em crises humanitárias no mundo inteiro, não podem ser consideradas “feridas” as pessoas que tiveram algum traumatismo, uma doença, ou desordem física ou nervosa durante os fatos.

Segundo a mesma Secretaria de Saúde catalã, os “feridos” atendidos nos pontos de distúrbios consistiram “majoritariamente em contusões, tonturas e crises de ansiedade”, que foram resolvidos no local.

Na Ucrânia, uma mulher denunciou que seu filho havia sido crucificado por nazistas ucranianos. A mídia fez espalhafato.

A bandeira separatista foi acrescentada com fotomontagem.
O fato tal vez aconteceu nos dias do referendo. Fonte: Le Monde.
Mas depois se soube que não era mãe, que trabalhava para a Rússia e que já tinha aparecido na TV participando em diversos conflitos com identidades fictícias, protagonizando teatralizações que serviam para a propaganda de Putin.

Assim também na Catalunha apareceu uma mulher com a mão enfaixada, dramatizando que a polícia de Madri tinha quebrado todos os seus dedos um por um, além de ter abusado dela.

Até Pep Guardiola, treinador do Manchester City, falando do exterior, declarou-se espantado por tamanha violência: “Quebraram os dedos de uma moça! Atacaram mais de 700 pessoas pelo fato de quererem votar!", noticiou “El País”.

No fim, resultou que a mulher é uma velha militante ecologista e de extrema-esquerda que só tinha uma inflamação num dedo e que fora flagrada participando do quebra-quebra de um carro da polícia. Os médicos lhe ordenaram três dias de repouso...

A estratégia é também velha nos manuais de subversão de rua.






Moscou articula separatismos
para imperar sobre um Ocidente dividido

Em reunião de 2015 no Kremlin, agitador separatista catalão anuncia próxima independência
Em reunião de 2015 no Kremlin, agitador separatista catalão
anuncia próxima independência
O partido político Ciudadanos registrou no Congresso de Madri uma demanda ao governo, e em especial ao Ministério de Relações Exteriores, de explicações pela ingerência russa no frustrado referendo de independência catalã e pelas manobras do embaixador russo em Madri.

O deputado Fernando Maura considerou existirem suficientes indícios na mídia de Moscou para suspeitar que a Rússia estivesse manipulando o problema da Catalunha para abalar a Europa, escreveu “El País”.

A manobra russa embutiria “a intenção de acabar com as sanções que lhe foram impostas pela anexação da Crimeia e por sua intervenção no Leste da Ucrânia".

A demanda também menciona a duplicidade patenteada nos meios pertencentes ao governo russo e na posição oficial dos dirigentes do Kremlin.

A crise de Catalunha motivou jornalistas a pesquisarem os arquivos de seus próprios jornais e os achados foram surpreendentes.

Há poucos anos, Moscou vem financiando uma conferência internacional promovida por um fantasmático Movimento Antiglobalização da Rússia (MAR).

Essa entidade-biombo reuniu em 2016, num luxuoso hotel moscovita, uma galáxia de grupos separatistas, entre os quais figurava Solidaritat Catalana, representado pelo seu secretário J. Enric Folch Vila.

Folch Vila encarregou-se de informar aos presentes sobre os planos para o referendo pela independência da Catalunha e anunciou que esperava voltar em 2017 “falando em nome da Catalunha, país independente”.

A conferência foi financiada em 30% com dinheiro estatal de um total de 3,5 milhões de rublos, confirmou Alexander Iónov, chefe do Movimento Antiglobalista, citado por “El País”.

No Kremlin, o 'Yes California' reafirmou a meta de separar o Estado dos EUA
No Kremlin, o 'Yes California' reafirmou a meta de separar o Estado dos EUA
Em Moscou não havia só catalães. Estava também representado o Movimento Nacionalista do Texas, liderado por Nate Smith, que reivindicou o “direito à autodeterminação” desse território norte-americano.

Smith defendeu que os territórios secessionistas nos países ocidentais obtenham a independência pela “via pacífica”.

Compareceram ainda os movimentos Yes California Independence Campaign (“Calexit”); o Estado Nacional Soberano de Borinken, que se apresenta como uma “estrutura de cidadãos que tomou a direção de Porto Rico de maneira paralela ao governo colonial” americano ; a Lega Nord de Lombardia (Itália); o Frente Polisario; o Partido Democrático do Líbano; o representante do território do Alto Karabak (enclave armênio no Azerbaijão); o Sinn Fein (Irlanda) e a República do Transdniéster, território da Moldávia estrategicamente cobiçado pela Rússia.

O deputado da Duma – congresso da Rússia – Mijail Diktiriov, do Partido Liberal Democrático apoiador de Putin, defendeu que a União Soviética foi “fragmentada de forma ilegal” com o “aplauso da comunidade internacional”.

“Mil milhas de montanhas e desertos nos separam do resto da população dos EUA”, explicou Louis J. Marinelli, novaiorquino líder de Yes California Independence Campaign que reside na “embaixada” do movimento em Moscou.

Ele insistiu que os californianos são “uma nação diferente do resto dos EUA” e advogou em favor de um referendo para “decidir a independência ou continuar nos USA”. O movimento ganhou eco na imprensa internacional a partir dos fatos da Catalunha.

Esses grupelhos são meras criações dos serviços secretos russos. Mas são reveladores dos ardis da “guerra híbrida” praticada por Moscou, ajudando a compreender o que está acontecendo na Catalunha.

Politólogo putinista sublinhou que não importa que os grupelhos sejam pequenos. No dia da manifestação os jornalistas pró-Russia os tornarão movimentos de repercussão mundial
Politólogo putinista sublinhou que não importa que os grupelhos sejam pequenos.
No dia da manifestação os jornalistas pró-Russia
os tornarão movimentos de repercussão mundial
“Esses grupos são parte de nossa política exterior”, comentou um veterano politólogo russo presente. “Hoje para a Rússia também os marginais são um canal para influenciar o mundo. Quando esses marginais se manifestem diante da embaixada dos EUA em alguma capital europeia, nossas televisões irão filmá-los”.

