domingo, 22 de abril de 2018

A Ostpolitik vaticana denunciada pelo Cardeal Korec, vítima e mártir da Igreja do Silêncio

Cardeal João Crisostomo Korec
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Um dos cardeais que sofreram na própria pele dores de martírio pelas mãos do comunismo foi o Cardeal eslovaco João Crisóstomo Korec (1924-2015).

O Cardeal Korec deixou para história uma das maiores increpações à essa política com o comunismo soviético e que o Vaticano agora está tentando reeditar na China marxista.

O bispo mais jovem do mundo

O Cardeal João Crisóstomo Korec foi sagrado bispo secretamente na Checoslováquia quando tinha apenas 27 anos. Então era o bispo mais jovem do mundo!

A história do Cardeal Korec sob o comunismo é realmente dramática.

Ordenado sacerdote em 1950, um ano mais tarde se tornou sucessor dos apóstolos, numa cerimônia “feita às pressas, de medo que a polícia irrompesse a qualquer momento.”

Passou os nove anos seguintes trabalhando como operário numa fábrica até que em 1960 foi preso e encarcerado junto com mais seis bispos e 200 sacerdotes.

Ele foi liberado no ano de 1968 durante a chamada “Primavera de Praga”. Na época se encontrava gravemente doente.

Após a brutal repressão soviética ele continuou seu apostolado, mas sob os aspectos de um humilde gari. Em contrapartida, ele pode celebrar a Santa Missa de público pela primeira vez.

Tanques soviéticos esmagam "Primavera de Praga"
Ponto de referência da resistência anti-comunista

Em 1969, em pleno período pós-conciliar, ele recebeu a permissão dos déspotas marxistas para ir a Roma.

Os tiranos socialistas estavam em fase de aproximação com a nova diplomacia de distensão vaticana, ou Ostpolitik. Em Roma recebeu as insígnias episcopais.

Porém, Dom Korec não participava do espírito da distensão entre o Vaticano e o Kremlin na qual via uma traição aos mais altos interesses da Igreja.

Resultado: em 1974 ele foi preso novamente, com o pretexto de pagar quatro anos de prisão que estavam pendentes.

A Ostpolitik vaticana em relação ao sucessor dos Apóstolos resistente não adiantou de nada!

Quando ficou livre, foi obrigado a carregar, embora doente, tambores de alcatrão até à idade de 60 anos.

Giampaolo Mattei escreveu do bispo perseguido:

“Seu apartamento modesto em Petrazlka, área industrial nos arredores de Bratislava, tornou-se um ponto de referência para a sobrevivência da vida cristã na Eslováquia.

“Ele também inventou truques engenhosos para fugir dos artifícios da espionagem que enchiam sua casa. Mas foi somente em 1989 que pode usar em público as insígnias dos bispos.

“Em 1990 foi nomeado bispo de Nitra, a mais antiga diocese na Europa Central e Oriental (fundada em 880, quando ainda estava vivo São Metódio), e em 1991 foi elevado ao Cardinalato. Em 1998, o Vaticano o chamou para pregar os exercícios quaresmais”.

Ostpolitik vaticana “a maior tristeza de minha vida”

Este filho fiel do Papado não poupou palavras severas para a desastrosa política de aproximação da Santa Sé com o Leviatã comunista executada por Mons. Casaroli, posteriormente feito Cardeal e Secretário de Estado por João Paulo II.

Os acordos com os regimes persecutórios comunistas pretendiam criar – para consumo dos ocidentais ignaros ‒ condições de “coexistência pacífica e de cooperação” entre os povos católicos e seus algozes.

Mons. Casaroli: instrumento chave da colaboração vaticana com os regimes marxistas
Mas, não era assim que viam essa política diplomática heróis da fé que resistiam ao acordo como o Cardeal Korec:

“Eu obedeci [à Santa Sé]. Mas esta foi a maior tristeza da minha vida.

“Os comunistas, por essa via conseguiram pôr suas mãos sobre o governo da Igreja ...

“A Igreja foi obrigada a se refugiar nos templos e depois se apagar lentamente ...

“Em nosso país foi perigosíssimo o fato de negociar aquilo que nós tínhamos de mais precioso, isto é a chamada Igreja clandestina [resistente ao comunismo].

“Eu mesmo fui obrigado a interromper a ordenação secreta de sacerdotes.

“Para nós, foi realmente uma catástrofe, quase como se nos tivessem abandonado, jogado fora”, confidenciou posteriormente o Cardeal em entrevista a “Il Giornale” em 18/07/2000.


domingo, 15 de abril de 2018

Putin preside reabilitação
do maior assassino do século XX

Mulher protesta contra busto de Stalin erigido por entidade de Putin no centro de Moscou
Mulher protesta contra busto de Stalin erigido por entidade de Putin no centro de Moscou.
Luis Dufaur
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Tudo começou em 2009, quando a estação de metro Kourskaïa em Moscou foi ornamentada com a inscrição: “Foi Stalin quem nos educou na fidelidade ao povo, que nos inspirou no nosso trabalho e nas nossas realizações”, noticiou a agência France Press.

