domingo, 23 de julho de 2017

Recrutamento russo nas redes sociais

A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Ladislav Kasuka redigia sua costumeira diatribe contra o ocidente para um site stalinista checo quando começou a receber mensagens oferecendo-lhe dinheiro para organizar protestos de rua.

Esse foi o ponto de partida de toda uma história objeto de reportagem de “The New York Times”.

A primeira mensagem, recheada de bajulações pelo seu trabalho, chegou em russo, enviada por alguém que ele desconhecia. De início, a oferta foi de 300 euros.

Era para Kasuka, um stalinista checo sem um tostão, comprar bandeiras e cartazes destinados a uma manifestação pública em Praga contra a OTAN e o governo pró-ocidental da Ucrânia.

Logo depois, ofereceram-lhe mais 500 euros para comprar um videocâmara e publicar seus vídeos na internet. Ainda viriam promessas de outras quantias menores. Kasuka ficou surpreso, mas como o dinheiro “era para a boa causa” anticapitalista foi aceitando.

Pouco depois estava enleado numa estranha trama que funcionava nas redes sociais.

Seu caso foi apenas um entre muitos na Europa Oriental e Central, resultantes de uma campanha de influência frenética, por vezes grosseira, financiada por Moscou e dirigida por Alexander Usovsky, agitador nacionalista russo, sicário ideológico numa batalha para ganhar almas e mentes nos fios da Internet.

Se comparada à intromissão da Rússia nas eleições presidenciais nos EUA e na França, as atividades de Kasuka e outros como ele têm pouca relevância. Mas para Moscou servem e não pouco.

Um dia hackers ucranianos vasculharam o computador de Usovsky e fizeram vir à luz sua estratégia para ampliar a área de influência russa.

Recrutar ativistas independentes estrangeiros e irrigá-los com dinheiro fornecido por “oligarcas” e agentes do Estado putiniano.

Usovsky teve sorte instável, por vezes imprudente ou desastrada, mas procurou renovar as iniciativas à sombra do dinheiro do magnata da nomenklatura Konstantin Malofeev. Ele lhe pediu “um plano claro, concreto e realista para a chegada ao poder de forças pró-russas”.

Usovsky “é um bom caso de estudo sobre os métodos russos”, disse Daniel Milo, ex-funcionário do Ministério do Interior eslovaco, especialista em extremismo da Globsec, grupo de investigação de Bratislava. “Ele é uma pequena engrenagem de uma grande indústria. E poderia haver dúzias como ele”, opinou Milo.

Ladislao Kasuka foi recebendo dinheiro fácil da Rússia e acabou enleado numa rede dirigida pelo Kremlin
Ladislao Kasuka foi recebendo dinheiro fácil da Rússia
e acabou enleado numa rede dirigida pelo Kremlin
Usovsky começou a agir em 2014 cavalgando a onda de fervor nacionalista russo pela invasão da Crimeia. Montou uma rede de sites em várias línguas para promover a unidade eslava, alugou um escritório em Bratislava e criou uma fundação falsa, cuja fachada era promover a cultura.

Usovsky apresentou orçamento de milhares de euros a Malofeev entre outras coisas para promover candidatos pró-russos nas eleições polonesas, mas não conseguiu fazer vencer um só.

Identificou contudo sócios na Europa Oriental e Central dispostos a receber sua ajuda. Ampliou na internet as vozes radicais, fez com que pequenas passeatas parecessem muito maiores do que eram.

Trabalhou com a mídia informativa russa para garantir que “seus” colaboradores checos, eslovacos e poloneses recebessem ampla cobertura nos órgãos moscovitas com penetração no exterior.

Por isso Kasuka, o stalinista que mora num apartamento popular de Melnik, aparece habitualmente na mídia russa como um conceituado comentarista de geopolítica e de assuntos checos.

Chegou a dizer por meio de Russia Today que os EUA poderiam jogar uma bomba atômica na Ucrânia e culpar a Rússia para assim provocar uma guerra. Era absurdo, “fake news” no duro, mas servia para a propaganda moscovita.

