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domingo, 21 de agosto de 2016

Concílio cismático “ortodoxo” não pôde se reunir
e frustrou plano de Putin

É do interesse da 'nova Rússia' que o Patriarca de Moscou seja tido como chefe máximo dos cismáticos 'ortodoxos'
É do interesse da 'nova Rússia' que o Patriarca de Moscou
seja tido como chefe máximo dos cismáticos 'ortodoxos'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Na história da Igreja já houve muitos cismas, ou seja, setores da Igreja presididos por Bispos e até por Patriarcas que se separaram da Santa Sé, desconhecendo sua autoridade, jurisdição e obediência.

O maior deles foi o do Oriente, operado em 1054 e encabeçado por Miguel Cerulário, então Patriarca de Constantinopla (hoje Istambul). Ele arrastou consigo muitos bispos do Oriente, que costumam ser chamados de “ortodoxos”.

Houve então pretextos teológicos relacionados com a doutrina da Santíssima Trindade. Com o tempo, a divergência inicial foi se agigantando e abrindo um abismo com novos erros, heresias e desordens canônicas insondáveis.

Tendo recusado a autoridade suprema do Papado, os cismáticos “ortodoxos” não demoraram em recusar a autoridade uns dos outros. Assim geraram eles igrejas horrivelmente brigadas entre si, por vezes presididas por patriarcas fraudulentos. Essas “igrejas ortodoxas” hoje são quase mil!

O Patriarcado de Moscou resulta de uma dessas rachaduras indisciplinadas e heréticas. Foi criado em 1589 pelo czar da Rússia, que queria um apoio religioso para expandir seu império até o Mediterrâneo.

Dito Patriarcado foi suprimido pelo czar Pedro o Grande em 1721. Foi reconstituído na sua forma atual em 1917 no ambiente da Revolução Comunista de Lênin.

Desde então ele foi servindo ao ditador marxista de turno que ora o fechou (em 1925), ora o restaurou (Stalin em 1943), após os líderes “ortodoxos” jurarem fidelidade absoluta ao regime e aos interesses soviéticos.

A igreja ortodoxa russa é uma das pontas do tridente político de Putin.
A igreja ortodoxa russa é uma das pontas do tridente político de Putin.
Incapazes de reconhecer qualquer autoridade ou doutrina unificadora, as igrejas “ortodoxas” sempre foram dependentes do poder temporal da região ou do momento.

Vladimir Putin achou conveniente tirar o Patriarcado de Moscou da vergonhosa situação em que jazia, por ser do interesse da “nova URSS”. Mais ainda, quer constituí-lo líder de todas as igrejas “ortodoxas” do mundo.

O Patriarca Kirill, colega de Putin na (ex-)KGB, ficaria encarregado de colocar a canga moscovita sobre as “igrejas ortodoxas” até agora estão desorganizadas constituindo um pântano em contínuo conflito.

Reunir esse amálgama de entes caóticos interessa também ao “progressismo católico” com vistas a tocar adiante o “ecumenismo”. Porque a desordem em que afundou torna impossível todo esforço de convergência religiosa relativista.

Com vantagem para uns e para outros, ficou marcada para 2016 a realização na ilha de Creta do primeiro Concílio “ortodoxo” da História. Nele se veriam as caras patriarcas, metropolitas e outros líderes cismáticos, ora amigos, ora inimigos.

Eles tentariam se por de acordo em algo, ainda que confuso e imperfeito, seja doutrinário ou disciplinar.

Mas, previamente à reunião, a delegação do Patriarcado de Moscou, obediente a Putin, apresentou condições que acabaram inviabilizando-a, como comentou o vaticanista Sandro Magister.

Também renunciaram a comparecer os patriarcados de Antioquia, da Bulgária e da Geórgia, envolvidos em desacordos irremediáveis.

Putin precisa bancar de 'ungido' pela religião cismática, que ele segura com punho de ferro!
Putin precisa bancar de 'ungido' pela religião cismática,
que ele segura com punho de ferro!
Moscou exigiu oficialmente que os Greco-católicos ucranianos e da chamada “igreja ortodoxa autocéfala” – muito presentes na América do Norte e na Ucrânia – fossem submetidos à sua autoridade.

Tal submissão teria sido um grande triunfo de Putin e uma inacreditável capitulação do Vaticano, que favorecia esse concílio pan-ortodoxo.

O vaticanista Sandro Magister reproduziu o artigo “As verdadeiras razões do naufrágio”, de autoria de Alexei Tchoukhlov, constatando o fracasso da assembleia, a única que poderia ter-se realizado em mil anos cismas e disputas.

Segundo Tchoukhlov, os documentos pré-confeccionados estavam prenhes de lugares comuns típicos da deplorável qualidade teológica e religiosa do mundo “ortodoxo”.

No fim, em Creta foi o fiasco. Os que acabaram comparecendo representavam uma fração fracativa das quase mil “igrejas ortodoxas” no mundo.

Tchoukhlov definiu o encontro de “espetáculo tristemente ridículo”.