As autoridades tentaram abafar o pasmo dizendo que a estação foi restaurada em seu aspecto original: o da sinistra época stalinista.

Foi a primeira pedra. Nos últimos anos, bustos de Stalin, o ditador preferido de Vladimir Putin, vêm sendo erigidos em diversas cidades da Rússia, inclusive no centro de Moscou em setembro de 2017.

A onda é promovida pela Sociedade Russa de História Militar, instituto fundado pelo próprio presidente Vladimir Putin e dirigido pelo ministro de Cultura Vladimir Medinski.

Até então, todo 5 de março, dia da morte de Stalin, alguns magotes de velhíssimos militantes comunistas, sempre mais diminuídos, colocavam flores no túmulo do maior assassino de massa da História.

O túmulo está detrás do mausoléu de Lenin na Praça Vermelha, diante das muralhas do Kremlin. Eles eram conduzidos pelo líder do Partido Comunista Guennadi Ziuganov. Esse partido é um mofado resíduo do velho PC que na Duma nunca deixou de apoiar a Putin, mas se estiolava na insignificância.

Agora, eles se sentem revigorados pelo apoio do dono do Kremlin. O governador da região de Stavropol (sul), Vladimir Vladimirov, se orgulha de exibir sobre seu escritório um pequeno busto do maior criminoso do século XX. Ele sabe que assim ganha o favorecimento do chefe máximo.

O culto de Stalin reduzido a poucos saudosistas ganhou novo impulso com Putin
O culto de Stalin reduzido a poucos saudosistas ganhou novo impulso com Putin
A sociedade russa está profundamente dividida sobre a memória do ditador marxista. Para alguns nacionalistas ele foi o motor da industrialização do país e o artífice da vitória na II Guerra Mundial.

Mas muitos denunciam o tirano responsável de por volta de vinte milhões de pessoas cruelmente fuziladas, enviadas aos campos de concentração, mortas de fome ou deportadas para a Sibéria em aras da utopia da igualdade.

Em dezembro 2017, continua a AFP, o chefe da FSB (a polícia putinista que deu continuidade à KGB soviética), Alexandre Bortnikov, afirmou que uma “parte significativa” dos arquivos elaborados durante os expurgos stalinistas “tinham base real” e visavam “conspiradores” e pessoas “ligadas a serviços de espionagem estrangeiros”. Leia-se: Stalin fez bem em matá-los.

Trinta membros da Academia de Ciências da Rússia protestaram contra essa tentativa de “justificar os expurgos massivos dos anos 30 e 40, caracterizados por falsas condenas, torturas e execuções de centenas de milhares de compatriotas inocentes”.

“O problema é que nossos compatriotas não percebem a extensão dos crimes de Stalin e não sabem o que foram esses expurgos”, declarou a France Press o historiador Ian Ratchinski, da organização Memorial, a principal ONG que defende os Direitos Humanos na Rússia.

Memorial desenvolve um trabalho de primeira importância nas pesquisas das vítimas da repressão stalinista, mas está sendo hostilizada pelo regime que a acusa de “agente do estrangeiro”.

Em sentido contrário, no mês de fevereiro (2018), Vladimir Putin louvou o “devotamento” do escritor e jornalista russo Alexandre Prokhanov, grande defensor de Stalin, que comemorou seus 80 anos.

Estudantes de escola militarizada na inauguração de bustos de Stalin e Lenin no centro de Moscou
Estudantes de escola militarizada na inauguração
de bustos de Stalin e Lenin no centro de Moscou
O presidente russo pôs limites à critica do maior exterminador de vidas humanas do século XX sofismando que “uma demonização excessiva de Stalin é um modo de atacar a União Soviética e a Rússia”.

Ainda em fevereiro 2018, o Ministério da Cultura proibiu a difusão da comédia “A morte de Stalin”, qualificando-a “burla insultante do passado soviético, o país que venceu o fascismo”.

A venda de souvenirs e calendários com a esfinge do déspota cresce em livrarias, museus ou aeroportos, enquanto numerosos longas laudatórios são difundidos nas TVs públicas.

O efeito se faz sentir. Em junho 2017, Stalin chegou em primeiro numa sondagem do centro independente Levada sobre as personalidades mais destacadas do mundo em todas as épocas.

“A amnésia histórica é favorecida pela política do poder russo que conjuga a mitificação do passado soviético com uma justificação velada de seus próprios crimes”, destacou Lev Goudkov, do centro Levada.


domingo, 8 de abril de 2018

“Narcomalas” na embaixada russa
e a psy war de Putin no Mundial

Quase 400 quilos de cocaína pura em malas diplomáticas na embaixada russa de Buenos Aires.jpg
Quase 400 quilos de cocaína pura em malas diplomáticas
na embaixada russa de Buenos Aires.
Luis Dufaur
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Na embaixada russa de Buenos Aires foram sequestrados 389 quilos de cocaína ocultos em 12 malas diplomáticas. O caso vinha sendo acompanhado a nível internacional.