Suas atividades são ecoadas como grandes eventos pela TV moscovita.

“É uma loucura total”, comentou Roman Maca, analista sediado em Praga. “O Canal Um russo apresentou como notícia séria um protesto de 10 pessoas que na sua maioria candidatas à internação num hospital psiquiátrico”.

Malofeev não ficou satisfeito com Usovsky. Então, esse foi atrás de outros doadores potenciais com planos detalhados para montar una “quinta coluna pró-russa”, canalizando dinheiro para políticos anti-OTAN e a anti-UE.

Por sua vez, Kasuka desanimou das arruaças e agora se concentra no estudo da filosofia marxista, dos logros de Stalin e da miséria causada pela exploração capitalista.

Talvez esteja lendo a ‘Laudato Si’.


domingo, 16 de julho de 2017

A Rússia será católica!

Nossa Senhora de Fátima. Fundo: Moscou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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“A Rússia será católica?” não é a interrogação de um sonhador.

Em Fátima, Nossa Senhora patenteou predileção por esse país de dimensões imperiais.

Porque Ela deu a entender que a instauração de seu Reino na terra teria como condição a conversão do mundo russo ao catolicismo.

E a Providência suscitou grandes almas que ofereceram suas vidas pela salvação da Rússia dos Czares. Algumas delas abandonaram os erros que erodiam o país e se converteram no século XIX.

Elas intuíram com fé e muito raciocínio que o dia glorioso da conversão da Rússia acabará chegando.

Foi o caso do Pe. Ivan Gagarin, príncipe russo que ingressou na Companhia de Jesus e é autor de um livro que fez sensação em sua época: “A Rússia será católica?” (La Russie sera-t-elle catholique?, Paris, 1856).

O professor Roberto de Mattei acaba de lhe dedicar dois substanciosos artigos em seu site “Corrispondenza Romana”.

Dele tiramos as informações para este post, a partir de uma tradução da agência ABIM feita por Helio Dias Viana.

Ivan Sergeevič Gagarin nasceu em Moscou no dia 20 de julho de 1814, de uma casa principesca descendente dos príncipes de Kiev.

Foi adido na legação russa em Munique, e depois na embaixada de Paris, onde amadureceu sua conversão ao catolicismo.

Em 7 de abril de 1842 abjurou a religião ortodoxa e abraçou a fé católica pelas mãos do padre François Xavier de Ravignan (1795-1858), que já obtivera a conversão do conde Šuvalov.

Ivan Gagarin renunciava, aos 28 anos, não só a um brilhante futuro político e diplomático, mas à esperança de poder retornar à sua pátria.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) em 1835,
antes da conversão
Com efeito, na Rússia dos Czares a conversão ao catolicismo constituía um delito comparável à deserção ou ao parricídio.

O abandono da ortodoxia por uma outra religião, ainda que cristã, era punido com a perda de todos os bens, dos direitos civis e dos títulos nobiliárquicos, e podia dar em reclusão perpétua em um mosteiro ou exílio na Sibéria.

O governo russo considerou o príncipe Gagarin como um inimigo a ser eliminado. Ele foi alvo de uma campanha de calúnias organizada pela Chancelaria Imperial.

O Pe. Gagarin publicou o livro La Russie sera-t-elle catholique? em 1856. Nele o sacerdote se refere à solene bula de Bento XIV Allatae sunt, de 26 de julho de 1755, em que o Santo Padre, manifestando “a benevolência com a qual a Sé Apostólica abraça os orientais”,

“ordena que se conservem seus antigos ritos que não se oponham à Religião Católica nem à honestidade; nem se peça aos Cismáticos que retornam à Unidade Católica para que abandonem seus ritos, mas apenas que abjurem a heresia, desejando fortemente que seus diferentes povos sejam conservados, não destruídos, e que todos (para dizer muitas coisas com poucas palavras) sejam Católicos, não latinos”.

Para o jesuíta russo, o cisma ortodoxo é principalmente o resultado do “bizantinismo”, um erro segundo o qual não há distinção entre os dois poderes, o temporal e o espiritual.

