domingo, 22 de outubro de 2017

Catalunha: táticas testadas no separatismo do leste ucraniano


Espalhando falsas notícias nas redes sociais. O cadeirante foi agredido, mas em 2011 e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados' Fonte Le Monde.
Espalhando falsas notícias nas redes sociais.
O cadeirante foi agredido, mas em 2011
e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados'
Fonte Le Monde.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: “Guerra híbrida” russa em ação na Catalunha




Os exércitos digitais do Kremlin operam com um mesmo padrão: viralizam mensagens e notícias exageradas ou falsas para exacerbar uma crise e fomentar a divisão nos EUA e na Europa, beneficiando a posição de Moscou.

Trata-se de uma guerrilha que monta sites webs com aparência de seriedade.

O DisobedientMedia.com, por exemplo, pretende ser um site de jornalismo de investigação e a esse título nutre todo tipo de falsas teorias conspirativas, metodicamente voltadas para desmoralizar o Ocidente.

O site chegou a publicar notícia denunciando “a perdurável influência do ditador fascista na política espanhola” apresentando antiga estátua do ex-ditador espanhol Francisco Franco montando um cavalo.

Russia News Now, site com aparência de jornal, montou manchete dizendo: “UE: Catalunha pode, Crimeia não”. E “informava” que a União Europeia tinha dado sinal verde à separação da Catalunha, mas que hipocritamente se opunha à invasão russa da Crimeia.

A UE não concordava com o independentismo catalão. A notícia era um falso, mas estimulava o separatismo e ajudava à Rússia.

Espalhando falsas notícias nas redes sociais.
Não eram votantes, mas estudantes. A polícia é a catalã
e a ocorrência é de 14 novembro 2012, em Tarragona Fonte Le Monde.
Como única fonte citava uma nota de imprensa do grupo euro-parlamentar Esquerda Unida Europeia (52 cadeiras de 761) que por ideologia de esquerda critica o governo de Madri e é sócio dos separatistas.

Mas o blefe, com texto e manchete idênticos, foi recopiado em sites que servem de correias de transmissão das mensagens oficialistas do Kremlin, como Fort Russ ou News Front.

Oficialmente, Moscou diz que a crise é de competência exclusiva da Espanha, segundo o porta-voz do governo russo Dmitri Peskov. Ele acrescentou que “não julgamos possível envolver-nos de alguma forma”.

Como na Ucrânia.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, ecoando declarações de Vladimir Putin, defendeu que “existe legislação nacional e compromissos internacionais” e que “nós assumimos que os processos internos devem se basear nesses princípios”. Palavreado “para inglês ouvir”.

Mas não é só guerra da informação; diversas fontes identificaram métodos de subversão de rua associados à máquina de agitação informativa russa.

Os métodos relembraram ainda episódios do início dos levantamentos separatistas no Leste ucraniano.

O governo autônomo da Catalunha, mais conhecido localmente como Generalitat, defendeu a todo preço que 893 pessoas ficaram feridas pela polícia de Madri no dia do falido referendo.

Porém, a Secretaria de Saúde da mesma Generalitat, responsável pela atenção em toda a região, informou que naquela data só houve quatro ingressos nos hospitais catalães por ocorrências ligadas aos distúrbios.

Só dois deles foram qualificados de “graves”, incluída uma crise cardíaca havida durante uma manifestação. Mas a grande mídia internacional só falou do número de 893 feridos, como se fosse um mantra “sagrado”.

O presidente da Assembleia Nacional Catalã, Jordi Sánchez, dramatizou dizendo que um número tão grande de “feridos” não se verificava na Europa desde a II Guerra Mundial.

Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras, especializada em crises humanitárias no mundo inteiro, não podem ser consideradas “feridas” as pessoas que tiveram algum traumatismo, uma doença, ou desordem física ou nervosa durante os fatos.

Segundo a mesma Secretaria de Saúde catalã, os “feridos” atendidos nos pontos de distúrbios consistiram “majoritariamente em contusões, tonturas e crises de ansiedade”, que foram resolvidos no local.

Na Ucrânia, uma mulher denunciou que seu filho havia sido crucificado por nazistas ucranianos. A mídia fez espalhafato.

Mas depois se soube que não era mãe, que trabalhava para a Rússia e que já tinha aparecido na TV participando em diversos conflitos com identidades fictícias, protagonizando teatralizações que serviam para a propaganda de Putin.

Assim também na Catalunha apareceu uma mulher com a mão enfaixada, dramatizando que a polícia de Madri tinha quebrado todos os seus dedos um por um, além de ter abusado dela.

Até Pep Guardiola, treinador do Manchester City, falando do exterior, declarou-se espantado por tamanha violência: “Quebraram os dedos de uma moça! Atacaram mais de 700 pessoas pelo fato de quererem votar!", noticiou “El País”.

No fim, resultou que a mulher é uma velha militante ecologista e de extrema-esquerda que só tinha uma inflamação num dedo e que fora flagrada participando do quebra-quebra de um carro da polícia. Os médicos lhe ordenaram três dias de repouso...

A estratégia é também velha nos manuais de subversão de rua.



continua no próximo post: Putin articula separatismos no Kremlin para imperar sobre um Ocidente dividido


domingo, 15 de outubro de 2017

“Guerra híbrida” russa em ação na Catalunha

“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã”, diz “El País”
“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã”, diz “El País”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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“A maquinaria de ingerências russas penetra a crise catalã” – escreveu o jornal madrilense de grande tiragem “El País” que, aliás, não esconde suas simpatias por todas as formas de esquerda.

