domingo, 14 de janeiro de 2018

Nuvem radioativa chegou da Rússia, mas Moscou nega

Premido pelas eleições, Putin nega tudo
Premido pelas eleições, Putin nega tudo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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O Ocidente teme mais um tremendo acidente nuclear na Rússia. Mais exatamente em Mayak, uma instalação que está no coração do programa nuclear russo, comentou o “New York Times”.

E não é o primeiro no local. Em 1957, 60 anos atrás, ali aconteceu um dos piores acidentes da era nuclear. Mas foi afogado no segredo de Estado a ponto que os moradores vitimados adoeciam ou morriam sem saber por que.

Naquela vez, por volta de 272.000 pessoas ficaram submetidas à radiação. Taisia A. Fomina, acabava de nascer contou o jornal de Nova York. Os pais não foram informados, ela foi irradiada enquanto dormia, ficou cega e sua mãe morreu três dias depois.

Agora, autoridades em radiação da França e da Alemanha identificaram na região sul dos Urais, no próprio local de Mayak, o provável ponto de partida da nuvem contaminada com o isótopo radioativo rutênio 106 que soprou sobre a Europa.

O rutênio 106 é produzido em usinas nucleares e não é perigoso demais, porque tem uma “vida” curta: 373 dias.

A nuvem radioativa veio da região da usina de Mayak
A nuvem radioativa veio da região da usina de Mayak
Para as autoridades alemãs nada está claro. Para as francesas só está claro que a nuvem provém de algum local perto de Mayak a 1.600 quilômetros ao leste de Moscou.

As autoridades francesas dizem que se a ocorrência tivesse acontecido na França teriam sido tomadas precauções. Precisamente o que a Rússia não fez.

As autoridades da região de Chelyabinsk, onde está a planta, garantem que os testes recomendados pela Rosatom, agência do governo, deram tudo azul.

A imprensa ligada do regime, como a agência RIA, Sputnik e Russia Today garantem que está “tudo dentro das normas”.

Mas a agência responsável de monitorar a radiação na Rússia falou o contrário: denunciou níveis “extremamente altos” de rutênio 106 perto de Mayak.

Frank N. von Hippel, físico em Princeton, EUA, diz que o fato pode ser perturbador para Putin que está tentando a reeleição. Então “foi imposto o silencio no local”.

O serviço de imprensa da estatal Rosatom não responde aos apelos da imprensa.

As águas do Lago Karachay irradiado pelo acidente de Mayak mataria um banhista numa hora
As águas do Lago Karachay contaminado em 1957 matariam um banhista numa hora

Rashid R. Alimov, pesquisador da Greenpeace, disse ser espantoso que o governo russo recuse informação sobre um fato que pode ter imprevisíveis consequências na saúde de uma população numerosa.

Stepan Kalmykov, professor de química na Universidade de Moscou declarou que embora a ocorrência tal vez seja limitada, ela causa pavor, porque “ninguém mais pode garantir que havendo um acidente mais sério ou perigoso, ele será advertido”. E tampouco se pode saber se não está acontecendo ou pode acontecer algo pior.

O governo russo nega tudo, ainda quando a agência meteorológica Rosguidromet noticia que concentrações “extremamente elevadas” de rutênio-106 foram detectadas nas estacoes de Arguaiach e de Novogorny excedendo 986 vezes os registros anteriores.

Cartaz afasta visitantes da cidade de Ozersk, na região de Chelyabinsk, onde fica central nuclear de Mayak
Cartaz afasta visitantes da cidade de Ozersk,
na região de Chelyabinsk, onde fica central nuclear de Mayak
Mas a suspeita central de Mayak garante que as doses registradas são “20.000 vezes inferiores à dose anual admissível”.

O Instituto de Radioproteção e de Segurança Nuclear (IRSN) francês confirmou a procedência e estimou que a fonte da poluição não é um reator nuclear.

A causa poderia ser atribuída a uma má manipulação de combustível nuclear ou a um defeito no fabrico de elementos radioativos, informou a agencia AFP.

Após o desastre de Chernobyl em 1986, a nova Constituição russa proibiu o segredo de informação sobre problemas ambientais.

Mas no regime de Putin, lei escrita é puro papel manchado de tinta.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Santo Natal e Feliz Ano Novo 2018!

Luis Dufaur
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domingo, 17 de dezembro de 2017

Crianças prontas para morrer por Putin

Cadete  no treino
Cadete  no treino
Luis Dufaur
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Vladimir Putin é candidato a mais uma reeleição presidencial.

Aliás, Evo Morales também. Não há proximidade geográfica entre os dois. Mas sim ideológica e psicológica.

O instinto diz ao déspota que não pode largar o poder, pois as consequências pessoais podem ser irreparáveis. Falem Lula e Cristina Kirchner.

Nas últimas semanas, Putin acenou com massacres em massa no leste ucraniano – atribuindo-as à Ucrânia – e fez declarações que insinuam a guerra mundial a propósito da Coreia do Norte.

As ameaças, entretanto parecem direcionadas ao público russo. Elas visariam atemoriza-lo e aglutiná-lo em volta do atual presidente para aceitar o resultado eleitoral.

Esse resultado já deve estar pronto em algum ministério putinista. Também a aprovação pública ao ditador aumentou segundo o governo queria.

Nesse aumento de popularidade contribui o recrutamento e doutrinação de crianças-soldados. O exército carece de soldados pela acentuada queda da população e da natalidade.

Putin deitou mão de um velho recurso de ditador beirando o desespero: recrutar adolescentes e crianças para lhes dar oficialmente “educação militar e patriótica”.

Na região meridional de Stavropol, segundo “La Nación”, a propaganda oficial exalta a imagem dos cossacos. Historicamente, os cossacos constituem uma famosa raça de guerreiros de toda confiança que garantia a guarda pessoal dos Tzares de todas as Rússias.

Treino de crianças soldado
Treino de crianças soldado
Eles lutaram heroicamente contra a Revolução Bolchevista de 1917 e constituíram as melhores tropas do “Exército Branco” monarquista que resistiu ao “Exército Vermelho” comunista-leninista.

Acabaram perdendo e pagaram caro: Stalin decidiu puni-los com a fome. Por volta de oito milhões deles teriam falecido num dos piores genocídios da história, conhecido como holodomor.