A Igreja é de fato subordinada ao Imperador, que a dirige enquanto delegado de Deus no campo eclesiástico e no secular.

Os autocratas russos, como os imperadores bizantinos, veem na Igreja e na religião um meio do qual servir-se para garantir e dilatar a unidade política.

Este calamitoso sistema que vem sendo aplicado hoje por Vladimir Putin se funda em três pilares: a religião ortodoxa, a autocracia e o princípio da nacionalidade, sob cujo signo penetraram na Rússia as ideias de Hegel e dos filósofos alemães.

Tal penetração daria na expansão das ideais comunistas de Marx, e por fim na Revolução bolchevique de Lenine em 1917.

Aquilo que se esconde sob as palavras pomposas de ortodoxia, autocracia e nacionalidade, “não é senão a formulação oriental da ideia revolucionária do século XIX” (p. 74), fruto da Revolução Francesa anticlerical e anticristã, comenta o prof. de Mattei.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta,
foto sem data
Em uma profética página, o padre Gagarin escreve:

“Quanto mais se desce ao fundo das coisas, mais se é levado a concluir que a única luta verdadeira é entre o Catolicismo e a Revolução.

Quando em 1848 o vulcão revolucionário aterrorizava o mundo com seus rugidos e fazia tremer a sociedade abalada em seus fundamentos, o partido que se dedicou a defender a ordem social e a combater a Revolução não hesitou em inscrever em sua bandeira Religião, Propriedade, Família.

“Ele não hesitou em enviar um exército para restabelecer em sua sede o Vigário de Jesus Cristo, que a Revolução havia forçado a tomar o caminho do exílio.

Esse partido tinha perfeitamente razão; está-se em presença de apenas dois princípios: o princípio revolucionário, que é essencialmente anticatólico, e o princípio católico, que é essencialmente contra-revolucionário.

“Apesar de todas as aparências contrárias, só há no mundo dois partidos e duas bandeiras.

De um lado, a Igreja Católica arvora o estandarte da cruz, que contém o verdadeiro progresso, a verdadeira civilização e a verdadeira liberdade; de outro, apresenta-se a bandeira revolucionária, em torno da qual se agrupa a coalizão de todos os inimigos da Igreja.

“Ora, o que faz a Rússia? De um lado, combate a Revolução; de outro, combate a Igreja Católica. Tanto externa quanto internamente, encontrareis a mesma contradição. (...)

“E se ela quiser ser coerente consigo mesma, se quiser francamente combater a Revolução, tem apenas um partido a tomar: colocar-se sob o estandarte católico e reconciliar-se com a Santa Sé” (La Russie sera-t-elle catholique?, Charles Douniol, Paris 1856, pp. 63-65).

A Rússia não atendeu ao apelo do príncipe sacerdote, comenta o prof. de Mattei. A Revolução bolchevique, após ter exterminado os Romanov, difundiu seus erros no mundo.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta
Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta
A cultura abortista e homossexual, que hoje conduz o Ocidente à morte, tem suas raízes na filosofia hegeliano-marxista que triunfou na Rússia em 1917.

A derrota dos erros revolucionários não poderá ser ultimada, na Rússia e no mundo, senão sob os estandartes da Igreja Católica.

As ideias do padre Gagarin inspiraram o barão alemão August von Haxthausen (1792-1866), que com o apoio dos bispos de Münster e de Paderborn fundou uma Liga de orações denominada Petrusverein (União de São Pedro) pela conversão da Rússia.

Associação análoga, sob o impulso dos padres barnabitas Šuvalov e Tondini, nasceu na Itália e na França. Aos inscritos nessas associações recomendava-se rezar em todos os primeiros sábados do mês pela conversão da Rússia.

Em 30 de abril de 1872, Pio IX concedeu com um Breve indulgência plenária a todos aqueles que, tendo confessado e comungado, assistissem no primeiro sábado do mês à Missa celebrada pelo retorno da Igreja Greco-russa à unidade católica.