O jornal fez uma extensa descrição da guerra da informação que gera noticias falsas sobre o movimento separatista espanhol.

Ele descreve táticas russas análogas às utilizadas para interferir nas eleições nos EUA e na Europa.

“El País” acompanhou sites pró-russos e perfis de redes sociais usando ferramentas de analítica digital. A descrição evoca poderosamente as táticas de desinformação e de “guerra híbrida” aplicadas na ocupação da Crimeia e do Leste ucraniano.

O Kremlin considera o independentismo catalão como mais uma oportunidade para aprofundar as fraturas europeias e consolidar sua influência internacional.

Uma galáxia de páginas web montadas em São Petersburgo com as mais fantasiosas fachadas publica boatos que são logo ecoados por ativistas antiocidentais.

Entre estes se destaca Julian Assange e uma legião de bots, ou seja, milhões de perfis nas redes sociais criados e geridos por robôs que multiplicam as palavras-de-ordem dos serviços secretos russos.

Esse esquema fabrica “viralizações” inautênticas e transforma mentiras estrategicamente excogitadas em tendência partilhada “milhões de vezes” nas redes sociais, explica “El País”.

Por sua vez – e isto o jornal de pensamento socialista não o diz –, a grande imprensa ocidental finge acreditar na autenticidade do fenômeno e o acolhe em seus poderosos meios como a opinião das redes sociais.

'Russia Today' se sentiu pega e tentou logo desclassificar as denúncias, mas sem sucesso
'Russia Today' se sentiu pega e partiu para o ataque pessoal dos denunciantes, sem sucesso
O famigerado “Russia Today”, ou RT, meio criado e abundantemente regado pelo dinheiro do Kremlin, foi um elo de destaque no esquema.

Desde o início da crise catalã, o setor de língua castelhana de “Russia Today” assumiu a bandeira contrária à legalidade constitucional espanhola.

Em setembro ele publicou 42 noticias sobre a Catalunha, várias com manchetes falsas.

Em 12 de setembro, RT reproduziu um tuit atribuído a Assange prognosticando “o nascimento da Catalunha como país ou a guerra civil”.

Segundo as ferramentas analíticas de “El País”, o tuit foi logo passado adiante por 1.700 perfis no Facebook ou no Twitter.

Assange figurava como o principal agitador internacional da crise catalã, disseminando opiniões e meias verdades como se fossem notícias verdadeiras. Se é que ele era o autor...

Segundo dados de Audiense, plataforma de análise social, só em setembro Assange teve quase 940.000 menções no Twitter.

O tuit mais reproduzido no mundo, segundo a ferramenta de medição NewsWhip, foi um do perfil de Julian Assange, datado de 15 de setembro às 18.46:

“Peço a todo o mundo que apoie o direito da Catalunha à autodeterminação. Não se pode permitir que a Espanha recorra normalmente a atos repressivos para impedir a votação”.

A mensagem em inglês obteve mais de 12.000 retuits e 16.000 curtidas.

Esse tuit não seguiu o andamento normal das viralizações. Sua instantaneidade caracterizou a atividade dos bots e perfis falsos robotizados que retuitam maquinalmente mensagens predeterminadas.

Segundo TwitterAudit, 59% dos seguidores de Assange são perfis falsos.

O que tem a ver com a Espanha o ciberativista australiano da WikiLeaks procurado pela Interpol? Não se sabe, mas o certo é que funciona como uma luva na mão do Kremlin.

No quebra-cabeça da Catalunha as peças russas e catalãs separatistas se encaixam na perfeição.
No quebra-cabeça da Catalunha
as peças russas e catalãs separatistas se encaixam na perfeição.
Edward Snowden, ex-analista norte-americano prófugo, instalado comodamente na Rússia, fez dueto com Assange no Twitter.

Seu tuit “a repressão da Espanha é uma violação dos direitos humanos” ganhou num tempo humanamente impossível quase 8.000 retuits e 8.000 curtidas.

Justin Raimondo, diretor do site anarquista AntiWar, comparou os protestos em Barcelona com a repressão chinesa na Praça Tiananmen em 1989. Nessa, o regime comunista chinês passou os tanques por cima dos manifestantes que pediam liberalização.

Raimondo comparou “as autoridades de Madrid com os déspotas de Pequim”.

A ideia não foi dele, mas de Assange, que tuiteou e retuiteou o artigo de Raimondo em quatro ocasiões. Na verdade, talvez não tenha sido de nenhum dos dois, mas de um planificador do Kremlin.

“El País” se estende, citando o esquema de palavras-de-ordem pró-russas multiplicadas por sites “fiéis” e pelo exército de bots russos.

A ferramenta Hamilton 68, da Aliança para Garantir a Democracia, criada pelo German Marshall Fund após a proliferação de notícias falsas nas eleições americanas de 2016, analisa permanentemente 600 contas, automatizadas ou não, que estão na órbita do Kremlin.