Mas agora, Putin precisa deles. Então, a propaganda oficial os apresenta como camponeses tranquilos nos tempos de paz e heroicos defensores da pátria russa e soviética.

Em especial contra os invasores das irrequietas regiões da Chechênia e do Daguestão, além de corajosos soldados nas campanhas militares para expandir o poder de Moscou.

Nenhuma palavra sobre as guerras contra os turcos nem mesmo contra a invasão napoleônica em que lutaram como heróis. No mundo islâmico e até na própria União Europeia, Putin tem grandes amigos e aliados.

“O amanhã começa hoje” é o ditado da escola de cadetes de Stavropol dedicada a Alexei Yermolov, um general do século XIX que conquistou o Cáucaso para o império russo e que Putin quer reconquistar agora, tendo invadindo a Geórgia com resultado inconcludente.

Estudantes da Escola de Cadetes General Yermolov
Estudantes da Escola de Cadetes General Yermolov
A maioria dos cadetes provém de famílias de soldados na ativa ou de oficiais de outras forças de segurança, legais ou ilegais. Pois também essas servem ao senhor todo-poderoso do Kremlin para os “serviços” inconfessáveis em outros países.

Mas, não se trata só de bons rapazes. Por volta de 40% desses cadetes abandonaram a escola e alguns já passaram por unidades suspeitas ou não do exército e das policias.

Os instrutores passaram anos em “posições quentes” ou zonas de conflito.

No verão russo, um grupo de adolescentes do chamado clube “Patriota” da invadida Crimeia frequentou o acampamento “Cavaleiros russos” para receber treinamento militar.

Nesse acampamento até 600 meninos e meninas trinam todos os verões junto com mais de 1.500 adolescentes.

Os exercícios físicos vão de mãos dadas com o treino de armas, aprimoramento da pontaria, aprenderem a conduzir carro e pular de paraquedas.

Para o dia que o omniarca de Moscou precisar deles, mesmo sem ter atingido a maioridade.



Crianças prontas para morrer por Putin




domingo, 10 de dezembro de 2017

“Epidemia” de mortes estranhas dizima corpo diplomático russo

A estranha epidemia de diplomáticos russos mortos de modo inexplicado
A estranha epidemia de diplomáticos russos mortos de modo inexplicado
Luis Dufaur
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Uma estranha “epidemia” atinge o corpo diplomático russo, escreveu Alain Rodier, diretor do Centro Francês de Pesquisa e Informação (CF2R), especialista em terrorismo islâmico e criminalidade organizada, em artigo para a revista “Atlantico”.

Em menos de um ano, sete diplomatas russos perderam a vida em circunstâncias pelo menos estranhas. A morte mais conhecida aconteceu em 19 de dezembro de 2016: Andrei Karlov, embaixador russo na Turquia foi assassinado por um fanático islâmico que fingia ser policial.

A ocorrência foi testemunhada e registrada pela imprensa em um museu da capital turca. O matador alegava querer vingar-se de colegas mortos em Alepo, Síria.

Foi o único caso explicável e esclarecido. Nos outros paira a sombra da contraespionagem e da polícia secreta russa FSB, também encarregada de livrar o amo do Kremlin de adversários reais ou potenciais.

No mesmo dia, Petr Polshikov, responsável pelo Departamento Latino-americano do Ministério de Relações Exteriores, foi encontrado morto em seu departamento moscovita com uma arma na mão. A FSB falou de suicídio, mas nunca se conheceram os pormenores. No silêncio, todas as hipóteses ficaram em aberto.

No dia 9 janeiro 2017, Andrei Malanin, cônsul da Rússia em Atenas, foi achado morto por arma de fogo no toalete de seu apartamento em circunstâncias misteriosas. Nenhum sinal foi registrado, apesar de a rua ser habitada por numerosos diplomatas e estreitamente vigiada pela polícia grega.

No caso dos diplomatas, os investigadores locais estão limitados e as averiguações deveriam ter sido feitas pelos responsáveis russos que, entretanto, guardaram silêncio.

Em 27 de janeiro de 2017, Alexander Kadakin, embaixador da Rússia na Índia, morreu vítima de uma doença fulminante, segundo o serviço diplomático moscovita, que não forneceu circunstâncias exatas do drama.

Assassinato do embaixador russo em Ancara: foi o único explicado
Assassinato do embaixador russo em Ancara: foi o único explicado
Em 20 de fevereiro de 2017, Vitaly Tchurkin, embaixador extraordinário de Moscou na ONU, caiu desmaiado em seu escritório de New York e faleceu após ingressar num pronto socorro.

Estreito colaborador de Vladimir Putin, ele era considerado da linha dura do Kremlin e sucessor potencial do atual ministro de Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

Mais recentemente, Mirgayas Shirinsky, embaixador da Rússia no Sudão, foi achado morto na piscina de sua residência.

Quase todos os falecidos estavam na faixa etária em que se extingue a esperança de vida dos homens russos – 64,37 anos, em 2014 –, nível baixo atribuído ao generalizado alcoolismo, o mais alto do mundo.

O único fator comum nas ocorrências provém da relação das vítimas com os serviços russos de espionagem.

E essas não foram as únicas mortes estranhas.

No dia 8 novembro de 2016, Sergei Krivov foi morto no consulado da Rússia em New York. Segundo a primeira versão, ele teria caído do teto; na segunda, a morte teria sido por causa “natural”. Krikov era “oficial de segurança” do consulado. A função é vaga e esconde muitas vezes atividades ligadas à espionagem.

O corpo sem vida de Oleg Erovinkin apareceu em Moscou no dia 26 de dezembro 2016, no bagageiro de um carro da estatal Rosneft. Ele foi general e serviu na KGB e na FSB antes de tornar-se chefe de gabinete de Igor Sechin, estreito conselheiro do presidente Putin e oligarca chefe da Rosneft.

As autoridades sugeriram uma crise cardíaca, mas suspeita-se seriamente que ele teria sido informante das relações de Putin com Donald Trump.

No dia 5 novembro de 2015, Mikhail Lesinne, ex-conselheiro de Putin, ex-regulador da imprensa russa e fundador do Russia Today, uma joia da desinformação no exterior, apareceu morto por overdose de álcool em seu quarto de hotel em New York. Ele exibia numerosos hematomas. A imprensa americana focou o presidente Putin e seus serviços, mas nada foi apurado.