Nossa Senhora aprovou certamente essa devoção, pois em Fátima, em 1917, Ela recomendou a prática reparadora dos primeiros cinco sábados do mês como instrumento da instauração de seu Reino, na Rússia e no mundo, conclui Roberto de Mattei.


(Autor: Roberto de Mattei, “Corrispondenza romana”, 8-6-2017. Matéria traduzida do original italiano na ABIM por Hélio Dias Viana).


domingo, 9 de julho de 2017

Trump em Varsóvia: virada desconcerta Rússia

O elogio da resistência às agressões russas e à luta por Deus e pela família entusiasmou os poloneses
O elogio da resistência às agressões russas
e à luta por Deus e pela família entusiasmou os poloneses
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A “nova-Rússia” de Putin não esconde sua frustração diante da virada que está se operando na nova administração dos EUA.

Os russos chegaram com desânimo para o encontro Trump-Putin efetivado em Hamburgo. A cita outrora havia sido marcada com imensas expectativas da parte do Kremlin.

O presidente Donald Trump vem surpreendendo o mundo e consternando as esquerdas com posições merecedoras de alto encómio.

Tivemos ocasião de fazer reparos a iniciativas do candidato Trump que não se inseriam numa estratégia de defesa dos valores básicos da civilização ocidental e cristã.

Desta vez, elogiamos o clarividente discurso por ele pronunciado em 6 de julho do presente ano 2017 na Praça Krasiński de Varsóvia.

O presidente Trump foi a Varsóvia para participar da reunião da Three Seas Initiative, uma aliança de 12 países outrora escravizados pela União Soviética.

A aliança é promovida pela Polônia e pela Croácia e tem por objetivo livrar os países membros da dependência do petróleo e do gás russo.

Na sua breve passagem pela capital polonesa, Trump fez o referido discurso ante uma multidão, em ato oficial, tendo como fundo o monumento aos heróis poloneses do Levantamento de 1944. Esses patrióticos combatentes foram esmagados pelo exército nazista com a cumplicidade por omissão do exército soviético.

Nas limitações de um blog, condensaremos a continuação os pontos mais relevantes a nosso juízo.

O texto completo se encontra neste endereço.

O jornal espanhol “ABC” destacou oportunamente a importância histórica do discurso.

E o comparou ao do recém-eleito presidente Obama que, em Berlim no ano de 2008, desenhou sua visão do mundo e sua futura política internacional, obviamente de esquerda. Ele anunciou o plano que ele aplicou nos seus oito anos de presidência.

O discurso de Trump é análogo na importância, mas com um viés oposto: a defesa de Ocidente em face das “ameaças de dentro e fora (...) contra seus valores, sua cultura, sua fé e tradição”.

A chegada das colunas americanas foi uma festa para a população polonesa. Foto em  Bialystok
A chegada das colunas americanas foi uma festa para a população polonesa.
Foto na cidade de Bialystok
E para deixar sua posição ainda mais explícita escolheu a cidade de Varsóvia.

Polônia está envolvida em graves tensões com a Rússia de Putin no Leste; com a União Europeia por causa de leis defensoras da vida e da família; e por fim com a onda de invasão islâmica apoiada pela mesma UE e pelo Papa Francisco I.

1) Presença militar americana na Polônia. Donald Trump elogiou o glorioso povo polonês num tema que enlouquece especialmente os donos do Kremlin: “seja-me permitido, disse agradecer a todo o povo polonês pela generosidade manifestada na bem-vinda a nossos soldados chegados ao seu país”.

O caso é bem conhecido: os EUA estão transferindo milhares de soldados para a Polônia e países vizinhos. A causa é clara: a ameaça da Rússia.

2) Fim da chantagem energética russa. “Nós nos temos engajado, disse, em garantir o acesso a fontes alternativas de energia, para que a Polônia e seus vizinhos nunca voltem a serem reféns de um único fornecedor de energia”.

É uma promessa das mais dolorosas para a Rússia. Os países do Leste europeu têm no pescoço uma corda de aço: os oleodutos e gasodutos que trazem da Rússia o combustível para funcionar e se aquecer no inverno.