Mas tanto em Moscou e quanto nas dependências vaticanas o mesmo foi pranteado como um fracasso da política de convergência com o comunismo metamorfoseado instalado na Rússia.



domingo, 14 de agosto de 2016

O Kremlin manipula “inocentes úteis”,
alguns não tão inocentes, outros muito úteis

 professora Cécile Vaissié, da Universidade de Rennes 2, especializada em Estudos Soviéticos e Pós-Soviéticos
Professora Cécile Vaissié, da Universidade de Rennes 2,
especializada em Estudos Soviéticos e Pós-Soviéticos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Todos os grandes Estados têm um ‘softpower’, explicou a professora Cécile Vaissié, da Universidade de Rennes 2, especializada em Estudos Soviéticos e Pós-Soviéticos e autora do livro Les réseaux du Kremlin en France (As redes do Kremlin na França), em entrevista para a Rádio França Internacional – RFI. (Vídeos embaixo)

O que é um ‘softpower’? É a capacidade de um país de projetar uma imagem cultural e vender assim seus produtos aos outros.

A Rússia tenta ter um ‘softpower’, mas anda como um deficiente físico, pois não tem títulos reconhecidos. Seu cinema, por exemplo, não é mais o que foi. O fracassado regime comunista encarregou-se de esmagar toda forma cultural que não fosse soviética, totalitária e sinistra.

Assim diminuída, a “nova Rússia” tenta produzir um impacto sobre o conjunto dos outros povos a fim de impor sua visão das coisas sobre certos problemas. E tem de usar recursos sub-reptícios.

Ela é nisso um pouco diferente dos outros Estados, porque reatou dissimuladamente com a tradição soviética de propaganda. Para esse efeito, criou especialmente certo número de meios de comunicação que difundem a versão do Kremlin para consumo ocidental.

Entre tais meios recentemente instalados, a professora cita o site Sputnik e certas páginas do Facebook, onde se pode ver toda espécie de coisas demenciais. E, sobretudo, a versão que o Kremlin tenta impor a respeito dos acontecimentos no mundo.

É preciso fugir da tentação de achar que o Kremlin difunde sua interpretação, numa simples oposição de pontos de vista.

Afirma a professora: “Não. Aqui se fala de coisas muito concretas. Efetivamente há este exemplo: o primeiro canal da TV russa difundiu uma informação há alguns meses dizendo que uma criança de três anos foi crucificada pelos nazis ucranianos no Donbass (leste da Ucrânia) diante de toda a população de uma cidadezinha.

“Tudo isso foi espalhado por outro sinal de TV que emite muito em inglês, em espanhol e em árabe, ainda não em francês, que é Russia Today, o qual é da mesma classe. Você fica tomado pelo horror.

Putin determina quem será demonizaddo e quem canonizado  pela 'guerra da informação'. Amanhã poderá ser tudo o contrário, como em '1984'...
Putin determina quem será demonizado e quem canonizado  pela 'guerra da informação'.
Amanhã poderá ser tudo o contrário, como em '1984'...
“Mas jornalistas russos da oposição foram investigar no local, achando que se a criança foi crucificada diante de toda uma aldeia deveria ter gente que viu.

“Porém ninguém tinha visto, essa criança não existia, a mãe não existia. O que queria dizer que o caso era falso, e não que havia sido deformado.

“Eu vou dar exatamente outro exemplo marcante, que foi a história do avião da Malaysian Airlines derrubado sobre o leste da Ucrânia.

“A mídia do Kremlin divulgou uma versão dizendo: ‘Você sabe, nesse avião só havia cadáveres tratados com substâncias na Alemanha (e isso com toda espécie de detalhes) e todos estavam mortos havia vários meses’”.

“Então, você se pergunta qual é o objetivo dessa propaganda? Qual é o objetivo desse gênero de coisas completamente insensatas?

“E a esse respeito, antigos jornalistas russos exilados explicam que isso são práticas da KGB inteiramente habituais. Essas práticas, dizem eles, nos foram ensinadas há várias décadas, quando fazíamos o que se chamava ‘cátedra militar’ na escola de jornalismo.

“Esses métodos consistem em provocar choques emocionais, para que logo depois as pessoas percam o senso, não possam mais analisar o que está acontecendo.

“E é isso que fazem sem cessar sites como Sputnik, espalhando coisas aberrantes.

“Os estudantes vêm me perguntar se podem acompanhar Sputnik e eu lhes respondo: ‘Não, não, Sputnik é tudo sem valor’. Acresce ainda o Russia Today.

Sobre os tentáculos do Kremlin na mídia e na Internet veja:

A guerra de Moscou para desequilibrar as mentes 

Máquina de desinformação de Putin trabalha a toda

Em Roma: 'eu estou com Putin'. O trabalho sorrateiro russo quer manipular movimentos nacionais
Em Roma: 'eu estou com Putin'.
O trabalho sorrateiro russo quer manipular movimentos nacionais
“Também é necessário não esquecer nesta guerra da informação – e isso também foi demonstrado por jornalistas russos –as fábricas de ‘trolls’.

“Quer dizer, pessoas – especialmente em São Petersburgo – pagas para difundir informações nas redes sociais.

“Elas são muito eficazes na Rússia, mas funcionam na França, na Grã-Bretanha. São pagas para ter perfis no Facebook, no Twitter, e se dedicam a espalhar a ‘boa palavra’. Há estudos científicos que demonstraram sua organização baseando-se nos endereços IP.

