domingo, 17 de setembro de 2017

Rússia: uma economia “africana” que sonha com a URSS deitada sobre 7.000 bombas atômicas

Venda de pães e doces perto da estrada de Novgorod
Venda de pastéis perto da estrada de Novgorod
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Segundo avaliação do jornal espanhol “El Mundo”, a Rússia é uma superpotência militar com uma economia terceiro-mundista.

A Rússia está muito aquém da Espanha, pois tem o mesmo PIB (Produto Interior Bruto) e o triplo de população. Em outros termos, a renda per capita russa é um terço da espanhola.

Mais ainda, o PIB nominal per capita do Brasil – US$ 11.387 – está acima do russo: US$ 9.054. (Fonte: Brasil, Wikipedia; Rússia, Wikipedia). 

Como as perspectivas econômicas russas são as piores, o jornal lhe aplica pejorativamente o carimbo de “país do Terceiro Mundo”.

Exporta petróleo, gás natural e mais algumas matérias-primas, mas tem que importar todo o resto, porque não produz quase nada. É o esquema de uma economia de país pobre, diz o jornal.

A exceção são as exportações de material militar, em grande parte destinadas a antigos clientes da União Soviética, cujos exércitos só conhecem o armamento russo.

Mas esses compradores são cada vez menos confiáveis e se interessam sempre menos pelas antigualhas russas malgrado as melhorias cosméticas.

A expectativa média de vida na Rússia (62-77 anos para os homens) é mais baixa que a da Bolívia (67-91 anos), com a diferença de que a população boliviana cresce dinamicamente, enquanto a russa diminui.

A perspectiva russa, segundo a ONU, é de 24 milhões de habitantes a menos em 2100, enquanto a perspectiva da população boliviana nessa data beira um aumento aproximado de 600%. Confira: World Population Prospects 

Alimentação insuficiente e abuso de álcool diminuiu a expectativa de vida
Entrementes, não se entende por que a comunidade internacional ainda aceita a Rússia como uma grande potência econômica.

Só uma esclerosada visão da realidade russa poderia explicar essa crença, talvez influenciada por uma simpatia ideológica atávica ou alguma saudade do socialismo da URSS que continua sob Putin.

Se Moscou influencia hoje o mundo é por causa do fascínio psicológico do sonho da URSS.

Ele se perpetua no Ocidente, ainda governado por partidos socialistas e manipulado por uma mídia cujos grandes títulos vão se fechando um a um porque descolados das respectivas opiniões públicas.

Outro dos poucos índices de grandeza que a Rússia ainda exibe é o mastodôntico aparato de defesa, espionagem, repressão e segurança em que Vladimir Putin fez carreira, e sem o qual o dono do Kremlin não duraria muito.

Fora disso, praticamente nada, martela “El Mundo”. A economia está militarizada, as receitas do país são etéreas como o gás que exporta e se evaporaram com a queda da cotação internacional do petróleo.

Talvez fosse mais apropriado comparar os dados macroeconômicos russos com certas economias africanas em vias de desenvolvimento – embora a Rússia não forneça muitos sinais de crescimento –, armadas até os dentes, com um ditador ferozmente agarrado ao poder e em pé de beligerância contra os vizinhos de etnia (de ideologia, no caso russo) diferente.

O míssil Iskander (SS-26 Stone para a NATO) de curto alcance pode levar cabeças nucleares
O míssil Iskander (SS-26 para a NATO) de curto alcance pode levar cabeças nucleares.
A Rússia gasta desproporcionalmente em armas
Eriçada de nacionalismo anticapitalista e antiocidental, amargurada pelo fracasso da utopia de domínio universal soviético e com uma economia humilhantemente depauperada, a Rússia – que detém 7.000 bombas atômicas – é claramente um perigo, observa “El Mundo”.

Esse é um coquetel de fatores, por certo nada atraente, que explicaria a crença na Rússia-potência: um efeito do medo.

O jeito certo seria reformar a economia para sair da decadência. Mas para o Kremlin isso equivale a reconhecer que não é grande potência.

Se Moscou adequar suas forças armadas às dimensões reais do país, a ideologia oficial e o modelo econômico ainda sovietizado não seriam mais sustentáveis.

Com a cornucópia petrolífera, Vladimir Putin tentou que a Rússia crescesse anualmente 4% a 6%.

Hiper-nacionalista, saudosista da URSS, admirador de Stalin, acuado pela crise econômica, Putin dispõe de 7.000 bombas atômicas
Hiper-nacionalista, saudosista da URSS, admirador de Stalin,
acuado pela crise econômica, Putin dispõe de 7.000 bombas atômicas

A alta cotação internacional do petróleo engrossou as caixas do Estado e alimentou uma fabulosa corrupção em todos os níveis. O país vivia de importados até que a bolha furou.

O Estado distribuia indústrias em concessões e/ou monopólios para uma Nomenklatura de privilegiados oriundos unicamente do entorno de Vladimir Putin, que durarão em função de sua fidelidade ao líder e temerão sempre cair em desgraça.

Com os ingressos rareando, o presidente e sua Nomenklatura seguiram esbanjado para manter cidades e instalações pesadas antieconômicas da era soviética para alimentar altas percentagens de popularidade.

Mas agora a torneira fechou, o petroestado ficou com a roupa do corpo.

Os capitais de estrangeiros e de magnatas putinistas levantaram voo, a moeda nacional espatifou-se, a invasão da Ucrânia cerceou ainda mais as entradas e multiplicou as despesas.

Eis a Rússia, empobrecida, humilhada, acuada e agressiva.

No fim, só resta o nacionalismo saudosista da URSS e 7.000 bombas atômicas.

Para o Ocidente, que acreditou na “queda do comunismo”, sobrou um pesadelo ameaçador.

E ele é chefiado por um coronel formado na KGB, admirador de Stalin e disposto a tudo para restaurar a grandeza material do império dos sovietes.