A Federação Russa enfrenta graves problemas com movimentos secessionistas em seu imenso território, e até mesmo com os tártaros na Crimeia.

Nenhum desses movimentos foi convidado. É claro que Moscou não se interessava sinceramente por nenhum deles, nem mesmo pelos presentes. Eles só fazem sentido se servirem aos planos russos de hegemonia mundial.

Na edição de 2015, os representantes dos movimentos independentistas e de autodeterminação mundiais concluíram que sua reunião demonstrou “de forma evidente a crise e ineficácia do modelo ocidental de direção do Estado”.

O evento aconteceu em 20 de setembro no hotel President, pertencente à administração do Kremlin, e também foi financiado em 30% pelo Estado russo.

As viagens dos delegados foram pagas pelo Fundo de Beneficência Estatal da Rússia, criado por Vladimir Putin e que se encontra “sob o patrocínio” do chefe do Estado.

O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kiril, preside o conselho da entidade.

Enric Folch, de Solidaritat Catalana, também falou contra os líderes europeus e garantiu que a Catalunha independente não fará parte da UE. Talvez sim da União Euroasiática anelada por Vladimir Putin.

O discurso e o vídeo das manifestações independentistas foram intensamente aplaudidos e Folch expressou o desejo de que a “próxima conferência seja em Barcelona”, registrou na época o jornal de Madri.






Rede da “guerra da informação” russa é pega e indiciada nos EUA

Trolls falam para jornalistas
Trolls falam para jornalistas sob sigilo
Treze “soldados” e 3 associações da Rússia que integram o “exército” cibernético do Kremlin foram indiciados no dia 16 de fevereiro (2018) pela Justiça americana, informou “O Estado de S.Paulo”.

A acusação é conspirar para interferir na eleição presidencial americana de 2016 com o objetivo de minar o sistema político dos EUA e favorecer a candidatura de Donald Trump.

Os ilícitos apontados incluem disseminação de informações falsas na internet.

Também incluem a organização de manifestações, o recrutamento de ativistas e o envio de releases a veículos de imprensa por parte de uma organização secreta.

Trump defende se tratar de uma invenção de seus rivais democratas para justificar a derrota de sua candidata.

As informações das atividades russas foram fornecidas por investigação do FBI, contidas num documento de 37 páginas apresentado pelo procurador especial Robert Mueller.

A operação começou em 2014 e empregou mais de 80 pessoas na Rússia em meados de 2016. O financiamento correu por conta da empresa Concord Management & Consulting ligada ao governo de Vladimir Putin.

A ofensiva do “exército” troll não se limitava aos EUA mas visava os sistemas político e eleitoral de vários países, e foi nomeada Projeto Lakhta.

As atividades nos EUA foram conduzidas pela Internet Research Agency, empresa de São Petersburgo especializada em “trolls”, que declarou sua intenção de empreender uma “guerra de informação contra os Estados Unidos”.

A acusação não abrange nenhum cidadão americano, mas afirma que os russos conspiraram com “pessoas conhecidas” do grande júri, que aprovou o indiciamento e analisou as acusações apresentadas, segundo a matéria do “O Estado de S.Paulo”.

A ofensiva visava influenciar a opinião pública. Para isso, os russos criaram centenas de contas em mídias sociais com falsas identidades, se passando por americanos.

Também organizaram grupos no Facebook ou no Instagram e alimentaram protestos a favor de Trump e contra Hillary.

Os russos desestimularam o voto das minorias que se inclinam para os democratas e incentivaram candidatos como Jill Stein, do Partido Verde.

Lyudmila Savchuk trabalhou como troll e descreveu o funcionamento da máquina bélica virtual de sabotagem dos sites oposicionistas
Lyudmila Savchuk trabalhou como troll e descreveu o funcionamento
da máquina bélica virtual de sabotagem dos sites oposicionistas
O Projeto Lakhta também visou comprar de espaço em servidores de sediados nos EUA, roubou a identidade de americanos para abertura de contas bancárias e a criação de e-mail fictícios.

Entre os atos contra Hillary, a acusação menciona uma manifestação de muçulmanos a favor da candidata convocada pelos russos. A fraude apresentava, um dos participantes carregando cartaz com uma frase falsamente atribuída à candidata: “Eu acho que a sharia será uma poderosa nova direção da liberdade”.

Os russos também transferiram recursos para um americano contratado para construir uma jaula grande o bastante para abrigar uma atriz travestida de Hillary.

Um dos indiciados é o empresário russo Yevgeniy Prigozhin, próximo de Putin, financista das operações, por meio de sua empresa, Concord Management and Consulting.

A operação envolveu 3 mil anúncios no Facebook, no valor total de US$ 100 mil, e 1.800 tuítes, ao preço de US$ 274 mil.

As publicações no Twitter partiram de 22 contas abertas pelo Russia Today (RT), órgão de comunicação predileto da propaganda russa no exterior. As contas estavam vinculadas a 179 perfis no Twitter e 450 no Facebook.

Os custos podem parecer ínfimos, mas em termos de marketing digital permitem publicar anúncios vistos centenas de milhões de vezes.

A Rússia, a China e a Coreia do Norte teleguiam ataques para derrubar sites, redes e sistemas de comunicação, comando e controle, inocular vírus, roubar informações, praticar extorsão contra empresas e usuários.

Isso faz parte da doutrina das guerras psicológica e cibernética, no contexto dos conflitos assimétricos. Esses países reconhecem que não têm chances de enfrentar os Estados Unidos com armas e regras de engajamento convencionais observou o matutino paulista.