Ficando impossível ocultar o fato a embaixada decidiu colaborar com a polícia argentina, noticiou o diário portenho “La Nación”.

Andrey Kovalchuk, funcionário russo conhecido como “senhor K”, representante de uma empresa de charutos, assaz conhecido por seus generosos presentes, deixou as malas em dependências da embaixada onde tinha amigos.

A polícia argentina trocou a droga por farinha e agiu de modo a que o “empresário” patenteasse o percurso da droga até ser preso pela policia em Berlim, etapa com destino a Moscou.

Em Buenos Aires, foram detidos cúmplices que trabalhavam na embaixada e na própria polícia portenha.

O caso não foi o primeiro. Na Espanha e em Portugal uma operação policial conjunta permitiu sequestrar mais de uma tonelada de cocaína pura estocada para ser enviada à Rússia para vender no Mundial.

domingo, 1 de abril de 2018

Kremlin encomenda homicídio
e gera onda mundial de retaliações

Mais de 60 pessoas envenenadas na área do crime
Mais de 60 pessoas envenenadas na área do crime
Luis Dufaur
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De momento, somam mais de 120 os diplomatas russos expulsos dos EUA e de 18 países da União Europeia, além da Ucrânia, do Canadá, da Noruega e da Austrália em represaria pela tentativa de assassinato do ex-espião russo Sergueï Skripal e de sua filha Iulia.

Há outros 144 em vista, inclusive acreditados na NATO, de acordo com a France Press.

Só os EUA expulsaram 60, 12 dos quais seriam espiões ativos na ONU. Também fechou o consulado russo em Seattle que estaria perto demais de uma base de submarinos atômicos.

A Rússia revidou expulsando outros 60 diplomatas americanos e fechando o consulado dos EUA em São Petersburgo.

A primeira ministra britânica Teresa May declarou Moscou “culpado” do crime. A chancelaria russa respondeu se tratar de “uma grosseira provocação” e começou as retaliações expulsando 60 diplomáticos dos EUA e fechando o consulado americano em São Petersburgo.

domingo, 18 de março de 2018

Putin faz monumentos ao fundador do Gulag.
Vítimas contam a realidade vivida

A lembrança das incontáveis vítimas injustiçadas ainda está viva
A lembrança das incontáveis vítimas injustiçadas ainda está viva
Luis Dufaur
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“O demônio da ira de Caim, a arbitrariedade e a ferocidade mais selvagens, se ensenhorearam da Rússia nos dias em que se glorificava a instauração dos princípios da igualdade, da fraternidade e da liberdade”.

Esse é o testemunho de Ivão Bunin (1870-1953) que conseguiu fugir da Revolução libertadora do povo em 1918. Ele levou seus apontamentos redigidos no calor das revoluções, e que lhe serviram para ganhar o Nobel de Literatura em 1933, segundo descreve reportagem de “El Mundo” de Madri.

Pronunciar o nome de Ivão Bunin na Rússia comunista era suficiente para ser acusado de “propaganda antissoviética” e condenado a trabalhos forçados.

Foi o que aconteceu com Varlam Shalamov. “Você dizia que Bunin era um grande escritor russo...” começou o comissário do povo. Seu caso, então, já estava julgado e a condenação já estava lavrada.

De início, Varlam passou um mês numa cela de castigo em Dzhelgala: o alimento diário era de trezentas gramas de pão e uma xícara de água.

domingo, 11 de março de 2018

Putin reconhece empobrecimento
e intoxicação popular na Rússia

'Chaminés do inferno' como em Norilsk, provocam o enegrecimento da neve. O passado não foi mudado posto o 'atraso' da 'nova URSS' de Putin.
'Chaminés do inferno' como em Norilsk, provocam o enegrecimento da neve.
O passado não foi mudado posto o 'atraso' da 'nova URSS' de Putin.
Luis Dufaur
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Procurando fazer um bonito papel nas eleições presidências que o devem reconduzir ao poder pela enésima vez, Vladimir Putin vem prodigando promessas ao sofrido povo russo.

Ditas promessas são reveladoras da miséria em que ele mantém esse grande povo, sacrificado em benefício de suas pretensões hegemônicas mundialistas.

Segundo a agência France Press, Putin agora está garantido que pretende lutar contra a “neve negra”, ou a neve que cai com nojenta cor carregando a imensa acumulação de poluição jogada no ar por velhas fábricas soviéticas.

É claro que o macrocapitalismo publicitário há anos vem apresentando o saudosista da URSS como um campeão pela ecologia do planeta. Agora, suas próprias palavras desvendam o que de fato fez em décadas de governo.

Outro objetivo anunciado é procurar água potável para o povo e combater o “smog” ou contaminação do ar que afeta os russos, a ponto de, segundo Putin, não existir no país “nenhum local onde se refugiar”.