Essa ferramenta identificou o site AntiWar como um dos mais difundidos pelas redes pró-Rússia.




domingo, 8 de outubro de 2017

“Disposto a espalhar uma farsa?”: nos laboratórios de Sputnik e Russia Today

Andrew Feinberg quis fazer carreira na RIA Global, da Sputnik e percebeu que teria que repetir falsidades vindas do Kremlin
Andrew Feinberg quis fazer carreira na RIA Global, da Sputnik
e percebeu que teria que repetir falsidades vindas do Kremlin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O jornalista americano Andrew Feinberg recolheu uma alucinante experiência nos poucos meses que trabalhou para os órgãos de imprensa mais mimados pela guerra psicológica russa: a agência Sputnik e Russia Today, segundo relatou a “Slate”.

Andrew sabia da baixa reputação jornalística desses instrumentos putinistas, mas ansiava conseguir um posto como correspondente na Casa Branca.

Fez então uma tentativa na “RIA Global”, propriedade da Sputnik. Porém, como não quis dobrar-se à mentira planificada, foi posto na rua cinco meses depois.

Na entrevista prévia ao emprego a pergunta de Peter Martinichev, chefe do escritório da agência moscovita em Washington, soou como uma rajada de Kalashnikov: “O que o senhor estaria disposto a fazer se nós lhe ordenarmos escrever uma coisa que não é verdade?”

Andrew ficou gelado, pois podia perder o ansiado posto. Mas sua consciência não permitiu: “Eu renunciaria”, disse.

O abacaxi ficou do lado do recrutador russo, que poderia ser denunciado caso se recusasse a admiti-lo.

Então o contratou. Andrew começou a trabalhar em janeiro de 2017.

Desde o primeiro dia ele percebeu que a pergunta não foi um mero teste. Seus chefes russos Peter Martinichev e Anastasia Sheveleva passaram a lhe pedir serviços contrários à ética jornalista americana, que já não é muito respeitosa da verdade.

Durante uma conferência de imprensa, Andrew perguntou ao porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, por que Trump não enviava armas à Ucrânia para sustentar esse país diante da agressão russa.

Putin nega e afirma o contrário do que negou e sua mídia ecoa. 'Na guerra mentira é como terra' diz provérbio. A Rússia vive em guerra da informação permanente
Putin nega e afirma o contrário do que negou e sua mídia ecoa.
'Na guerra mentira é como terra' diz provérbio.
A Rússia vive em guerra da informação permanente
Em Sputnik não tinham dito nada a respeito. Mas quando ele apareceu na redação, percebeu que sua pergunta já tinha sido controlada, censurada e o serviço recusado.

O lema da Sputnik é: “Dizer o que não é dito”. Mas Andrew logo entendeu o seu significado: que o jornalista deve se alinhar com a posição oficial proveniente do Kremlin.

“Aquilo que Sputnik publica deve acertar o passo com o lado da Rússia, esteja ou não de acordo com a verdade”, sublinhou.

Num e-mail, o chefe Martinichev ordenou-lhe nunca mais fazer pergunta na Casa Branca que não fosse aprovada pelos superiores russos.

Desde então, cada pergunta que ele submetia aos chefes de Sputnik voltava com sentido contrário.

Após os ataques americanos às bases dos bombardeiros sírios, responsáveis por despejar gás sarin sobre hospitais civis, matando inúmeras crianças, Andrew voltou a submeter suas perguntas.

Martinichev lhe respondeu que elas já estavam respondidas em um artigo de Russia Today que difundia a posição oficial do Kremlin, e que, portanto, não vinham ao caso.

Uma vez ou outra suas perguntas eram jogadas na lixeira e substituídas por outras aberrantemente enviesadas para servir à máquina de propaganda russa.

O jornalista passou a formular suas indagações na Casa Branca com pavor de ser filmado e ser pego pelos chefes.

Por fim, ele se rendeu à evidência. Enquanto trabalhasse para Sputnik não poderia visar à verdade. Só poderia contribuir para difundir a desinformação gerada em Moscou.

Putin: não havia soldados russos no leste da Ucrânia. Mas estava cheio deles. Russia Today não teme mentir, teme o chefe.
Putin: não havia soldados russos no leste da Ucrânia.
Mas estava cheio deles. Russia Today não teme mentir, teme o chefe.
Martinichev propôs-lhe finalmente fazer uma pergunta que acabaria inocentando os hackers russos no caso da espionagem dos e-mails de Hillary Clinton.

Andrew respondeu que “se sentiria muito mal” em fazer tal pergunta, pois “não havia base alguma nos fatos que pudesse justificá-la”.

O chefe de Sputnik o demitiu na hora. Mas Andrew saiu aliviado e mandou um tweet aos seus seguidores: “Não trabalho mais para a Sputnik. Eu adoraria explicar por quê. Não hesitem em me contatar”.

Na reportagem “Minha vida na rede de propaganda russa” ele contou para a revista “Politico” tudo o que sofreu.

Um de seus chefes, um macedônio de nascença chamado Kovach, tinha experiência em propaganda de guerra. Ele e os russos tinham uma agenda própria “que nem sem sempre incluía toda a verdade”.

Andrew percebeu que o lema de Sputnik “Dizer o que não é dito” significa na realidade “não dizer a verdade”, alegando tratar-se de uma “visualização alternativa”.

Sputnik o havia engajado para usá-lo como um agente não russo e, assim, fazer passar as palavras de ordem provenientes de São Petersburgo.



domingo, 1 de outubro de 2017

Máquina repressiva de Putin
supera esquemas soviéticos

A FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa) é a polícia de Putin, sucessora reforçada da KGB soviética
A FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa)
é a polícia de Putin, sucessora reforçada da KGB soviética
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em reportagem, o “The Guardian” descreve a polícia de Vladimir Putin – a FSB – como sendo muito mais do que um simples órgão de segurança.