Coveiro com a camiseta do partido Rússia Unida de Putin
Coveiro com a camiseta do partido Rússia Unida de Putin
Ainda está viva a lembrança do envenenamento com polônio de Alexandre Litvinenko, opositor de Vladimir Putin, no ano de 2006 em Londres; da morte de Alexander Perepilichny, refugiado na Grã-Bretanha, em 2012, bem como a de Boris Berezovsky, estrangulado em sua casa de Berkshire em 2013.

Londres concluiu que Litvinenko foi assassinado, mas não quis correr riscos pronunciando-se sobre os outros dois casos.

O alcoolismo é uma das grandes causas das mortes prematuras na Rússia. Há um segundo fator muito importante: o crime organizado das “máfias vermelhas”, também chamadas Bratva, onipresentes desde o tempo da URSS.

Tais máfias – escreve Alain Rodier – penetraram profundamente nas engrenagens da economia russa e são conhecidas como os Vory v Zakone (ladrões na lei).

Numerosos agentes dos serviços secretos trabalham nelas devido às suas “qualificações técnicas”, e são largamente pagos pela Nomenklatura putinista formada nos mesmos ambientes.

Desde o início do ano, dezenas de diplomatas americanos e canadenses tiveram que abandonar seus postos em Cuba, com estranhos problemas de audição atribuídos aos serviços secretos cubanos alimentados pela Rússia.

A Rússia de Putin não abandonou os métodos criminosos desenvolvidos pela falida URSS. Continua a aplicá-los com a mesma frieza assassina.

Se existe alguma diferença entre os tempos da antiga e da “nova-URSS”, ela deve ser procurada na ingenuidade tola dos ocidentais que acreditaram que o “comunismo morreu”.



domingo, 3 de dezembro de 2017

Militarismo e repressão consomem verbas da saúde e população diminui mais

A imoralidade e a droga tornaram o HIV uma epidemia na Rússia
A imoralidade e a droga tornaram o HIV uma epidemia na Rússia
Luis Dufaur
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Mais três fatores alarmantes sobre a diminuição da população russa vieram se somar aos já conhecidos, escreveu Paul Goble, especialista em questões étnicas e religiosas na Eurásia, em artigo para Euromaidanpress.

O primeiro deles é o dramático aumento da transmissão do HIV e o aumento das mortes por AIDS, ligados à decadência dos costumes, à adição às drogas, ao descalabro do serviço de saúde pública e à carência de medicamentos.

Segundo os especialistas em medicina russa, só no ano passado as infecções com HIV aumentaram entre 3% e 4%, com médias ainda superiores em localidades específicas.

Por isso já se fala do HIV como uma epidemia na Rússia.

Vladimir Putin cortou as verbas para a saúde com o eufemístico argumento de “otimização” das despesas. Na prática, essa “otimização” significou arrocho geral, exceto para o setor militar e para o esquema de repressão política.

A “otimização” – escreveu Goble – pode ter sido muito boa para a burocracia estatal, mas não para o povo russo, especialmente os doentes.

Um segundo grande multiplicador da mortalidade é o severo corte nos medicamentos de uso geral, devido ao programa contra sanções implementado pelo Kremlin.

Após Putin ordenar a invasão da Crimeia e do leste ucraniano, o Ocidente revidou com restrições econômicas. O chefe supremo russo respondeu cerceando a importação de produtos de procedência ocidental.

Mas a Rússia não tem como substituir muitos deles, especialmente medicamentos.

Moscou bloqueou os remédios importados e os componentes que servem para fabricá-los. Quem sofre as consequências é o povo em geral e os doentes em particular.

Os diabéticos russos, por exemplo, não estão encontrando insulina disponível, o que para muitos deles é a morte.

Os jovens migram para as cidades e os campos vão se despovoando
Os jovens migram para as cidades e os campos vão se despovoando
Se o Kremlin se interessasse mais pela saúde da população do que pela expansão geopolítica, poderia ter aberto exceções.

Mas cortou os remédios mais necessários à sobrevivência dos aflitos, enquanto crescem os índices de mortalidade entre os adultos, atingindo patamares terceiro-mundistas.

Em terceiro lugar, a ânsia de Putin pela urbanização da Rússia trouxe como subproduto letal a negligência com as áreas rurais. E o efeito demográfico está se fazendo sentir.

O empobrecimento do campo leva os jovens a migrar para as cidades e o despovoamento rural não é compensado demograficamente pelo aumento da população urbana.

Os interioranos têm dificuldade de se adaptar, formam menos famílias, têm menos filhos e caem facilmente na corrupção das periferias urbanas.

Por sua vez, a população rural envelhecida não tem apoio dos filhos. Resultado: no interior as taxas de nascimento são miseráveis, e insuficientes nas megalópoles politicamente promovidas por Putin.

Essas políticas desastrosas acentuam o declínio global da população russa, conclui Goble.

Paradoxalmente, a propaganda dos serviços do Kremlin e dos “companheiros de viagem” apresenta Putin no exterior como um campeão defensor da família, da moralidade e da expansão de seu povo.

Mas esse está sendo devorado pela falta de moral e de recursos básicos para a subsistência, e está sendo sacrificado em aras de políticas desmesuradas de expansão universal.


domingo, 26 de novembro de 2017

Luxos extravagantes: sinais de ditadores despóticos. Putin não escapa à regra


Luis Dufaur
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O presidente Vladimir Putin mantém uma extravagante e luxuosa mansão secreta com 20 hectares de jardim, numa ilha exclusiva perto da fronteira com a Finlândia, denunciou o site econômico espanhol “Expansión”.

Na verdade, a riquíssima extravagância não tem muito de novo.

É característica dos ditadores socialistas “defensores do povo”, campeões contra o capitalismo corrupto, Carlos Magnos da moralidade familiar, do cristianismo e de muitas outras qualidades que fingem ter.

Ela foi ostentada pelos tiranos da falida URSS, por Mao Tsé-Tung, Fidel Castro, entre outros.

Mais recentemente pelo deposto presidente criptocomunista da Ucrânia Viktor Yanukovych.

Sem falar dos detentores de “pobres” triplex e sítios brasileiros.

As férias presidenciais do ocupante do Kremlin encheram as crônicas da imprensa oficial com as façanhas de Putin pescando, nadando e tomando sol sem camisa.