“E eles tentam convencer pessoas de boa vontade”.
Você conhece alguém que pode estar caindo na armadilha da desinformado montada por um ‘troll’ russo? Ou não? Veja como funcionam:

Exército de comentaristas fantasmas russos age na Internet – 1

Exército de comentaristas fantasmas russos age na Internet – 2

Quais são as novas táticas da ‘guerra da informação’ promovida por unidades especiais do exército russo? Veja:

A mentira e o engano na “Teoria e Ciência da Guerra” preferida de Putin

‘Putin defensor dos valores cristãos’?: mais uma mentira da nova KGB, diz arcebispo 

O Kremlin tenta também infiltrar as associações de emigrados russos no exterior.

“A partir de 2003, temos grandes operações de sedução tentando lhes dizer: ‘Bom, precisamos nos reconciliar’.”

A reconciliação é muito boa, diz a professora, mas é preciso estar de acordo com a História. E é ali onde a reconciliação engasga.

“Foi montada uma fantasia imaginosa sobre a Rússia que não tem nada a ver com a Rússia real. Esse falso imaginário faz crer que a Rússia seria a ‘Santa Rússia’ de outrora, que defende as tradições familiares e cristãs.

Sputnik, Russia Today: peças de uma máquina impressionante para difundir informações enviesadas montada no mundo por Moscou.
Sputnik, Russia Today: peças de uma máquina impressionante
para difundir informações enviesadas montada no mundo por Moscou.
“Mas as tradições familiares foram enormemente destruídas na Rússia, elas estão muito mais vivas na França.

“O Cristianismo foi enormemente destruído na Rússia.

“Você vê multiplicarem-se, por exemplo, no Donbass, as bandeiras vermelhas, todo um sistema de símbolos soviéticos – não apenas comunistas, mas soviéticos.

“Tudo isso está sendo reativado. Está se voltando ao discurso soviético dos anos 1946-1953: o de ‘nós contra eles’, e esses ‘eles’ são acusados de fascistas.”

A professora mencionou homens políticos ligados ao Partido Comunista Francês ou a grupos do Partido Socialista que apoiam ativamente tudo o que vem do Kremlin.

Mas também há destacados políticos de “direita” que na prática apoiam as manobras de Putin, embora se digam arautos do capitalismo, da democracia e da globalização.

Entre eles destacaram-se François Fillon, do partido UMP, e muito especialmente o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que se fez eleger criticando os políticos que estreitavam a mão de Putin, quando ele próprio é hoje muito favorável ao mesmo Putin que esmagou a Chechênia e invadiu a Ucrânia.

Também fazem o jogo de Putin professores universitários objetivos, que abandonaram a vida acadêmica para se reunirem com políticos que vão da extrema-esquerda, passando pelo centro e a direita, até incluir Marine Le Pen. Um deles até chegou a ser um colaborador habitual de Sputnik.


Entrevistas à professora Cécile Vaissié sobre as estratagemas da propaganda russa para enganar Ocidente






quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Luta racial? Ressurgência da luta de classes bafejada pelo comunismo?

Punhos em alto como outrora
Punhos em alto como outrora
Luis Dufaur
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As violências nos EUA entre cidadãos negros e policiais qualificados generalizadamente de “brancos” enchem os espaços da mídia. O assassinato de cinco policiais e o ferimento de nove, mirados por um franco-atirador durante uma passeata pacífica em Dallas, foi um dos mais explorados.

Tratou-se do mais elevado número de baixas policiais desde o atentado de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas de Nova Iorque pelos terroristas islâmicos de Bin Laden.

A barulheira midiática logo interpretou o fato como a profecia de luta racial no continente americano, que pode dar em guerra civil. Porém, os fatos não resistiram à enviesada interpretação.

O impacto sensacionalista deixa, porém, nos leitores desavisados, uma impressão que pode ser duradoura. Por isso, abaixando a poeira, é recomendável analisar com cautela os fatos, e ver se esses são suscetíveis de uma explicação mais verdadeira e profunda.

domingo, 7 de agosto de 2016

Russo diz que Putin infiltra, seduz e desvirtua
reações conservadoras no Ocidente

Andrey Malgin, foto  kasparov.ru
Andrey Malgin, foto  kasparov.ru
Luis Dufaur
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Segundo o comentarista de Moscou Andrey Malgin, o líder do Kremlin entendeu que não pode enfrentar o Ocidente no plano econômico ou militar.

Mas sim poderia fazê-lo e até vencê-lo usando técnicas praticadas no judô, que Putin gosta e pratica. Estas consistem em redirecionar a força e o equilíbrio do oponente contra ele, noticiou a agência Euromaidanpress.

Os líderes de Ocidente poderiam então cair, não pelo poder da Rússia, mas por movimentos que desencadearam dentro de seus próprios países, e que passaram a ser infiltrados ou desviados por “inocentes úteis” seduzidos por Putin.

Tratar-se-ia de manipular esses movimentos como faz o judoca com o adversário, controlá-lo, desequilibrá-lo e vencê-lo com o mínimo de esforço.

A ideia é bem clara para quem conhece o judô. Mas o que significa isso em termos de confrontação política, econômica e militar entre o Oriente e o Ocidente?

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Esquema estatal russo de doping
gera tensões nas Olimpíadas

Esquema de doping montado pelo Estado russo perturba as Olimpíadas
Esquema de doping montado pelo Estado russo perturba as Olimpíadas
Luis Dufaur
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A Agência Mundial Antidoping, WADA, concluiu relatório segundo o qual está “além de qualquer dúvida” de que o Ministério do Esporte da Rússia, juntamente com agências e entidades locais, alimentaram um esquema para que atletas não sejam pegos em exames antidoping.