Porque combina funções de polícia e de rede de espionagem, com um poder talvez superior ao das antigas Checa de Lenine, NKVD de Stalin e KGB da URSS.

Putin é o verdadeiro restaurador do poder das antigas polícias secretas, agora sob a sigla FSB. Muitos de seus colegas na ex-KGB estão hoje no coração da Nomenklatura de oligarcas que governam as imensas empresas do Estado.

Os espiões que agem no exterior prestam conta a uma agência especial: a SVR, na qual a FSB tem um poder extraordinário, segundo confessaram agentes pegos pela contraespionagem americana.

As fronteiras estão desde 2003 sob o controle da FSB, com poderes arbitrários. A FSB também está encarregada de combater os “crimes econômicos”, assediando os suspeitos de contatos com o exterior.

A máquina repressiva tem o encargo primário de reprimir os dissidentes
A máquina repressiva tem o encargo primário de sufocar os dissidentes
A agência ainda tem seu quartel-general na Lubianka, o prédio central de Moscou sinistramente notório por conta da repressão e dos assassinatos praticados pela KGB na era soviética.

O número de agentes é um segredo de Estado, mas o especialista Andrei Soldatov estima que sejam pelo menos 200 mil.

Para “The Guardian”, as histórias da NKVD, a polícia política de Stalin, ajudam a compreender o jeito de governar de Vladimir Putin, admirador de Stalin.

Hoje nenhum manual escolar russo fala dos “crimes” de Stalin, só se mencionam os “erros”.

O anúncio de construir um monumento a essas vítimas em Moscou desencadeou um terremoto nas esferas oficiais, pois é raro algum russo não ter um antepassado morto ou deportado.

“O problema é que Putin não pode admitir que o Estado russo é um Estado criminoso”, disse Yan Rachinsky, copresidente de Memorial a maior organização independente que estuda os crimes do socialismo soviético.

Há alguma chance de que poucos nomeados na lista de Andrei Zhukov ainda estejam em vida. Cfr.: Nomes dos carrascos da polícia secreta estalinista saem a público

Centro Histórico da Repressão Política Perm-36 lembra as vítimas da repressão socialista soviética no ex-campo para prisioneiros em Perm, oeste da Sibéria, Rússia
Centro Histórico da Repressão Política Perm-36 lembra
as vítimas da repressão socialista soviética
no ex-campo para prisioneiros em Perm, oeste da Sibéria, Rússia
“Nós não vamos chamar a todos de criminosos, mas precisamos reconhecer a natureza criminosa da organização e a natureza criminosa do Estado naquela época”, disse Nikita Petrov, outro historiador de Memorial, sobre a NKVD e a URSS.

Um deputado nacionalista ligado a Putin tenta levar a Memorial ante os tribunais sob a alegação de que promove a inimizade social.

A descoberta em um porão de Moscou de 34 esqueletos mortos com um tiro na nuca durante o Grande Terror produziu o primeiro choque em 2007, escreveu “The Guardian”.

A descoberta foi feita durante a reforma de uma mansão aristocrática na Rua Nikolskaya 8/1, entre a Praça Vermelha e Lubianka, o ex-quartel geral da KGB.

Em 1937 a NKVD mandava matar uma média de 1.000 pessoas por dia, incluindo antigos bolchevistas, chefes de partidos, oficiais do exército, “elementos etnicamente perigosos” e proprietários.

Putin não quer que isso seja bem conhecido. A incógnita é: o que ele, admirador dos métodos pragmáticos de Stalin, fará se sentir que o povo russo não o acompanha em suas aventuras?

Como pensar usar a fabulosa máquina repressiva da FSB em caso de necessidade para se manter no poder que hoje periclita?



domingo, 24 de setembro de 2017

Nomes dos carrascos da polícia secreta estalinista
saem a público

Cemitério de vítimas de Stalin em Levashovo, São Petersburgo. Muitos russos querem saber o destino final de seus antepassados.
Vala comum de vítimas de Stalin em Levashovo, São Petersburgo.
Muitos russos querem saber o destino final de seus antepassados.
Luis Dufaur
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A partir de 1993, Andrei Zhukov percorreu, pelo menos três dias por semana durante duas décadas, os arquivos de Moscou, vasculhando hora após hora as pilhas de ordens emanadas pela NKVD, a polícia secreta de Joseph Stalin continuada pela KGB onde se formou Vladimir Putin.

Ele procurou e encontrou muitos nomes de oficiais e seus respectivos cargos hierárquicos na organização.

Foi a primeira pesquisa metódica sobre os homens que executaram o “Grande Terror” de Stalin entre 1937 e 1938.

Nesse período da ditadura socialista foram presas pelos menos 1,5 milhão de pessoas, 700 mil das quais foram friamente fuziladas.

Oficial da NKVD
Oficial da NKVD
Na verdade, não foi o primeiro estudo sobre os líderes da NKVD nesse monstruoso crime.

Mas sim o primeiro a identificar os investigadores e os algozes que cumpriram a sádica missão.

E na lista há mais de 40 mil nomes!

Zhukov disse que não agiu por motivações políticas:

“Eu sempre fiquei interessado em coisas secretas ou difíceis de achar.