Enquanto suas fotografias enchiam a imprensa russa – toda ela praticamente nas mãos do Estado –, seu opositor Alexei Navalny aguardava a libertação num cárcere, impossibilitado de organizar sua campanha eleitoral.

Navalny foi libertado poucos dias antes da votação.

A casa principal do luxuoso conjunto de Putin tem 1.500 m2. Há ainda uma casa de hóspedes, heliporto e embarcadouro.

A mansão, que leva a assinatura do famoso arquiteto finlandês Uno Ullberg, tem banheiros de mármore com incrustações de ouro, sauna, sala de sinuca, piscina climatizada gigante e um luxuosíssimo escritório ornado com a águia imperial russa em ouro, tudo blindado aos olhares indiscretos.

O drone vingador do opositor Alexei Navalny flagrou os locais.

A Villa Sellgren é o nome oficial da mansão, e está registrada em nome do empresário Sergei Rudnov, filho de um íntimo amigo de Putin.

Simultaneamente, a empresa russo-italiana Caviar comemorou os 65 anos de Putin com uma linha de iPhones exclusivos folheados a ouro com o rosto do amo da Rússia, reproduziu “Clarín”.

Não é a primeira vez que Caviar faz isso. Ela já havia dedicado smartphones folheados a ouro a Donald Trump e, em 2015, mais uma linha deles a Putin.

Nesse caso foi um Iphone 6s folheado integralmente em ouro 18 quilates. O “Putinofone”, com a cara de Putin gravada por atrás, custava 3.150 euros.

Do modelo da série especial de 2017 serão produzidas apenas 65 unidades de coleção, que não vão custar menos.

Iphones 6s folhados a ouro para homenagear 'Supremo Putin', modelos 2015.
Iphones 6s folhados a ouro para homenagear 'Supremo Putin', modelos 2015.
Haverá também capas vermelhas, mais econômicas, com a águia bicéfala imperial e o rosto do líder supremo contrário à corrupção capitalista, sem nenhuma alusão a uma sussurrada “restauração” democrática da monarquia.

Em toda a Rússia abundam camisetas, bonecos e objetos de toda espécie que servem ao culto populista de Vladimir Putin

Os membros mais iniciados da Nomenklatura de Moscou, os “famosos” e certos magnatas do capitalismo ocidental, poderão agora exibir a imagem dourada caríssima representando o líder em custosos smartphones.

Certas oposições entre o Oriente e o Ocidente servem de fachada para ocultar um trabalho conjunto contra a Civilização Cristã e a Santa Igreja Católica no qual estão associadas as nomenklaturas do lado de cá e do lado de lá.



domingo, 19 de novembro de 2017

Acidente revela qualidade do material bélico russo

Destaques do acidente com o helicóptero Ka-52 em exibição na Zapad 2017
Luis Dufaur
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A Rússia realizou em setembro os exercícios militares Zapad 2017 (Oeste 2010).

Eles suscitaram preocupação no Ocidente pelo número dos efetivos oficialmente anunciados (12.700 militares, dos quais 7.200 bielorrussos e 5.500 russos) e pelo volume do equipamento usado (cerca de 70 aviões e helicópteros, 250 carros de combate, 200 sistemas de artilharia, lança-foguetes múltiplos e morteiros, e 10 navios de guerra).

Segundo os observadores ocidentais, os números teriam sido ainda maiores, registrou o jornal “El Mundo”, de Madri.

O governo russo acreditou jornalistas nacionais e estrangeiros para contemplar seu poderio militar – a qualidade de seu armamento e o grau de treinamento de seus soldados.

E preparou para esse fim uma demonstração em que modernos helicópteros modelo Ka-52 atingiriam alvos predispostos.

Porém, ao serem disparados, os foguetes saíram em direção dos espectadores, segundo informou o portal de noticias '66.ru', que publicou um vídeo gravado por uma fonte que guardou o anonimato.

Tupolev-22M acidentado durante os exercícios Zapad 2017
Tupolev-22M acidentado durante os exercícios Zapad 2017
“Pelo menos dois carros pegaram fogo e duas pessoas ficaram gravemente feridas e agora estão hospitalizadas”, disse a fonte.

O Ministério de Defesa russo confirmou o fato ao jornal ‘Kommersant’ e disse que uma comissão investigará o incidente, mas negou que houvesse feridos.

“O sistema de fixação do alvo fez uma captura errônea do objetivo. Um dos caminhões sem ocupantes foi danificado”, disse o serviço de imprensa do Distrito Militar Oeste. De fato, ele foi totalmente destruído.

O Exército russo não esclarece onde nem quando isso aconteceu, nem mesmo quantas nem quais são as vítimas, provavelmente jornalistas.

Segundo o site ‘66.ru’, o acidente se deu em Luzhsky, perto de São Petersburgo, tendo Vladimir Putin visitado o local poucos dias depois.

O ocorrido revela como são limitadas as qualidades do exército que ainda usa bandeiras com a foice e o martelo para enfrentar eventuais antagonistas ocidentais.

Revela também a necessidade da Rússia de aplicar técnicas de guerra híbrida, psicológica e de informação para desmoralizar e caotizar os países que ela considera seus adversários e futuros escravos.

Guerra à qual os promotores da Revolução Cultural imoral e blasfema no Ocidente prestam serviços superiores a qualquer foguete ou arma militar, por mais poderosa que esta pretenda ser.



Vídeo do helicóptero russo acertando nos jornalistas



domingo, 12 de novembro de 2017

Católicos russos gemem
sob a nova aliança Moscou-Vaticano

Amizades na Rússia valeram ao Cardeal Parolin a condição de 'papabile'. Católicos russos e ucranianos gemem vendo o pastor estreitando a mão do lobo.
Amizades na Rússia valeram ao Cardeal Parolin a condição de 'papabile'.
Católicos russos e ucranianos gemem vendo o pastor estreitando a mão do lobo.
Luis Dufaur
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Os católicos russos acenam de sua sofrida e heroica situação e exortam Ocidente a não esquecer a tragédia das vítimas do comunismo, noticiou “Religião Digital”.

A ocasião é apropriada: o centenário da Revolução Bolchevista, acontecida em 7 de novembro de 1917.