“É difícil falar de uma vida longa e de boa saúde quando, ainda no presente, milhões de pessoas devem beber água que não corresponde às normas, quando cai neve negra como em Krasnojarsk, e quando os habitantes dos grandes centros industriais não veem o sol durante semanas por culpa da fumaça”, disse ele no discurso anual diante da Duma, ou Parlamento.

domingo, 4 de março de 2018

Putin renova sonhos de restaurar a União Soviética

Big Brother da Rússia renova anseios de reconstituir a URSS
Big Brother da Rússia renova anseios de reconstituir a URSS
Luis Dufaur
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Num ato eleitoral no enclave de Kaliningrado, encaixado em posição estratégica entre a Alemanha e a Polônia com aceso direto ao Mar Báltico Putin afastou qualquer dúvida a respeito de sua sintonia profunda com a falida União Soviética de Lenin e Stalin.

Se ele tivesse a possibilidade de modificar a história recente da Rússia, afirmou ele, impediria o desabamento da URSS, segundo informaram as agências de imprensa russas, referidas pela agência ocidental Reuters.

Putin falou nesse enclave militar quando faltavam pouco mais de duas semanas para sua enésima reeleição à presidência já descontada após a eliminação dos opositores que podiam lhe fazer sombra.

Uma pessoa presente perguntou-lhe qual seria o evento da história russa que ele gostaria mudar e respondeu sem hesitação: “o afundamento da União Soviética”.

O todo-poderoso chefe da Rússia, já em 2005 havia definido o desmantelamento da URSS acontecido em 1991 de “a maior catástrofe geopolítica” do século XX.

Esse sonho de recuperar a URSS e lhe obter o domínio universal foi renovado por Putin no dia 1º de março, segundo nosso calendário.

Na data ele pronunciou discurso ante a Duma (Parlamento) de Moscou de importância comparável à do ‘Discurso sobre o Estado da União’ que o presidente americano profere todo ano,

Ele não só tratou de difícil situação do país cada vez mais empobrecido nos últimos anos em decorrência das aventuras militares contra a Ucrânia e as subsequentes represálias econômicas ocidentais.

Malgrado a decadência econômica ele exibiu vídeos montados em laboratórios virtuais do que seriam as armas de guerra “invencíveis” com as que tentaria assentar seu sonho de hegemonia universal, noticiou a BBC Mundo.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Jornalista tenta investigar os trolls rusos
e recebe ameaças de morte

Jessikka achou que iria investigar uma realidade como qualquer outra. E ficou apavorada com o que lhe aconteceu
Jessikka achou que iria investigar uma realidade como qualquer outra.
E ficou apavorada com o que lhe aconteceu
Luis Dufaur
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A jornalista finlandesa Jessikka Aro não imaginou o que sofreria em carne própria ao pretender se informar sobre o exército de trolls russos.

Ela própria acabou contando ao jornal “Clarin” de Buenos Aires os inesperados desagradáveis que lhe aconteceram após ter tentado penetrar o mundo “dos propagandistas pro Kremlin nas redes sociais”.

Ela no imaginou que ingressaria numa guerra invisível onde as táticas consistem em assediar, desalentar, intimidar e caluniar.

O centro do campo de batalha é as redes sociais, onde os trolls – usuários contratados para assediar, criticar ou provocar – criam contas ou perfis falsos, inventam seguidores, multiplicam ataques reproduzindo-os em outras contas ou perfis fake (falsos), mentindo sem remorso.

Não se trata de uma pura novidade. Isso já existia no jornalismo. E segue existindo mas de um modo potencializado pelos recursos tecnológicos.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Rede da “guerra da informação” russa
é pega e indiciada nos EUA

Trolls falam para jornalistas
Trolls falam para jornalistas sob sigilo
Luis Dufaur
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Treze “soldados” e 3 associações da Rússia que integram o “exército” cibernético do Kremlin foram indiciados no dia 16 de fevereiro (2018) pela Justiça americana, informou “O Estado de S.Paulo”.

A acusação é conspirar para interferir na eleição presidencial americana de 2016 com o objetivo de minar o sistema político dos EUA e favorecer a candidatura de Donald Trump.

Os ilícitos apontados incluem disseminação de informações falsas na internet.

Também incluem a organização de manifestações, o recrutamento de ativistas e o envio de releases a veículos de imprensa por parte de uma organização secreta.

Trump defende se tratar de uma invenção de seus rivais democratas para justificar a derrota de sua candidata.

As informações das atividades russas foram fornecidas por investigação do FBI, contidas num documento de 37 páginas apresentado pelo procurador especial Robert Mueller.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

O Kremlin tenta silenciar,
mas as “heroínas do Gulag” falam

Os restos dos campos de trabalho, ou Gulag, ainda salpicam a geografia russa. Mas Putin quer que não se fale disso.
Os restos dos campos de trabalho, ou Gulag, ainda salpicam a geografia russa.
Mas Putin quer que não se fale disso.
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A máquina de propaganda do Kremlin ainda hoje tenta silenciá-las, mas as “heroínas do Gulag” não temem contar os sofrimentos indizíveis que passaram na rede de campos de concentração soviéticos, ou Gulag, onde eram encerrados os “inimigos do povo”, prisioneiros políticos e opositores do regime.