“Comecei isto apenas com um instinto de colecionador”, disse, segundo “The Guardian” de Londres.

Mas os historiadores perceberam a importância de seu trabalho.

A organização Memorial, a mais importante em recuperar a lembrança das vítimas chacinadas e dos locais de horror onde passaram seus últimos dias, publicou um CD com o banco de dados dos nomes e o postou na Internet.

Foram anos de meticuloso trabalho porque a polícia secreta tinha uma ampla faixa de atividades além das prisões e execuções.

“Não todos na lista foram açougueiros, até alguns foram assassinados por não executarem os crimes ordenados.

Grupo de agentes da NKVD
Grupo de agentes da NKVD
“Mas a vasta maioria estava ligada ao terror”, comentou Yan Rachinsky, copresidente de Memorial.

Nikita Petrov, outro historiador de Memorial, sublinhou que “trabalhar na NKVD era prestigioso.

“Nos inícios dos anos 1930, marcados pela pobreza e pela fome, recebia-se para comer bem e ganhava-se um belo uniforme.

“Aqueles que entravam não sabiam que dentro de cinco anos estariam sentenciando milhares de pessoas à morte”, acrescentou.

Cenotáfio aos religiosos assassinados em Levashovo
Cenotáfio aos religiosos assassinados em Levashovo
O banco de dados de Memorial sobre as vítimas da repressão socialista soviética contém por volta de 2.700.000 nomes e mais 600.000 devem ser acrescentados ao longo de 2017.

Rachinsky acha que uma lista completa somaria aproximadamente 12 milhões de nomes, incluindo os deportados ou sentenciados por razões políticas.

Acresce-se que em algumas regiões os algozes locais nunca confeccionaram listagens das vítimas, enquanto em outras os arquivos permanecem fechados.

O jornalista Sergey Parkhomenko lançou a campanha Endereço Final, instalando alguns milhares de placas onde morreram vítimas do socialismo estalinista para lhes render uma derradeira homenagem.

Dos 40.000 agentes registrados por Zhukov, cerca de 10% acabaram sendo executados, encarcerados ou enviados aos campos de concentração.

Alguns voltaram quando Stalin precisou de homens para combater na II Guerra Mundial. Até ganharam medalhas ou se dedicaram a cometer mais homicídios.



domingo, 17 de setembro de 2017

Rússia: uma economia “africana” que sonha com a URSS deitada sobre 7.000 bombas atômicas

Venda de pães e doces perto da estrada de Novgorod
Venda de pastéis perto da estrada de Novgorod
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Segundo avaliação do jornal espanhol “El Mundo”, a Rússia é uma superpotência militar com uma economia terceiro-mundista.

A Rússia está muito aquém da Espanha, pois tem o mesmo PIB (Produto Interior Bruto) e o triplo de população. Em outros termos, a renda per capita russa é um terço da espanhola.

Mais ainda, o PIB nominal per capita do Brasil – US$ 11.387 – está acima do russo: US$ 9.054. (Fonte: Brasil, Wikipedia; Rússia, Wikipedia). 

Como as perspectivas econômicas russas são as piores, o jornal lhe aplica pejorativamente o carimbo de “país do Terceiro Mundo”.

Exporta petróleo, gás natural e mais algumas matérias-primas, mas tem que importar todo o resto, porque não produz quase nada. É o esquema de uma economia de país pobre, diz o jornal.

A exceção são as exportações de material militar, em grande parte destinadas a antigos clientes da União Soviética, cujos exércitos só conhecem o armamento russo.

Mas esses compradores são cada vez menos confiáveis e se interessam sempre menos pelas antigualhas russas malgrado as melhorias cosméticas.

A expectativa média de vida na Rússia (62-77 anos para os homens) é mais baixa que a da Bolívia (67-91 anos), com a diferença de que a população boliviana cresce dinamicamente, enquanto a russa diminui.

A perspectiva russa, segundo a ONU, é de 24 milhões de habitantes a menos em 2100, enquanto a perspectiva da população boliviana nessa data beira um aumento aproximado de 600%. Confira: World Population Prospects 

Alimentação insuficiente e abuso de álcool diminuiu a expectativa de vida
Entrementes, não se entende por que a comunidade internacional ainda aceita a Rússia como uma grande potência econômica.

Só uma esclerosada visão da realidade russa poderia explicar essa crença, talvez influenciada por uma simpatia ideológica atávica ou alguma saudade do socialismo da URSS que continua sob Putin.

Se Moscou influencia hoje o mundo é por causa do fascínio psicológico do sonho da URSS.

Ele se perpetua no Ocidente, ainda governado por partidos socialistas e manipulado por uma mídia cujos grandes títulos vão se fechando um a um porque descolados das respectivas opiniões públicas.

Outro dos poucos índices de grandeza que a Rússia ainda exibe é o mastodôntico aparato de defesa, espionagem, repressão e segurança em que Vladimir Putin fez carreira, e sem o qual o dono do Kremlin não duraria muito.

Fora disso, praticamente nada, martela “El Mundo”. A economia está militarizada, as receitas do país são etéreas como o gás que exporta e se evaporaram com a queda da cotação internacional do petróleo.

Talvez fosse mais apropriado comparar os dados macroeconômicos russos com certas economias africanas em vias de desenvolvimento – embora a Rússia não forneça muitos sinais de crescimento –, armadas até os dentes, com um ditador ferozmente agarrado ao poder e em pé de beligerância contra os vizinhos de etnia (de ideologia, no caso russo) diferente.