O secretário-geral da Conferência dos Bispos Católicos da Federação Russa, monsenhor Igor Kovalevsky, fez um apelo aos cristãos ocidentais para manterem viva a lembrança dos russos que deram sua vida sob a perseguição do regime comunista da União Soviética.

Os cruéis expurgos anticristãos e o envio dos fiéis aos campos de trabalhos forçados – sinônimos muitas vezes de morte lenta em condições miseráveis – visavam oficialmente a uma “reeducação” para o materialismo.

Eles constituíram um dos piores e maiores sistemas de perseguição e extermínio da História.

“Os sofrimentos nas prisões soviéticas e nos campos de trabalho continuam sendo um problema para toda a sociedade”, afirmou Mons. Kovalevsky ao jornal católico inglês “The Tablet”.

“Foram construídos templos em memória dos que morreram pela fé, que merecem ser comparados aos mártires dos primeiros séculos do Cristianismo”.

Segundo Mons. Kovalevsky, as histórias do martírio dos cristãos sob a ditadura soviética são universalmente conhecidas.

Mas, acrescentamos nós, se elas tivessem sido mais difundidas no Ocidente a opinião pública católica teria sido alertada, e muitas aventuras inspiradas no ideário comunista, como as do PT, talvez nunca tivessem acontecido.

Mons. Kovalevsky comentou que durante o “Grande Expurgo” da era de Stalin, modelo preferido de Vladimir Putin, 442 sacerdotes católicos foram martirizados, e mais de 100.000 representantes religiosos cismáticos ditos “ortodoxos” assassinados.

Dignitários da Igreja Católica russa processados pelo Tribunal Revolucionário de Moscou. Fonte: L'Illustration
Dignitários da Igreja Católica russa processados pelo Tribunal Revolucionário de Moscou.
Fonte: L'Illustration
Além desses martírios, os militantes comunistas destruíram e/ou profanaram mais de mil igrejas e capelas católicas, empregando-as depois sacrilegamente para os usos mais indignos e insultantes ao seu caráter sagrado.

Mais de 900 religiosos, freiras e leigos sacrificaram suas vidas para não apostatarem da fé em Jesus Cristo e na Igreja Católica.

Os extermínios provocados pela Revolução Comunista de 1917 provocaram a morte de aproximadamente 21 milhões de seres humanos, entre crimes sanguinários e “fomes do terror”, como o Holodomor na Ucrânia.

Por volta de 1930, mais de 200 mil pessoas achavam-se recluídas em campos de concentração, verdadeiros campos de extermínio.

A cifra aumentou para um milhão antes da II Guerra Mundial e para perto de dois milhões e meio no inicio dos anos cinquenta.

Os documentos da burocracia comunista dos campos de trabalho forçado registram oficialmente mais de um milhão de vidas extintas pela ideologia igualitária.

O apelo alcançou ressonâncias patéticas no Ocidente, onde a diplomacia vaticana se volta cada vez mais simpaticamente para o regime de Vladimir Putin, herdeiro atualizado do criminoso regime soviético.

E, num contexto mundial alarmante, a política vaticana vai rompendo o bom relacionamento com os EUA, a única superpotência capaz de bloquear qualquer uma das desordens subversivas favorecidas por Putin no mundo.

O mesmo Vaticano reconhece que a sombra ameaçadora de uma “terceira guerra mundial parcelada” paira sobre a humanidade.

A mudança de 180º nos rumos da diplomacia vaticana foi detalhada também em “La Nación” de Buenos Aires pela jornalista Elisabetta Piqué, biógrafa e ativa participante do seleto núcleo de “amigos argentinos” do pontífice Francisco I.

'Nova aliança Vaticano-Moscou' preanuncia dias difíceis para os fiéis católicos
'Nova aliança Vaticano-Moscou' preanuncia dias difíceis para os fiéis católicos
As simpatias do pontificado do Papa Francisco se voltam também para a ditadura da China comunista de Xi Jinping, engajada em pérfida e ativa perseguição aos católicos não comunistas daquele grande país.

A nova inclinação diplomática do Vaticano mostra afinidades com a política de acolhida aos invasores islâmicos estimulada pela chanceler alemã Angela Merkel, que ameaça extinguir pela raiz a substância cristã da Europa.

Angela Merkel é o chefe de governo que mais visitou o Papa, mais até que Vladimir Putin.

A nova diplomacia vaticana pró-Kremlin ficou chancelada com a visita de quatro dias do Cardeal Pietro Parolin à Rússia. Ele é o Secretário de Estado da Santa Sé e o mais importante colaborador do Papa Francisco.

Na Rússia, o Cardeal Parolin se reuniu não apenas com o patriarca Kirill – líder do Patriarcado cismático de Moscou formado na polícia política soviética KGB –, mas também com o próprio presidente Vladimir Putin e seu chanceler, Serguei Lavrov.

De retorno a Roma após três dias de diversos acordos em Moscou, o Cardeal elogiou a Rússia na Rádio Vaticana.

Na mesma ocasião, aproveitou para manifestar o afastamento dos EUA presidido por Donald Trump e lamentar que o país já não seguisse as linhas – fortemente denunciadas pelos meios conservadores e religiosos americanos – do esquerdista Barack Obama.

Segundo Luigi Accattoli, veterano vaticanista do “Corriere della Sera”, o objetivo da missão de Parolin no Kremlin foi “tecer uma meia aliança com a Rússia de Putin num momento em que o tabuleiro mundial aparece convulsionado”, acrescentou Piqué.

A efetivação dessa aliança teria valido ao Cardeal a condição de “papabile” – em termos mais modernos, ele teria sido pago com a “pole position” na corrida pela sucessão de Francisco I.

Os católicos russos assistiram com angustia aos abraços do representante vaticano com os perseguidores instalados no Kremlin e no Patriarcado de Moscou.

“Houve claramente um aquecimento nas relações, mas não há uma mudança na política interna e externa russa”, disse Marcin Przeciszewski, diretor da Agencia Informativa Católica na vizinha Polônia, citado pelo National Catholic Reporter.

Cardeal Parolin com bispo cismático Hilarion em Moscou. Presentes e sorrisos para uma peça-chave da farisaica perseguição.
Cardeal Parolin com bispo cismático Hilarion em Moscou.
Presentes e sorrisos para uma peça-chave da farisaica perseguição anticatólica.
Também os greco-católicos da Ucrânia foram atacados pelos cismáticos russos enquanto o Patriarca de Moscou trocava sorrisos com o Cardeal Parolin.