No livro “Vestidas para um baile na neve” (Galaxia Gutenberg, 2017) Monika Zgustova recolheu alguns de seus estarrecedores relatos, conta reportagem de “El Mundo” de Madri.

“O complexo da fome está comigo até hoje”, lembra Janina Misik, uma das nove sobreviventes entrevistadas.

Elas eram obrigadas a trabalhar do alvorecer até o pôr do sol e só recebiam 300 gramas de pão para sustento. Por vezes lhes davam sopa de couve podre, mas quando não havia deviam se contentar com água requentada.

Como chegaram até lá?

Janina levantou-se da cama por volta das cinco da manhã de 10 de fevereiro de 1940. Homens da NKVD, predecessores da KGB e da atual FSB, berravam na sua porta.

domingo, 28 de janeiro de 2018

O comunismo é o cristianismo “sublimado” diz Putin, no ‘espírito do Vaticano II’!

`Paris bem vale uma Missa' disse Enrique IV antes de se converter para ficar rei. Para Putin a presidência da Rússia vale algumas velas. No mosteiro de Valaam.
`Paris vale uma Missa' disse Enrique IV antes de se converter para ficar rei.
Para Putin a presidência da Rússia vale algumas velas. No mosteiro de Valaam.
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O presidente russo Vladimir Putin equiparou o comunismo com o cristianismo, e o culto do corpo de Lênin na Praça Vermelha com as honras prestadas às relíquias dos santos, informou sua fiel agência Sputnik.

Em entrevista reproduzida pela TV oficial Rossiya 1, Putin voltou a fórmulas já usadas por Fidel Castro e líderes marxistas ortodoxos para ludibriar os ocidentais temerosos de suas revoluções.

“Talvez eu agora fale uma coisa que não agrade a algumas pessoas, mas vou falar o que penso, declarou Putin.Vídeo embaixo.

“Houve os anos duros de combate à religião, quando eliminavam os sacerdotes, desmantelavam as igrejas.

“Mas, ao mesmo tempo, se criava uma nova religião.

A ideologia comunista é muito parecida com o cristianismo, de fato — a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a justiça — tudo isso está enraizado no Livro Sagrado.

O código do construtor do comunismo é apenas uma interpretação simplificada da Bíblia, [os comunistas] não inventaram nada de novo”, afirmou.

Putin pôs num patamar quase igual o culto dos comunistas a Lênin e a devoção dos cristãos pelas relíquias dos santos, acrescentou Sputnik.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Nuvem radioativa chegou da Rússia, mas Moscou nega

Premido pelas eleições, Putin nega tudo
Premido pelas eleições, Putin nega tudo
Luis Dufaur
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O Ocidente teme mais um tremendo acidente nuclear na Rússia. Mais exatamente em Mayak, uma instalação que está no coração do programa nuclear russo, comentou o “New York Times”.

E não é o primeiro no local. Em 1957, 60 anos atrás, ali aconteceu um dos piores acidentes da era nuclear. Mas foi afogado no segredo de Estado a ponto que os moradores vitimados adoeciam ou morriam sem saber por que.

Naquela vez, por volta de 272.000 pessoas ficaram submetidas à radiação. Taisia A. Fomina, acabava de nascer contou o jornal de Nova York. Os pais não foram informados, ela foi irradiada enquanto dormia, ficou cega e sua mãe morreu três dias depois.

Agora, autoridades em radiação da França e da Alemanha identificaram na região sul dos Urais, no próprio local de Mayak, o provável ponto de partida da nuvem contaminada com o isótopo radioativo rutênio 106 que soprou sobre a Europa.

O rutênio 106 é produzido em usinas nucleares e não é perigoso demais, porque tem uma “vida” curta: 373 dias.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Crianças prontas para morrer por Putin

Cadete  no treino
Cadete  no treino
Luis Dufaur
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Vladimir Putin é candidato a mais uma reeleição presidencial.

Aliás, Evo Morales também. Não há proximidade geográfica entre os dois. Mas sim ideológica e psicológica.

O instinto diz ao déspota que não pode largar o poder, pois as consequências pessoais podem ser irreparáveis. Falem Lula e Cristina Kirchner.

Nas últimas semanas, Putin acenou com massacres em massa no leste ucraniano – atribuindo-as à Ucrânia – e fez declarações que insinuam a guerra mundial a propósito da Coreia do Norte.

As ameaças, entretanto parecem direcionadas ao público russo. Elas visariam atemoriza-lo e aglutiná-lo em volta do atual presidente para aceitar o resultado eleitoral.

Esse resultado já deve estar pronto em algum ministério putinista. Também a aprovação pública ao ditador aumentou segundo o governo queria.