O míssil Iskander (SS-26 Stone para a NATO) de curto alcance pode levar cabeças nucleares
O míssil Iskander (SS-26 para a NATO) de curto alcance pode levar cabeças nucleares.
A Rússia gasta desproporcionalmente em armas
Eriçada de nacionalismo anticapitalista e antiocidental, amargurada pelo fracasso da utopia de domínio universal soviético e com uma economia humilhantemente depauperada, a Rússia – que detém 7.000 bombas atômicas – é claramente um perigo, observa “El Mundo”.

Esse é um coquetel de fatores, por certo nada atraente, que explicaria a crença na Rússia-potência: um efeito do medo.

O jeito certo seria reformar a economia para sair da decadência. Mas para o Kremlin isso equivale a reconhecer que não é grande potência.

Se Moscou adequar suas forças armadas às dimensões reais do país, a ideologia oficial e o modelo econômico ainda sovietizado não seriam mais sustentáveis.

Com a cornucópia petrolífera, Vladimir Putin tentou que a Rússia crescesse anualmente 4% a 6%.

Hiper-nacionalista, saudosista da URSS, admirador de Stalin, acuado pela crise econômica, Putin dispõe de 7.000 bombas atômicas
Hiper-nacionalista, saudosista da URSS, admirador de Stalin,
acuado pela crise econômica, Putin dispõe de 7.000 bombas atômicas

A alta cotação internacional do petróleo engrossou as caixas do Estado e alimentou uma fabulosa corrupção em todos os níveis. O país vivia de importados até que a bolha furou.

O Estado distribuia indústrias em concessões e/ou monopólios para uma Nomenklatura de privilegiados oriundos unicamente do entorno de Vladimir Putin, que durarão em função de sua fidelidade ao líder e temerão sempre cair em desgraça.

Com os ingressos rareando, o presidente e sua Nomenklatura seguiram esbanjado para manter cidades e instalações pesadas antieconômicas da era soviética para alimentar altas percentagens de popularidade.

Mas agora a torneira fechou, o petroestado ficou com a roupa do corpo.

Os capitais de estrangeiros e de magnatas putinistas levantaram voo, a moeda nacional espatifou-se, a invasão da Ucrânia cerceou ainda mais as entradas e multiplicou as despesas.

Eis a Rússia, empobrecida, humilhada, acuada e agressiva.

No fim, só resta o nacionalismo saudosista da URSS e 7.000 bombas atômicas.

Para o Ocidente, que acreditou na “queda do comunismo”, sobrou um pesadelo ameaçador.

E ele é chefiado por um coronel formado na KGB, admirador de Stalin e disposto a tudo para restaurar a grandeza material do império dos sovietes.


Vídeo: A Ucrânia comemorou sua independência pressentindo o pior e a Rússia anunciou gigantescos exercícios bélicos





domingo, 10 de setembro de 2017

Beato Teófilo Matulionis: primeiro lituano
mártir do comunismo nos altares

Na cerimônia da beatificação de D. Matulionis em Vilnius, seu quadro é exposto à veneração religiosa dos fiéis.
Na cerimônia da beatificação de D. Matulionis em Vilnius,
seu quadro é exposto à veneração religiosa dos fiéis.
Luis Dufaur
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Dezenas de milhares de católicos concentrados no último dia 25 de junho diante da Catedral de Vilnius, capital da Lituânia, assistiram à beatificação de Dom Matulionis, Bispo de Kaisiadorys.

Herói da resistência ao comunismo e mártir, foi assassinado em 1962 pela sanha impiedosa dos esbirros da Moscou soviética.

A cerimônia da beatificação foi dirigida pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

Figura ímpar da Hierarquia católica do pequeno país báltico, o primeiro a se levantar contra o colosso soviético em 1990, ao proclamar a sua tão desejada independência sem apoio algum das potências ocidentais.

O Beato Teófilo Matulionis é modelo de fidelidade à fé e de santa intransigência em face dos inimigos da Igreja.

Retorno da Lituânia ao redil da Santa Igreja

domingo, 3 de setembro de 2017

Putin manda silenciar crimes de Stalin

Em 1997, o historiador Yury Dmitrieyev localizou o túmulo de massa de Sandarmokh, Carélia, onde 9500 prisioneiros foram mortos por ordem de Stalin
Em 1997, Yury Dmitrieyev localizou o túmulo de massa de Sandarmokh, Carélia,
onde perto de 9.000 prisioneiros foram assassinados por ordem de Stalin
Luis Dufaur
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Yury Dmitrieyev, líder de Memorial, a mais antiga organização de defesa dos direitos humanos da Rússia, dedicou décadas de sua vida a encontrar os lugares onde a polícia política de Stalin, a NKVD, executou milhares de opositores durante o Grande Terror da década de 1930.

Mas isso não agradou Vladimir Putin, ex-coronel da KGB, continuadora da NKVD, que mandou prendê-lo e processá-lo com acusações pelo menos duvidosas, escreveu “Slate”.

No dia 5 de agosto foi o 20º aniversário da descoberta do local da carnificina de Sandormokh, no noroeste da Rússia. Ali foi localizado um dos maiores túmulos coletivos deixados pela URSS, com os restos de mais de 6.000 prisioneiros assassinados no Grande Terror dos anos 1930.