Vídeo: A Ucrânia comemorou sua independência pressentindo o pior e a Rússia anunciou gigantescos exercícios bélicos





domingo, 10 de setembro de 2017

Beato Teófilo Matulionis: primeiro lituano
mártir do comunismo nos altares

Na cerimônia da beatificação de D. Matulionis em Vilnius, seu quadro é exposto à veneração religiosa dos fiéis.
Na cerimônia da beatificação de D. Matulionis em Vilnius,
seu quadro é exposto à veneração religiosa dos fiéis.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Dezenas de milhares de católicos concentrados no último dia 25 de junho diante da Catedral de Vilnius, capital da Lituânia, assistiram à beatificação de Dom Matulionis, Bispo de Kaisiadorys.

Herói da resistência ao comunismo e mártir, foi assassinado em 1962 pela sanha impiedosa dos esbirros da Moscou soviética.

A cerimônia da beatificação foi dirigida pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

Figura ímpar da Hierarquia católica do pequeno país báltico, o primeiro a se levantar contra o colosso soviético em 1990, ao proclamar a sua tão desejada independência sem apoio algum das potências ocidentais.

O Beato Teófilo Matulionis é modelo de fidelidade à fé e de santa intransigência em face dos inimigos da Igreja.

Retorno da Lituânia ao redil da Santa Igreja

A Pseudo-Reforma convulsionou os países católicos da Europa, cujas populações tornaram-se majoritariamente protestantes.

Por toda a parte as igrejas foram queimadas, demolidas ou transformadas em lugar do culto herético.

Na Lituânia, a igreja de Siluva, pequena aldeia ao norte do país, não escapou ao ódio demolidor dos protestantes e foi arrasada.

Quadro representando a aparição de Nossa Senhora em Siluva
Quadro da aparição de Nossa Senhora em Siluva
O seu pároco, contudo, conseguiu esconder os paramentos e os vasos sagrados numa arca, bem como os documentos relativos à propriedade da igreja.

Passaram-se os anos e a poeira do esquecimento baixou sobre a memória do povo. Em 1608 já quase ninguém se recordava da igrejinha de Siluva.

Mas, no dia 8 de setembro daquele ano, dá-se um fato extraordinário. O Céu intervém e Nossa Senhora aparece a dois pastorzinhos sobre uma pedra no campo, no mesmo local onde se situava a igreja destruída cerca de meio século antes. dirigindo-se a eles, a Mãe de Deus, muito triste, se queixou:

”Este local, onde meu Filho era outrora adorado, transformou-se agora num campo onde pastam vacas e ovelhas”.

Pediu-lhes que rezassem e fizessem penitência para que a Lituânia voltasse ao redil da Santa Igreja.

Em certa medida, os rogos de Nossa Senhora em Siluva foram atendidos e a Lituânia voltou a ser de novo católica e profundamente devota da Mãe de Deus.

Por isso é chamada “Terra de Maria”. Nem os 123 anos de domínio da Rússia czarista, nem meio século sob o tacão da bota soviética conseguiram extinguir sua fé católica.

Lituânia subjugada pelo regime comunista

O reino unido polaco-lituano foi desmembrado e repartido entre a Áustria, a Prússia e a Rússia.

De 1795 a 1917 os russos não pouparam esforços no sentido de “reeducar” a Lituânia: eliminação da Igreja Católica e a introdução da assim chamada “igreja ortodoxa”; substituição da língua lituana pelo russo; troca das autoridades regionais e locais por funcionários de Moscou.

Tais medidas produziriam grande insatisfação popular, expressa nos dois grandes levantamentos de 1830 e 1863, ambos abafados no sangue.

Não obstante, a Religião católica permaneceu viva e a moral da Igreja continuou a ser ensinada por sacerdotes que exerciam na clandestinidade o seu ministério.

A língua lituana sobreviveu apenas nos lares, onde era falada e lida em livros introduzidos no país por vendedores ambulantes.

A queda do Czar, como consequência da revolução comunista em 1917, favoreceu o movimento em prol da independência da Lituânia.

Era o momento propício para ela se desligar de Moscou. O que tornou realidade em fevereiro de 1918, quando foi proclamada a sua independência.

D. Teófilo Matulionis: alta consciência da dignidade episcopal ufania desafiante face ao anticristo comunista.
D. Matulionis: alta consciência da dignidade episcopal
ufania desafiante face ao anticristo comunista.
Em agosto de 1939 a Alemanha nazista e a Rússia Soviética assinaram o pacto de não agressão Ribbentrop-Molotov, contendo cláusulas secretas que repartia entre as duas potências áreas de sua influência na Europa do Leste.

A Polônia tombava sob o jugo alemão, enquanto a Lituânia, a Letônia e a Estônia tornavam-se “zonas de interesse soviético”.

Nove dias depois da assinatura do Pacto, em 1º de setembro, a Alemanha invadiu a Polônia, enquanto a Rússia, por sua vez, avançou sobre a Finlândia e anexou os países bálticos.

Pouco depois a Lituânia seria ocupada por tropas nazistas, quando a Alemanha declarou guerra à Rússia.

Antes mesmo do fim da II Guerra Mundial, a Lituânia foi submetida novamente ao jugo soviético.

Dezenas de milhares de lituanos — praticamente toda a elite do país — foram enviados para a Sibéria.

E milhares de resistentes se embrenharam nas florestas e morreram combatendo os invasores comunistas. A implacável perseguição religiosa excluiu os católicos da vida pública do país.

A pobreza e a miséria não pouparam senão os membros da Nomenklatura.

A espionagem generalizada criou um clima de desconfiança até mesmo no interior das famílias. O descontentamento cresceu.

Quando a inconformidade atingiu um auge, a Lituânia se levantou como um só homem e, no dia 11 de março de 1990, proclamou seu desligamento da União Soviética.

”O senhor é um mártir”

Foi nesse contexto histórico — que abrange um período de quase duzentos anos — de resistência, primeiro às tentativas de russificação e depois de bolchevização do país, que Dom Teófilo Matulionis nasceu e viveu, lutou e morreu.