O corte do fornecimento já foi usado por Moscou para intentar dobrar a Ucrânia. Se a chantagem não puder ser mais feita, a “nova-Rússia” perderá uma de suas maiores armas de pressão.

3) A luta entre o bem e o mal, e a certeza na vitória. “Embora a Polônia pudesse ser invadida e ocupada, disse Trump, e até suas fronteiras serem apagadas do mapa, nunca foi possível apaga-la da história ou de vossos corações.

“O triunfo do espírito polonês nos dá toda a esperança num futuro em que o bem vence o mal e a paz obtém a vitória sobre a guerra”.

4) Polônia: modelo de defesa da civilização. “Eu estou hoje aqui para sustenta-la como exemplo para outros que procuram a liberdade e que desejam reunir a coragem e a vontade de defender nossa civilização.

“A história da Polônia é a história de um povo que nunca perdeu a esperança, que nunca foi quebrado e que nunca, nunca esqueceu quem é”.


O “Milagre do Vístula”: episódio emblemático da resistência polonesa à invasão soviética



5) Uma milagrosa resistência. Em 1920, no Milagre do Vístula, Polônia deteve o exército soviético disposto a conquistar Europa. Depois, sob a dupla ocupação [nazista e soviética] o povo polonês sofreu males para além de toda descrição.

Tentaram destruir esta nação, quebrando sua vontade de sobreviver. Mas há uma coragem e uma força profunda no caráter polonês que ninguém poderá destruir. O mártir polonês, [N.T.: o bem-aventurado] Monsenhor Michael Kozal, disse bem: “Mais horroroso de que una derrota das armas é um colapso do espírito humano”.

6) Modelo de resistência ao comunismo. Em quatro décadas de governo comunista, Polônia e as nações cativas da Europa sofreram uma brutal campanha para demolir a liberdade, vossa fé, vossas leis, história, identidade, a própria essência de vossa cultura e humanidade. Mas, vós nunca perdestes esse espírito.

7) Não procurar a riqueza material, mas a Deus. Quando um milhão de poloneses se reuniu para a primeira missa com seu papa polonês, os comunistas de Varsóvia ficaram sabendo que o sistema opressivo logo desabaria.

Um milhão de poloneses não pediram riquezas. Não pediram privilégios. Mas cantaram simples palavras: “Queremos Deus”. O povo da Polônia, o povo da América e o povo da Europa ainda bradam “Queremos Deus”.

8) Polônia modelo em face da invasão islâmica. Hoje há ameaças graves para a nossa segurança e nosso estilo de vida. Vamos enfrenta-las e ganharemos.

Nós enfrentamos uma ideologia que exporta terrorismo e extremismo. Vamos detê-la. Temos que nos unir para despoja-los de seu território e de seu financiamento, suas redes e qualquer forma de apoio ideológico.

9) Face as novas modalidades de guerra da Rússia. Ocidente enfrenta novas formas de agressão que incluem a propaganda, os crimes financeiros e a guerra cibernética.

10) Exortação a Rússia cessar as provocações. Instamos Rússia a acabar com suas atividades desestabilizadoras na Ucrânia e em outros lugares, incluídas a Síria e o Irã.

Os inimigos fracassarão. Forças de dentro e de fora, do Sul ou do Leste, ameaçam minar nossos valores e apagar nossos liames de cultura, fé e tradição. Essas forças estão condenadas ao fracasso e nós, de fato, queremos que fracassem.

Uma multidão ovacionou o presidente Trump em Varsóvia
Uma multidão ovacionou o presidente Trump em Varsóvia
11) Pôr Deus e a família no centro. Nós nos esforçamos pela excelência e valorizamos as obras de arte que honram a Deus. No centro de nossas vidas, nós pomos a fé e a família, não o governo e a burocracia, Nós nunca retrocederemos.

12) Necessidade de investir mais na defesa militar. Aplaudimos a Polônia pela decisão de adquirir dos EUA o sistema de defesa aérea e de misseis Patriot. Vosso exemplo é magnífico, aplaudimos a Polônia.