Também o Brasil está exposto a esses ataques, que podem vir não só de fora, mas de dentro. Segundo o jornalista Lourival Sant'Anna quando a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu o impeachment, e o Ministério do Planejamento trocou de mãos, foram encontradas planilhas de pagamento de sites e blogs com a aparência de jornalísticos.

O jornalista prevê que na campanha eleitoral deste ano, muito dinheiro será investido nessa guerra.

Este tipo de engajamento dos serviços secretos russos foi muito ativo no tempo da União Soviética e da Guerra Fria.

A novidade consiste não consiste tanto na modernização da “guerra da informação” no contexto da era digital. Isso era logicamente previsível e necessário.

A surpresa foi descobrir a ingenuidade dos EUA acreditando na mentira da “morte do comunismo”. Fazer acreditar nesse embuste foi tal vez a maior vitória da “guerra da informação”.

Tendo abaixado as defesas e esvaziado o pensamento, EUA ficou facilmente infiltrável e manipulável.

Agora está às voltas com um caso de consequências imprevisíveis que envolvem as mais altas autoridades do país.

Há matéria de sobra para Putin comemorar uma vitória, ainda que parcial da sua “guerra da informação”.






Kremlin esbraveja:
ou Trump ou a III Guerra Mundial

O Kremlin diz 'Trump ou a guerra' e acena com Hiroshima ou Nagasaki. Hillary Clinton tem um passado mole e entreguista face à Rússia. Por que é que sendo assim, o Kremlin prefere tanto a Trump?
O Kremlin diz 'Trump ou a guerra' e acena com Hiroshima ou Nagasaki.
Hillary Clinton tem um passado mole e entreguista face à Rússia.
Por que é que sendo assim, o Kremlin prefere tanto a Trump?
Um fugaz e intenso ataque de “trolls” elaborados nos laboratórios da desinformação do Kremlin espalhou que o ministério de Defesa russo teria distribuído uma circular a todos os comandantes das forças armadas alertando que a contagem regressiva da III Guerra Mundial já estava em andamento.

O site AWDNews criado pela máquina de desinformação russa fez ativa difusão desse boato, aliás logo desmentido.

O deputado ultranacionalista Vladimir Jirinovski, chefe do terceiro maior partido na Duma e aliado subserviente de Vladimir Putin, em entrevista à agência Reuters, voltou mais oficialmente a bater na tecla que Moscou quer:

Que o candidato Donald Trump é o único que pode desmontar as tensões entre Washington et Moscou.

Acrescentou que se o eleitorado americano escolher sua rival democrata Hillary Clinton poderia desencadear uma Terceira Guerra Mundial.

Vladimir Jirinovski acaba de ganhar de Vladimir Putin a mais alta comenda do Estado russo e seus espalhafatosos propósitos, embora não idênticos aos do Putin, acabam servindo os interesses do amo do Kremlin.



Putin garante que ele não tem interesse em influenciar o resultado da eleição presidencial americana, mas ele estimula por baixo do pano tudo o que favorece seus desígnios.

Jirinovski é um servidor desse jogo e faz o elogio desavergonhado de Trump. Na entrevista, elogiou o candidato turbulento pelo fato de se desinteressar da Síria, da Líbia e do Iraque, prometendo que os EUA “não interfeririam nesses países. Mesma coisa para a Ucrânia. Quem tem necessidade da Ucrânia?”.

O colérico deputado ultra-nacionalista Vladimir Jirinovski serve para Putin por em circulação o que ele não quer dizer em primeira pessoa.
O colérico deputado ultra-nacionalista Vladimir Jirinovski
serve para Putin por em circulação o que ele não quer dizer em primeira pessoa.
O pouco equilibrado deputado acrescentou que “Trump teria grandes chances de tornar mais pacíficas as relações. Ele é o único capaz de fazê-lo”, enquanto prometia postular o polêmico bilionário para o Prêmio Nobel da Paz.

Jirinovski tripudiou contra a candidata que ele descreveu como “uma sogra diabólica” que julga ser “a pessoa mais importante da Terra”, incapaz de disputar a presidência dos EUA.

“Os americanos devem escolher Trump”, concluiu Jirinovski acrescentando um punhado de argumentos controvertidos em seu favor.

Em meio a muitas extravagâncias, Jirinovski deixou claro o quer seu chefe: Trump na presidência dos EUA.

E se a grande nação americana não se dobrar ante a exigência de Moscou, a ameaça é clara: a III Guerra Mundial.

Recusamos a chantagem de Jirinovski, mas o medo que ele explora pode empurrar um certo número de pacifistas ou moles indecisos a votar por Donald Trump.

Para aumentar o pânico nesse sentido, o sensacionalista jornal britânico “The Sun” espalhou entre outras coisas que Vladimir Putin teria ordenado a todos os jovens russos e parentes que estudam no exterior voltar logo à “mãe pátria” na perspectiva da chegada da III Guerra Mundial.

Segundo a TV russa, toda ela nas mãos do Estado, a Terceira Guerra Mundial já começou. É a instrução do Kremlin que vale como única verdade, noticiou a France Press. 

No principal canal do Estado, o âncora preferido anuncia que as baterias antiaéreas russas na Síria tem ordem de “abater” os aviões americanos.

Treinos para III Guerra Mundial envolveriam dezenas de milhões de cidadãos
Treinos para III Guerra Mundial envolveriam dezenas de milhões de cidadãos
E Rossia 24 divulgou reportagem sobre a preparação dos abrigos nucleares de Moscou.

Em São Petersburgo, o site Fontanka informa que o governador já pensa em racionar o pão em função da guerra iminente.