Ele nasceu no dia 22 de junho de 1873 em Kudoriskis, uma aldeia no sul da Lituânia. Frequentou o ginásio russo e estudou no seminário da Arquidiocese de Mohilev, em São Petersburgo.

Ordenado sacerdote em 1900, D. Klopotovski, arcebispo metropolita de Mohilev, designou-o para uma paróquia na Letônia.

O Pe. Matulionis tornou-se também pároco da igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Bikava.

A partir de novembro de 1910 exerceu o seu múnus como vigário na igreja de Santa Catarina, na prestigiosa Nevsky Prospekt, na antiga capital russa.

Alí ele presenciou e sentiu os efeitos dos horrores perpetrados pela revolução comunista de 1917 e a perseguição à Igreja.

Em 1918 o arcebispo D. Ropp nomeou-o pároco da igreja do Sagrado Coração de Jesus, mais além da Porta do Neva.

D. Matulionis nas condições humilhantes da prisão comunista conservava toda a dignidade de um bispo da Santa Igreja
D. Matulionis nas condições humilhantes da prisão comunista
conservava toda a dignidade de um bispo da Santa Igreja
Em 1922 recrudesce a perseguição à Igreja católica. Lênin urgia o fim da resistência da Igreja a seus decretos e promoveu o confisco de seus bens, a começar pelos templos, que depois deveriam ser alugados aos fiéis.

No dia 7 de dezembro de 1922 foi fechada a igreja do Sagrado Coração de Jesus, cujo pároco era o Pe. Matulionis.

Em março do ano seguinte o Pe. Matulionis foi preso, juntamente com outros sacerdotes, processado e condenado a três anos de prisão, dos quais cumpriu dois anos e quinze dias.

Em 1929 ele foi secretamente sagrado bispo por D. Anton Malecki para a região de São Petersburgo, tendo por missão dirigir a Igreja local.

No mesmo ano foi novamente preso e desterrado para o campo de trabalhos forçados nas ilhas Solovetsky, situadas no Báltico, ao norte da Rússia.

Libertado em fins de 1933, por ocasião de uma troca de prisioneiros entre a República Independente da Lituânia e a Rússia soviética, foi recebido apoteoticamente em Kaunas, onde se estabeleceu.

No ano seguinte Dom Matulionis visitou o Vaticano, sendo recebido por Pio XI.

Quando ele se ajoelhou diante do Sumo Pontífice para lhe oscular o anel e pedir sua bênção, Pio XI o levantou e, ajoelhou-se diante dele, disse: ”O senhor é um mártir. Dê-me primeiramente a sua bênção”.

Vigiado pelo serviço secreto russo

Em 1943 Pio XII nomeou-o bispo de Kaisiadorys. Apesar das ameaças e intimidações, o intrépido bispo nunca deixou de criticar a perseguição que os regimes nazista e comunista faziam contra a Igreja e a moral católica.

Em particular, apontava a dissolução dos costumes, o amor livre e a prática abominável do aborto, crime monstruoso por sacrificar vidas inocentes, além de impedir o crescimento da população.

No ano seguinte, com o recuo das forças de ocupação nazistas, os russos soviéticos se instalaram novamente na Lituânia.

Odiado pelos comunistas, Dom Matulionis foi preso pela terceira vez e enviado para o cárcere de Vladimir.

Posteriormente deportaram-no para a Sibéria, onde trabalhou nos pântanos, arrastando troncos para a construção de estradas.

Com a saúde deteriorada, sua libertação ocorreu somente 10 anos depois, em abril de 1956. Retornando à Lituânia, Dom Matulionis não pôde contudo exercer seu múnus episcopal, pois foi proibido de residir em sua diocese.

Próximo aos limites desta, na cidade termal de Birstonas, teve que viver em prisão domiciliar, sendo vigiado pelo serviço secreto russo.

Comunistas o executam por ódio à fé

Solene com a ufania de um cruzado que combateu o bom combate... e venceu!
Solene com a ufania de um cruzado que combateu o bom combate... e venceu!
Dom Teófilo Matulionis passou 16 anos encarcerado nas enxovias soviéticas e perseguido a vida inteira pelos comunistas.

Abateram-se sobre ele sofrimentos de toda espécie, físicos e morais. Calúnias e insultos, doenças e fome nas prisões.

Entretanto, o que mais lhe atormentou ao longo das intérminas perseguições de que foi objeto não foi a violência física, mas a profunda dor moral e espiritual pelos contínuos entraves ao seu apostolado visando arrancar almas do pecado e conquistá-las para o Céu.

Mesmo antes de ouvir falar das aparições de Nossa Senhora em Fátima e de conhecer-lhe a Mensagem, o sentido de seu apostolado era consoante com os pedidos da “Virgem mais branca que o sol”.

Fustigava o pecado do aborto, a prática do amor livre, o abandono quase geral da observância dos Mandamentos.

Pregava incansavelmente a necessidade da conversão e da penitência, estimulava a devoção aos Sagrados Coração de Jesus e de Maria e tinha o foco de sua atenção voltado para a conversão da Rússia.

Em fevereiro de 1962 foi-lhe concedido o título pessoal de Arcebispo. Os últimos meses da vida de Dom Matulionis transcorreram na casa paroquial de Seduva, ao norte do país.

Foi ali que agentes comunistas o espancaram barbaramente na véspera de sua morte, causada por uma injeção letal aplicada depois por uma enfermeira da KGB.

Morto ”in odium fidei”, Dom Matulionis é o primeiro mártir do regime soviético a ser elevado à honra dos altares.


Fotografia do grande bispo lituano


“No decurso de toda a minha existência, poucas foram as fisionomias que encontrei tão profundas e tão lúcidas, e ao mesmo tempo tão impregnadas de bondade”

Prefaciando a edição brasileira do livro do Pe. Pranas Gaida, Dom Teófilo Matulionis – Bispo, prisioneiro e mártir do comunismo(Artpress, São Paulo, 1991 — publicado por iniciativa do Revmo. Pe. Pranas Gavenas, SDB), Plinio Corrêa de Oliveira comenta assim a figura desse grande herói da Fé:

“Sempre me pareceu algum tanto desordenado — salvo circunstâncias muito especiais — ver antes as fotos que ilustram uma obra, e só depois lhe ler o texto.