13) Rearmamento psicológico e moral. Nossa defesa não é só um engajamento de dinheiro, é um engajamento de vontades. A defesa de Ocidente repousa também na vontade de seu povo para prevalecer. A questão fundamental de nossa época é saber se Ocidente tem vontade de sobreviver.

14) Restauração da família e dos valores. Temos confiança em nossos valores a ponto de defendê-los a qualquer preço? Temos o desejo e a coragem de preservar nossa civilização ante aqueles que a destruiriam?

Podemos ter as maiores economias e as armas mais letais. Mas se não temos famílias fortes e valores fortes, então seremos débeis e não sobreviveremos.

15) Reerguimento psicológico. Nossa luta pelo Ocidente não começa no campo de batalha: começa em nossas mentes, nossas vontades e nossas almas. Nossa liberdade, nossa civilização e nossa sobrevivência dependem de vínculos de história, cultura e memória.

16) Rumo à vitória com Deus e a família. O Ocidente cristão vencerá. Hoje o mundo ouvirá que o Ocidente jamais será quebrantado. Nossos valores prevalecerão. Nossa civilização triunfará.

Lutaremos como os poloneses: pela família, pela liberdade, pelo país e por Deus. Deus vos abençoe. Deus abençoe o povo polonês. Deus abençoe nossos aliados. E que Deus abençoe os EUA. Muito obrigado.


Excertos do discurso legendado por Tradutores de Direita




domingo, 2 de julho de 2017

Rússia à beira do “suicídio demográfico”

Bonecas num ex-jardim de infância em Pripyat, Chernobyl, ilustram o drama da queda da natalidade russa
Bonecas num ex-jardim de infância em Pripyat, abandonada nos dias da ex-URSS,
ilustram o drama da queda da natalidade na "nova-URSS"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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As mais recentes estatísticas demográficas russas continuam apontando para um desastre sem precedentes.

Segundo a agência oficial Rosstat, entre janeiro e fim de maio de 2017 nasceram 70.000 crianças a menos que em idêntico período do ano passado.

Tal queda coloca a Rússia na via do suicídio demográfico, pois a diminuição da população atingiu o “ponto de não retorno”, escreveu a jornalista Jeanne Smits em seu site Reinformation.

Com efeito, a angustiante interrogação levantada pelo Moscow Times, jornal anglófono de oposição e uma das poucas vozes independentes que ressoam na “nova-Rússia”.

A catástrofe dizimou os recrutas do Exército que Putin quer para reconstituir a grandeza militar da falida URSS.

Por isso, o omniarca do Kremlin ordenou políticas favoráveis, meramente materialistas, à natalidade, mas fracassaram. Essencialmente religiosa, a moral familiar não se muda com leis.

E essa moral que havia desertado da velha URSS sem a graça de Deus não iria voltar na “URSS 2.0”.

Não se pode esperar graça, ensinamento ou exemplo algum do clero do Patriarcado de Moscou que se contenta em emitir ruidosas declarações para consumo externo, mas que dentro da Rússia ninguém lhe dá ouvido.

A jornalista Ilan Berman vasculhou o último relatório oficial e encontrou que a própria Rosstat alerta para o ritmo acelerado da “extinção” da população russa, embora o Kremlin afirme que o pior ficou para trás.

Faz bela figura quem disser que Putin está invertendo a tendência com uma política enérgica, mas os números mostram outra realidade com toda sua crueza.

De acordo com o relatório World Population Prospects – 2017 Revision da ONU, a Federação Russa conta com 143,99 milhões de almas, e ruma para 140,543 milhões em 2030; 132,731 em 2050 e 124,013 em 2100.

Putin visita maternidade em ato de propaganda. Prometeu “salvar 50 milhões de vidas”, mas é inviável na atual imoralidade social
Putin visita maternidade em ato de propaganda.
Prometeu “salvar 50 milhões de vidas”, mas é inviável na atual imoralidade social
Putin prometera as medidas necessárias para “salvar 50 milhões de vidas” e fazer subir o total a 154 milhões.