Yury Dmitrieyev foi o primeiro a identificar esse imenso cemitério clandestino em 1997. Porém, não poderá assistir à comemoração do 20º aniversário da descoberta.

Em dezembro de 2016 ele foi encarcerado em circunstâncias estranhas, segundo noticiou o jornal britânico “The Guardian”.

domingo, 27 de agosto de 2017

Mais de dois milhões de russos
veneram as relíquias de São Nicolau de Bari

Surto de fervor por São Nicolau de Bari revela potencial de conversão do povo russo.
Surto de fervor por São Nicolau de Bari revela potencial de conversão do povo russo.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Desde que as relíquias de São Nicolau de Bari foram expostas ao culto público, em virtude de um empréstimo temporário da Igreja Católica, mais de 1.807.600 de moscovitas foram venerá-las.

As filas em Moscou podiam demorar 10 horas para o fiel passar rapidamente, tocando ou beijando a sagrada urna, noticiou o jornal “The Washington Post”. 

Em São Petersburgo, segunda maior cidade russa, a contagem superava 340,000 enquanto prosseguiam as visitas com romeiros chegando de remotas cidades da imensa Rússia.

Essas manifestações maciças de devoção voltaram a patentear as tendências profundas – inimagináveis sem uma ação da graça – que trabalham o povo russo e o predispõem para o dia de sua conversão.

Vladimir Putin parece ter percebido esse horizonte – aliás, já previsto em Fátima – e fez uma adaptação do princípio atribuído a Lenine: como o comunismo gera necessariamente uma reação oposta, façamo-la nós antes que outros a façam.

“Antes que a Rússia se converta, dirijamos nós um pseudo retorno à religião”, parece dizer o Vladimir II (não Lenine, mas Putin). Para isso ele apela ao seu acólito: o Patriarcado de Moscou.

Foi este último que recebeu da Santa Sé as relíquias e as faz girar pela Rússia como se fosse propriedade dele, afastando o protagonismo católico.

domingo, 20 de agosto de 2017

Europa Oriental católica:
esperança para uma Europa Ocidental decaída

Guarda de honra polonesa na cerimônia inaugural do exercício Anaconda com tropas da NATO
Guarda de honra polonesa na cerimônia inaugural
do exercício Anaconda com tropas da NATO
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em discurso pronunciado diante de uma exultante multidão polonesa reunida em Varsóvia, o Presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu a luta do Ocidente contra o “terrorismo islâmico radical” como forma de proteger “nossa civilização e nosso modo de vida”.

Trump perguntou: “Temos a necessária convicção de nossos valores a ponto de defendê-los a qualquer custo?

“Temos o devido respeito pelos nossos cidadãos a ponto de proteger nossas fronteiras?

“Temos o desejo e a coragem suficientes de defender a nossa civilização diante dos que querem subvertê-la e destruí-la?”.

A pergunta de Trump foi concebida para ter um eco positivo e ressoar na Europa Oriental, escreveu Giulio Meotti, editor cultural do jornal italiano Il Foglio.

Foi uma surpresa, um choque. Nossos jornais nem sequer conseguiram reagir. Alguns títulos mais avisados tripudiaram, mas inutilmente, observou Meotti.

Revide único e importante: alguns dias mais tarde, a União Europeia anunciou que começaria os procedimentos para punir a Polônia, a Hungria e a República Checa por se recusarem a aceitar migrantes.

Em resposta, Zoltan Balog, ministro de Recursos Humanos da Hungria, disse o seguinte, sobre o Islã e sua cultura religiosa trazida pelos migrantes:

“A Europa tem uma identidade diferente e é indubitável que as duas culturas não têm condições de coexistir sem conflitos”.

domingo, 13 de agosto de 2017

Exemplo ucraniano inspira resistência venezuelana

Afinidade das situações é muito grande
Afinidade das situações é muito grande
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O documentário Winter on fire foi apresentado e discutido em várias universidades venezuelanas, públicas e privadas, provocando grande impacto entre os estudantes, hoje figuras centrais das marchas opositoras ao governo de Nicolás Maduro, informou “O Globo”.

Segundo declarou ao “Globo” Marcelino Bisbal, professor da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), os estudantes venezuelanos ficaram entusiasmados com o documentário.

Por quê? “Porque o exemplo da Ucrânia mostra que é possível mudar um país fazendo grandes esforços, como estão fazendo todos os venezuelanos”.

Esses grandes esforços envolvem o derramamento abundante de sangue – mais de 100 assassinados pelos esbirros chavistas – e um combate duríssimo no dia-a-dia nas ruas e praças do país

“Aqui já se fala no efeito Ucrânia, pela penetração deste documentário não somente nas universidades, mas também nos bairros, através de associações civis” — disse o professor da UCAB.

“Os jovens se sentem identificados com o exemplo ucraniano, porque aqui também eles são o motor da rebelião”.

domingo, 6 de agosto de 2017

Estátuas de Lenine vão parar em lixões e depósitos

A cabeça do monumento de Dnipropetrovsk foi doada ao Museu Histórico Nacional, mas acabou posta de lado
A cabeça do monumento de Dnipropetrovsk foi doada ao Museu Histórico Nacional,
mas acabou posta de lado
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O fotógrafo suíço Niels Ackermann palmeou a Ucrânia durante três anos juntamente com o jornalista francês Sébastien Gobert de “Libération”.