“Entretanto, foi precisamente o que fiz, logo que tive em mãos o livro do Pe. Pranas Gaida.

“Deitei os olhos sobre a capa e me deparei com uma fotografia do grande bispo lituano. E, de imediato, sua fisionomia me causou profunda impressão.

“Realmente, no decurso de toda a minha existência, poucas foram as fisionomias que encontrei tão profundas e tão lúcidas, e ao mesmo tempo tão impregnadas de bondade, quanto a do falecido bispo de Kaisiadorys, na Lituânia.

“Passei, então, com avidez, à leitura do texto conciso, denso e atraente da narração de sua vida. No início, dois sentimentos me dividiam.

“Um era o desejo de conhecer pelo menos os principais lances da história de Dom Matulionis, ao longo dos quais lhe fora dado formar sua nobre e resoluta personalidade.

“O outro era o receio de encontrar no livro algo que, de leve embora, deslustrasse, por pouco que fosse, sua insigne personalidade.

“Porém, antes de chegar ao termo da narração de sua dura e heroica existência, já não temi encontrar qualquer decepção.

“Pois não tardei em me certificar de que a alma do grande bispo e mártir era feita de uma só peça.

“E que, assim, ou se mantinha de pé em meio ao fragor de todas as lutas, ou, se cambaleasse e viesse a perder o equilíbrio, cairia inteira ao chão.

“E se me tornara a cada passo mais provável que Dom Matulionis conservara sua alma íntegra e pura até o glorioso dia em que, atendendo ao chamado de Deus, se evolou desta Terra para o Céu.

Soldados lituanos portam a urna com os restos do santo mártir Dom Teófilo Matulionis
Soldados lituanos portam a urna com os restos do santo mártir D. Teófilo Matulionis
“O bispo-mártir me faz lembrar o célebre dístico que glorifica a Santa Cruz na qual o Filho de Deus, com o seu sacrifício redentor, abriu para os homens as portas do Céu: Stat Crux dum volvitur orbis. Enquanto a Terra gira sem cessar, a cruz se ergue imóvel.

“Esse dístico lembra a vida de verdadeiro Pastor, de Dom Matulionis.

“E enquanto em torno dele e de sua atuação, de sua diocese e de sua pátria queridas, nos acontecimentos do cenário político internacional o nazismo e o comunismo dançavam incessantemente sua farândola criminosa e macabra, Dom Matulionis se mantinha altaneiro e sempre fiel à Igreja de Cristo, cuja Santa Cruz sua destra empunhou e levantou bem alto, desde os primeiros passos da vida até os últimos.

“Como seminarista, depois pároco e por fim bispo — quer sob o regime czarista, quer depois sob a férula cruel do regime comunista que o perseguiu sem tréguas nem compaixão e o arrastou mais de uma vez ao cárcere, quer nos esplendores dos templos e da liturgia católica, quer enfim na magnificência dos Paços apostólicos do Vaticano, nos quais visitou o Papa Pio XI, então reinante —, Dom Matulionis foi sempre o mesmo.

“Como o mesmo continua nos páramos celestes em que, aos pés da Santíssima Virgem e de seu Divino Filho, estará rezando pelos compatriotas existentes na Lituânia ou esparsos pelo mundo.”

(Autor: Renato Murta de Vasconcelos, ABIM).


domingo, 3 de setembro de 2017

Putin manda silenciar crimes de Stalin

Em 1997, o historiador Yury Dmitrieyev localizou o túmulo de massa de Sandarmokh, Carélia, onde 9500 prisioneiros foram mortos por ordem de Stalin
Em 1997, Yury Dmitrieyev localizou o túmulo de massa de Sandarmokh, Carélia,
onde perto de 9.000 prisioneiros foram assassinados por ordem de Stalin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Yury Dmitrieyev, líder de Memorial, a mais antiga organização de defesa dos direitos humanos da Rússia, dedicou décadas de sua vida a encontrar os lugares onde a polícia política de Stalin, a NKVD, executou milhares de opositores durante o Grande Terror da década de 1930.

Mas isso não agradou Vladimir Putin, ex-coronel da KGB, continuadora da NKVD, que mandou prendê-lo e processá-lo com acusações pelo menos duvidosas, escreveu “Slate”.

No dia 5 de agosto foi o 20º aniversário da descoberta do local da carnificina de Sandormokh, no noroeste da Rússia. Ali foi localizado um dos maiores túmulos coletivos deixados pela URSS, com os restos de mais de 6.000 prisioneiros assassinados no Grande Terror dos anos 1930.

Yury Dmitrieyev foi o primeiro a identificar esse imenso cemitério clandestino em 1997. Porém, não poderá assistir à comemoração do 20º aniversário da descoberta.

Em dezembro de 2016 ele foi encarcerado em circunstâncias estranhas, segundo noticiou o jornal britânico “The Guardian”.

domingo, 27 de agosto de 2017

Mais de dois milhões de russos
veneram as relíquias de São Nicolau de Bari

Surto de fervor por São Nicolau de Bari revela potencial de conversão do povo russo.
Surto de fervor por São Nicolau de Bari revela potencial de conversão do povo russo.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Desde que as relíquias de São Nicolau de Bari foram expostas ao culto público, em virtude de um empréstimo temporário da Igreja Católica, mais de 1.807.600 de moscovitas foram venerá-las.

As filas em Moscou podiam demorar 10 horas para o fiel passar rapidamente, tocando ou beijando a sagrada urna, noticiou o jornal “The Washington Post”. 

Em São Petersburgo, segunda maior cidade russa, a contagem superava 340,000 enquanto prosseguiam as visitas com romeiros chegando de remotas cidades da imensa Rússia.

Essas manifestações maciças de devoção voltaram a patentear as tendências profundas – inimagináveis sem uma ação da graça – que trabalham o povo russo e o predispõem para o dia de sua conversão.