Na rádio, se discute sobre exercícios de “defesa civil” que visariam mobilizar 40 milhões de russos durante uma semana. Faz parte do programa instruir os cidadãos sobre como evacuar imóveis e condutas a adotar nos incêndios.

Imensos graffiti “patrióticos” de artistas pro-Putin cobrem os imóveis. A causa do frenesi é a perspectiva da “Terceira Guerra Mundial”.

A ruptura das negociações entre Washington e Moscou sobre o conflito sírio foi determinante, enquanto as bombas russas transformavam Aleppo num “inferno na Terra” segundo a ONU e multiplicavam as críticas das capitais ocidentais a Moscou.

Em Moscou, os jornalistas russos e ocidentais acordam e vão dormir com recentes comunicados delirantes do Ministério russo de Defesa atiçando o clima de confrontação amplificado pela mídia oficial.

Na TV Rossia 1, o apresentador Dmitri Kissilev, ecoa o pensamento do general Igor Konachenkov ameaçando abater aviões americanos e atacando o “plano B” dos EUA que consistiria em “atacar as forças do presidente Bachar al-Assad e a aviação russa”.

Gueorgui Bovt no site Gazeta.ru comemora que “a Rússia está mais do que pronta, sobre tudo psicologicamente para uma nova espiral de enfrentamento contra o Ocidente”.

Segundo Bovt ou o Ocidente aceita um novo acordo de Ialta, no qual os EUA e a URSS se repartiram o mundo após a II Guerra Mundial Mundial. Se isso não se torna possível, e que poderia ser com Trump presidente, a solução da Rússia é “golpear a primeira”.

Em sentido diverso, falando para a agencia da Ria Novosti, o último presidente soviético Mikhaïl Gorbatchev considerou que o mundo está namorando “perigosamente com uma zona vermelha”.

Alain Rodier, ex-chefe dos serviços de inteligência francesa disse a “Atlantico” que as bravatas do Kremlin sobre uma III Guerra Mundial visam impressionar primariamente a opinião pública russa.

Porém, se um avião de guerra russo ou americano for abatido numa ocorrência não desejada em volta da Síria o mundo o mundo ficará a um milímetro do apocalipse.


Rússia treina população para guerra atômica:








Trump é o candidato de Dugin.
E do patrão deste, Putin?

Trump inimigo nº1 do inimigo nº1 da Rússia, segundo a saga de Dugin.
Trump inimigo nº1 do inimigo nº1 da Rússia, segundo a saga de Dugin.
Em seu programa Dugin’s Guideline (reproduzido embaixo), o homem considerado o “maître-à-penser” do chefe do Kremlin passou a instrução para seus agentes e simpatizantes: a preferência na lide presidencial americana deve ir para Donald Trump.

Nosso blog duvida da verdadeira influência de Aleksander Dugin sobre Vladimir Putin.

Dugin apresenta nebulosas doutrinas de fundo ocultista semelhantes às de pensadores – também confusos e ocultistas – que circularam no Ocidente apelando labiosamente para uma Tradição manipulada a seu modo: René Guénon, Julius Evola, Alain de Benoist e outros.

Também sobressai sua afinidade com o pensamento de Madame Blavatsky, fundadora da Teosofia e doutrinadora da Nova Era. E isto para mencionar apenas alguns nomes desse veio no Ocidente.

Vladimir Putin exprime, em discursos e comunicados, um pensamento pragmático que ele qualificou com precisão, diverso do de Dugin.

O modelo de Putin, esclareceu ele, é Josef Stalin, por causa do pragmatismo exclusivamente definido pelo interesse nacional russo. Ele até manifestou desacordo com Lênin pelo fato de o fundador da URSS ter sido muito doutrinador.

Dugin, entretanto, serve à projeção pessoal de Putin, pois o melhor domador de tigres da Sibéria, o mais famoso ginete das estepes, o maior mergulhador e descobridor de navios afundados no Mar Negro, o mais hábil piloto de caças de guerra, o melhor etc., etc. precisava ter o maior dos filósofos para discutir com ele as doutrinas mais inacessíveis ao comum dos mortais.

Os inimigos da Rússia só podem cair por obra de Trump.
Trump é útil para Putin: os inimigos da Rússia só podem cair por obra dele!, diz Dugin.
Em poucas palavras, Dugin é uma lantejoula útil para a glorificação propagandística de Vladimir Putin.

É indubitável que Dugin não externaria um posicionamento político que irasse seu patrão. Máxime num tema importante como a eleição presidencial americana.

E Dugin não deixou margem a dúvidas: o candidato preferido do Kremlin é Donald Trump.

Como pode ser possível?

Dugin consagra Trump como o arauto contrário ao establishment socialdemocrata, esquerdista, anticristão e antiocidental, representado pela sua opositora Hillary Clinton.

Deixemos Dugin se explicar:

“De fato, Donald Trump é um verdadeiro desafio para todo o establishment americano. Establishment este que não representa a América, mas a oligarquia financeira mundial, as corporações transnacionais e as seitas fanaticamente globalistas.”

Tudo isso soa a uma enganação. Donald Trump é um gigante do establishment condenado por Dugin com este ou aquele acerto. O candidato republicano é um grande empresário, investidor e personalidade do macrocapitalismo publicitário.

Sua carreira na especulação, sua vida pessoal salpicada de escândalos matrimoniais em série, sua riqueza, sua vida no jet-set, seu poder midiático o tornaram um das figuras importantes no cenário de negócios americano.

Um lídimo representante, portanto, daquilo que Dugin desclassifica como “oligarquia financeira mundial, as corporações transnacionais e as seitas fanaticamente globalistas”!

Elogio de Trump enquanto candidato pragmático como Putin
Elogio de Trump enquanto candidato pragmático como Putin
O pensamento de Dugin é uma pirâmide de contradições. Mas o seu objetivo pragmaticamente procurado é um só: o patrão falou!