Nesse aumento de popularidade contribui o recrutamento e doutrinação de crianças-soldados. O exército carece de soldados pela acentuada queda da população e da natalidade.

Putin deitou mão de um velho recurso de ditador beirando o desespero: recrutar adolescentes e crianças para lhes dar oficialmente “educação militar e patriótica”.

domingo, 10 de dezembro de 2017

“Epidemia” de mortes estranhas dizima corpo diplomático russo

A estranha epidemia de diplomáticos russos mortos de modo inexplicado
A estranha epidemia de diplomáticos russos mortos de modo inexplicado
Luis Dufaur
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Uma estranha “epidemia” atinge o corpo diplomático russo, escreveu Alain Rodier, diretor do Centro Francês de Pesquisa e Informação (CF2R), especialista em terrorismo islâmico e criminalidade organizada, em artigo para a revista “Atlantico”.

Em menos de um ano, sete diplomatas russos perderam a vida em circunstâncias pelo menos estranhas. A morte mais conhecida aconteceu em 19 de dezembro de 2016: Andrei Karlov, embaixador russo na Turquia foi assassinado por um fanático islâmico que fingia ser policial.

A ocorrência foi testemunhada e registrada pela imprensa em um museu da capital turca. O matador alegava querer vingar-se de colegas mortos em Alepo, Síria.

Foi o único caso explicável e esclarecido. Nos outros paira a sombra da contraespionagem e da polícia secreta russa FSB, também encarregada de livrar o amo do Kremlin de adversários reais ou potenciais.

No mesmo dia, Petr Polshikov, responsável pelo Departamento Latino-americano do Ministério de Relações Exteriores, foi encontrado morto em seu departamento moscovita com uma arma na mão. A FSB falou de suicídio, mas nunca se conheceram os pormenores. No silêncio, todas as hipóteses ficaram em aberto.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Militarismo e repressão consomem verbas da saúde e população diminui mais

A imoralidade e a droga tornaram o HIV uma epidemia na Rússia
A imoralidade e a droga tornaram o HIV uma epidemia na Rússia
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Mais três fatores alarmantes sobre a diminuição da população russa vieram se somar aos já conhecidos, escreveu Paul Goble, especialista em questões étnicas e religiosas na Eurásia, em artigo para Euromaidanpress.

O primeiro deles é o dramático aumento da transmissão do HIV e o aumento das mortes por AIDS, ligados à decadência dos costumes, à adição às drogas, ao descalabro do serviço de saúde pública e à carência de medicamentos.

Segundo os especialistas em medicina russa, só no ano passado as infecções com HIV aumentaram entre 3% e 4%, com médias ainda superiores em localidades específicas.

Por isso já se fala do HIV como uma epidemia na Rússia.

Vladimir Putin cortou as verbas para a saúde com o eufemístico argumento de “otimização” das despesas. Na prática, essa “otimização” significou arrocho geral, exceto para o setor militar e para o esquema de repressão política.

A “otimização” – escreveu Goble – pode ter sido muito boa para a burocracia estatal, mas não para o povo russo, especialmente os doentes.

domingo, 26 de novembro de 2017

Luxos extravagantes: sinais de ditadores despóticos. Putin não escapa à regra


Luis Dufaur
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O presidente Vladimir Putin mantém uma extravagante e luxuosa mansão secreta com 20 hectares de jardim, numa ilha exclusiva perto da fronteira com a Finlândia, denunciou o site econômico espanhol “Expansión”.

Na verdade, a riquíssima extravagância não tem muito de novo.

É característica dos ditadores socialistas “defensores do povo”, campeões contra o capitalismo corrupto, Carlos Magnos da moralidade familiar, do cristianismo e de muitas outras qualidades que fingem ter.

domingo, 19 de novembro de 2017

Acidente revela qualidade do material bélico russo

Destaques do acidente com o helicóptero Ka-52 em exibição na Zapad 2017
Luis Dufaur
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A Rússia realizou em setembro os exercícios militares Zapad 2017 (Oeste 2010).

Eles suscitaram preocupação no Ocidente pelo número dos efetivos oficialmente anunciados (12.700 militares, dos quais 7.200 bielorrussos e 5.500 russos) e pelo volume do equipamento usado (cerca de 70 aviões e helicópteros, 250 carros de combate, 200 sistemas de artilharia, lança-foguetes múltiplos e morteiros, e 10 navios de guerra).

Segundo os observadores ocidentais, os números teriam sido ainda maiores, registrou o jornal “El Mundo”, de Madri.

O governo russo acreditou jornalistas nacionais e estrangeiros para contemplar seu poderio militar – a qualidade de seu armamento e o grau de treinamento de seus soldados.

E preparou para esse fim uma demonstração em que modernos helicópteros modelo Ka-52 atingiriam alvos predispostos.