Vladimir Putin parece ter percebido esse horizonte – aliás, já previsto em Fátima – e fez uma adaptação do princípio atribuído a Lenine: como o comunismo gera necessariamente uma reação oposta, façamo-la nós antes que outros a façam.

“Antes que a Rússia se converta, dirijamos nós um pseudo retorno à religião”, parece dizer o Vladimir II (não Lenine, mas Putin). Para isso ele apela ao seu acólito: o Patriarcado de Moscou.

Foi este último que recebeu da Santa Sé as relíquias e as faz girar pela Rússia como se fosse propriedade dele, afastando o protagonismo católico.

domingo, 20 de agosto de 2017

Europa Oriental católica:
esperança para uma Europa Ocidental decaída

Guarda de honra polonesa na cerimônia inaugural do exercício Anaconda com tropas da NATO
Guarda de honra polonesa na cerimônia inaugural
do exercício Anaconda com tropas da NATO
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em discurso pronunciado diante de uma exultante multidão polonesa reunida em Varsóvia, o Presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu a luta do Ocidente contra o “terrorismo islâmico radical” como forma de proteger “nossa civilização e nosso modo de vida”.

Trump perguntou: “Temos a necessária convicção de nossos valores a ponto de defendê-los a qualquer custo?

“Temos o devido respeito pelos nossos cidadãos a ponto de proteger nossas fronteiras?

“Temos o desejo e a coragem suficientes de defender a nossa civilização diante dos que querem subvertê-la e destruí-la?”.

A pergunta de Trump foi concebida para ter um eco positivo e ressoar na Europa Oriental, escreveu Giulio Meotti, editor cultural do jornal italiano Il Foglio.

Foi uma surpresa, um choque. Nossos jornais nem sequer conseguiram reagir. Alguns títulos mais avisados tripudiaram, mas inutilmente, observou Meotti.

Revide único e importante: alguns dias mais tarde, a União Europeia anunciou que começaria os procedimentos para punir a Polônia, a Hungria e a República Checa por se recusarem a aceitar migrantes.

Em resposta, Zoltan Balog, ministro de Recursos Humanos da Hungria, disse o seguinte, sobre o Islã e sua cultura religiosa trazida pelos migrantes:

“A Europa tem uma identidade diferente e é indubitável que as duas culturas não têm condições de coexistir sem conflitos”.

domingo, 13 de agosto de 2017

Exemplo ucraniano inspira resistência venezuelana

Afinidade das situações é muito grande
Afinidade das situações é muito grande
Luis Dufaur
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O documentário Winter on fire foi apresentado e discutido em várias universidades venezuelanas, públicas e privadas, provocando grande impacto entre os estudantes, hoje figuras centrais das marchas opositoras ao governo de Nicolás Maduro, informou “O Globo”.

Segundo declarou ao “Globo” Marcelino Bisbal, professor da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), os estudantes venezuelanos ficaram entusiasmados com o documentário.

Por quê? “Porque o exemplo da Ucrânia mostra que é possível mudar um país fazendo grandes esforços, como estão fazendo todos os venezuelanos”.

Esses grandes esforços envolvem o derramamento abundante de sangue – mais de 100 assassinados pelos esbirros chavistas – e um combate duríssimo no dia-a-dia nas ruas e praças do país

“Aqui já se fala no efeito Ucrânia, pela penetração deste documentário não somente nas universidades, mas também nos bairros, através de associações civis” — disse o professor da UCAB.

“Os jovens se sentem identificados com o exemplo ucraniano, porque aqui também eles são o motor da rebelião”.

domingo, 6 de agosto de 2017

Estátuas de Lenine vão parar em lixões e depósitos

A cabeça do monumento de Dnipropetrovsk foi doada ao Museu Histórico Nacional, mas acabou posta de lado
A cabeça do monumento de Dnipropetrovsk foi doada ao Museu Histórico Nacional,
mas acabou posta de lado
Luis Dufaur
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O fotógrafo suíço Niels Ackermann palmeou a Ucrânia durante três anos juntamente com o jornalista francês Sébastien Gobert de “Libération”.

Eles foram registrar que fim tiveram as inumeráveis estátuas de Lenine hoje desaparecidas dos locais públicos.

Sabia-se que elas haviam sido derrubadas durante o reerguimento do povo ucraniano contra o domínio russo representado pelo regime de Yanukovich (2010-2014).

Mas essa atitude em face das estátuas do tirano acentuou-se ainda mais após aplicação da lei de “desovietização”, de maio de 2015.

Pareceu uma viagem aos porões artísticos do inferno. Os resultados ficaram compilados no álbum “Procurando Lenine” (Looking for Lenin, ed. Noir sur Blanc, Montricher, Suíça, 2017, 176 p.).

Mas o álbum acabou mexendo em algo que ia além do registro fotográfico.

domingo, 30 de julho de 2017

Kremlin tenta forjar um país, a Malorrosía,
para se apossar da Ucrânia

O anunciado país de Malorossía incluiria por completo as regiões de Lugansk e Donetsk. Mas, isso seria só como início de conversa.
O anunciado país de Malorossía incluiria as regiões de Lugansk e Donetsk por completo.
Mas, isso seria só um início de conversa...
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Separatistas pró-russos no leste da Ucrânia proclamaram um novo Estado denominado Malorossía, que significa “Rússia Menor”, mas que de fato é o primeiro passo de um processo que visa engolir quase todo o território da Ucrânia e até parte da Moldávia!

O líder pró-russo Alexander Zajarchenko explicou que o novo Estado se aglutinará em volta das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk. Sua Constituição será votada em referendo e a capital será a cidade de Donetsk, informou “El Mundo” de Madri.

Esses dois territórios sublevados pelo influxo de Moscou já tinham aprovado a secessão num referendo em que os eleitores votavam mirados por fuzis e cujos resultados foram contestados. No dia seguinte os “vencedores” pediram a integração na Federação Russa.

Mas Vladimir Putin não ousou sequer reconhecer a independência desses secessionistas. Seu plano era mais sibilino.