Dugin explica mais. “Trump é o candidato dos EUA, porque os EUA são uma nação-estado com interesses específicos e compreensíveis interesses nacionais”. O argumento é bem ao gosto do patrão Putin: não há moral, só interesses.

Dugin carrega as notas contra um adversário que agiganta como Wagner aos herois mitológicos numa ópera: “A Rússia, de fato, não é inimiga desse Estado, mas é uma inimiga dos globalistas e dos atlanticistas, na medida em que a soberania russa os impede de controlar plenamente o mundo”. E prossegue:

“Se Trump ganhar as eleições, ele estará do lado do realismo como prometeu. E as principais contradições entre a Rússia e os EUA desaparecerão (...) é um cenário ideal. (...) os globalistas podem cair só por causa de Trump! Ele pode criar as condições para a paz”.

A paz, obviamente, que serve à “URSS 2.0” como teria servido outrora à URSS original: a paz dos cemitérios sob a bota comunista. Eis o herói americano do Kremlin!

Alguém sabe por que Dugin escolheu um membro eminente do establishment e do “Governo Mundial” e o declarou o salvador desses monstros? Absolutamente ninguém.

Dugin nada explica sobre o passe de mágica com o qual transformou o macrocapitalista midiático em amigo e até salvador da Rússia e do mundo!

E ameaça com o espantalho de uma III Guerra Mundial que, segundo ele, Hilary Clinton, marionete da elite ocidental, quereria montar para colocar a Rússia contra a parede.

Desta fantasia resulta que, em sentido contrário, Trump levaria os EUA à neutralidade em relação à Rússia.

Isso feito, Trump garantiria a impunidade das agressões russas, como Chamberlain e Daladier garantiram em Munique a impunidade de Hitler. Pois estes últimos, eminentes representantes dos poderes que Dugin detesta, ficaram neutros face à violação do Direito Internacional.

Se ganhar, Trump estará do lado do realismo que é o lado da Rússia
Se ganhar, Trump estará do lado do realismo que é o lado da Rússia
Assim, Trump vencendo tentaria desmobilizar os EUA, contrariando as esperanças que ele alimenta. E isso implicaria numa vitória política da Rússia.


E Dugin martela: ou Trump ou a guerra mundial. Guerra esta que ele quer fingir que seria desencadeada por pessoas como Obama, Hillary e cupinchas.

Aliás, tais pessoas já demonstraram ter suficiente falta de caráter para tirar o corpo ou sair vergonhosamente de onde havia algum conflito, como no Iraque, no Oriente Médio e no Afeganistão.

A montagem da ameaça segue à risca a velha cartilha da era stalinista, trocando apenas os nomes dos agentes.

A mensagem enganosa é uma só: votem em Trump!

Assim Dugin postula a vitória de Trump:








Doutrina ocultista anticristã assoma por trás do “cristianismo putinista”

Jeanne Smits quis saber o que havia por trás do fascínio de Putin sobre pessoas que seriam suas vítimas
Jeanne Smits quis saber o que havia por trás
do fascínio de Putin sobre pessoas que seriam suas vítimas
Jeanne Smits, ex-diretora de redação e ex-gerente de “Présent”, jornal que funciona como porta-voz oficioso do Front National de Marine Le Pen, conhece bem os meandros dos movimentos da direita europeia.

Como jornalista, participou em Paris do colóquio O Ocidente contra a Europa, organizado pela Sofrade (Société française de démographie) e presidido singularmente de Moscou por Fabrice Sorlin.

O evento se realizou em 1º de abril no auditório da Maison de la Chimie com a presença de movimentos de países europeus e sobretudo da “Grande Rússia”.

Jeanne Smits apresentou um pormenorizado relato em seu site reinformation.tv.

Ela queria saber de onde provém a admiração por Vladimir Putin de amigos seus, pertencentes a grupos identitários, soberanistas e anti-imigração, que julgam ver no ex-coronel da KGB um líder defensor da família, uma muralha contra o liberalismo americano, o terrorismo islâmico, etc.

O fenômeno é tão singular que, segundo a jornalista, dez dias antes das eleições, em plena campanha presidencial, Marine Le Pen foi procurar “uma forma de sagração por Vladimir Putin em Moscou”.

O gesto foi qualificado como “corajoso e bem-vindo” por Philippe de Villiers, político que defende posições opostas à ideologia dos pensadores próximos de Putin, como Aleksandr Dugin – o “Rasputin de Putin” – e o “oligarca” Konstantin Malofeev.

No Colóquio, Smits teve uma imensa surpresa.

Colóquio pro Putin 'Ocidente contra Europa', na Maison de la Chimie, Paris, assistido por Jeanne Smits
Colóquio pro Putin 'Ocidente contra Europa',
na Maison de la Chimie, Paris, assistido por Jeanne Smits
Deparou-se com a exposição de uma doutrina pró-russa e tradicionalista, mas prenhe, segundo ela, de “evidentes tons gnósticos, pagãos, franco-maçônicos, dissimulados por trás de uma fachada nacionalista e pró-europeia, leia-se cristã e pela vida, capaz de enganar muitas pessoas de boa vontade”.

No ponto de partida há um engano, observou.

A grande mídia e o establishment político dominante trabalham pela cultura da morte, pela ideologia de gênero, pela extinção das nacionalidades e pelo desfazimento das culturas dos países numa massa planetária.

Essa ofensiva preocupa as pessoas bem orientadas e foi abordada no Colóquio. Mas, estranhamente, o tema foi misturado com uma propaganda de Moscou que conduzia no sentido oposto do prometido.

Um exemplo revelador é o conceito de “mundo multipolar” de Aleksandr Dugin. Esse conceito esteve no centro do evento em Paris e foi apresentado como uma alternativa radical ao líder do Ocidente: os EUA.