Uma equipe independente, chefiada pelo professor de direito da Western University do Canadá, Richard McLaren, contratada pela WADA, elaborou o documento.

O relatório contém “a revelação do tamanho do controle estatal russo e do laboratório antidoping de Moscou em processar e encobrir amostras de urina de atletas russos de virtualmente todos os esportes antes e depois dos Jogos [Olímpicos de Inverno] de Sochi”, escreveu a “Folha de S.Paulo”.

O documento afirma que “há mais dados a serem analisados futuramente, mas isso não afeta as conclusões do relatório”.

“O autor independente coletou e revisou a maior quantidade de evidência possível em um prazo de 57 dias, estabelecido para este relatório ser concluído”, acrescenta o documento.
O relatório de McLaren lista três descobertas principais:

“Que o laboratório de Moscou, para proteger atletas russos, operou com um sistema à prova de falhas, ditado pelo Estado”;

“Que o laboratório de Sochi operou uma metodologia ímpar de troca de amostras para permitir que atletas russos pudessem competir nos Jogos”;

“Que o Ministério do Esporte dirigiu, controlou e supervisionou a manipulação de resultados analíticos de atletas ou a troca de amostras, com ativa participação e ajuda da FSB (agência de segurança nacional russa, continuadora da KGB), CSP (Centro de Preparação Esportiva) e dos laboratórios de Moscou e Sochi.”

domingo, 31 de julho de 2016

Genocídio de milhões de ucranianos,
modelo para as esquerdas progressistas
inclusive as brasileiras?

Luis Dufaur
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Nos milhares de aldeias ucranianas, desertas e em ruínas, perto de grandes cidades como Kharkiv, Kiev e Odesa, ainda parece se ouvir os uivos da fome, escreveu o jornalista Jeffrey D. Stephaniuk, da agência Euromaidanpress, de quem extraímos as citações deste post.

Nessas aldeias ecoa, no silêncio, o brado lancinante do Holodomor, o genocídio pela fome ordenado por Stalin para extinguir os proprietários rurais  e todo um povo que não se vergava à utopia socialista.

Os camponeses e suas famílias não estão mais ali para contar: morreram aos milhões ou fugiram até caírem exaustos numa estação ferroviária onde ninguém os auxiliava.

Aqueles, como foi o caso de alguns mestres de escola, que tentavam atender famílias e crianças que agonizavam extenuadas foram presos pelos agentes comunistas e exilados na Sibéria – de onde poucos voltaram – pelo crime de espalhar rumores a respeito de uma fome que oficialmente não existia.

Não existia por decreto de Stalin, que a tinha ordenado.


domingo, 24 de julho de 2016

Maskirovka: a guerra não-militar
que invade e conquista

Homenzinhos de verde: de início apareceram desarmados.
Quando apareceram armados foi tarde: a Rússia tinha invadido.
Luis Dufaur
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A partir da invasão da península da Crimeia e do leste ucraniano, os estrategistas ocidentais estão lidando com um novo tipo de guerra posta em prática por Vladimir Putin, comentou o blog “The Great Debate”, da agência Reuters.

Um exemplo típico se deu na Crimeia com a invasão dos “pequenos homens de verde”.

Desarmados e silenciosos, uniformizados se instalavam nos cruzamentos e pontos nevrálgicos das cidades, sem nenhuma identificação. Eles se revezavam, transportados por caminhões, e, do nosso ponto de vista sul-americano, exploravam de modo incrível a ingenuidade europeia.

Ninguém queria imaginar o que viria. E veio. Certo dia, um dos turnos de revezamento dos “pequenos homens de verde” desceu com armas de guerra diante de autoridades e da população postas na pasmaceira: a Crimeia havia sido invadida pela Rússia sem disparar um só tiro.

No leste ucraniano, os invasores eram “separatistas” do Donbass que queriam a preservação de sua língua e de sua cultura russófila.

domingo, 17 de julho de 2016

A enigmática simpatia pela 'nova-Rússia'
e o silêncio sobre as vítimas do comunismo

Putin recebido pelo presidente Hollande no palácio do Elysée, Paris. Tudo se passa como se não tivesse acontecido nada.
Putin recebido pelo presidente Hollande no palácio Elysée, Paris.
Tudo se passa como se não tivesse acontecido nada.
Luis Dufaur
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Por que no Ocidente livre e democrático há tantas manifestações de benevolência com a Rússia soviética, seus líderes históricos e seus sucedâneos hodiernos?

É a pergunta de Paul Goble, especialista em questões étnicas e religiosas da Eurásia, num estudo para Euromaidanpress.

Ele observa que até em pensadores e figuras políticas e religiosas há uma amnésia difícil de explicar, pois eles parecem ignorar a lembrança dos crimes do comunismo e procuram abafá-la.

Paul Goble pôs em relevo um artigo do especialista italiano Fabio Belafatti, que estuda a Ásia Central e ensina na Universidade de Vilnius, Lituânia. Ele também registrou essa anômala conduta ocidental durante as invasões da Crimeia e do leste ucraniano.

Ele identificou, e em vários países, comentadores pró-russos ocidentais descrevendo os eventos ucranianos deste milênio com estereótipos da retórica que acompanhou a ascensão das piores ditaduras do século XX.