Ele pretendia usar os revoltosos que já estavam sob seu controle para exigir imediatas concessões do governo ucraniano legítimo de Kiev.

Mais na frente, ele esperava usá-los como alavanca para engolir a Ucrânia inteira. Mas a intriga não conseguiu quebrar o patriotismo ucraniano e ficou paralisada.

domingo, 23 de julho de 2017

Recrutamento russo nas redes sociais

A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Ladislav Kasuka redigia sua costumeira diatribe contra o ocidente para um site stalinista checo quando começou a receber mensagens oferecendo-lhe dinheiro para organizar protestos de rua.

Esse foi o ponto de partida de toda uma história objeto de reportagem de “The New York Times”.

A primeira mensagem, recheada de bajulações pelo seu trabalho, chegou em russo, enviada por alguém que ele desconhecia. De início, a oferta foi de 300 euros.

Era para Kasuka, um stalinista checo sem um tostão, comprar bandeiras e cartazes destinados a uma manifestação pública em Praga contra a OTAN e o governo pró-ocidental da Ucrânia.

Logo depois, ofereceram-lhe mais 500 euros para comprar um videocâmara e publicar seus vídeos na internet. Ainda viriam promessas de outras quantias menores. Kasuka ficou surpreso, mas como o dinheiro “era para a boa causa” anticapitalista foi aceitando.

Pouco depois estava enleado numa estranha trama que funcionava nas redes sociais.

domingo, 16 de julho de 2017

A Rússia será católica!

Nossa Senhora de Fátima. Fundo: Moscou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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sócio do IPCO,
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“A Rússia será católica?” não é a interrogação de um sonhador.

Em Fátima, Nossa Senhora patenteou predileção por esse país de dimensões imperiais.

Porque Ela deu a entender que a instauração de seu Reino na terra teria como condição a conversão do mundo russo ao catolicismo.

E a Providência suscitou grandes almas que ofereceram suas vidas pela salvação da Rússia dos Czares. Algumas delas abandonaram os erros que erodiam o país e se converteram no século XIX.

Elas intuíram com fé e muito raciocínio que o dia glorioso da conversão da Rússia acabará chegando.

Foi o caso do Pe. Ivan Gagarin, príncipe russo que ingressou na Companhia de Jesus e é autor de um livro que fez sensação em sua época: “A Rússia será católica?” (La Russie sera-t-elle catholique?, Paris, 1856).

domingo, 9 de julho de 2017

Trump em Varsóvia: virada desconcerta Rússia

O elogio da resistência às agressões russas e à luta por Deus e pela família entusiasmou os poloneses
O elogio da resistência às agressões russas
e à luta por Deus e pela família entusiasmou os poloneses
Luis Dufaur
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A “nova-Rússia” de Putin não esconde sua frustração diante da virada que está se operando na nova administração dos EUA.

Os russos chegaram com desânimo para o encontro Trump-Putin efetivado em Hamburgo. A cita outrora havia sido marcada com imensas expectativas da parte do Kremlin.

O presidente Donald Trump vem surpreendendo o mundo e consternando as esquerdas com posições merecedoras de alto encómio.

Tivemos ocasião de fazer reparos a iniciativas do candidato Trump que não se inseriam numa estratégia de defesa dos valores básicos da civilização ocidental e cristã.

Desta vez, elogiamos o clarividente discurso por ele pronunciado em 6 de julho do presente ano 2017 na Praça Krasiński de Varsóvia.

domingo, 2 de julho de 2017

Rússia à beira do “suicídio demográfico”

Bonecas num ex-jardim de infância em Pripyat, Chernobyl, ilustram o drama da queda da natalidade russa
Bonecas num ex-jardim de infância em Pripyat, abandonada nos dias da ex-URSS,
ilustram o drama da queda da natalidade na "nova-URSS"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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As mais recentes estatísticas demográficas russas continuam apontando para um desastre sem precedentes.

Segundo a agência oficial Rosstat, entre janeiro e fim de maio de 2017 nasceram 70.000 crianças a menos que em idêntico período do ano passado.

Tal queda coloca a Rússia na via do suicídio demográfico, pois a diminuição da população atingiu o “ponto de não retorno”, escreveu a jornalista Jeanne Smits em seu site Reinformation.

Com efeito, a angustiante interrogação levantada pelo Moscow Times, jornal anglófono de oposição e uma das poucas vozes independentes que ressoam na “nova-Rússia”.

A catástrofe dizimou os recrutas do Exército que Putin quer para reconstituir a grandeza militar da falida URSS.

Por isso, o omniarca do Kremlin ordenou políticas favoráveis, meramente materialistas, à natalidade, mas fracassaram. Essencialmente religiosa, a moral familiar não se muda com leis.

domingo, 25 de junho de 2017

Na Síria, Moscou põe o mundo à beira do precipício

Putin tenta cerrar de cima mas seus aviões são facilmente derrubados
Putin tenta cerrar de cima mas seus aviões são facilmente derrubados
Luis Dufaur
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Um avião dos EUA derrubou um bombardeiro sírio que atacava tropas da coalisão internacional em combate contra o Estado Islâmico (ISIS) na província de Raqa, cfr. “El País” de Madri.

O incidente estava anunciado. Apenas não se sabia a data e o local. A aviação russa e sua dependência síria ignoram o memorando de identificação mútua e atacam alvos civis ou pró-americanos dependendo das conveniências de Moscou ou de Damasco.

Segundo os EUA, único que forneceu informações verificáveis do incidente, um caça-bombardeiro 18E Super Hornet agiu em defesa própria contra um Sukhoi SU-22 sírio que bombardeava os aliados curdos e árabes em Yadib, no sul da cidade de Tabqa.

O comando militar russo foi advertido previamente para interromper o ataque sobre “amigos”. Mas o costume russo é ignorar todo aviso.