Mas, o que é o Ocidente na visão do “Rasputin” do Kremlin? , perguntou Smits

Em momento algum se falou do Ocidente cristão que levou o Evangelho ao mundo inteiro.

O cristianismo do 'maître-à-penser' de Putin varre o catolicismo e instala o monopólio do Patriarcado de Moscou submisso ao Kremlin.
O cristianismo do 'maître-à-penser' de Putin varre o catolicismo
e instala o monopólio do Patriarcado de Moscou submisso ao Kremlin.
No centro da multipolaridade duguiniana há uma polaridade única: a do cristianismo ortodoxo cismático de Moscou. É uma troca enganosa.

O Patriarcado de Moscou foi criado pelos czares como uma “Terceira Roma”, que desconhecia a Roma dos Papas (a primeira Roma) e Constantinopla (a segunda Roma).

Depois foi extinto, em função de cálculos de interesse e o capricho dos czares e a expansão do Império moscovita.

No século XX, ele foi restaurado pelo bolchevismo em troca do engajamento pelo socialismo e pelo comunismo.

A multipolaridade religioso-cristã duguiniana reduz o cristianismo ao monopólio do Patriarcado de Moscou.

Ele é erigido em única igreja representativa da “Grande Rússia”, a qual por sua vez é proclamada “potência soberana e autônoma” única, imperial e invasora. E o Patriarca é mero servidor desse projeto.

Em janeiro de 2015, explicou Dugin com termos leninistas: “Não haverá Grande Rússia sem grandes conflitos. Uma prosperidade pequeno-burguesa jamais nos conduzirá à grandeza. Espero uma Grande Rússia por meio de grandes abalos”.

Assim, a multipolaridade duguiniana resulta na hegemonia russa centrada com exclusividade no Kremlin e em seu submisso Patriarca de Moscou.

As críticas às intenções mundialistas de reprimir a natalidade se desfizeram na hora em que escritores pela vida – mas também por Putin – manifestaram grande hostilidade à expansão demográfica africana.

Num vídeo religiosos do Patriarcado de Moscou beijam a mão de Vladimir Putin
Num vídeo religiosos do Patriarcado de Moscou beijam a mão de Vladimir Putin
Eles culpam essa última pelo “aquecimento global”! Mas ao mesmo tempo afirmam que dito aquecimento é uma invenção globalista para montar uma ditadura à qual os agentes putinianos pretensamente se opõem!

Quem decifra tão ovante contradição?

Mas isso foi apenas o começo das descobertas de Jeanne Smits que não conseguia acreditar no que via e que entrava por seus ouvidos.

René Guenon e Fritzhof Schuon, que passaram ao islamismo místico inspiram o 'novo cristianismo que vem da Rússia'
René Guenon e Fritzhof Schuon, que passaram ao islamismo místico
inspiram o 'novo cristianismo que vem da Rússia'
No Colóquio 'Ocidente contra a Europa', assistido por Jeanne Smits, o discurso contra o Ocidente ficou obcecado pela exaltação da herança “heleno-romana e cristã” da Europa, que seria mantida com exclusividade pelo Patriarcado de Moscou.

A jornalista ficou estranhada pela sistemática omissão da herança histórica e cultural católica, ou com a ausência de noções religiosas básicas, como os Dez Mandamentos.

Na abertura, o tesoureiro da Sofrade, Louis de Sivry, saudou a presença dos conselheiros das embaixadas russa e iraniana em Paris. O que tem a ver o Irã governado por fanáticos xiitas com a causa do cristianismo ou da "herança greco-romana?" – perguntou Jeanne Smits em seu site reinformation.tv..

Mas logo lembrou que o presidente da Sofrade possui a empresa Tzar Consulting que acompanha projetos comerciais em “zonas geográficas não convencionais”, especialmente no Irã.

A Rússia de Putin foi o leitmotiv.

Nicola Mirkovic, colaborador da agência Sputnik e da Russia Today – dois grupos da propaganda putinista –, propôs substituir a União Europeia por uma União que vá de Brest (no Atlântico) até Vladivostok (no Pacífico).

Em outros termos trocar Bruxelas por Moscou num esquema mais esmagador das identidades nacionais do que a atual UE.

O coronel Jacques Hogard denunciou a NATO como “organização obsoleta e perigosa” e “braço armado dos EUA”. E propôs uma aliança dos países europeus com a Rússia. Mais da mesma coisa trocando o polo de influência de Washington para Moscou.

Jeanne Smits custava a acreditar que assistia ali ao renascimento da antiga estratégia geopolítica da URSS.

Era como se os presentes trabalhassem para uma “nova Rússia” reconstituindo o antigo bloco soviético. Eles propunham restaurando velhas alianças com os aliados tradicionais da era soviética, como Cuba, China, Coreia do Norte acrescido do Irã e da Venezuela.

O painel de 'L'Occident contre l'Europe'
O painel de 'L'Occident contre l'Europe'
John Laughland, diretor de estudos do Instituto de Democracia e Cooperação, presidido por Natalia Narotchnitskaïa e teledirigido por Putin, defendeu que o comunismo sumiu na Rússia.

Mas, mirabile dictu, triunfa no Ocidente na sua versão marxista gramsciana.

Essas palavras soavam bem, mas eram enganosas e distorciam a realidade, observou Smits.

Primeiro: a Rússia não se libertou do comunismo como pode se ver pela continuidade dos kolhozes coletivos, o cerceamento da propriedade privada e a ausência de liberdades, especialmente a religiosa.

Segundo: o gramcismo é uma variante estratégica para a vitória do comunismo, inclusive na Rússia,. O que Gramsci quer para Ocidente, desde 1917 está sendo aplicado na Rússia.

As reformas culturais que o marxista italiano pregou décadas depois, como a dissolução da família, o aborto, etc., são lei na Rússia.