Mais ainda, essas figuras, de larga entrada na mídia e nas cátedras eclesiásticas, revelaram uma mal dissimulada tendência a atribuir a causa de todos os males ao regime político-econômico dos países de raízes cristãs.

domingo, 10 de julho de 2016

General inglês monta cenário provável
de ataque geral da Rússia em 2017

Sir Richard Shirreff, comandante supremo da NATO até 2014: “Temos que julgar Putin pelos seus gestos, não por suas palavras. Ele invadiu a Geórgia, a Crimeia, a Ucrânia para atingir seus objetivos”
Sir Richard Shirreff, comandante supremo da NATO até 2014:
“Temos que julgar Putin pelos seus gestos, não por suas palavras.
Ele invadiu a Geórgia, a Crimeia e a Ucrânia”
Luis Dufaur
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O general britânico Sir Richard Shirreff, Comandante Aliado Supremo da OTAN na Europa entre 2011 e 2014, escreveu um livro-ficção: 2017 War with Russia (“2017 Guerra contra a Rússia”).

Trata-se de um exercício de projeção tática sobre como poderia acontecer um temido ataque russo contra o Ocidente. O panorama montado foi tido como inteiramente plausível pela BBC, escreveu o jornal inglês “The Independent”.

O general prevê como mais provável um ataque contra os Países Bálticos: a Estônia, a Lituânia e a Letônia.

Esses países são os menores nos confins da Rússia e os mais apetecíveis. Acresce que a corajosa luta da Lituânia pela sua independência acelerou o processo de derrocada da URSS. A “nova URSS” ficou por isso com o sangue no olho.

O general Shirreff considera que, no caso de uma guerra, Putin apelará para a bomba atômica. Isso está de acordo com o pensamento militar russo, as fraquezas defensivas do Kremlin e os mal-estares internos na Rússia. A hipótese poderia se concretizar em 2017.

Temos que julgar o presidente Putin pelos seus gestos, e não por suas palavras. Ele invadiu a Geórgia, a Crimeia, a Ucrânia. E apelou para a força para atingir seus objetivos”, observou o general Shirreff.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Brexit: O Conde de “X” e
o plano da Europa Unida soprado nos anos 50

"Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva  para compreender a história da RCR no Brasil e no mundo.  828 páginas inéditas disponível na Livraria Petrus
"Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história da RCR no Brasil e no mundo.
828 páginas inéditas disponível na Livraria Petrus
Luis Dufaur
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A imensa produção intelectual do prof. Plinio Corrêa de Oliveira inclui vasta coletânea de memórias pessoais transmitidas oralmente durante sua longa vida.

O Dr. Plinio não teve tempo de sistematizar essas Memórias. Por isso saudamos como muito oportuna a recente publicação de uma extraordinária coleção de anotações e escritos do Dr. Plinio reunida no volume “Minha Vida Pública – Compilação de relatos autobiográficos de Plinio Corrêa de Oliveira” (Artpress, São Paulo, 2015, 827 páginas).

O valor da riquíssima publicação pode se apreciar no seguinte apanhado de memórias de Dr. Plinio sobre a preparação da União Europeia como ele pode observar em suas viagens à Europa na década de 50, em pleno século passado.

No momento do “Brexit” o tema é candente. Os fatos narrados pelo Dr. Plinio mostram aspectos da incubação da União Europeia sorrateiramente preparada em ambientes eclesiásticos e civis.

Confira o leitor:

domingo, 3 de julho de 2016

Trump é o candidato de Dugin.
E do patrão deste, Putin?

Trump inimigo nº1 do inimigo nº1 da Rússia, segundo a saga de Dugin.
Trump inimigo nº1 do inimigo nº1 da Rússia, segundo a saga de Dugin.
Luis Dufaur
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Em seu programa Dugin’s Guideline (reproduzido embaixo), o homem considerado o “maître-à-penser” do chefe do Kremlin passou a instrução para seus agentes e simpatizantes: a preferência na lide presidencial americana deve ir para Donald Trump.

Nosso blog duvida da verdadeira influência de Aleksander Dugin sobre Vladimir Putin.

domingo, 26 de junho de 2016

Putin cria Guarda Pretoriana
para reprimir descontentamentos

As tropas do Ministério do Interior preparadas para reprimir dissidências internas serão assimiladas na nova 'Guarda Pretoriana' de Putin.
As tropas do Ministério do Interior preparadas para reprimir dissidências internas
serão assimiladas na nova 'Guarda Pretoriana' de Putin.
Luis Dufaur
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Vladimir Putin está cimentando seu poder com uma “Guarda Pretoriana” composta por centenas de milhares de homens, informaram diversos órgãos da mídia, entre eles o “Financial Times”.

A criação da Guarda Nacional é um passo histórico na constituição de um corpo de segurança interno destinado a reprimir os descontentamentos sociais derivados do mal-estar econômico. Ela poderá reunir entre 350.000 e 400.000 homens.

Putin disse que o novo corpo está destinado a “combater o terrorismo e o crime organizado”. Mas, com uma ordem presidencial (ukaze), acrescentou que também deve proteger a ordem pública, reprimir o extremismo, garantir as instalações do Estado, cuidar das fronteiras e controlar o comércio de armas.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Forças Armadas russas estão sucateadas,
dizem especialistas

Empresa holandesa Dockwise Shipping BV foi contratada para para levar submarinos nucleares de volta para o estaleiro. Na foto o 'Bratsk' e o 'Samara'.
Empresa holandesa Dockwise Shipping BV foi contratada
para levar submarinos nucleares de volta para o estaleiro.
Na foto o 'Bratsk' e o 'Samara'.
Luis Dufaur
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No Ocidente, certa propaganda quer apresentar as intervenções militares de Vladimir Putin como jogadas de um líder de potência bélica capaz de desafiar os EUA e de assumir o controle de situações horríveis como a da Síria.