O Patriarcado de Moscou reclama que esses católicos devem ser entregues à jurisdição russa cismática, perspectiva iníqua que o Vaticano não afasta.

Segundo o “Annuario Pontificio” do Vaticano, os católicos russos somam 773.000 fiéis – aproximadamente 0,5% da população russa – e estão muito dispersos no território. Há apenas uma arquidiocese em Moscou e dioceses em Saratov, Irkutsk e Novosibirsk.

Mons. Igor Kovalevsky, secretário-geral da Conferência Episcopal Russa, lembrou que com essa visita não houve progressos reais, que os hierarcas católicos continuam negando licença para se visitar o clero, e que as propriedades da Igreja sequestradas pelos soviéticos não estão sendo restituídas.

Mons. Kovalevsky também alertou que os católicos estão sofrendo ameaças de “novas limitações de sua liberdade religiosa” por parte do governo.

Em comunicado, o Vaticano mostrou-se sensibilizado com o clima de cordialidade no encontro com Putin.

Parolin admitiu que a restituição das propriedades católicas é “um problema muito sério e urgente”. Mas a Igreja ainda está aguardando passos concretos. As promessas de devolução não estão sendo cumpridas.

O Secretário de Estado dedicou apenas um encontro aos católicos que padecem essa penosa situação, na catedral de Moscou dedicada à Imaculada Conceição.

Segundo Mons. Kovalevsky, não se trata de uma “disputa trivial por propriedades”, mas de uma “planificada política das autoridades de Moscou para desrespeitar os direitos do fiéis católicos”.



A propaganda putinista explorou intensamente a visita do Cardeal Parolin




O Patriarcado de Moscou quer engolir todos os católicos eslavos e recebeu com agrado a visita do Cardeal Parolin




Ucrânia teme a opressão religiosa vinda da Rússia




Os Grandes Expurgos



Os crimes que a Ostpolitik finge ignorar




A Igreja Perseguida – Ataques soviéticos contra as igrejas




A tentativa de extinção da religião na União de Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)





domingo, 5 de novembro de 2017

Moscou articula separatismos
para imperar sobre um Ocidente dividido

Em reunião de 2015 no Kremlin, agitador separatista catalão anuncia próxima independência
Em reunião de 2015 no Kremlin, agitador separatista catalão
anuncia próxima independência
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Enviado de Putin foi estimular o separatismo na Catalunha



O partido político Ciudadanos registrou no Congresso de Madri uma demanda ao governo, e em especial ao Ministério de Relações Exteriores, de explicações pela ingerência russa no frustrado referendo de independência catalã e pelas manobras do embaixador russo em Madri.

O deputado Fernando Maura considerou existirem suficientes indícios na mídia de Moscou para suspeitar que a Rússia estivesse manipulando o problema da Catalunha para abalar a Europa, escreveu “El País”.

A manobra russa embutiria “a intenção de acabar com as sanções que lhe foram impostas pela anexação da Crimeia e por sua intervenção no Leste da Ucrânia".

A demanda também menciona a duplicidade patenteada nos meios pertencentes ao governo russo e na posição oficial dos dirigentes do Kremlin.

A crise de Catalunha motivou jornalistas a pesquisarem os arquivos de seus próprios jornais e os achados foram surpreendentes.

Há poucos anos, Moscou vem financiando uma conferência internacional promovida por um fantasmático Movimento Antiglobalização da Rússia (MAR).

Essa entidade-biombo reuniu em 2016, num luxuoso hotel moscovita, uma galáxia de grupos separatistas, entre os quais figurava Solidaritat Catalana, representado pelo seu secretário J. Enric Folch Vila.

Folch Vila encarregou-se de informar aos presentes sobre os planos para o referendo pela independência da Catalunha e anunciou que esperava voltar em 2017 “falando em nome da Catalunha, país independente”.

A conferência foi financiada em 30% com dinheiro estatal de um total de 3,5 milhões de rublos, confirmou Alexander Iónov, chefe do Movimento Antiglobalista, citado por “El País”.

No Kremlin, o 'Yes California' reafirmou a meta de separar o Estado dos EUA
No Kremlin, o 'Yes California' reafirmou a meta de separar o Estado dos EUA
Em Moscou não havia só catalães. Estava também representado o Movimento Nacionalista do Texas, liderado por Nate Smith, que reivindicou o “direito à autodeterminação” desse território norte-americano.

Smith defendeu que os territórios secessionistas nos países ocidentais obtenham a independência pela “via pacífica”.

Compareceram ainda os movimentos Yes California Independence Campaign (“Calexit”); o Estado Nacional Soberano de Borinken, que se apresenta como uma “estrutura de cidadãos que tomou a direção de Porto Rico de maneira paralela ao governo colonial” americano ; a Lega Nord de Lombardia (Itália); o Frente Polisario; o Partido Democrático do Líbano; o representante do território do Alto Karabak (enclave armênio no Azerbaijão); o Sinn Fein (Irlanda) e a República do Transdniéster, território da Moldávia estrategicamente cobiçado pela Rússia.

O deputado da Duma – congresso da Rússia – Mijail Diktiriov, do Partido Liberal Democrático apoiador de Putin, defendeu que a União Soviética foi “fragmentada de forma ilegal” com o “aplauso da comunidade internacional”.

“Mil milhas de montanhas e desertos nos separam do resto da população dos EUA”, explicou Louis J. Marinelli, novaiorquino líder de Yes California Independence Campaign que reside na “embaixada” do movimento em Moscou.

Ele insistiu que os californianos são “uma nação diferente do resto dos EUA” e advogou em favor de um referendo para “decidir a independência ou continuar nos USA”. O movimento ganhou eco na imprensa internacional a partir dos fatos da Catalunha.

Esses grupelhos são meras criações dos serviços secretos russos. Mas são reveladores dos ardis da “guerra híbrida” praticada por Moscou, ajudando a compreender o que está acontecendo na Catalunha.