Levan Vasadze, oligarca admirador do ocultista francês René Guénon, disparou que “o marxismo é uma forma de totalitarismo inventada pelo Ocidente” por capitalistas globalistas. O liberalismo seria outro totalitarismo.

Em resposta a esses totalitarismos ele ofereceu o conceito de “tradição” do ocultista René Guénon, também conhecido como Abd al-Wâhid Yahyâ, pois no fim da vida se tornou místico islâmico.

Jeanne Smits relembra que Guénon encarna o modelo do ocidental fascinado pelo Oriente, gnóstico, esotérico, maçom e apóstata. Acresce que o "maître-à-penser" de Putin, Aleksander Dugin, foi o primeiro tradutor da obra de Guénon para o russo.

Para Vasadze, a “civilização ocidental” só serve para os “estúrdios e os cínicos”. O sentido profundo dessa aparente confusão é que raízes da religiosidade russa remontam a “sabedorias” muito antigas e certamente não católicas, ouviu com espanto a jornalista que achava que ia encontrar defensores do cristianismo!

Jeanne Smits
Jeanne Smits
Vasadze anunciou outra era histórica cujo fundador será “aquele cujo nome não deve ser dito”, o “quarto cavaleiro do Apocalipse”, ou o cavaleiro da morte.

O que ele quis dizer?

Vasadze sublinhou que o liberalismo é que vai morrer. Para vir o quê na nova era?

“No centro da sociedade não há classe, nem raça, nem mesmo indivíduo”, explicou, antes de justificar o panteísmo.

Nessa nova era o homem feito à imagem e semelhança de Deus deverá ser substituído pelo homem-molécula sem individualidade.

Fabrice Sorlin, diretor da associação organizadora Sofrade, fez um apelo para se obedecer à Rússia, pois, entre outras razões, ela ajudou Bachar el-Assad a deter o avanço dos valores ocidentais.

O jovem ucraniano “ortodoxo” Olexandr Skoruskov ecoou o apelo parafraseando a ideia básica do "olibarca" Konstantin Malofeev segundo a qual a fórmula ideal é a aliança dos sovietes com o Patriarccado de Moscou.

Ele explicou que “sob os sovietes tínhamos uma moral, um senso da pessoa humana”.

Alexeï Komov, representante do Patriarcado de Moscou no Congresso Mundial das Famílias, defendeu que a revolução bolchevista de 1917 foi apenas uma “experiência” que nada tinha de russa (sic!). Como se Lenine não tivesse tido parte nela, nem toda uma geração de revolucionários russos que lhe imprimiram um caráter tipicamente russo.

Ora, foi a Revolução de 1917 que proclamou o amor livre, legalizou o divórcio e instalou o aborto sem limites. Mas Komov, auto-intitulado defensor da família, fingiu desconhecer tudo isso..

E hoje? Alegremente, Komov inventou que houve um “milagre” na Rússia em virtude do qual renascem os valores tradicionais da família e da tradição.

Quem fez o “milagre”? Komov, que trabalha para o oligarca Konstantin Malofeev, financiador da restauração das igrejas russas, deixou a resposta no ar. Obviamente não tinha, e esse “milagre” coletivo não existiu.

Ele fingiu ignorar que o número oficial de abortos hoje na Rússia é de 700.000 por ano,  e com uma percentagem mais elevada que nos países mais liberais da Europa Ocidental.

Tampouco falou que o índice de divórcios na Rússia é um dos piores do mundo, acima de 50 %.

Ou que os nascimentos fora do casamento desceram aos níveis deploráveis dos países dominados pelo “globalismo” (França, 57 %).

Porém, Alexeï Komov apresentou-se despudoradamente como grande defensor da vida e não hesitou em explicar que “Stalin acabou mais favorável à família”, sem ligar para os cerca de cem milhões de mortes provocadas por esse ditador e as famílias assim destruídas.

Aleksandr Dugin, cujo site Katehon é também beneficiado pelos fundos do oligarca Konstantin Malofeev, é tido como o maître-à-penser de Putin.

Místicos ocultistas ou islâmicos como Frithjof Schuon por trás do autoproclamado 'renascer do cristianismo' pro-russo
Místicos ocultistas ou islâmicos
como Frithjof Schuon por trás
do autoproclamado
'renascer do cristianismo' pro-russo
No Colóquio, suas ideias estavam na boca de todos. Mas – escreve Smits – em seu livro O gnóstico Dugin confunde conceitos e posições para ludibriar deliberadamente os outros: “Nós os embaralhamos passando do direitismo ao esquerdismo e vice-versa. Seduzimos ao mesmo tempo a extrema-direita e a extrema-esquerda”.

Smits identifica nesse livro de Dugin um velho palavreado maçônico. Com palavras confusas supostamente de direita ele restaura o pensamento mofado da velha esquerda e forja um “Putin salvador da Cristandade”, que é ao mesmo tempo herdeiro de Stalin!

A jornalista teve mais uma surpresa no encerramento.

Yannick Jaffré, pensador nietzschiano e ex-militante do Partido Socialista Francês, voltou a apelar para a inspiração de uma ciência “que vem de muito longe”.

Ele invocou os clássicos pagãos, os antigos gregos, Maquiavelo e Nietzsche. Sim, o próprio Nietzsche, que pregava o combate à Igreja quando Ela não estava empestada de progressismo.

Não foi por acaso – conclui Jeanne Smits – que a palavra final do Colóquio ficou com um pensador tido como “perfeito panteísta”.

No "cristianismo putinista" só encontrou engano e tapeação.






O comunismo é o cristianismo “sublimado” diz Putin, no ‘espírito do Vaticano II’!