Porém, ao serem disparados, os foguetes saíram em direção dos espectadores, segundo informou o portal de noticias '66.ru', que publicou um vídeo gravado por uma fonte que guardou o anonimato.

domingo, 12 de novembro de 2017

Católicos russos gemem
sob a nova aliança Moscou-Vaticano

Amizades na Rússia valeram ao Cardeal Parolin a condição de 'papabile'. Católicos russos e ucranianos gemem vendo o pastor estreitando a mão do lobo.
Amizades na Rússia valeram ao Cardeal Parolin a condição de 'papabile'.
Católicos russos e ucranianos gemem vendo o pastor estreitando a mão do lobo.
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Os católicos russos acenam de sua sofrida e heroica situação e exortam Ocidente a não esquecer a tragédia das vítimas do comunismo, noticiou “Religião Digital”.

A ocasião é apropriada: o centenário da Revolução Bolchevista, acontecida em 7 de novembro de 1917.

O secretário-geral da Conferência dos Bispos Católicos da Federação Russa, monsenhor Igor Kovalevsky, fez um apelo aos cristãos ocidentais para manterem viva a lembrança dos russos que deram sua vida sob a perseguição do regime comunista da União Soviética.

Os cruéis expurgos anticristãos e o envio dos fiéis aos campos de trabalhos forçados – sinônimos muitas vezes de morte lenta em condições miseráveis – visavam oficialmente a uma “reeducação” para o materialismo.

Eles constituíram um dos piores e maiores sistemas de perseguição e extermínio da História.

“Os sofrimentos nas prisões soviéticas e nos campos de trabalho continuam sendo um problema para toda a sociedade”, afirmou Mons. Kovalevsky ao jornal católico inglês “The Tablet”.

“Foram construídos templos em memória dos que morreram pela fé, que merecem ser comparados aos mártires dos primeiros séculos do Cristianismo”.

Segundo Mons. Kovalevsky, as histórias do martírio dos cristãos sob a ditadura soviética são universalmente conhecidas.

Mas, acrescentamos nós, se elas tivessem sido mais difundidas no Ocidente a opinião pública católica teria sido alertada, e muitas aventuras inspiradas no ideário comunista, como as do PT, talvez nunca tivessem acontecido.

domingo, 5 de novembro de 2017

Moscou articula separatismos
para imperar sobre um Ocidente dividido

Em reunião de 2015 no Kremlin, agitador separatista catalão anuncia próxima independência
Em reunião de 2015 no Kremlin, agitador separatista catalão
anuncia próxima independência
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Enviado de Putin foi estimular o separatismo na Catalunha



O partido político Ciudadanos registrou no Congresso de Madri uma demanda ao governo, e em especial ao Ministério de Relações Exteriores, de explicações pela ingerência russa no frustrado referendo de independência catalã e pelas manobras do embaixador russo em Madri.

O deputado Fernando Maura considerou existirem suficientes indícios na mídia de Moscou para suspeitar que a Rússia estivesse manipulando o problema da Catalunha para abalar a Europa, escreveu “El País”.

A manobra russa embutiria “a intenção de acabar com as sanções que lhe foram impostas pela anexação da Crimeia e por sua intervenção no Leste da Ucrânia".

A demanda também menciona a duplicidade patenteada nos meios pertencentes ao governo russo e na posição oficial dos dirigentes do Kremlin.

A crise de Catalunha motivou jornalistas a pesquisarem os arquivos de seus próprios jornais e os achados foram surpreendentes.

Há poucos anos, Moscou vem financiando uma conferência internacional promovida por um fantasmático Movimento Antiglobalização da Rússia (MAR).

domingo, 29 de outubro de 2017

Enviado de Putin foi estimular
o separatismo na Catalunha

Putin diz que é um assunto interno da Espanha, mas pisca o olho para os separatistas e lhes manda um representante.
Putin diz que é um assunto interno da Espanha,
mas pisca o olho para os separatistas e lhes manda um representante.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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continuação do post anterior: Catalunha: táticas testadas no separatismo do leste ucraniano




Dimitri Medóev, um funcionário de Vladimir Putin que faz de ministro de Relações Exteriores da “República de Ossétia do Sul”, abriu um “escritório de representação” em Barcelona enquanto os separatistas se aprontavam a proclamar uma fictícia república independente na Catalunha, informou a agência oficial russa Sputnik

O governo espanhol reafirmou que não reconhece esse país fictício e, a fortiori, a suposta “embaixada”, noticiou o jornal catalão “La Vanguardia”.

A dita “República da Ossétia do Sul” é um território georgiano ocupado pelas tropas russas. Tem 3.900 km2 de superfície e entre 50.000 e 70.000 habitantes.

Ossétia do Sul e a Abcásia (240.000 habitantes), outra região georgiana engolida por Moscou na mesma data, proclamaram sua independência e hoje mantém exército e polícia comum.

