domingo, 21 de maio de 2017

A cartada de Putin: dividir para imperar,
adormecer para esmagar

A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin. Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin.
Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Quando a bandeira vermelha com a foice e o martelo foi arriada no Kremlin em sinal da extinção do império marxista-leninista da URSS, o mundo suspirou aliviado.

Mas, nos antros não visíveis a olho nu que deram origem a essa imensa central do mal, preparava-se outra coisa que poucos ousavam imaginar.

“O comunismo morreu!” clamaram com júbilo os potentados de mídia e da economia ocidental que até havia pouco se resignavam a capitular diante do monstro vermelho cujo trono estava no Kremlin.

Houve poucos, muito poucos, que não caíram na cilada. Entre eles destacou-se como figura de exceção, um grande brasileiro: o prof. Plínio Corrêa de Oliveira.

Acompanhando acuradamente o noticiário nacional e internacional, ele foi formando uma ponderada, mas previsora conclusão: o comunismo não estava conseguindo conquistar as massas e por isso entrava em crise.

Para tentar superar essa crise, ele poderia tentar uma manobra – entre outras – que consistiria em fingir uma extinção que desarmasse os oponentes. Quando estes se adormecessem, ele desferiria um golpe de grandes proporções.

O plano não era novo. O esboço dele apareceu em conferência de Dimitri Z. Manuilski, primeiro secretário do Partido Comunista da Ucrânia.



O Dr. Plinio reproduziu os parágrafos nevrálgicos no artigo “A burguesia deverá ser adormecida”, que ele publicou em sua coluna da “Folha de S. Paulo” em 17 de outubro de 1971:

Dmitri Manuilski, chefe da delegação ucraniana na conferência de San Francisco, 1945, que preparou a Carta das Nações Unidas e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
Dmitri Manuilski, chefe da delegação ucraniana
na conferência de San Francisco, 1945,
que preparou a Carta das Nações Unidas
e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
“A guerra de morte entre o comunismo e o capitalismo é inevitável.

“Hoje, evidentemente, não somos bastante fortes para atacar. Nossa hora chegará dentro de 20 ou 30 anos.

“Para vencer, necessitaremos de um elemento de surpresa. A burguesia deverá ser adormecida.

“Começaremos lançando o mais espetacular movimento de paz que jamais tenha existido.

“Haverá proposições eletrizantes e concessões extraordinárias.

“Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição.

“Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade.

“No mesmo instante em que baixem sua guarda, os achataremos com nosso punho cerrado”.

(Dimitri Z. Manuilski, conferência em 1931 na Escola Lenine de Guerra Política, apud Jean Ousset. “El marxismo leninismo”. Editorial Iction, Buenos Aires, 2a. ed., 1963 p. 113).

O tempo passou, a manobra se definiu, e um brado percorreu a terra: “o comunismo morreu!”

Nada foi feito para desmontar as redes que a URSS tinha deixado nos países livres. Enquanto esses se distendiam, as redes se metamorfoseavam e infiltravam os pontos chaves dos países que o comunismo visava conquistar o dia em que voltasse travestido.

Aconteceu nos EUA também. Eles foram sendo absorvidos por problemas gravíssimos como Islã, e foram sendo adormecidos para abaixar as prevenções contra o comunismo. Desviaram o olhar ou até o fecharam diante do pior inimigo.

Putin mandou bajular Trump e favorecer sua candidatura. Por trás da mão estendida, está preparado o punho cerrado.
Putin mandou bajular Trump e favorecer sua candidatura.
Por trás da mão estendida, está preparado o punho cerrado.
Um dia um agente da KGB apareceu dirigindo a campanha eleitoral do candidato que conquistaria a presidência do país, Donald Trump.

O escândalo foi grande, o agente da Rússia e sua equipe tiveram que renunciar.

O próprio Donald Trump, tal vez desprevenidamente, fez grandes negócios na Rússia que pagava esses agentes da KGB. O candidato mostrava afinidade com o ex-coronel da KGB que assumiu o comando do Kremlin.

E Vladimir Putin lhe enviava elogios e sorrisinhos.

Vieram ainda à luz outros passos rumorosos da infiltração russa na administração que Trump está montando.

O então conselheiro de Segurança Nacional Mike Flynn se demitiu após a revelação de contatos mal esclarecido com altos representantes de Moscou.

Mais recentemente, James Comey chefe da poderosa FBI foi demitido. Ele teria cometido o “erro” de aprofundar a investigação sobre a ingerência russa nas eleições presidências americanas.

Dan Coats, senador do partido de Trump, declarou ante o Comitê de Inteligência do Senado que só as mais altas instâncias da Rússia poderiam ter autorizado o roubo e a filtração de dados verificado durante o pleito eleitoral.

O senador democrata Mark Warner perguntou aos diretores da CIA, da NSA – a agência de espionagem eletrônica – e do FBI se o governo russo teria interferido nas eleições de 2016, a resposta foi unânime: Sim, escreveu “El Mundo” de Madri.




Um comentário:

  1. Quer dizer que Donald Trump ataca a Síria e cerca a Coréia do Norte(dois aliados históricos da Rússia) e ainda assim é uma "fantoche" de Putin? Faça-me o favor!

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