`Paris bem vale uma Missa' disse Enrique IV antes de se converter para ficar rei. Para Putin a presidência da Rússia vale algumas velas. No mosteiro de Valaam.
`Paris vale uma Missa' disse Enrique IV antes de se converter para ficar rei.
Para Putin a presidência da Rússia vale algumas velas. No mosteiro de Valaam.
O presidente russo Vladimir Putin equiparou o comunismo com o cristianismo, e o culto do corpo de Lênin na Praça Vermelha com as honras prestadas às relíquias dos santos, informou sua fiel agência Sputnik.

Em entrevista reproduzida pela TV oficial Rossiya 1, Putin voltou a fórmulas já usadas por Fidel Castro e líderes marxistas ortodoxos para ludibriar os ocidentais temerosos de suas revoluções.

“Talvez eu agora fale uma coisa que não agrade a algumas pessoas, mas vou falar o que penso, declarou Putin.Vídeo embaixo.

“Houve os anos duros de combate à religião, quando eliminavam os sacerdotes, desmantelavam as igrejas.

“Mas, ao mesmo tempo, se criava uma nova religião.

A ideologia comunista é muito parecida com o cristianismo, de fato — a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a justiça — tudo isso está enraizado no Livro Sagrado.

O código do construtor do comunismo é apenas uma interpretação simplificada da Bíblia, [os comunistas] não inventaram nada de novo”, afirmou.

Putin pôs num patamar quase igual o culto dos comunistas a Lênin e a devoção dos cristãos pelas relíquias dos santos, acrescentou Sputnik.

Fidel Castro foi “um fervoroso crente em Deus”, escreveu o jornal “The Washington Post” sobre as cartas do ditador na prisão. “Letters From Prison: Castro Revealed” 25-02-2007.
Fidel Castro foi “um fervoroso crente em Deus”, escreveu o jornal “The Washington Post”
sobre as cartas do ditador na prisão.“Letters From Prison: Castro Revealed” 25-2-2007.
O estratagema comunista é velho. Na foto sacerdote e religiosas dão acolhida
a Fidel Castro em Camaguey, rumo a Havana.
“Olhem, Lênin foi colocado no mausoléu. No que isto difere das relíquias dos santos para os cristãos ortodoxos e cristãos em geral?

“Na essência, as autoridades da época [soviética] não inventaram nada de novo, mas apenas adaptaram sua ideologia àquilo que a humanidade já havia muito tinha criado”, completou Putin.

A difusão do filme entrevista está ligada à campanha eleitoral na qual o omniarca russo vai ser reeleito por enésima vez.

Mas ele deve apresentar sua vitória revestida de alguma credibilidade para consumo dos ocidentais.

Se pavoneando de o “mais ortodoxo” dos presidentes russos, Putin equiparou a veneração do corpo do “santo” da revolução satânica do proletariado com o das relíquias religiosas que o mesmo santo mando profanar e destruir.

A entrevista em verdade é velha e foi gravada no mosteiro de Valaam junto o patriarca Kirill, escreveu Vladimir Rozanskij correspondente em Moscou de “AsiaNews”.

O curta “Valaam” elogia o mais antigo convento do cisma russo que quase foi destruído pelos guardas da revolução dos sovietes. Mas esses avisaram em tempo os monges para que fugissem levando suas relíquias e obras de arte.

Putin se apoiou nessa camaradagem para afirmar que “o ateísmo militante espalhou também as sementes da união fraterna e que são mérito da igreja ortodoxa russa”.

Monges de Valaam rodeiam seu financiador. E ele precisa deles para a propaganda.
Monges de Valaam rodeiam seu financiador. E ele usa deles para a propaganda.
Putin apelou a essa cumplicidade que ele julga discernir entre os sovietes e a falsa religião cismática e a apresentou como modelo para o mundo inteiro.

“Há muito de comum entre as religiões do mundo”, disse parafraseando a teologia do Concilio Vaticano II.

Na base dessa estranha união ele identifica, ecoando o Papa Francisco I, “valores como a misericórdia, a justiça, a honestidade, o amor”.

Omitindo velhacamente o estado de violência que pesa sobre a Igreja Católica na Rússia prosseguiu dizendo: “Nós somos um Estado multiconfessional, mas esses valores morais são comuns a todas as etnias de nosso povo”.

A chave de interpretação dos construtores do comunismo, inscrita nos textos de Lênin, seria segundo Putin uma “sublimação” da ética bíblica. 

Como se a moral do arauto da amoralidade materialista anticristã fosse mais requintada que a da Bíblia ou dos Mandamentos que Deus ditou a Moisés.

“Lenine foi posto num mausoléu. No que é que isto se diferencia da exposição das relíquias dos santos pelos ortodoxos ou pelos cristãos em geral?”.

Na Rússia, há uma longa disputa: a maioria dos russos acha que não se deve mais considerar “lugar santo” o túmulo de Lênin e o corpo deve ser enterrado num cemitério.

Os nostálgicos marxistas defendem a múmia de Lenine do jeito que está.

A reinterpretação do cristianismo e do marxismo – tão parecida à interpretação da “teologia da libertação” – espalhada por Putin oferece uma fórmula de convergência que satisfaça todos.

E lhe serve para que seus agentes de influencia propaguem no Ocidente a imagem de Putin novo Carlos Magno.

Outra discussão muito acessa na Rússia versa sobre o reconhecimento dos restos do último tzar Nicolau II e de sua família sadicamente assassinados pelos mesmos sovietes em que Putin discerne sementes divinas.

Putin quer o apoio do patriarca Kirill e do Sínodo dos bispos russos para uma solução que atenda os desejos da Rússia atual, justifique sua reeleição e facilite uma convergência ecumênica comuno-progressista a nível universal no espírito do Vaticano II.


Vídeo: O comunismo é o cristianismo “sublimado” diz Putin, no ‘espírito do Vaticano II’!







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