Politólogo putinista sublinhou que não importa que os grupelhos sejam pequenos. No dia da manifestação os jornalistas pró-Russia os tornarão movimentos de repercussão mundial
Politólogo putinista sublinhou que não importa que os grupelhos sejam pequenos.
No dia da manifestação os jornalistas pró-Russia
os tornarão movimentos de repercussão mundial
“Esses grupos são parte de nossa política exterior”, comentou um veterano politólogo russo presente. “Hoje para a Rússia também os marginais são um canal para influenciar o mundo. Quando esses marginais se manifestem diante da embaixada dos EUA em alguma capital europeia, nossas televisões irão filmá-los”.

A Federação Russa enfrenta graves problemas com movimentos secessionistas em seu imenso território, e até mesmo com os tártaros na Crimeia.

Nenhum desses movimentos foi convidado. É claro que Moscou não se interessava sinceramente por nenhum deles, nem mesmo pelos presentes. Eles só fazem sentido se servirem aos planos russos de hegemonia mundial.

Na edição de 2015, os representantes dos movimentos independentistas e de autodeterminação mundiais concluíram que sua reunião demonstrou “de forma evidente a crise e ineficácia do modelo ocidental de direção do Estado”.

O evento aconteceu em 20 de setembro no hotel President, pertencente à administração do Kremlin, e também foi financiado em 30% pelo Estado russo.

As viagens dos delegados foram pagas pelo Fundo de Beneficência Estatal da Rússia, criado por Vladimir Putin e que se encontra “sob o patrocínio” do chefe do Estado.

O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kiril, preside o conselho da entidade.

Enric Folch, de Solidaritat Catalana, também falou contra os líderes europeus e garantiu que a Catalunha independente não fará parte da UE. Talvez sim da União Euroasiática anelada por Vladimir Putin.

O discurso e o vídeo das manifestações independentistas foram intensamente aplaudidos e Folch expressou o desejo de que a “próxima conferência seja em Barcelona”, registrou na época o jornal de Madri.


domingo, 29 de outubro de 2017

Enviado de Putin foi estimular
o separatismo na Catalunha

Putin diz que é um assunto interno da Espanha, mas pisca o olho para os separatistas e lhes manda um representante.
Putin diz que é um assunto interno da Espanha,
mas pisca o olho para os separatistas e lhes manda um representante.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Catalunha: táticas testadas no separatismo do leste ucraniano




Dimitri Medóev, um funcionário de Vladimir Putin que faz de ministro de Relações Exteriores da “República de Ossétia do Sul”, abriu um “escritório de representação” em Barcelona enquanto os separatistas se aprontavam a proclamar uma fictícia república independente na Catalunha, informou a agência oficial russa Sputnik

O governo espanhol reafirmou que não reconhece esse país fictício e, a fortiori, a suposta “embaixada”, noticiou o jornal catalão “La Vanguardia”.

A dita “República da Ossétia do Sul” é um território georgiano ocupado pelas tropas russas. Tem 3.900 km2 de superfície e entre 50.000 e 70.000 habitantes.

Ossétia do Sul e a Abcásia (240.000 habitantes), outra região georgiana engolida por Moscou na mesma data, proclamaram sua independência e hoje mantém exército e polícia comum.

Segundo o governo da Geórgia, há por volta de 10.000 soldados de Moscou em bases instaladas nos dois redutos invadidos.

O 'MInistro de Relações Exteriores' da 'Ossétia do Sul', Dimitri Medóev.
O 'Ministro de Relações Exteriores' da 'Ossétia do Sul', Dimitri Medóev.
Em 2006 líderes locais promoveram um referendo separatista onde o 99% votou pela independência.

Essa não foi reconhecida pela comunidade das nações nem pelos organismos internacionais.

Em 2008, a Rússia invadiu militarmente a região e reconheceu a “independência”.

A anexação por via de facto é reconhecida por muito poucos governos bolivarianos como o da Venezuela e da Nicarágua ou satélites da Rússia.

A abertura da “embaixada” na Catalunha é quase anedótica se não fosse reveladora da estratégia russa na crise espanhola.

A política de Putin de anexar territórios de antigas repúblicas soviéticas é bem conhecida.

Mas a instalação em Barcelona de uma base de atividades “culturais e humanitárias”, ainda que simbólica, desvenda o apoio que o Kremlin oferece a uma Catalunha independente estimulando a separação, disseram fontes dos serviços de inteligência espanhol.

Há analogias entre a 'independência' de Ossétia do Sul e a da Catalunha, diz enviado de Putin Na foto: tanques russos invadem a Georgia para consolidar indepedentismos em 2008.
Há analogias entre a 'independência' de Ossétia do Sul e a da Catalunha, diz enviado de Putin
Na foto: tanques russos invadem a Georgia para consolidar indepedentismos em 2008.
O funcionário osseto declarou a “embaixada” em Barcelona visará estabelecer “relações bilaterais” de não se sabe qual entidade, manter contatos com empresários locais, que aliás estão saindo da região, e visitar compatriotas que não se sabia que existiam.

Medóev chegou com uma agenda privada e as únicas informações foram fornecidas pelo site russo Sputnik, que habitualmente ecoa com fidelidade as instruções do Kremlin.

A própria Sputnik, refere “El País”, sublinhou o paralelismo entre o caso catalão e o das repúblicas pró-russas teoricamente independentes mas na prática engolidas por Moscou.

“Há 26 anos o próprio povo da Ossétia do Sul deu os mesmos passos políticos decisivos na via para formar seu próprio Estado”, teria dito Medóev citado por “El País” e Sputnik.

O “ministro” Medóev visitou previamente as regiões italianas de Lombardia e Veneto enquanto faziam um referendo legal para pedir a Roma maior autonomia.

A ação do enviado de Moscou denuncia a ingerência de Putin estimulando rachaduras e dissenções nos países ocidentais dentro de uma estratégia de predomínio universal.

A diplomacia russa declara que o caso catalão é um assunto estritamente interno da Espanha. Mas o presidente russo não poupa críticas aos governos europeus piscando o olho para as tendências de dilaceração no continente.

Mapa da 'República de Ossétia do Sul' com as bases militares russas em 2015.
Mapa da 'República de Ossétia do Sul' com as bases militares russas em 2015.
Falando num foro político em Sochi, Putin afirmou que o caso do Kosovo foi a caixa de Pandora dos problemas posteriores. Apoiando a independência de Kosovo, países como a Espanha teriam posto em risco “sua frágil estabilidade”.