“As ações hostis de Síria contra forças apoiadas pela coalisão que combate o ISIS não serão toleradas”, advertiu mais uma vez o comando aliado.

domingo, 18 de junho de 2017

Assassinos disfarçados caçam inimigos de Putin
na Ucrânia e no mundo

Osmayev e Amina respondem aos jornalistas sobre a tentativa de assassinato em Kiev
Osmayev e Amina respondem aos jornalistas sobre a tentativa de assassinato
Luis Dufaur
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Um homem alto e elegante, de terno escuro, falando com sotaque francês se apresentou a políticos de Kiev como “Alex Werner”, jornalista do bem conhecido “Le Monde” de Paris, segundo reportagem do “The New York Times”.

“Era calmo e confiante”, lembrou Amina Okuyeva que quase foi morta por ele. O marido de Amina ficou famoso na Ucrânia como voluntário checheno na guerra contra os separatistas no leste do país e “Werner” procurou entrevistá-la várias vezes.

Até que a entrevista marcada virou aterrorizante tiroteio. “Werner” de fato era um assassino checheno enviado da Rússia para matar o herói dos ucranianos. Artur Denisultanov-Kurmakayev era seu verdadeiro nome e fora enviado para matar Amina Okuyeva e seu marido, Adam Osmayev.

Mas o crime ficou frustrado porque Amina estava armada.

Em 2006, o governo russo legalizou os assassinatos praticados no exterior contra adversários que o Kremlin rotula de ameaça terrorista, retomando uma prática da era soviética.

Denisultanov-Kurmakayev se instalou um ano em Kiev, misturando-se com políticos e ativistas anti-Rússia. Mas Amina desconfiava: ele carregava um notebook que quase não usava; seus ternos eram caros demais.

domingo, 11 de junho de 2017

Doutrina ocultista anticristã assoma por trás do “cristianismo putinista”

René Guenon e Fritzhof Schuon, que passaram ao islamismo místico inspiram o 'novo cristianismo que vem da Rússia'
René Guenon e Fritzhof Schuon, que passaram ao islamismo místico
inspiram o 'novo cristianismo que vem da Rússia'
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: O lado oculto da “manobra Putin”



No Colóquio 'Ocidente contra a Europa', assistido por Jeanne Smits, o discurso contra o Ocidente ficou obcecado pela exaltação da herança “heleno-romana e cristã” da Europa, que seria mantida com exclusividade pelo Patriarcado de Moscou.

A jornalista ficou estranhada pela sistemática omissão da herança histórica e cultural católica, ou com a ausência de noções religiosas básicas, como os Dez Mandamentos.

Na abertura, o tesoureiro da Sofrade, Louis de Sivry, saudou a presença dos conselheiros das embaixadas russa e iraniana em Paris. O que tem a ver o Irã governado por fanáticos xiitas com a causa do cristianismo ou da "herança greco-romana?" – perguntou Jeanne Smits em seu site reinformation.tv..

Mas logo lembrou que o presidente da Sofrade possui a empresa Tzar Consulting que acompanha projetos comerciais em “zonas geográficas não convencionais”, especialmente no Irã.

A Rússia de Putin foi o leitmotiv.

Nicola Mirkovic, colaborador da agência Sputnik e da Russia Today – dois grupos da propaganda putinista –, propôs substituir a União Europeia por uma União que vá de Brest (no Atlântico) até Vladivostok (no Pacífico).

Em outros termos trocar Bruxelas por Moscou num esquema mais esmagador das identidades nacionais do que a atual UE.

domingo, 4 de junho de 2017

O lado oculto da “manobra Putin”

Jeanne Smits quis saber o que havia por trás do fascínio de Putin sobre pessoas que seriam suas vítimas
Jeanne Smits quis saber o que havia por trás
do fascínio de Putin sobre pessoas que seriam suas vítimas
Luis Dufaur
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Jeanne Smits, ex-diretora de redação e ex-gerente de “Présent”, jornal que funciona como porta-voz oficioso do Front National de Marine Le Pen, conhece bem os meandros dos movimentos da direita europeia.

Como jornalista, participou em Paris do colóquio O Ocidente contra a Europa, organizado pela Sofrade (Société française de démographie) e presidido singularmente de Moscou por Fabrice Sorlin.

O evento se realizou em 1º de abril no auditório da Maison de la Chimie com a presença de movimentos de países europeus e sobretudo da “Grande Rússia”.

Jeanne Smits apresentou um pormenorizado relato em seu site reinformation.tv.

Ela queria saber de onde provém a admiração por Vladimir Putin de amigos seus, pertencentes a grupos identitários, soberanistas e anti-imigração, que julgam ver no ex-coronel da KGB um líder defensor da família, uma muralha contra o liberalismo americano, o terrorismo islâmico, etc.

O fenômeno é tão singular que, segundo a jornalista, dez dias antes das eleições, em plena campanha presidencial, Marine Le Pen foi procurar “uma forma de sagração por Vladimir Putin em Moscou”.

O gesto foi qualificado como “corajoso e bem-vindo” por Philippe de Villiers, político que defende posições opostas à ideologia dos pensadores próximos de Putin, como Aleksandr Dugin – o “Rasputin de Putin” – e o “oligarca” Konstantin Malofeev.

No Colóquio, Smits teve uma imensa surpresa.

domingo, 28 de maio de 2017

Guerra da informação:
semeando o caos nas vítimas

Luis Dufaur
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continuação do post anterior: A cartada de Putin: dividir para imperar, adormecer para esmagar




A TV NBC explorou uma contradição do presidente Trump, quando ele disse em entrevista que demitira Comey por iniciativa própria, “por essa coisa da Rússia”.

Mas na carta de destituição, Trump dizia que agiu por recomendação do Procurador-geral de Justiça e do vice-Procurador-geral de Justiça da União.

Contribuíndo à confusão, Andrew McCabe, chefe em funções interinas no FBI, contradisse a Casa Branca em tudo que se refere à exoneração de Comey.

Sarah Huckabee Sanders, filha de um aliado de Trump e porta-voz deste, declarou que Comey havia cometido atrocidades no FBI. Mas McCabe replicou que a imensa maioria do pessoal do FBI tinha uma visão positiva de Comey.