Os arautos dessa propaganda sugerem que Putin está nas antípodes da debilidade de caráter de Barack Obama e de seus homólogos ocidentais, e que num enfrentamento frontal acabará vencendo.

A questão é relevante porque Putin está envolvido em conflitos onde um míssil disparado por erro ou por iniciativa particular pode desatar um conflito mundial.

A derrubada do voo MH17 da Malaysian Airlines em julho de 2014, ou de um jato russo por um caça turco mais recentemente, levantaram essa assustadora hipótese.

domingo, 19 de junho de 2016

Ditos de Trump atemorizam países libres
e regozijam ditaduras

Para bálticos, Trump é um amigo encapuzado de Putin.
Para bálticos, Trump é um amigo encapuzado de Putin.
Luis Dufaur
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Num grafite gigante sobre o muro de um fast-food de Vilnius, capital e mais populosa cidade da Lituânia, apareceu toda a preocupação que suscita no país a eventualidade de o candidato populista Donald Trump assumir a presidência dos EUA.

Na perspectiva dos Países Bálticos, Trump vem agindo como um amigo e êmulo do agressivo dono do Kremlin Vladimir Putin.

A imagem é repugnante e claramente inspirada numa famosa foto em que o ditador soviético Leonid Breznev aparece beijando a boca do chefe comunista da Alemanha Oriental Erick Honecker, noticiou a agência AFP.

A simpatia que o pré-candidato republicano manifesta pelo dono do Kremlin não parece ser apenas eleitoreira, mas resulta de uma afinidade de modos de ser e de governo, além de um fundo populista que está sendo recusado na América do Sul, mas reina de látego na mão na imensa Rússia.

domingo, 12 de junho de 2016

Moscou ameaça com “Satã 2”
porque Ocidente quer se defender!

Gráfico do escudo antimíssil da NATO
Gráfico do escudo antimíssil da NATO
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Romênia inaugurou em sua base de Deveselu, no sul do país, um sistema americano antimísseis de alta tecnologia. A cólera do Kremlin explodiu ipso facto, noticiou Reuters.

O novo sistema de defesa instalado em Deveselu, outrora base soviética, inclui radares, interceptores de mísseis e equipamentos ultramodernos de comunicação.

Ela é uma primeira etapa para a criação de um escudo que protegerá a Europa de ataques de regimes “bandidos” como o Irã.

Mas interpretando isso como sendo dirigido a ela, a Rússia qualificou o sistema defensivo de ameaça para sua segurança, segundo afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

domingo, 5 de junho de 2016

Baikonur: cosmódromo é amostra
da decadência russa

Monumentos às glórias espaciais soviéticas caem aos pedaços
Monumentos às glórias espaciais soviéticas caem aos pedaços
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Rússia está fechando o famoso ‘cosmódromo’ de Baikonur.

Na realidade, a base continua sendo usada para os grandes lançamentos, que ocorrem entre sucata, lixo e velhos prédios.

Os turistas saem com a impressão de voltar meio século no tempo vendo vetustos equipamentos, escreveu reportagem do jornal espanhol “El Mundo”.

Construída pela URSS nos anos 50 e agora no Cazaquistão, a base obriga Moscou a pagar um aluguel que não consegue cobrir.

O Kremlin ordenou a construção de outros ‘cosmódromos’ em território russo.

Porém os locais são menos favoráveis, os custos não param de crescer e os prazos estão sendo continuamente adiados.

Em Baikonur, prédios, monumentos, ruas, mobília dos hotéis, tudo cheira a mofo acumulado desde os anos 60.

domingo, 29 de maio de 2016

Professora desvenda métodos KGB de Putin
para seduzir as direitas francesas

A professora Cécile Vaissie denuncia os métodos russos herdados da KGB para financiar e seduzir certas direitas iludidas ou afins no anti-EUA de Putin
A professora Cécile Vaissie denuncia os métodos russos herdados da KGB
para financiar e seduzir certas direitas iludidas ou afins no anti-EUA de Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



A professora de Estudos Russos Soviéticos e pós-Soviéticos da Universidade de Rennes 2, na França, Cécile Vaissié, acaba de publicar um estudo aprofundado sobre a evolução das “redes de influência” russas em seu país desde o tempo da URSS até os dias presentes, comentou o especialista Paul A. Goble para a agência Euromaidanpress.

O livro Les Reseaux du Kremlin en France (As redes do Kremlin na França, Ed. Les petits matins) descreve os métodos de Moscou para penetrar na mídia e conquistar amizades nos ambientes políticos recorrendo a uma rede de financiamentos ocultos em território gaulês

Essa rede ter-se-ia revelado muito eficaz num inesperado setor do espectro político, embora a imagem da Rússia na população francesa em geral não seja boa.

A professora Cécile Vaissié foi entrevistada sobre seu livro em francês e em inglês pela France 24. Reproduzimos os vídeos no fim do post.

domingo, 22 de maio de 2016

Tártaros da Criméia
indignados com a opressão russa

Policia secreta russa reprime dissidentes tártaros.
Policia secreta russa reprime dissidentes tártaros.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A população tártara da Crimeia está indignada com a opressão que sofre por parte dos invasores russos de sua terra.