Segundo o governo da Geórgia, há por volta de 10.000 soldados de Moscou em bases instaladas nos dois redutos invadidos.

domingo, 22 de outubro de 2017

Catalunha: táticas testadas no separatismo do leste ucraniano

Espalhando falsas notícias nas redes sociais. O cadeirante foi agredido, mas em 2011 e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados' Fonte Le Monde.
Espalhando falsas notícias nas redes sociais.
O cadeirante foi agredido, mas em 2011
e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados'
Fonte Le Monde.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: “Guerra híbrida” russa em ação na Catalunha




Os exércitos digitais do Kremlin operam com um mesmo padrão: viralizam mensagens e notícias exageradas ou falsas para exacerbar uma crise e fomentar a divisão nos EUA e na Europa, beneficiando a posição de Moscou.

Trata-se de uma guerrilha que monta sites webs com aparência de seriedade.

O DisobedientMedia.com, por exemplo, pretende ser um site de jornalismo de investigação e a esse título nutre todo tipo de falsas teorias conspirativas, metodicamente voltadas para desmoralizar o Ocidente.

O site chegou a publicar notícia denunciando “a perdurável influência do ditador fascista na política espanhola” apresentando antiga estátua do ex-ditador espanhol Francisco Franco montando um cavalo.

Russia News Now, site com aparência de jornal, montou manchete dizendo: “UE: Catalunha pode, Crimeia não”. E “informava” que a União Europeia tinha dado sinal verde à separação da Catalunha, mas que hipocritamente se opunha à invasão russa da Crimeia.

A UE não concordava com o independentismo catalão. A notícia era um falso, mas estimulava o separatismo e ajudava à Rússia.

domingo, 15 de outubro de 2017

“Guerra da informação” russa em ação na Catalunha

“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã”, diz “El País”
“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã”, diz “El País”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã” – escreveu o jornal madrilense de grande tiragem “El País” que, aliás, não esconde suas simpatias por todas as formas de esquerda.

O jornal fez uma extensa descrição da guerra da informação que gera noticias falsas sobre o movimento separatista espanhol.

Ele descreve táticas russas análogas às utilizadas para interferir nas eleições nos EUA e na Europa.

“El País” acompanhou sites pró-russos e perfis de redes sociais usando ferramentas de analítica digital. A descrição evoca poderosamente as táticas de desinformação e de “guerra híbrida” aplicadas na ocupação da Crimeia e do Leste ucraniano.

O Kremlin considera o independentismo catalão como mais uma oportunidade para aprofundar as fraturas europeias e consolidar sua influência internacional.

Uma galáxia de páginas web montadas em São Petersburgo com as mais fantasiosas fachadas publica boatos que são logo ecoados por ativistas antiocidentais.

domingo, 8 de outubro de 2017

“Disposto a espalhar uma farsa?”: nos laboratórios de Sputnik e Russia Today

Andrew Feinberg quis fazer carreira na RIA Global, da Sputnik e percebeu que teria que repetir falsidades vindas do Kremlin
Andrew Feinberg quis fazer carreira na RIA Global, da Sputnik
e percebeu que teria que repetir falsidades vindas do Kremlin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O jornalista americano Andrew Feinberg recolheu uma alucinante experiência nos poucos meses que trabalhou para os órgãos de imprensa mais mimados pela guerra psicológica russa: a agência Sputnik e Russia Today, segundo relatou a “Slate”.

Andrew sabia da baixa reputação jornalística desses instrumentos putinistas, mas ansiava conseguir um posto como correspondente na Casa Branca.

Fez então uma tentativa na “RIA Global”, propriedade da Sputnik. Porém, como não quis dobrar-se à mentira planificada, foi posto na rua cinco meses depois.

Na entrevista prévia ao emprego a pergunta de Peter Martinichev, chefe do escritório da agência moscovita em Washington, soou como uma rajada de Kalashnikov: “O que o senhor estaria disposto a fazer se nós lhe ordenarmos escrever uma coisa que não é verdade?”

Andrew ficou gelado, pois podia perder o ansiado posto. Mas sua consciência não permitiu: “Eu renunciaria”, disse.

domingo, 1 de outubro de 2017

Máquina repressiva de Putin
supera esquemas soviéticos

A FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa) é a polícia de Putin, sucessora reforçada da KGB soviética
A FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa)
é a polícia de Putin, sucessora reforçada da KGB soviética
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em reportagem, o “The Guardian” descreve a polícia de Vladimir Putin – a FSB – como sendo muito mais do que um simples órgão de segurança.

Porque combina funções de polícia e de rede de espionagem, com um poder talvez superior ao das antigas Checa de Lenine, NKVD de Stalin e KGB da URSS.

Putin é o verdadeiro restaurador do poder das antigas polícias secretas, agora sob a sigla FSB. Muitos de seus colegas na ex-KGB estão hoje no coração da Nomenklatura de oligarcas que governam as imensas empresas do Estado.

Os espiões que agem no exterior prestam conta a uma agência especial: a SVR, na qual a FSB tem um poder extraordinário, segundo confessaram agentes pegos pela contraespionagem americana.

As fronteiras estão desde 2003 sob o controle da FSB, com poderes arbitrários. A FSB também está encarregada de combater os “crimes econômicos”, assediando os suspeitos de contatos com o exterior.