Retomando sua saraivada de acusações, “The Washington Post” – o maior jornal de Washington, declaradamente inscrito na oposição democrata –, acusou o presidente Trump de ter revelado informações das mais secretas ao ministro russo de Relações Exteriores numa reunião na Casa Branca.

Até os serviços secretos israelenses teriam manifestado temor pelo vazamento de informações confidenciais para a Rússia, segundo o jornal “Haaretz”, citado pelo site “Slate”. 

A troca de acusações e desmentidos pegou fogo sem nada esclarecer definitivamente. O chanceler russo Sergei Lavrov e o embaixador Sergey Kislyak — já envolvido em controvérsias anteriores — ficaram no centro das atenções.

Foi ilegal? Há argumentos num sentido e noutro.

Como presidente pode, mas o modo de fazê-lo pode ser danoso e violar a lei. A CIA e a NSA tiraram o corpo do problema. Os funcionários amigos de Trump dizem que tudo é um falso.

O presidente disse ter falado com o chanceler russo sobre a ameaça islâmica. Mas o comunicado da Casa Branca sobre a reunião nada menciona sobre isso. E sublinha que o presidente “levantou a questão da Ucrânia” e “enfatizou seu desejo de construir um melhor relacionamento entre os EUA e a Rússia”.

Para maior confusão, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, H.R. McMaster, negou a veracidade da informação de “The Washington Post”, escreveu “El Mundo”.

domingo, 21 de maio de 2017

A cartada de Putin: dividir para imperar,
adormecer para esmagar

A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin. Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin.
Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
Luis Dufaur
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Quando a bandeira vermelha com a foice e o martelo foi arriada no Kremlin em sinal da extinção do império marxista-leninista da URSS, o mundo suspirou aliviado.

Mas, nos antros não visíveis a olho nu que deram origem a essa imensa central do mal, preparava-se outra coisa que poucos ousavam imaginar.

“O comunismo morreu!” clamaram com júbilo os potentados de mídia e da economia ocidental que até havia pouco se resignavam a capitular diante do monstro vermelho cujo trono estava no Kremlin.

Houve poucos, muito poucos, que não caíram na cilada. Entre eles destacou-se como figura de exceção, um grande brasileiro: o prof. Plínio Corrêa de Oliveira.

Acompanhando acuradamente o noticiário nacional e internacional, ele foi formando uma ponderada, mas previsora conclusão: o comunismo não estava conseguindo conquistar as massas e por isso entrava em crise.

Para tentar superar essa crise, ele poderia tentar uma manobra – entre outras – que consistiria em fingir uma extinção que desarmasse os oponentes. Quando estes se adormecessem, ele desferiria um golpe de grandes proporções.

O plano não era novo. O esboço dele apareceu em conferência de Dimitri Z. Manuilski, primeiro secretário do Partido Comunista da Ucrânia.

domingo, 14 de maio de 2017

A ‘cruzada’ de Stalin para salvar o cristianismo em 1941: truque revivido por Putin

'Santinho' soviético: Santa Olga se aparece a Stalin e o aconselha na II Guerra Mundial
'Santinho' soviético: Santa Olga se aparece a Stalin
e o aconselha na II Guerra Mundial
Luis Dufaur
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A “nova-Rússia” está extremando seus artifícios para tentar cativar cristãos e conservadores no Ocidente.

O curioso é que essa artimanha não é nova. Já foi tentada pelos serviços secretos soviéticos em outras circunstâncias.

Notadamente nos tempos de Stalin a quem Vladimir Putin se refere como seu modelo de governante.

O procedimento foi tão desprovido de moralidade que na época não pareceu acreditável. O Pe. Robert A. Graham S.I. há mais de 30 anos lhe consagrou um alentado estudo no qual pode restaurar os inacreditáveis procedimentos da guerra da informação russa.

O trabalho apareceu na revista “La Civiltà Cattolica” nº 3186, de 19 de março de 1983 (págs. 533 a 547). Fundamentamos este post nessa conscienciosa matéria publicada sob o título:  “A cruzada de Stalin contra «o anticristo» Hitler – A «Rádio cristã» do Komintern em 1941” (“La crociata di Stalin contro «l'anticristo» Hitler – La «Radio cristiana» del Comintern nel 1941”.

Em 1941, Hitler invadiu Rússia sem atender a aliança conhecida como pacto Ribbentrop-Molotov (23 agosto 1939) em virtude do qual Moscou e Berlim aliadas desencadearam a II Guerra Mundial.

Pouco depois, os radioamadores ficaram surpresos ouvindo uma linguagem inesperada vinda da Rússia dos sovietes.

Nas ondas da Rádio Moscou os cristãos eram exortados a se unirem pela defesa da cristandade.

domingo, 7 de maio de 2017

Paroxismo da desinformação russa: a mensagem de Fátima e a ‘missão providencial’ de Putin

A desinformação russa veicula no Ocidente  que Putin teria a “missão providencial” de salvar o cristianismo
A desinformação russa veicula no Ocidente
que Putin teria a “missão providencial” de salvar o cristianismo
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Manipulação da mensagem de Fátima pela Rússia



No Ocidente está havendo crescentes reações boas contra a ofensiva da Revolução Cultural de substância marxista-gramsciana.

Tentando explorá-las, a propaganda do Kremlin passou a apresentar cinicamente a Rússia de Putin como um sedutor porto da salvação de onde pode vir o reerguimento moral e intelectual dos cristãos perseguidos.

E essa manipulação atingiu o exagero procurando inverter os termos da advertência de Nossa Senhora em Fátima contra os “erros da Rússia” para transformá-los nos “erros de Ocidente”, segundo constatou Jeanne Smits, ex-diretora e ex-gerente do jornal “Présent” ligado ao Front National, partido amigo do Kremlin, em seu site Reinformation.tv.

Líderes políticos de “direita” e até de “extrema direita”, escreveu Smits, passaram a ser recebidos em Moscou como romeiros que procuram as bênçãos de um novo Carlos Magno.

Embora ele declare que conserva piedosamente sua carteirinha do Partido Comunista da URSS...