Eles foram registrar que fim tiveram as inumeráveis estátuas de Lenine hoje desaparecidas dos locais públicos.

Sabia-se que elas haviam sido derrubadas durante o reerguimento do povo ucraniano contra o domínio russo representado pelo regime de Yanukovich (2010-2014).

Mas essa atitude em face das estátuas do tirano acentuou-se ainda mais após aplicação da lei de “desovietização”, de maio de 2015.

Pareceu uma viagem aos porões artísticos do inferno. Os resultados ficaram compilados no álbum “Procurando Lenine” (Looking for Lenin, ed. Noir sur Blanc, Montricher, Suíça, 2017, 176 p.).

Mas o álbum acabou mexendo em algo que ia além do registro fotográfico.

domingo, 30 de julho de 2017

Kremlin tenta forjar um país, a Malorrosía,
para se apossar da Ucrânia

O anunciado país de Malorossía incluiria por completo as regiões de Lugansk e Donetsk. Mas, isso seria só como início de conversa.
O anunciado país de Malorossía incluiria as regiões de Lugansk e Donetsk por completo.
Mas, isso seria só um início de conversa...
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Separatistas pró-russos no leste da Ucrânia proclamaram um novo Estado denominado Malorossía, que significa “Rússia Menor”, mas que de fato é o primeiro passo de um processo que visa engolir quase todo o território da Ucrânia e até parte da Moldávia!

O líder pró-russo Alexander Zajarchenko explicou que o novo Estado se aglutinará em volta das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk. Sua Constituição será votada em referendo e a capital será a cidade de Donetsk, informou “El Mundo” de Madri.

Esses dois territórios sublevados pelo influxo de Moscou já tinham aprovado a secessão num referendo em que os eleitores votavam mirados por fuzis e cujos resultados foram contestados. No dia seguinte os “vencedores” pediram a integração na Federação Russa.

Mas Vladimir Putin não ousou sequer reconhecer a independência desses secessionistas. Seu plano era mais sibilino.

Ele pretendia usar os revoltosos que já estavam sob seu controle para exigir imediatas concessões do governo ucraniano legítimo de Kiev.

Mais na frente, ele esperava usá-los como alavanca para engolir a Ucrânia inteira. Mas a intriga não conseguiu quebrar o patriotismo ucraniano e ficou paralisada.

domingo, 23 de julho de 2017

Recrutamento russo nas redes sociais

A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
Luis Dufaur
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Ladislav Kasuka redigia sua costumeira diatribe contra o ocidente para um site stalinista checo quando começou a receber mensagens oferecendo-lhe dinheiro para organizar protestos de rua.

Esse foi o ponto de partida de toda uma história objeto de reportagem de “The New York Times”.

A primeira mensagem, recheada de bajulações pelo seu trabalho, chegou em russo, enviada por alguém que ele desconhecia. De início, a oferta foi de 300 euros.

Era para Kasuka, um stalinista checo sem um tostão, comprar bandeiras e cartazes destinados a uma manifestação pública em Praga contra a OTAN e o governo pró-ocidental da Ucrânia.

Logo depois, ofereceram-lhe mais 500 euros para comprar um videocâmara e publicar seus vídeos na internet. Ainda viriam promessas de outras quantias menores. Kasuka ficou surpreso, mas como o dinheiro “era para a boa causa” anticapitalista foi aceitando.

Pouco depois estava enleado numa estranha trama que funcionava nas redes sociais.

domingo, 16 de julho de 2017

A Rússia será católica!

Nossa Senhora de Fátima. Fundo: Moscou
Luis Dufaur
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“A Rússia será católica?” não é a interrogação de um sonhador.

Em Fátima, Nossa Senhora patenteou predileção por esse país de dimensões imperiais.

Porque Ela deu a entender que a instauração de seu Reino na terra teria como condição a conversão do mundo russo ao catolicismo.

E a Providência suscitou grandes almas que ofereceram suas vidas pela salvação da Rússia dos Czares. Algumas delas abandonaram os erros que erodiam o país e se converteram no século XIX.

Elas intuíram com fé e muito raciocínio que o dia glorioso da conversão da Rússia acabará chegando.

Foi o caso do Pe. Ivan Gagarin, príncipe russo que ingressou na Companhia de Jesus e é autor de um livro que fez sensação em sua época: “A Rússia será católica?” (La Russie sera-t-elle catholique?, Paris, 1856).

domingo, 9 de julho de 2017

Trump em Varsóvia: virada desconcerta Rússia

O elogio da resistência às agressões russas e à luta por Deus e pela família entusiasmou os poloneses
O elogio da resistência às agressões russas
e à luta por Deus e pela família entusiasmou os poloneses
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A “nova-Rússia” de Putin não esconde sua frustração diante da virada que está se operando na nova administração dos EUA.

Os russos chegaram com desânimo para o encontro Trump-Putin efetivado em Hamburgo. A cita outrora havia sido marcada com imensas expectativas da parte do Kremlin.

O presidente Donald Trump vem surpreendendo o mundo e consternando as esquerdas com posições merecedoras de alto encómio.

Tivemos ocasião de fazer reparos a iniciativas do candidato Trump que não se inseriam numa estratégia de defesa dos valores básicos da civilização ocidental e cristã.

Desta vez, elogiamos o clarividente discurso por ele pronunciado em 6 de julho do presente ano 2017 na Praça Krasiński de Varsóvia.