A tensão atingiu mais um patamar quando a Procuradora Geral da península, Natalia Poklonskaïa, suspendeu a Assembleia dos Tártaros, ou Medjlis, acusando-a falsamente de praticar “atividades extremistas” e de trabalhar pela “desestabilização”, escreveu o jornal parisiense “Libération”.

O Medjlis é o órgão representativo da população tártara da Crimeia. Os tártaros são um povo muçulmano de etnia turca que fizeram parte das hordas mongólicas que invadiram e devastaram o mundo eslavo entre os séculos XV e XVIII.

Após essas guerras, os tártaros se fixaram na Crimeia, dedicando-se à agricultura e ao artesanato, adotaram muitas formas da cultura ocidental e passaram a viver em paz com a população local, preservando a nostalgia de suas raízes históricas.

Os tártaros da Crimeia resistiram à revolução bolchevique, até que o regime comunista empreendeu uma sanguinária perseguição contra eles, coletivizando suas terras com a reforma agrária e dizimando-os nas Grandes Purgas dos anos 1930.

Uma geração inteira de homens de elite, políticos e intelectuais tártaros famosos foi massacrada pelo comunismo com falsas acusações.

domingo, 15 de maio de 2016

Opositores russos agredidos com ácido
por agentes putinistas

Lyudmila Ulitskaya agredida com ácido em ato lembrando os milhões de vítimas do comunismo soviético.
Lyudmila Ulitskaya agredida com ácido em ato
lembrando os milhões de vítimas do comunismo soviético.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No centro de Moscou, por volta de vinte ativistas putinistas atacaram a romancista Lyudmila Ulitskaya conhecida pela sua posição crítica em relação à “Nova Rússia” de Vladimir Putin.

Lyudmila participava com alguns alunos de um concurso organizado pela associação Memorial, o principal grupo defensor dos direitos humanos na Rússia. Memorial concentra suas atividades em resgatar a memória das milhões de vítimas do comunismo soviético, inclusive nos campos de concentração, segundo informou a agência AFP.

Como já se tornou usual, uma vintena de militantes putinistas ligados ao Movimento de Libertação Nacional (NOD, sigla em russo), coordenado pelo deputado pró-Kremlin Evgueni Fiodorov, jogaram ovos e líquidos químicos contra Lyudmila em plena cerimônia.

Refutando o comentário de que “ainda bem que não foi ácido sulfúrico”, Lyudmila deplorou que “essas são nossas condições de vida”, referindo-se às hostilidades que sofrem todos aqueles que querem reparar os crimes cometidos pelo comunismo na era soviética.

Putin não vê com bons olhos essas atividades e costuma enviar provocadores ou montar artifícios burocráticos para impedi-las ou bloqueá-las.

domingo, 8 de maio de 2016

Varsóvia aponta a Putin e a ex-presidente
pelo suspeito acidente aéreo de Smolensk.
Katyn II?

Em Varsóvia, o presidente Jaroslaw Kaczynski homenageia Lech Kaczynski
morto com sua mulher e mais 94 personalidades em estranho acidente na Rússia
Luis Dufaur
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As cerimônias do 6º aniversário do misterioso desastre aéreo na Rússia que decapitou a liderança política da Polônia tiveram um acirrado tom de Guerra Fria, noticiou a agência France Presse.

O atual presidente conservador polonês Jaroslaw Kaczynski é irmão do presidente polonês Lech Kaczynski falecido no trágico acidente.

Em 10 de abril de 2010, o presidente e a cúpula do governo de Varsóvia foram participar de uma cerimônia em Katyn, na Rússia, por ocasião do 70º aniversário do massacre de vários milhares de oficiais poloneses prisioneiros do Exército Vermelho comunista.

O cruel crime de massa foi perpetrado em plena II Guerra Mundial pela polícia secreta soviética, KGB, onde se formou Vladimir Putin.

O avião que transportava o presidente polonês, sua mulher e 94 outras personalidades de alta patente política e militar, deveria ter pousado no aeroporto russo de Smolensk. Porém, caiu em circunstâncias suspeitas e ainda não esclarecidas.

Ninguém foi recuperado com vida, malgrado as condições da queda sugerirem a possibilidade de sobreviventes.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Putin sai semi-frustrado da Síria

Su-24 russo cai derrubado por jato turco. Intervenção militar russa no Oriente Médio não pacificou mas acirrou os confrontos.
Su-24 russo cai derrubado por jato turco.
Intervenção militar russa no Oriente Médio
não pacificou mas acirrou os confrontos.
Luis Dufaur
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O presidente russo Vladimir Putin anunciou de modo surpreendente a retirada do grosso de suas tropas da Síria. A saída pareceu tão estranha como sua decisão de efetivar bombardeios poucos meses antes.

Segundo o jornal de Madri “El Mundo”, a saída está ligada parcialmente a suas matreiras agressões militares em diversas frentes do planeta. Putin tinha prometido exterminar o Estado Islâmico, mas este segue ativo.

As bombas russas danificaram o território e as instalações dos inimigos do fundamentalismo islâmico e do governo pró-russo de Damasco.

Confira: Aviação russa bombardeia hospitais civis e força migração de massa

Se os adeptos do Corão estão sofrendo reveses é por causa das tropas e das milícias independentes sírias e iraquianas.