Ao que se referia o presidente com a expressão “salvar vidas”? – Só pode ser o que todo mundo sabe: na Rússia o aborto bate recordes abissais. Mas nada detém a queda.

O único fator que impediu que o descalabro fosse mais catastrófico foi o retorno de russos repatriados de antigas repúblicas soviéticas hoje independentes, como a Ucrânia.

Os índices de mortalidade são também assustadores, notadamente pelo abuso de álcool e drogas. Mas também ao arcaico, insalubre e corrupto sistema de saúde.

Paradoxalmente, a máquina de propaganda de Putin não deixa de apresentá-lo como o Carlos Magno, o Constantino que restaura de modo impressionante o cristianismo e os bons costumes.

A perspectiva da Rosstat aponta para uma perda líquida de 300.000 almas em 2017 porque os nascimentos não preencherão o vácuo aberto pelos decessos.

O Moscow Times constatou que não fez efeito a “bolsa maternidade” de 11.000 dólares oferecida por Putin às mães de mais de dois filhos.

A quantia não é nada pequena. Não falta a matéria, falta a moral que só a religião pode dar. Mas a promessa putinista remonta a 2006. Hoje, observa Berman, o desabamento da economia russa fez o dono do Kremlin “otimizar” outros serviços que não são os sociais e os de saúde.

O que há de “mais ótimo” que os filhos? Não faça essa pergunta em Moscou!

Em primeiro lugar a “otimização” ficou por conta do Exército e da expansão russa no exterior. Não menos importante é a “otimização” da máquina de repressão dos descontentes.

Depois veio o relançamento da economia. Mas isso vem se tornando inviável, pois a economia se encontra ainda num estágio soviético ou em mãos dos “oligarcas” da nomenklatura estreitamente ligada a Putin.

As FFAA e o esquema de repressão consomem 34% do orçamento russo
As FFAA e o esquema de repressão consomem 34% do orçamento russo
Essa tem entre outras funções a de impedir que se levantem cabeças quem não são do "sistema".

A verdade pouco importa na “URSS 2.0”. E um exército de trolls faz desencadear uma chuva de fake news através de Sputnik, Russia Today e redes sociais anunciando que o triunfo mundial do cristianismo depende do Patriarcado de Moscou, fiel executor dos diktats do Kremlin.

Simultaneamente repassam palavras de ordem contra o complô globalista dos capitalistas ocidentais partidários da propriedade privada, preocupados tão só em tomar conta de tudo no mundo e extinguir a população russa!

O orçamento militar russo foi multiplicado por 20 em 15 anos desde a ascensão de Putin, segundo a Bloomberg. As áreas de Defesa e de repressão interna representam 34% do orçamento federal russo contra 11% consagrado à saúde.

O mais incrível de tudo, conclui a jornalista Jeanne Smits, é que a imagem da Rússia de Putin é promovida em países europeus onde, por causa de uma mesma Revolução, a situação demográfica é igual ou pior que na Rússia.

A verdadeira e arrepiadora porfia é quem se esvazia primeiro. Putin tem de seu lado que na Rússia, as ONGs verdes não podem pregar livremente a drástica redução da humanidade. Tampouco os documentos ‘Laudato Si’ e ‘Amoris laetitia’ podem ser lidos pelo povo russo.

A solução do problema se encontra na restauração do pilar básico da Civilização Cristã que é a família católica. E isso não se faz sem a Igreja Católica medianeira única e universal da graça divina.

Embora possam brigar entre si, Putin, globalistas, ONGs, verdes, progressistas católicos, ‘Laudato Si’ e ‘Amoris laetitia’ fazem um bloco só para impedir um “retrocesso” ao doce jugo moral de Cristo.

O exemplo maravilhoso da Sagrada Família, com Jesus, Maria e José irradiando sua luz sobrenatural sobre todos os homens e épocas históricas, causa horror a essa colusão de interesses opostos.

Mas, no final, Nossa Senhora triunfará até na própria Rússia!