“Acaso não sabiam da existência de contradições semelhantes na mesma Europa? Não sabiam? Sim sabiam. Mas aplaudiram a desintegração de vários Estados [leia-se: satélites da URSS], sem ocultar sua alegria com isso”, acrescentou com vingativo regozijo.

Putin patenteou duplo jogo, comentou o jornal de Madri. E até má fé ou ignorância porque a Espanha nunca reconheceu a independência de Kosovo.

As palavras de Putin em Sochi acabaram expondo à luz um plano acariciado e estimulado desde o Kremlin.

Quem disse que esse plano exclui a América do Sul? Será interessante acompanhar nesta perspectiva a criação de “nações” indígenas e ecológicas com orientação comuno-progressista, segundo o modelo que está se gestando na “trans-amazônia”.

Veja: “Igreja pan-amazônica”: “a última loucura” para desfazer o Brasil? 



domingo, 22 de outubro de 2017

Catalunha: táticas testadas no separatismo do leste ucraniano

Espalhando falsas notícias nas redes sociais. O cadeirante foi agredido, mas em 2011 e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados' Fonte Le Monde.
Espalhando falsas notícias nas redes sociais.
O cadeirante foi agredido, mas em 2011
e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados'
Fonte Le Monde.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: “Guerra híbrida” russa em ação na Catalunha




Os exércitos digitais do Kremlin operam com um mesmo padrão: viralizam mensagens e notícias exageradas ou falsas para exacerbar uma crise e fomentar a divisão nos EUA e na Europa, beneficiando a posição de Moscou.

Trata-se de uma guerrilha que monta sites webs com aparência de seriedade.

O DisobedientMedia.com, por exemplo, pretende ser um site de jornalismo de investigação e a esse título nutre todo tipo de falsas teorias conspirativas, metodicamente voltadas para desmoralizar o Ocidente.

O site chegou a publicar notícia denunciando “a perdurável influência do ditador fascista na política espanhola” apresentando antiga estátua do ex-ditador espanhol Francisco Franco montando um cavalo.

Russia News Now, site com aparência de jornal, montou manchete dizendo: “UE: Catalunha pode, Crimeia não”. E “informava” que a União Europeia tinha dado sinal verde à separação da Catalunha, mas que hipocritamente se opunha à invasão russa da Crimeia.

A UE não concordava com o independentismo catalão. A notícia era um falso, mas estimulava o separatismo e ajudava à Rússia.

Espalhando falsas notícias nas redes sociais.
Não eram votantes, mas estudantes. A polícia é a catalã
e a ocorrência é de 14 novembro 2012, em Tarragona. Fonte: Le Monde.
Como única fonte citava uma nota de imprensa do grupo euro-parlamentar Esquerda Unida Europeia (52 cadeiras de 761) que por ideologia de esquerda critica o governo de Madri e é sócio dos separatistas.

Mas o blefe, com texto e manchete idênticos, foi recopiado em sites que servem de correias de transmissão das mensagens oficialistas do Kremlin, como Fort Russ ou News Front.

Oficialmente, Moscou diz que a crise é de competência exclusiva da Espanha, segundo o porta-voz do governo russo Dmitri Peskov. Ele acrescentou que “não julgamos possível envolver-nos de alguma forma”.

Como na Ucrânia.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, ecoando declarações de Vladimir Putin, defendeu que “existe legislação nacional e compromissos internacionais” e que “nós assumimos que os processos internos devem se basear nesses princípios”. Palavreado “para inglês ouvir”.

Mas não é só guerra da informação; diversas fontes identificaram métodos de subversão de rua associados à máquina de agitação informativa russa.

Os métodos relembraram ainda episódios do início dos levantamentos separatistas no Leste ucraniano.

O governo autônomo da Catalunha, mais conhecido localmente como Generalitat, defendeu a todo preço que 893 pessoas ficaram feridas pela polícia de Madri no dia do falido referendo.

Porém, a Secretaria de Saúde da mesma Generalitat, responsável pela atenção em toda a região, informou que naquela data só houve quatro ingressos nos hospitais catalães por ocorrências ligadas aos distúrbios.

Só dois deles foram qualificados de “graves”, incluída uma crise cardíaca havida durante uma manifestação. Mas a grande mídia internacional só falou do número de 893 feridos, como se fosse um mantra “sagrado”.

A foto é de um protesto trabalhista dos bombeiros catalães
A polícia que reprime é a catalã. Fonte: Le Monde.
O presidente da Assembleia Nacional Catalã, Jordi Sánchez, dramatizou dizendo que um número tão grande de “feridos” não se verificava na Europa desde a II Guerra Mundial.

Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras, especializada em crises humanitárias no mundo inteiro, não podem ser consideradas “feridas” as pessoas que tiveram algum traumatismo, uma doença, ou desordem física ou nervosa durante os fatos.

Segundo a mesma Secretaria de Saúde catalã, os “feridos” atendidos nos pontos de distúrbios consistiram “majoritariamente em contusões, tonturas e crises de ansiedade”, que foram resolvidos no local.

Na Ucrânia, uma mulher denunciou que seu filho havia sido crucificado por nazistas ucranianos. A mídia fez espalhafato.

A bandeira separatista foi acrescentada com fotomontagem.
O fato tal vez aconteceu nos dias do referendo. Fonte: Le Monde.
Mas depois se soube que não era mãe, que trabalhava para a Rússia e que já tinha aparecido na TV participando em diversos conflitos com identidades fictícias, protagonizando teatralizações que serviam para a propaganda de Putin.

Assim também na Catalunha apareceu uma mulher com a mão enfaixada, dramatizando que a polícia de Madri tinha quebrado todos os seus dedos um por um, além de ter abusado dela.

Até Pep Guardiola, treinador do Manchester City, falando do exterior, declarou-se espantado por tamanha violência: “Quebraram os dedos de uma moça! Atacaram mais de 700 pessoas pelo fato de quererem votar!", noticiou “El País”.

No fim, resultou que a mulher é uma velha militante ecologista e de extrema-esquerda que só tinha uma inflamação num dedo e que fora flagrada participando do quebra-quebra de um carro da polícia. Os médicos lhe ordenaram três dias de repouso...

A estratégia é também velha nos manuais de subversão de rua.


continua no próximo post: Enviado de Putin foi estimular o separatismo na Catalunha