Para o jornal espanhol, Putin entrou no conflito para salvar o regime sírio, seu aliado, mas saiu sem vencer o adversário. Assim, a guerra não teria conclusão e o êxodo da população civil prosseguirá.

A aliança da Síria com Moscou perpetua os tempos e as estratégias soviéticas. Também é desses tempos que datam as bases russas no país.

Essa presença alavanca a influência russa no Oriente Médio e no Mediterrâneo Oriental.

domingo, 1 de maio de 2016

Personalidades pedem perdão
pelos crimes anticatólicos do Patriarcado de Moscou

Na farsa conhecida como 'Sínodo de Lvivi' em 1946, por ordem de Stalin o Patriarcado de Moscou fechou a igreja greco-católica.
Na farsa conhecida como 'Sínodo de Lviv' em 1946,
por ordem de Stalin o Patriarcado de Moscou
fechou a igreja greco-católica.
Luis Dufaur
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Dezoito [e o número vem crescendo] personalidades russas e ucranianas “ortodoxas” publicaram um pedido de perdão ao rito greco-católico pelo crime de supressão do Catolicismo praticado pelo Patriarcado cismático de Moscou, informou a agência Zenit.

O atroz atentado foi efetivado em conluio com a ditadura comunista soviética, e aconteceu em 10 de março de 1946, há 70 anos.

“Nós lhes pedimos humildemente perdão por todas as injustiças das quais foram vítimas com a cumplicidade da autoridade da Igreja Ortodoxa e nos curvamos perante os mártires da Igreja greco-católica ucraniana”, diz o documento, intitulado “É urgente para os cristãos ortodoxos reconhecer a terrível verdade do 10 de março de 1946”.

Naquela data, um ilegítimo “Sínodo de Lviv” declarou extinta a Igreja Católica, confiscou todos os seus bens e os entregou ao Patriarcado de Moscou. Esse Patriarcado é hoje presidido pelo patriarca Kirill, que assinou recentemente, junto com o Papa Francisco, a Declaração de Havana.

O pedido de perdão foi entregue à agência Zenit por um dos signatários, Antoine Arjakovsky, diretor emérito do Instituto de Estudos Ecumênicos de Leópolis, diretor de pesquisa no Collège des Bernardins, de Paris, e autor do livro O que é a Ortodoxia?.

Entre os co-signatários figuram os sacerdotes Georges Kovalenko, André Doudtchenko, Michael Plekon, Christophe Levalois, André Louth, a poetisa e professora universitária russa Olga Sedakova, os filósofos Bertrand Vergely e Constantin Sigov, o presidente de Acer-Mjo [Ação Cristã de Estudantes Russos – Movimento de Juventude Ortodoxa] Cyrilo Sollogoub, o escritor americano Jim Forest, o professor universitário Daniel Struve, entre outros.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Na Rússia só fica uma escola católica legal

Típico primeiro dia de aula na Escola Franciscana da Natividade de Novosibirsk.
Típico primeiro dia de aula na Escola Franciscana da Natividade de Novosibirsk.
Luis Dufaur
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Em todas as áreas religiosas do mundo – pagãs, muçulmanas, fetichistas, etc., etc. – há escolas católicas mantidas por Ordens religiosas ou por missionários, às vezes com heroicos esforços. As escolas católicas têm prestigio até em países insólitos.

Por isso elas atraem uma multidão de muçulmanos no Paquistão e na Jordânia, de hinduístas na Índia ou no Nepal, de taoístas e agnósticos em Taiwan, e de ateus até em países comunistas como o Vietnã.

Mas na Rússia de Vladimir Putin não podem existir. Elas são fechadas por via policial ou ameaças de origem oficial. Na Rússia, país de 143 milhões de habitantes que ocupa a sexta parte das terras emergidas, a única exceção é a escola infantil católica de Novosibirsk, na Sibéria, informou o site “Religión en Libertad”.

Ela foi fundada cinco anos após a queda do Muro de Berlim, como uma experiência clandestina de frades franciscanos, num pequeno apartamento que depois foi sendo ampliado.

domingo, 24 de abril de 2016

A Rússia e os EUA mostram os dentes
nas fronteiras europeias

Exibição do poder de fogo dos tanques Abrams estacionados pelos EUA nos países bálticos
Exibição do poder de fogo dos tanques Abrams dos EUA nos países bálticos
Luis Dufaur
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Os EUA anunciaram a instalação de tropas armadas, incluindo artilharia pesada ao longo da fronteira ocidental da Rússia visando reforçar as posições da NATO e enviar uma mensagem clara a Moscou: volte atrás.

Esse é um movimento sem precedentes desde o fim da Guerra Fria, informou o site “Mashable”.

O general Philip Breedlove, comandante em chefe das tropas americanas na Europa disse que os EUA visam demonstrar uma “forte e equilibrada atitude que inspire confiança aos aliados da OTAN diante da agressividade da Rússia na Europa Oriental e qualquer outra parte do mundo”.

Os efetivos engajados incluem 4.500 soldados com 250 tanques, Bradley Fighting Vehicles, e Paladin autopropulsados e mais de 1.700 veículos adicionais que estão sendo dispostos em seis países desde o mês de fevereiro: a Bulgária, a Estônia, a Letônia, a Lituânia, a Polônia e a Romênia.